06 março, 2026

DATAS CENTERS SÃO OS NOVOS ALVOS PRIORÍTÁRIOS NA GUERRA

Um outro capítulo da mesma história da guerra de Trump contra os persas são os  ataque iranianos a centros de dados em Israel e países aliado dos EUA. A dependência do Pentágono da IA da Microsoft já é centenas de vezes maior do que a dependência do Irã de qualquer serviço de nuvem ocidental. Um divisor de águas que confirma uma nova realidade: a infraestrutura de nuvem e IA agora é considerada "alvo militar legítimo". Posicionar a IA em grandes centros de dados no solo, no entanto, cria pontos únicos de falha

A relação entre o acordo da Microsoft com o Pentágono e o risco para parceiros de guerra abre amplo e novo cenário, por exemplo, é parágrafo destacado da história. O fornecimento de IA ao Pentágono através de projetos como o JWCC (Joint Warfighting Cloud Capability) integra a Microsoft diretamente na cadeia de comando e controle dos EUA. Quando o Irã ou seus aliados atacarem um centro da Microsoft, eles não estarão atacando apenas uma empresa de software, mas o "cérebro digital" que processa dados de inteligência, logística e seleção de alvos para a guera. Este evento sinaliza que qualquer nação ou empresa que hospede infraestrutura crítica de IA vinculada aos EUA torna-se um alvo. Países como o Kuwait, que abrigam bases americanas e infraestrutura de suporte, veem o risco aumentar.

A IA da Microsoft é usada para coordenar defesas antimísseis e sistemas de drones (como os caças F-15, aqueles abatidos no incidente de fogo amigo). Atacar o centro de processamento, fisicamente ou por hackeamento é uma tentativa de "cegar" o sistema na origem, em vez de tentar abater o míssil no ar. Um bombardeio ou mesmo um hackeamento revelaria que a estratégia de posicionar a IA em grandes centros de dados cria pontos únicos de falha. Se isso era apenas uma hipótese a ponderar, já é necessário considerar como possível.

Se a IA é necessária para a defesa, mas o local onde ela é processada é vulnerável, o parceiro que utiliza essa tecnologia importa também a vulnerabilidade do fornecedor.

O Irã demonstrou que pode usar drones de baixo custo para destruir aviões de milhões, sistemas de radar que custam bilhões. Os Data Centers que operam algoritmos valem trilhões de dólares.

O Pentágono agora enfrenta um dilema: para que a IA funcione no campo de batalha, ela precisa de servidores próximos (de baixa latência*). No entanto, colocar esses servidores em zonas de conflito como Israel, Catar, Emirados Árabes ou Kuwait expõe a infraestrutura da Microsoft a ataques físicos que podem paralisar operações globais da empresa ou de outros clientes civis.

Isso pode levar a uma "soberania de dados militarizada", onde o Pentágono passará a exigir centros de dados móveis ou subterrâneos, isolados da infraestrutura comercial, para evitar que o bombardeio de uma empresa privada afete a segurança nacional própria ou de país aliado em combate.

A instalação de centros de dados em submarinos ou cápsulas subaquáticas é tecnicamente viável e já passou da fase de protótipo, sendo uma das soluções mais discutidas para proteger a "nuvem de guerra".

A própria Microsoft liderou essa inovação com o Projeto Natick, que provou vantagens aplicáveis ao cenário militar: os servidores são montados em estruturas do tamanho de contêineres de transporte (ISO), que possuem dimensões compatíveis com o casco de grandes submarinos de carga ou plataformas subaquáticas modulares. 

Já existem conceitos para submarinos de "classe data center", que em vez de carregar mísseis balísticos carregam racks de servidores refrigerados pela água do mar, eliminando ainda o maior custo e desafio de um centro de dados de IA, o dano por calor excessivo. Submerso o submarino dedicado ao transporte de data centers, a água fria permitiria que os processadores rodassem em capacidade máxima sem derreter, o que é essencial para processar algoritmos de guerra em tempo real. 

Diferente do centro em terra, como em Israel, que tem uma localização geográfica fixa e visível por satélite, um data center submarino poderia ser deslocado pelo Golfo ou pelo Mediterrâneo, tornando quase impossível para drones iranianos localizarem o alvo.

A pressão e a profundidade protegeriam os servidores de bombardeios aéreos e ataques de drones de superfície. Se o Pentágono mover sua IA para o fundo do mar, o conflito muda de dimensão.

O Irã ou aliados como a Rússia, especialista em guerra submarina, poderiam focar na temerária tática de cortar cabos de fibra ótica que ligassem esses centros subaquáticos às bases em terra.

