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22 julho, 2009

Outra seleta de mais versos meus



Um apanhado de alguns versos de julho 2009, com certeza um mês em que - em todo o mundo, com planos maciços de midia - os laboratórios fármacos-químicos se atiraram à influenza como nunca se dedicaram à esquistossomíase.

Diárreia, que ainda mata milhões de crianças no planeta, como nos lembra Ferreira Gular, no poema Bomba Suja, na publicação dentro da Noite Veloz, tem charme algum mesmo.

Ainda que fale de amor, estou no mundo, como você, leitor.

Clique aqui para acessar poemethos 9

28 novembro, 2008

Flor da Pedra




Cida Almeida é poeta que não teme a esfinge, que nos interroga a todos na jornada. Alma atenta, observa no desafio pedra por pedra do caminho.
Percebe nele e nelas as belezas do tempo, do chão da estrada, do vôo do pássaro, das flores que abrem lentas, dos colibris mesmo que se recolhem no inverno, para algum lugar em que apenas o coração vê.
Por tempos se afasta disso, e é apenas uma pessoa comum, como colega jornalista, como bacharel de direito, como filha, como irmã apaixonada pela família, como zelosa criatura cujas perdas são pranteadas, mas não lhe são carga, e sim doces recordações, como do avô intrépido aventureiro, da mãe zelosa da fortaleza física dos filhos tantos que gerou.
Ama o pai, ama a natureza, ama as pessoas.
Cida Almeida ama, sobretudo, a poesia que encontra nas palavras e mesmo as palavras todas, a velocidade ou a lentidão delas, do que muito sabe; o vigor ou a docilidade graciosa que revelam... A paz ou a força bruta que denotam.
Assim é que ama os poemas também e, arrisco, tem em Manuel Bandeira um guia para esse amor ao verso.
Cida Almeida ama e o diz com uma propriedade ímpar, como você vai encontrar nesse primeiro livro de poemas dela, embora, saibamos todas as pessoas que já a conhecem, sempre escreveu. E também haja dor.
Não conheço Cida Almeida pessoalmente, mas é como se sempre a tivesse a meu lado, desde que nos encontramos nas esquinas informatizadas da vida.
Pertencemos a esse mesmo novo Clube da Esquina, portanto...
É uma amiga que entrevisto, embora seja colega de profissão e eu até risque alguns versos toscos para deixar de mim aos meus.

Na apresentação desta primeira obra, a professora Maria Luiza Oswald, diz que há em Cida Almeida “poética da alteridade e produção de sentidos que põe fundura no amor que devotamos à palavra... porque escrever para o outro é inscrever-se no outro como tatuagem, e isso supõe eximir-se do esquecimento do outro”.

Quanto à leitura de Cida Almeida, Maria Luiza Oswald impressiona: “fui atravessada por sentidos adormecidos... Lendo Cida, meus sentidos explodiram: revivi, me reinventei. Só a palavra poética desentoca isso no outro, só a palavra que é forjada no mais intenso amor provoca no outro a experiência da pedra e da flor.”

O poeta Renato Torres, corrobora:

Eu espreito e temo o rolar da pedra
No rolar das pedras do dia
A pedra grande
A impensável pedra
Na fundura da espera (...)
A pedra inominável
A inarredável pedra.

Pedra que se move versus pedra inamovível – uma antítese que filosofa sem resposta, e que brinca de ser, transmutando-se. A pedra, em Cida, também é a flor. O mistério mineral, que, como no mito bíblico, ergue o barro que respira e fala – a palavra – e quer ressoar, um eco, até a última palavra.

Eu costumo dizer já há algum tempo que de poemas não se fazem resenhas.
Lê-se-os, até em voz alta; recortam-se trechos, diz-se-os, fazem-se cópias inteiras.
São sentimentos que deitam-se em palavras.
Escolho o trecho de um para ilustrar o que digo de Cida Almeida e seu Flor da Pedra.

A rosa metálica

Tilinta
No coar das tardes
A rosa metálica
Que o mágico tira da cartola

Tilinta
No eu infinito
A palavra
Abracadabra
Abra-cadabra
Abra cada
Dabra
E dobra
Dobra

Tilinta
Sem nenhuma magia
A Rosa
Metálica
No fundo da cartola
Desses dias de manhãs puídas
Dessas tardes sonâmbulas
Vagas noites que me engolem
...


Chegamos à entrevista, para conhecer um pouquinho da autora, porque Flor de Pedra você vai amar quando ler.




Adroaldo Bauer - Estás muito apreensiva, Cida, ou só muito feliz...
o filhote já cheirando à tinta?
Cida Almeida – Chegar até o cheiro da tinta é um processo sofrido e difícil, mas também de muito aprendizado. A edição do Flor da Pedra me deu novos referenciais. Mais do que escrever o livro, fazer o objeto-livro é uma aventura. Apreensiva? No começo fiquei muito apreensiva. Agora, às vésperas de deixar o livro-pássaro voar, estou muito feliz com o resultado e com o aprendizado. Espero estar preparada para o olhar do outro.

Adroaldo Bauer – Já tem a data do lançamento?
Cida Almeida – O lançamento será na próxima quarta-feira, 3 de dezembro, às 20 horas, na Fundação Jaime Câmara. O espaço da Fundação Jaime Câmara é maravilhoso, com uma galeria de artes, e tem apoiado os artistas goianos. Estou também preparando um blog do Flor da Pedra para o processo de divulgação do livro, depois do lançamento.

Adroaldo Bauer - Agora estás na boca do povo...
Cida Almeida - O que bate é aquela tamanha dúvida. Será que estou fazendo a coisa certa em me aventurar assim para a materialidade definitiva de um livro? O livro já está feito. E o resultado ficou muito bom. Está sendo publicado graças à Lei de Incentivo à Cultura do Município de Goiânia, que funciona muito bem e tem dado aos escritores goianos oportunidade de publicação. Apresentei o projeto e, sem que esperasse, foi aprovado. A partir daí, começou a aventura com a realização do projeto, o cumprimento dos prazos e a prestação de contas.

Adroaldo Bauer - O teu nome inteiro?
Cida Almeida - Maria Aparecida de Almeida

Adroaldo Bauer - Quantos são teus irmãos? Há mais algum das artes entre eles?
Cida Almeida - Somos cinco irmãos, três mulheres e dois homens. Meu pai, Jerônimo Duarte, é músico e poeta natos, isso sem ter escrito uma linha. É uma enciclopédia viva de música caipira de raiz. No aniversário dele de 73 anos, incentivado pelos acordes do meu sobrinho de 15 anos, que toca muito bem violão e viola (apaixonou-se pelo instrumento por influência do meu pai), decidiu entrar junto com ele num curso de viola. Na primeira aula já estava ensinando o professor e não ficou nem um mês no curso. Não posso nem dizer que toca de ouvido. Por um método lá dele, vai dedilhando e tirando a música do fundo da memória. De vez em quando ele dispara a falar algumas coisas que deixa todo mundo embasbacado, como a análise de um quadro que tinha a imagem de Van Gogh dentro de um vaso de areia. Foi um delírio artístico estupendo! A minha irmã caçula, Jordanna, toca piano, é professora de música e mestranda na área pela UFG e que, por sinal, escreve muitíssimo bem, fato que só descobri agora. A minha outra irmã, Gisélia, é fotógrafa. Mas o artista mesmo, lá em casa, é meu pai. Meu pai sempre foi o sonho, o delírio que habita todos nós. Já minha mãe, Diva (que faleceu há três anos), sempre foi o feijão, a praticidade em pessoa.

Adroaldo Bauer - És natural de onde?
Cida Almeida - Eu nasci em Jandaia, município distante 100 quilômetros de Goiânia, numa fazenda que o meu avô, Belisário, ajudou a abrir. Ele veio de Minas para Goiás em carro de boi. Vivo em Goiânia, desde criança, em Campinas, bairro que nasceu antes de Goiânia.

Adroaldo Bauer - Inda atuas na imprensa?
Cida Almeida - Além de Jornalismo, também fiz Direito. Fiz os dois cursos praticamente ao mesmo tempo, pela Universidade Federal de Goiás. Estudava pela manhã e à noite e trabalhava à tarde. Saí da faculdade e ingressei no mercado de trabalho. Fui repórter dos jornais Diário da Manhã e da sucursal de Goiânia do Correio Braziliense. Trabalhei como repórter em todas as áreas. Acho que só não enveredei pelo esporte. Fiquei um bom tempo em editorias de política, cultura e especial. Mas, do que gostei mesmo, foi ser repórter de Cidades. E uma das provas de fogo foi a cobertura do acidente radioativo de Goiânia, ocorrido em 1987. Atualmente trabalho com assessoria de imprensa na área de ciência e tecnologia.