Cortar cabos submarinos é de certa forma uma "opção tipo bomba nuclear" da guerra de informação: você cega o inimigo, mas pode acabar se isolando também. Na atualidade, o Irã utiliza a mesma infraestrutura global de cabos para sua economia e comunicações. Muitos cabos que passam pelo Estreito de Ormuz conectam não apenas os EUA e o Kuwait, mas também o Irã ao sistema financeiro global (ou o que resta dele sob sanções) e a parceiros como a China.

O Irã tem investido em rotas terrestres de fibra ótica via Rússia e Ásia Central, o que daria a Teerã a possibilidade de voltar a cogitar o corte dos cabos submarinos a serviço  da IA estadunidense e ao tráfego Kuwait/Arábia Saudita, enquanto mantivesse sua própria internet funcionando por terra.

Há ainda o investimento persa em pequenos submersíveis autônomos que poderiam ser usados para localizar e detonar cargas contra essas cápsulas de dados.

Embora proteja contra a "chuva de drones", o custo de operar IA debaixo d'água é altíssimo. A manutenção é ainda impossível (se um servidor quebra, ele fica quebrado até a cápsula ser içada semanas, meses ou anos depois), exigindo que a IA seja redundante e resiliente.

Essa transição para o fundo do mar transformaria a Microsoft em uma empresa de tecnologia naval, integrando-se ainda mais à estrutura de defesa dos EUA.

A dependência do Pentágono da IA da Microsoft já é centenas de vezes maior do que a dependência do Irã de qualquer serviço de nuvem ocidental.

Para os EUA, o corte de um cabo significa ampliar a latência no processamento de alvos e falha na coordenação de drones.

Para o Irã, significa perda de internet civil, algo que o regime muitas vezes já faz deliberadamente durante crises internas.

Em vez de cortar cabos, o Irã ainda pode usar sabotagem eletrônica localizada. Se atacados os "pontos de amarração" (onde o cabo sai do mar e entra na terra) em países aliados dos EUA, isolaria a base militar sem desligar a internet de todo o país ou a sua própria.

Se os cabos fossem cortados e os centros de dados físicos danificados (como o de Israel) , a única saída seria o Starlink ou o  Starshield (versão militar da SpaceX).

Isso transfere a dependência do cabo para o satélite.

O “risco Irã” ainda assim não teria sido de todo afastado. Teerã vem testando intensamente sistemas de interferência de sinal (jamming) de GPS e satélite para tentar anular essa alternativa.

A pergunta que se impõe não é se o Irã pode cortar o cabo, mas se a China permitiria. Se o corte interromper o fluxo de dados chinês, Pequim poderia retirar o apoio político ao Irã. A guerra moderna é uma teia onde puxar um fio pode desmoronar a rede de quem atacou.

Qual seria o nível de redundância que os EUA realmente têm no Golfo, se cabos e centros da Microsoft caíssem simultaneamente?

A ativação do sistema Starshield (a versão militarizada e criptografada da Starlink, da SpaceX) no Oriente Médio tornou-se a prioridade absoluta do Pentágono após o primeiro bombardeio do centro da Microsoft em Israel ainda em 2025. O objetivo foi criar uma rede de comunicação que não dependesse de cabos submarinos ou centros de dados fixos e vulneráveis.

Como resposta tecnológica, a necessidade de redundância** dos EUA consolida a presença da Starshield no Golf. Apartir da destruição de infraestruturas físicas terrestres, o Pentágono está migrando o processamento de dados da "nuvem terrestre" para a "nuvem orbital".

O Starshield utiliza terminais que podem ser instalados em jipes, navios ou bases móveis, dificultando o rastreamento por drones iranianos. A "Nuvem Distribuída" significa, em vez de um grande prédio da Microsoft, o processamento de IA fragmentado entre milhares de satélites e estações terrestres móveis.

Ante a novidade, o Irã já começou a testar armas de pulso eletromagnético (EMP) e lasers de solo para tentar "cegar" também esses satélites em baixas altitudes (LEO). 

Em síntese, ataques a data centers tornaram-se uma tática deliberada para paralisar governos e economias, custando milhões em tempo de inatividade. O ataques recentes demonstram que data centers no Oriente Médio agora são considerados alvos militares cruciais de infraestrutura.

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Baixa Latência é o tempo mínimo de atraso na transmissão de dados em uma rede, garantindo respostas rápidas, quase em tempo real, entre um dispositivo e um servidor.Medida em milissegundos (ms), é crucial para evitar lags em jogos online, videochamadas, streaming ao vivo e negociações financeiras, proporcionando uma experiência fluida.