Adroaldo Bauer- Quando te sentiste poeta?
Cida Almeida - Sempre gostei de escrever. Isso começou por volta dos 13 anos. A opção pelo jornalismo aconteceu como um caminho natural de alguém que gostava da palavra e, principalmente, da palavra escrita. Acho que desde sempre. Desde que me entendo por gente.

Adroaldo Bauer- Essa tua timidez de poeta (ou poetisa)?
Cida Almeida – Tanto faz. Mas poeta me agrada mais que poetisa pela sonoridade. Quando digo, sou poeta, encho a boca e a alma. E adoro aquele verso do Maiakóviski: “Sou poeta. Isso é o que me faz interessante”.

Adroaldo Bauer - Desde sempre é diferente! Vem dizer que és pessoa que escreve. Escrever é uma coisa, a poesia te cobra que ponhas as letras em torrente no rumo que a alma impõe...
Cida Almeida - Aos 20 anos eu já tinha uma produção, em poesia, que me agradava muito. Se não me engano, em 87, cheguei a ter um poema classificado em 3º lugar num concurso do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás, que rendeu até a publicação em um livrinho artesanal. Isso me encheu de contentamento. É um poema que caberia muito bem no Flor da Pedra. Dos 20 aos 25 anos também produzi muito para as gavetas. E só retomei a coisa em 2005. Dei aquela parada brusca e fui pra vida.

Adroaldo Bauer – Parou como?
Cida Almeida - Como a poesia era muito exigente, decidi viver, tocar a vida em frente. E a poesia me agarrou de novo pelos tornozelos. A poesia é muito exigente, acaba virando uma compulsão. Então, desliguei tudo, para não deixar brechas. E foi num momento de extrema fragilidade que a poesia me pegou de jeito novamente e devolveu a alegria e o prazer da palavra. Tem um poema do Flor da Pedra, o Ela, em que falo exatamente desta relação exigente da poesia, que pode ser resumida num verso: Ela bailarina/Eu sapatilha.

Adroaldo Bauer - Pensavas que podias deixá-la ali, dormitando, a um canto, sem que te viesse a incomodar ou a percebia te vigiando, querendo te assaltar alguma noite, algum dia de chuva forte, numa outra tarde de primavera?
Cida Almeida - A poesia sempre vinha. De um jeito ou de outro. Eu só não deixava mais brechas para ela escorregar para o papel. As minhas imagens mentais, as minhas construções verbais, mesmo em pensamento, sempre foram muito poéticas.

Adroaldo Bauer - Quando te apercebes que já era um livro que podias editar, não mais versos soltos, ou histórias isoladas, separadas?
Cida Almeida - Quando comecei a publicar na Internet foi uma espécie de sentinela para a disciplina do ato de escrever diariamente ou pelo menos com mais freqüência. Aí, ficou mais fácil organizar os poemas e sistematizar uma proposta de livro. O grande teste aconteceu na Internet, com a publicação no blog e, principalmente, no Overmundo (um site sobre cultura produzida por brasileiros). O retorno imediato das impressões dos leitores acaba por encher a gente de coragem. Os poemas que compõem o Flor da Pedra foram feitos ao longo dos três últimos anos, de 2005 pra cá. Poemas que eu fazia e publicava na rede. Uma produção despretensiosa. Fui retomando o gosto pela escrita, pela poesia. Uma coisa muito prazerosa. Com certeza foi o período da minha vida em que mais produzi. Não só poesia, mas crônicas, artigos.

Adroaldo Bauer – Todos estão já na web ou há inéditos?
Cida Almeida – A maioria publiquei na Internet. Mas, alguns só estão no livro.

Adroaldo Bauer – Como foram a produção, a editoração...
Cida Almeida – Quando decidi publicar o livro, no começo de 2007, procurei o jornalista e escritor Itamar Pires Ribeiro, que é meu amigo e o melhor editor de livros de Goiás, já foi presidente do Instituto Goiano do Livro. O Itamar fez todo o projeto visual do livro, capa e miolo, além da organização dos poemas. E também está lançando o seu sexto livro (contos), Histórias da Terra Vazia, uma semana antes do meu.

Adroaldo - A decisão de mandar projeto para financiamento público foi de quando e tu mesmo preencheste a papelada ou pedste ajuda a algum produtor?
Cida Almeida - O livro já estava pronto. Amigos me incentivaram, cutucaram, insistiram para que eu participasse do edital. O mais importante eu já tinha, que era a proposta de livro, com o material todo organizado. Li o edital com um amigo escritor, Antônio Carlos, que já tinha uma experiência no ramo e partimos para a papelada, contas, orçamentos, tabelas, justificativas, propostas de contrapartida como forma de promover a socialização do produto incentivado...

Adroaldo Bauer - Tens um programa acoplado, do tipo conversar com leitores, destinar parte da produção a bibliotecas comunitárias, escolares, populares...
Cida Almeida - Além do lançamento geral, que acontecerá na Fundação Jaime Câmara, fiz pré-lançamentos em cinco escolas da rede municipal na periferia de Goiânia, todas em bairros da Região de Campinas, onde cresci e vivo até hoje. Uma delas, Escola Municipal Padre Pelágio, foi onde conclui o primário. Foi muito gratificante voltar à escola. A diretora de lá estudou comigo na escola que dirige hoje. A conversa com as crianças foi animadora. Encontrei uma escola envolvente, criativa e participava, com sala de leitura e os alunos envolvidos com arte como atividade extracurricular. Foi muito bom narrar para elas a minha experiência na escola e com o mundo da leitura. A Jordanna Duarte, minha irmã, deu um toque especial a esse pré-lançamento. Ela construiu uma historinha para uma apresentação cênica de quatro poemas do Flor da Pedra, com cartola, flor e peneira. Também doei livros para as bibliotecas e salas de leitura dessas escolas.

Adroaldo Bauer - A sessão de lançamento vai ser um sarau ou só receberás os convidados, interessados? Alguém já musicou algum poema teu que está no livro e vai tocar lá na hora e cantar. Alguém está fazendo isso para te dar de presente ou te surpreender, mas já sabes?
Cida Almeida – Haverá, durante o lançamento, um pequeno recital de poesia do Flor da Pedra, com participação da atriz e diretora teatral Valéria Braga, o professor de literatura e escritor Álvaro Catelan – responsável pela formação de muita gente boa -, dos músicos Jordanna Duarte e Hermes Soares. Fui num ensaio deles e fiquei surpresa quando a Valéria e o Rodrigo Cunha, ator que tem um trabalho fantástico com percussão vocal, improvisaram um rap com o poema Palavra de Mover Montanha. Fiquei extasiada, porque ficou lindo, lindo. Pedi que eles repetissem a brincadeira no recital do lançamento...

Adroaldo Bauer – Uma festa grande, sarau completo, então...
Cida Almeida - Mas a minha ambição com o Flor da Pedra é levá-lo para o palco. Eu gostaria muito de ver o Flor da Pedra nas mãos de um Hugo Rodas, diretor teatral de primeiríssima grandeza que mexe profundamente comigo. Depois de ver um trabalho do Hugo Rodas, o olhar da gente muda completamente. Também gosto de sonhar.

Adroaldo Bauer - A capa do livro é já esse teu sonho, um azul cascalho (seixo rolado) e um vermelho antigo. Quem a fez?
Cida Almeida – Capa, ilustrações, projeto gráfico, tudo do Itamar Pires. As ilustrações foram feitas a partir de fotos, muitas delas minhas. O livro tem um formato quase quadrado. A parte cinza, pedra vulcanizada, com essa marca menor, em formato de livro, com o nome Flor da Pedra, em vermelho, onde se pode visualizar na pedra em alto relevo um formato de asas. É uma capa muito sugestiva, que casou perfeitamente com a proposta do livro. Dá margem a algumas abstrações.

Adroaldo Bauer – É, mas é pedra, guria!
Cida Almeida - Sim. Mas o camarada tem que forçar muito a vista para ver a dimensão da pedra.