** Redundância em sistemas e redes de dados é a duplicação intencional de componentes, dados ou caminhos de rede para garantir alta disponibilidade e tolerância a falhas. Ela permite que, se um dispositivo (como servidor ou switch) falhar, outro assuma imediatamente, evitando interrupções e perda de dados.

05 março, 2026

AH, MAS E O CAMPOS NETO (OU BOB FIELDS III)




Pra não ficar no diz-que-diz, vamos ao que já foi dito. Roberto Campos Neto teria sido informado sobre a crise de liquidez e inconsistências financeiras do Banco Master ao longo de seu último ano de mandato, em 2024, especificamente no início daquele ano. Os principais pontos sobre os quais ele teria recebido informações incluem Inconsistência de Liquidez, Dificuldades de Rolagem de Dívida, Gestão de Ativos ("Good Bank" vs. "Bad Bank"), Ultimato Informal.

No final de 2023 e ao longo de 2024, o BC e o CMN endureceram as regras para bancos que dependem excessivamente de depósitos garantidos pelo FGC (como o CDB do Master). Bancos com mais de 60% de captação garantida passaram a pagar uma contribuição extra ao fundo. Isso aumentou o custo de captação do Master e reduziu sua margem financeira, tornando o modelo de negócios insustentável antes mesmo da liquidação.
Em auditorias e fiscalizações realizadas no início de 2024, o Banco Central identificou que a instituição apresentava um cronograma elevado de desembolsos obrigatórios para pagamentos, contrastando com um estoque insuficiente de ativos líquidos.
Havia ciência de problemas na capacidade do banco em refinanciar seus compromissos financeiros.
Campos Neto teria conhecimento de uma divisão interna entre ativos saudáveis e problemáticos, uma aposta em que a venda da "parte boa" evitaria a liquidação total, o que reduziria o custo para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Documentos indicam que o Banco Central, ainda sob a gestão de Campos Neto, emitiu um "ultimato informa" à instituição, estabelecendo o prazo de março de 2025 para que uma solução definitiva de mercado fosse encontrada pelo Banco master.
Apesar dessas informações, a liquidação extrajudicial do banco só ocorreu em 18 de novembro de 2025, já sob a presidência de Gabriel Galípolo, após o Banco Master demonstrar incapacidade técnica de honrar compromissos.
Normas de contabilização de ativos de risco editadas pelo próprio BC em 2023 consolidaram a convergência do sistema financeiro brasileiro ao padrão internacional IFRS 9, com foco no reconhecimento antecipado de perdas e na classificação de ativos pelo modelo de negócio.
As principais resoluções publicadas naquele ano foram
Resolução BCB nº 309/2023, que estabeleceu os procedimentos para a definição de fluxos de caixa de ativos financeiros (critério de "somente pagamento de principal e juros" ou SPPI) e a metodologia para a taxa de juros efetiva.
Resolução BCB nº 352/2023, que definiu as diretrizes para a contabilização de instrumentos financeiros, incluindo critérios para identificar "ativos problemáticos" (com problema de recuperação de crédito) e regras para mensuração a valor justo.
Resolução CMN nº 5.100/2023, que alterou a norma mestre (Resolução CMN 4.966/2021) para ajustar conceitos de contabilidade de "hedge" e o reconhecimento de perdas esperadas, permitindo a realocação de instrumentos na transição para o novo modelo.
Resolução BCB nº 306/2023, que Atualizou os critérios de classificação de instrumentos entre a carteira de negociação (trading book) e a carteira bancária (banking book), visando alinhar o requerimento de capital ao risco real de mercado. (Fonte: Banco Central do Brasil)
Essas mudanças forçaram instituições a adotar o modelo de perda esperada (em vez de perda incorrida), o que exige maior provisionamento imediato para ativos de alto risco, impacto que foi central nas discussões sobre a solvência de bancos com carteiras deterioradas.
As novas normas de contabilização (baseadas no IFRS 9) e as alterações nas regras do FGC impactaram o balanço do Banco Master ao expor a fragilidade de um modelo de crescimento acelerado baseado em ativos de alto risco e baixa liquidez.
O impacto direto ocorreu em três frentes principais:
1. Reconhecimento de Perdas Esperadas (Resolução CMN 4.966)
Diferente da regra anterior (perda incorrida), a nova norma exige que o banco provisione perdas assim que o crédito é concedido, com base na perda esperada (probabilidade de inadimplência).
Como o banco focava em crédito para empresas em dificuldades financeiras e ativos estruturados (precatórios e debêntures conversíveis), a nova regra exigiria um volume de provisões muito superior ao que era mantido, corroendo o lucro e o patrimônio líquido.
O Banco Central permitiu que o impacto negativo dessas provisões no patrimônio fosse parcelado em até quatro anos (até 2028), o que deu uma sobrevida contábil temporária à instituição.
No final de 2023 e ao longo de 2024, o BC e o CMN endureceram as regras para bancos que dependem excessivamente de depósitos garantidos pelo FGC (como o CDB do Master). Bancos com mais de 60% de captação garantida passaram a pagar uma contribuição extra ao fundo. Isso aumentou o custo de captação do Master e reduziu sua margem financeira, tornando o modelo de negócios insustentável antes mesmo da liquidação.
Roberto Campos Neto foi indicado por Jair Bolsonaro em novembro de 2018 para presidir o Banco Central do Brasil, assumindo o cargo em 2019 e sendo aprovado pelo Senado com 55 votos favoráveis. Sob a gestão de Bolsonaro, foi sancionada a autonomia do BC, garantindo seu mandato até 31 de dezembro de 2024.