Adroaldo Bauer - Nada. Salta aos olhos. Está no título. E na imagem em camadas. Quantas páginas? E as ilustrações?

Cida Almeida – 160 páginas e muitas ilustrações.

Adroaldo Bauer – E a venda? A distribuição para livrarias? Vais vender pela Internet, pelo blog, entregar pelo correio?

Cida Almeida – Mais do que a publicação, o grande problema para os autores é a distribuição do livro. A distribuição do meu livro será feita pela Editora Kelps, aqui de Goiânia. Ainda estou acertando detalhes. Mas pretendo, sim, vender pela Internet, que é um meio muito ágil de se chegar ao leitor. Tenho comprado muito pela Internet, direto dos autores. O preço do livro é R$ 20,00.

05 novembro, 2008

Nada Muda. Tudo Muda!



Obama é eleito presidente.

Nada muda.

Tudo muda.

É tudo igual.

É tudo diferente.

Épico que seja o primeiro homem não branco a ser presidente dos EUA.

O povo mais racista do continente americano, equivalente aos famigerados colonialistas sul-africanos até a derrubada do apartheid têm uma lição a mais a aprender.

Valeu Walt Withman

Valeu Muhamad Ali

Valeu Malcon X

Valeu Jimmi Hendrix.

Valeu Tina Turner!

Valeu Ângela Davis.

Valeu Martin Luther King.

Avante Obama!

Viva todos os que sempre lutamos pela igualdade de direitos e respeito às diferenças contra a injustiça em qualquer lugar do planeta.

09 outubro, 2008

Em memória de Che Guevara e Luiz Pilla Vares


Da direita, em pé, Glênio Peres, Pilla Vares, Léa Aragón, eu, Jorge Waithers, o punho erguido.
Sentado, à direita, Carlos Araújo, ao lado de um diplomata cubano, na década de 1980.


Nesse oito de outubro de 2008,
Meu terno abraço, camarada
Nossos inimigos de ontem
Ainda hoje comprovam.
Por inépcia e desumanidade.
A justeza dos teus ideais.
A exploração do trabalho
Pela propriedade privada
Produtiva ou especulativa
Gerou demência mundial
Na sociedade, a falência.
Nos negócios até legais.
Alguns, poucos, raros...
Grandes seguradoras e bancos
Recebem dinheiro dos estados
(comitês executivos dos de cima)
É sangue e suor de multidões
Os aventureiros tão incapazes
Quanto gananciosos fraudam até a si
Agora pedem penicos, camarada.
Roubar o mundo todo é o objetivo,
Que os produtores paguem falências
Especulação. Correm por socorro
Banqueiros e farsantes à estatização
Negocistas privatistas arrombam bolsas
Sobrevalorizam a moeda podre, tontos
Capital do comércio fantasma, espanto
A usura restou no remanso, boiando
Furou o pneu da bicicleta do ano
Escapou a correia na descendente
É lomba abaixo e catraca, gente!
Minha mãe, já bem vivida,
Recomenda a quem o tenha:
Segure o rabinho
Do seu porquinho,
Com a mão, camarada
Em seguradora não.

*-*-*-*

Doloroso momento.
Luiz Paulo de Pilla Vares, acatado intelectual socialista gaúcho, faleceu na madrugada de hoje, 9.10.2008, em Porto Alegre.
Será velado a partir das 13 horas no crematório metropolitano, na Avenida Oscar Pereira. A cerimônia de despedidas ocorrerá às 20 horas.

*-*-*-*

Oportuno que se diga de Pilla Vares agora o que sempre disse a ele em vida.
E que torne a agradecer o muito que me permitiu aprender na caminhada com ele. O que de certa forma facilitou que lhe pedisse para apreciar criticamente como sempre fez com escritos e, se o quisesse, apresentasse o meu primeiro livro O dia do descanso de Deus, o que, para minha felicidade, ele acabou por fazer, pelo que muito lhe sou grato.

Foi o Pilla Vares um intelectual de competência, que falava ao povo das necessidades das pessoas e das classes. E da paciência para que se pudesse examinar as circunstâncias, conservar o necessário e transformar o requerido, em movimento dialético permanente, o que defende na obra Socialismo e Liberdade e em muitos artigos sobre política.