O ECLIPSE DA RAZÃO E A DIPLOMACIA DO RANCHO

I. A Chaga Moral e o Infanticídio Tecnológico

O assassinato de 165 meninas ( de 7 a 12 anos) em uma escola no Irã, por um míssil "ainda sem autor" no contexto da sucessão pós assassinato de Ali Khamenei, é o marco terminal da moralidade ocidental e oriental. Quando a "precisão" de Israel e dos EUA e o "martírio" de Teerã resultam em pátios escolares ensanguentados, a guerra - sempre a falência da humanismo -  deixa de ser política para se tornar um crime contra a espécie. Este evento mundializa a vingança, transformando Big Techs e infraestruturas digitais em "alvos legítimos" de um ódio sem mais quaisquer fronteiras.
II. O Escudo dos Dossiês e a Sobrevivência dos Tiranos
A paz é hoje refém de processos criminais e chantagens. Benjamin Netanyahu necessita da guerra para evitar a prisão; a ala de Donald Trump nos EUA utiliza o conflito para alimentar o o pantagruélico apetite multibilionário do complexo industrial-militar doméstico e silenciar em casa fantasmas como o Dossiê Epstein. A "Sextorsão" e o lucro bélico tornaram-se os verdadeiros motores da escalada, onde a vida de milhões é penhorada para garantir a impunidade de poucos.
III. A Doutrina do Estômago: Pão na Mesa, Gás no Aquecedor
Frente a imenência do colapso, emerge a Neutralidade Ativa dos BRICS. Liderados por China, Índia e a diplomacia humanista do Brasil, bloco que busca impor a Doutrina do Estômago. O objetivo é declarar o Estreito de Ormuz e as rotas de grãos como zonas sagradas. É o reconhecimento de que, enquanto os líderes buscam o martírio ou a hegemonia, 8 bilhões de pessoas buscam calorias e energia. Se o "Domo de Ferro" protege cidades, o "Domo do Pão" deve proteger a vida civil global contra o choque do petróleo em espiral rumo aos US$ 200 por barril.
IV. A OTAN Fragmentada e a Cartada Curda
A instrumentalização de minorias (como os Curdos, pela CIA) para implodir o Irã por dentro ameaça incendiar a Turquia e estraçalhar a coesão da OTAN. Membros como Espanha, França e Portugal (na base militar de Lajes, nos Açores) hesitam em ser arrastados para um conflito que serve apenas ao expansionismo de Israel ou aos interesses eleitorais americanos. A neutralidade do Iraque (liderada pelo Grande Aiatolá Ali al-Sistani.Najaf) é o último suspiro de uma espiritualidade que não aceita o extermínio, mas que hoje "leva bala de ambos os lados, de cima e de baixo".
V. A Insurreição da Consciência Solidária
A única luz possível reside no despertar das ruas, se os miserabilizados que cada vez em maior número montam barracas nas ruas e viadutos nas metrópoles estadunidenses e quem a eles ainda seja solidário e o cidadão exausto em Israel entenderem que o custo de apenas um míssil alimentaria uma cidade inteira. O sistema de vigilância das Big Techs e o poder dos algoritmos devem ser desafiados pela soberania do prato. Não haverá flores sobre as cinzas se não houver pão para quem as cultiva, conscientização sobre a necessidade da paz e solidariedade contra a iniquidade.
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Por Adroaldo Bauer Corrêa, com suporte técnico de inteligência artificial.