Amigo simples e terno, um trabalhador incansável pela conscientização sobre a realidade e a necessidade dos gestos de verdadeira mudança, da revolução dos de baixo, pelo fim da iniqüidade.

O acompanhei no sindicato dos jornalistas gaúchos e mais tarde na secretaria da cultura do município e na do estado, um pouco antes, no PT, para onde sempre insisti que viesse estar com outros socialistas que lutavam pela liberdade, desde que começamos a trabalhar em 1980 no jornal Zero Hora.
Adeus Camarada.
Agora és Luz!

06 outubro, 2008

Se o pássaro voa



Sim, eu prefiro
Se posso escolher
Sim, eu prefiro ser

Sempre vou preferir
Eu prefiro
martelo nem prego

Apenas ser
Se eu puder escolher
Sim, sempre vou preferir

Seja alegre aquilo
Seja isto triste
Eu prefiro ser teu

Eu te prefiro minha
Uma floresta toda
Toda uma rua

Sim eu prefiro ser
Um caminho, um lugar
Que aprecies e ames

Enquanto eu puder ser
Certamente iria preferir
Nem ainda sei velejar

23 setembro, 2008

17 setembro, 2008

Um amor que consome a alma

Esse amor tão fera
tanto dilacera que
consome a alma nas
chamas que venera

Correspondido, arma
de coragem a flama.
Negado, será bandido.

O coração despedaçado
A vida em passo trôpego
A jornada dum triste louco

Se muito, é sempre pouco
Se pouco, é quase nada.
Assim é que me consome.

Fiquei então sem muito mais
Um perfume de rosa na mão
Esse doído cravo no coração


Cíntia Thomé
, poeta, autora de Olhos de folha minha

Ela e o poema

O poema te segue onde estejas...
E não é vão.
Tu, os versos a encontram,
às vezes nua,
muita vez prenhe de emoção.
Ainda que doa,
vazia não estás.
Crias.
Percebes o mundo
Que há poesia

16 setembro, 2008

Um amor que consome a alma

Esse amor tão fera
tanto dilacera que
consome a alma nas
chamas que venera

Correspondido, arma
de coragem a flama.
Negado, será bandido.

O coração despedaçado
A vida em passo trôpego
A jornada dum triste louco

Se muito, é sempre pouco
Se pouco, é quase nada.
Assim é que me consome.

Fiquei então sem muito mais
Um perfume de rosa na mão
Esse doído cravo no coração

07 setembro, 2008

Saudades do impossível amor

Hoje o sol não venceu as nuvens
Eu não venci a saudade de ti,
nem ontem ao sol

Hoje sonhei contigo, luz
Entre as folhas ao vento,
Algo, sussurrando, dizia-me de ti.

Do nosso impossível amor, assim.

12 agosto, 2008

Sem ti


Há no coração, lamento
inexplicável e aguda dor
uma pavorosa impressão
me assoma a alma, amor
um estranho tormento
pesadelo da tua ausência
te perco a cada momento

21 julho, 2008

Barganhas da vida

Tela de Angela Menezes


O que permitia a canção
Aconteceu de ser paixão
Achar na vida um amor
Perfumado pela flor
Que diz que me ama e quer
Em êxtase penso bem querer
como ninguém amou, amar
Como nunca, até voar e ser

Os jardins secaram, são pó
As flores tornadas a dor
A vida barganha sem dó
Vem dizer-me sem querer
Que és de um outro amor
Eu já sei o que é ser só.
E preciso reaprender a ser




[Entre uma ida e uma vinda, a vida no balanço, aproveite-a e visite Angela Menezes, e também o sítio da Revista de Artes Plásticas Dartis ]

18 julho, 2008

Porque existes, eu sou

Não sei se você sabe
mas quis a vida assim,
o mundo levou-me a ti
a distância não é tanta
como grande é o meu amor
Não há tristeza nisso, querida
Não sofra e nem tema a vida
Ela me leva por teus caminhos
Próximo ao mar, sob o luar
há canção e razão de cantar:
"Não há você sem mim
E eu não existo sem você".


_____
A propósito da paixão, do amor e da canção
"Eu não existo sem você",
de Tom Jobim e Vinícius de Moraes" (1958)

09 julho, 2008

Mais uma vez, fardados...


Sem música, nem trilha, na estrada em vão,
Passos apressados, correria na noite desesperada
não socorrem, gritam, as crianças choram, desesperam
são bandidos que disparam, a mãe aflita,
Quer escapar ao fogo, atira a esperança ao chão
Os ladrões da vida estão lado a lado, mais uma vez fardados.

08 julho, 2008

Repousante plano e pouso




Em pleno vôo, desfolhou-se o manual
página por uma se voaram alheias de mim
sem quedas para aparar vi-me em berço
de nuvens, no ar sem asas, parou o motor
de funcionar. planejei planar. lera o manual
e flanei até pousar. repousante receita
amar, afinal, muito mais amar sem dor.

27 junho, 2008

Apaixonado



se me deparo assim,
sim, sim, me declaro!

---

Quem sabe um sonho bom...
Eu vou dormir mais uma noite triste.
Eu vou dormir outra noite esperando
Sonhar contigo, que é meu modo de
amar-te, mais eloqüente. Mas me vou
novamente triste. E amanhã poderei
lembrar de um sonho bom contigo
e poderei ser mais feliz por te amar.

09 junho, 2008

É só chegar chegando



Texto: ME Morte

Como diria Peninha “tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo...” O Vale aconteceu assim...
E mais uma cria se apresentando: “Ebook do Vale das Sombras – Vol II”
Textos e Performance de primeiríssima qualidade, basta verem o elenco:
Com a Idealização, Coordenação e Revisão de Me Morte, Coordenação Editorial de Ana Kaya, Projeto Gráfico, Ilustrações e Editoração Eletrônica de René Ociné, Apresentação e Capa de LUCASI, Participação Especial de Giovani Iemini, Paulo Eduardo de Freitas, Cláudio Jr., Susana Lorena, André Espínola e Raiblue, textos dos Vale Blogueiros Ana Kaya, Jessiely Soares, Émerson Sarmento, Pedro Faria, Juliana T. P., René Ociné, Gisele Sato, Adroaldo Bauer, Thiers, Renata D’ Mattos, Flá Perez, Mali Ueno, Dos Anjos e Me Morte...Caramba!

02 março, 2008

Não há baile de máscaras em Palmares




Woodstock não é gulag de paz em Hanói
As pedras rolam da memória de Shatila
Não da desastrada jornada de Altamont
Há rosas consentidas em Hiroshima
O Mardi Gras nunca será em Dachau
Treblinka ou Buchwald não fazem festival
A diáspora africana aferrolhada, senhora
É mais que samba-enredo na avenida agora
É uma caratonha no retrovisor senhorial
Só quer ser tragédia humana na história
Dar fim, Anastácia, à farsa ainda universal

31 dezembro, 2007

Sim queira muitas felicidades e tenha mais do que queiras, amor

Um momento, como é a vida fugaz,
é tanto eterno e belo por ele
e por quem o perceba singelo.
A intensa paixão, o amor sublime,
que dos amantes faz o paraíso,
não pede licença para ser
e nos renasce quando acontece.

Quem de fora nos percebe,
nos vê canção e rosa em águas plácidas,
no entanto,
tal a energia do encanto.

Se acaba o amor, se a paixão se esvai,
fica o pesar, o lamento tanto.
O tormento da solidão a embalar noites e dias,
tempestades e calmarias.
É angústia que não se acaba, parece.

Em redemoinho o pensamento,
a viagem um tormento.
Não nos salva nem a prece.

As noites são pedras de breu.
A morte ronda, espreita.
Pesadelos recolhem a crueldade do mundo.
Nem estrelas, nem luares; soturnos pesares.
O mundo desaba lá fora. A energia,
por dentro lenta, se acaba com o dia.

A fuga na tropelia da hora não encontra a alegria.
É possível a transformação, no entanto.
A superação que cessa o pranto.
A emoção que muda por dentro,
um mergulho na razão.

O amanhecer nos dirá sim outra vez.
A vida pode renascer feliz.
É uma questão de tempo, talvez.
E também de merecer.

De nos encontramos com a outra pessoa além de nós.
De pensar que o mundo muda por esse agir.
Por dar e receber amor, também.
Razão de nossa paixão e porvir.

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