04 março, 2026

A Omissão Tecnológica no massacre das meninas iranianas

No cenário de escalada bélica no Oriente Médio, o ataque ocorrido em 28 de fevereiro contra a escola primária feminina em Minab, no Irã, atingiu a trágica marca de 165 vítimas fatais. Enquanto o luto se estende, a ausência de dados concretos sobre a autoria do disparo levanta questões que transcendem o campo de batalha e se fixam no terreno da responsabilidade tecnológica.

Diferente de conflitos do século passado, a guerra atual é monitorada em tempo real por constelações de satélites de baixa órbita, como o sistema Starshield. Esta infraestrutura, desenvolvida para o Departamento de Defesa dos EUA, possui capacidade técnica para detectar assinaturas térmicas de lançamentos e rastrear trajetórias balísticas com precisão métrica. Diante dessa capacidade de vigilância persistente, a pergunta que se impõe é: por que a telemetria deste evento específico permanece sob sigilo?
A complexidade aumenta ao considerarmos que as modernas máquinas de guerra operam sobre infraestruturas de nuvem e algoritmos de identificação de alvos desenvolvidos por corporações como a Microsoft.
Através da análise de biometria comportamental e sensores de movimento integrados (acelerômetros), estas plataformas distinguem padrões de deslocamento que indicam a estatura, a cadência do passo e a idade aproximada de quem carrega um dispositivo móvel.
Se o sistema dispõe de dados para diferenciar o perfil biométrico de um combatente do de uma criança, o impacto em Minab deixa de ser uma falha técnica imprevisível e passa a ser uma escolha de parâmetros operacionais.
Neste contexto, as indagações que o silêncio das autoridades e a baixa repercussão na mídia hegemônica passam a ser de ordem técnica e ética.
Considerando a cobertura ininterrupta de sensores infravermelhos na região, por que os dados brutos de trajetória não foram compartilhados com organismos internacionais?
Até que ponto a integração de sistemas de inteligência artificial na seleção de alvos cria uma "caixa-preta" de responsabilidade, onde o extermínio de civis em infraestruturas vizinhas a alvos militares é aceito como métrica de eficiência?
Qual é o limite da responsabilidade das empresas de tecnologia quando suas ferramentas são utilizadas em operações que resultam em mortes do perfil e magnitude das crianças da escola infantil de meninas?
A história ensina que, muitas vezes, o que não é noticiado é tão relevante quanto o que é.
A tecnologia que tudo vê silenciou.
A busca pela verdade sobre o disparo que interrompeu a vida de 165 crianças não é uma questão de ideologia, mas de transparência técnica em uma era onde o anonimato de um lançamento de míssil é, tecnicamente, impossível.

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Apêndice Técnico: O Sistema Lavender
O Lavender é um sistema de Inteligência Artificial utilizado pelas forças de inteligência de Israel para a geração automatizada de alvos em larga escala. O software processa vastos bancos de dados — incluindo metadados de redes sociais, registros de chamadas e geolocalização — para atribuir pontuações de periculosidade a indivíduos. Relatos de operadores indicam que o sistema opera com uma supervisão humana reduzida a poucos segundos por decisão. Essa automação cria uma lacuna de responsabilidade onde a distinção entre combatentes e crianças em áreas adjacentes resulta negligenciada em favor da escala operativa do algoritmo.
Por Adroaldo Bauer Corrêa, com suporte técnico de inteligência artificial.

01 março, 2026

TRUMP E NETANYAHU NA GUERRA POR PRESTÍGIO

A distinção entre informe técnico e propaganda é fundamental em todos os momentos da existência, ainda mais em caso de guerras, quando o acesso às fontes primárias para checagem de fatos se torna quase impossível em razão do inesperado nos fronts. É quando os antagonistas tentam impor narrativas em defesa de suas ações e consequências delas. Costuma acontecer das versões sobre o mesmo ocorrido serem narrativas opostas e destoantes, típicas de um cenário de outra guerra, a da informação. A morte de dezenas de crianças em uma escola, em si, é um evento catastrófico. Ante a dimensão trágica de que se reveste, do ponto de vista humanitário e ético, faz desmoronar qualquer narrativa de "precisão" ou "operação cirúrgica". Na linguagem militar e política, existe um abismo entre o que os governos declaram e a realidade no solo. Trump e Netanyahu na guerra por prestígio veem os preços do barril de petróleo subirem a 80 dólares no primeiro dia pós-início da guerra nas bolsas asiáticas.

Escola atingida em meio a bombardeios
de Israel e EUA contra o Irã © ANSA/AFP

 Após a morte do Líder Supremo Ali Khamenei em 28 de fevereiro de 2026, o Irã ativou mecanismos constitucionais para evitar um vácuo de poder, formando um Conselho Provisório de Liderança neste domingo, 1º de março. Evita assim o propósito de Donald Trump de criar as condições para a derrubada do poder dos aiatolás, para o que, inclusive, ele e Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, fazem convocações diárias à mobilização do povo persa.

 O governo de transição está estruturado e se conforma em um Conselho Provisório de Liderança (Trio de Comando), definido conforme o Artigo 111 da Constituição iraniana. Este conselho assume temporariamente todas as funções de Líder Supremo, e é integrado por Masoud Pezeshkian, o atual presidente do Irã, considerado de perfil reformista; Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, atual chefe do Poder Judiciário, de perfil linha-dura, e Alireza Arafi, clérigo e membro do Conselho de Guardiães, eleito neste domingo como o Líder Supremo Interino e jurista do conselho.

Ali Larijani, ex-presidente do Parlamento e atual chefe de segurança, está coordenando o processo de transição e afirmou que o sistema institucional permanece intacto apesar dos ataques. Há ainda a Assembleia de Peritos, corpo de 88 clérigos que tem a tarefa constitucional de eleger um sucessor permanente "o mais rápido possível".

Foram decretados 40 dias de luto pela morte de Khamenei. O Conselho Supremo de Segurança Nacional reiterou que a resistência e o confronto contra os "inimigos" (EUA e Israel) continuarão sob o novo comando interino. A nomeação rápida de Alireza Arafi visa projetar estabilidade e garantir que as ordens militares de retaliação sejam cumpridas de forma centralizada.

Essa estrutura governamental funcionará até que a Assembleia de Peritos conclua o processo de escolha do novo Líder Supremo definitivo, o que ocorre em sessões fechadas e sob forte vigilância da Guarda Revolucionária.

Os Estados Unidos e o Irã apresentam versões conflitantes sobre as perdas navais na operação em curso (março de 2026): Donald Trump anunciou hoje que as forças americanas destruíram e afundaram nove navios de guerra iranianos. Entre as embarcações, segundo descreveu, alguns "relativamente grandes e importantes". O Comando Central dos EUA (CENTCOM) especificou que uma corveta da classe Jamaran foi atingida e afundou próximo ao píer de Chah Bahar, no Golfo de Omã.

O governo iraniano não confirmou a destruição de seus navios, ao contrário, afirmam que suas capacidades militares permanecem intactas. O Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou que, apesar dos ataques, "nada mudou" em termos de capacidade militar e que o país continuará a se defender.

A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou ter realizado ataques bem-sucedidos contra alvos da coalizão, incluindo a afirmação de que atingiram o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln com quatro mísseis balísticos — informação que o CENTCOM classificou como falsa. O Irã também reivindicou ataques a três petroleiros no Golfo, descrevendo-os como embarcações ligadas aos EUA e Reino Unido. A Guarda Revolucionária mantém o aviso de que nenhum navio tem permissão para passar pelo Estreito de Ormuz, tentando estabelecer um bloqueio total na região.

Lembremos, a distinção entre informe técnico e propaganda é fundamental, pois as narrativas de ambos os lados são diretamente opostas e típicas do cenário de guerra de informação.

Examinemos o caso do super-radar radar AN/FPS-132. Até o momento, o que se sabe com base em fontes oficiais e relatórios independentes de 1º de março de 2026, há a respeito, o seguinte:

1. A Narrativa do Irã

O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) afirma categoricamente a destruição total do radar AN/FPS-132.

2. A Narrativa do Catar e dos EUA (Informes de Intercepção)

O Ministério da Defesa do Catar emitiu comunicados oficiais informando que a grande maioria das ameaças foi interceptada. O Catar admite que houve uma "segunda onda de ataques" no dia 28 de fevereiro, mas sustenta que os mísseis teriam sido neutralizados antes de atingirem seus alvos principais.

Danos admitidos: Fontes ligadas ao Pentágono citadas por agências como a Reuters mencionam que o radar foi atingido e danificado, mas não necessariamente "destruído".

3. Evidências Independentes (Fatos Verificáveis)

Impacto Real: Relatos locais confirmam explosões e queda de estilhaços que feriram pelo menos oito pessoas no Catar.

Status Operacional: Enquanto o Irã diz que o radar "sumiu", os EUA mantêm que a base de Al Udeid continua operacional. Em síntese, houve um ataque real com múltiplos mísseis e o sistema de radar sofreu algum nível de dano físico. A alegação de "destruição total" (Irã) e a de "intercepção de todos os mísseis sem danos" (Catar) carecem de comprovação.

Outro episódio também exige avaliação.

Continua sendo essencial a discernir fatos de versões. Mesmo no exame do ataque a um prédio escolar onde dezenas de crianças são assassinadas por bombardeio. Quando governos como os de Israel ou dos EUA usam o termo "cirúrgico", eles se referem ao uso de munições guiadas por GPS ou laser que, teoricamente, deveriam atingir apenas alvos militares, como tropas, veículos, os radares e bases militares. Por essa concepção da guerra, a destruição de uma escola infantil não deveria acontecer.

Até o momento, há variação nos números do ocorrido de 85 a 148 mortos, decorrente da atualização progressiva dos dados pelas autoridades locais e agências de notícias estatais do Irã conforme as operações de resgate avançam.

As principais fontes responsáveis por esses números são a Promotoria de Minab, onde se localizava a escola de meninas. O promotor local, Ebrahim Taheri, citado pela agência de notícias Mizan (veículo oficial do Judiciário iraniano) confirmou que o balanço inicial subiu para 85 e, posteriormente, para 108 e 148 mortos à medida que mais corpos eram retirados dos escombros.

As agências estatais IRNA, Tasnim e Fars foram as primeiras a reportar o aumento sistemático das vítimas, baseando-se em boletins do Governo de Hormozgan e do Crescente Vermelho iraniano. Autoridades regionais, como o governador de Minab, Mohammad Radmehr, e o vice-governador, Ahmad Nafisi, também forneceram declarações confirmando o alto número de meninas assassinadas entre estudantes e pessoal da escola Shajareh Tayyiba.

O governo de Israel afirma desconhecer operações específicas visando alvos civis ou escolas na área citada. Os Estados Unidos ainda não confirmam os números e afirmam estar "investigando" os relatos do bombardeio

A tragédia na escola infantil no Irã gerou condenações imediatas da comunidade internacional. Existe pressão para que órgãos da ONU investiguem o incidente na escola sob a ótica do Direito Internacional Humanitário, que exige a proteção rigorosa de crianças em zonas de conflito.

As reações europeias ao massacre na escola infantil e ao agravamento da guerra foram de choque e condenação, marcando uma ruptura na narrativa de "apoio total" que alguns países mantinham. Na Inglaterra e na Itália, protestos populares começaram a surgir contra o envio de armas ou apoio logístico à coalizão, usando as imagens da escola como símbolo de resistência à guerra.

O presidente francês e o chanceler alemão emitiram comunicados conjuntos condenando a morte das meninas. A França classificou o episódio como uma "tragédia insuportável" e exigiu uma investigação independente imediata para apurar se houve crime de guerra.

O governo brasileiro, através do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), condenou veementemente os ataques contra o território iraniano e classificou a ofensiva como um fator que agrava a instabilidade regional e coloca em risco a paz no Oriente Médio.

A diplomacia brasileira reiterou que a negociação é o único caminho viável para a paz e fez um apelo pelo respeito ao Direito Internacional e p Direito Internacional Humanitário.

O assassinato das meninas tornou-se o ponto de maior pressão diplomática contra o governo Trump e Netanyahu, minando a narrativa de uma operação puramente militar. A situação política de Donald Trump e Benjamin Netanyahu está profundamente ligada ao desenrolar militar da Operação "Roaring Lion". O conflito direto com o Irã alterou drasticamente o cenário eleitoral de 2026 em ambos os países.

Com as eleições de meio de mandato marcadas para novembro de 2026, o prestígio de Trump pretende aumento de popularidade com o discurso de "paz através da força", em que inclui o anúncio da destruição da marinha iraniana como prova da eficácia de sua liderança. 

Entanto, cresce a oposição entre o eleitorado que teme o envolvimento em mais uma "guerra eterna" no Oriente Médio. Se o preço do petróleo e da gasolina disparar nos EUA devido ao fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, o prestígio de Trump pode ser seriamente abalado antes das eleições.

Benjamin Netanyahu vive um momento de "sobrevida política" extrema devido, com o prestígio sob pressão fruto da guerra contra o Hamas em Gaza. Antes da escalada contra o Irã, Netanyahu enfrentava protestos massivos e baixa popularidade. Com o novo ataque direto aos persas e a convocação de 100 mil reservistas, a política interna israelense entrou em "modo de trégua". Netanyahu se apresenta agora como o "protetor da existência de Israel" e contabiliza créditos com o assassinato do líder iraniano, sem ainda incorporar ao cálculo o assassinato das meninas na escola infantil iraniana.

A formação de um gabinete de guerra unificou temporariamente o país, mas há indícios de que enfrentará cobranças severas sobre as falhas de segurança que permitiram que mísseis atingissem cidades como Beit Shemesh.

As eleições de 2026 em Israel são parlamentares e poderiam ser convocadas antecipadamente. Sob Estado de Emergência, no entanto, a tendência é que o processo político seja congelado, enquanto a guerra contra o Irã persistir. E persistirá, a depender do que se verificou hoje. 

Houve ataques iranianos confirmados contra infraestruturas portuárias estratégicas na região do Golfo neste final de semana, como parte da retaliação de Teerã após a ofensiva de Israel e dos EUA e do assassinato de Ali Khamenei, om líder supremo dos persas.

Os principais alvos atingidos foram o Porto de Jebel Ali (Dubai, EAU), um dos maiores portos do mundo, foi atacado no domingo, 1º de março. Relatos da Al Jazeera e da Associated Press confirmaram colunas de fumaça subindo da área portuária após explosões causadas por mísseis ou drones.

Imagens da Reuters registraram fumaça densa no Porto Zayed em Abu Dhabi após um ataque no início da manhã de domingo. O centro de monitoramento Israel-Alma informou que dois drones iranianos atingiram o Porto de Duqm em Omã. O navio petroleiro "Skylight" foi atacado a cinco milhas náuticas da costa de Omã, ferindo quatro tripulantes e forçando a evacuação total da embarcação.

As forças da coalizão EUA/Israel atacaram o porto iraniano de Bandar Abbas e o porto de Chah Bahar. Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM) um navio de guerra iraniano foi afundado enquanto estava atracado no Golfo de Omã. A navegação pelo Estreito de Ormuz está tecnicamente suspensa ou severamente limitada devido a esses riscos.

Simultaneamente, Israel amplia a convocação de reservistas e medidas de emergência. Um total de 100 mil novos reservistas convocados soma-se aos 50 mil que já estavam em serviço ativo. As tropas serão destinadas à proteção das fronteiras com a Síria, Líbano, Faixa de Gaza e Cisjordânia, além de fortalecer o Comando da Frente Interna para operações de busca e resgate. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou estado de emergência em todo o país. Escolas foram fechadas, aglomerações públicas proibidas e pacientes de hospitais transferidos para instalações subterrâneas como precaução contra ataques de mísseis e drones iranianos. 

Segundo o governo israelense, a mobilização visa "eliminar ameaças" e preparar o país para uma operação que pode durar algumas semanas, sem uma data de término definida. Cidades como Beit Shemesh e Jerusalém já sofreram impactos diretos de mísseis iranianos. O aeroporto Ben Gurion opera com severas restrições. A maioria das companhias internacionais cancelou voos para Tel Aviv, enquanto o espaço aéreo de países vizinhos como Jordânia e Líbano também foi fechado para aviação civil.

Tanto nos EUA como em Israel, sucesso ou fracasso militar nas próximas semanas determinarão se seus atuais líderes sairão como heróis ou como responsáveis por uma catástrofe. 

As eleições de meio de mandato de novembro de 2026, com renovação de toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado serão escrutínio também sobre o governo Trump e a condução da guerra. Trump precisa que o Congresso, atualmente com maiorias republicana estreita, aprove os pacotes bilionários de assistência militar para Israel e de financiamento das operações dos EUA no Golfo. Candidatos republicanos ao Congresso já colam suas imagens à "demonstração de força" de Trump contra o Irã. Se a guerra for vista como uma vitória rápida com poucas baixas americanas, as chances de Trump expandir sua maioria no Congresso em novembro aumentam significativamente. 

Um importante inimigo de Trump, no entanto, aparece já na abertura das bolsas de segunda-feira 02/03. A inflação. Se o fechamento do Estreito de Ormuz fizer o preço da gasolina nos EUA disparar e se mantiver em alta até novembro, os Democratas terão mais munição, além das tarifas internacionais que resultaram em aumento interno de impostos, dos efeitos ainda não medidos do Caso Epstein, argumentando que a política externa de Trump está punindo o bolso do trabalhador americano.

A morte de soldados em combates, três já confirmadas, é um ponto diferenciado de desgaste. Se o número de esquifes voltando para os EUA aumentar, o apoio do eleitor independente — crucial para decidir o controle da Câmara e do Senado — pode migrar para a oposição, que pedirá "desescalada", o que já aconteceu no fim de semana com mobilizações de rua em que Jane Fonda voltou a pontificar como ativista pública contra a guerra, agora contra Trump, a quem chamou de imoral, propondo que as mudanças que os estadunidenses querem para o mundo devem iniciar "em casa".

Em Israel, pelo sistema parlamentarista, Netanyahu governa através de uma coalizão. Antes da guerra, ele corria o risco de o governo cair e novas eleições serem convocadas. Com o Estado de Emergência, a oposição (como Yair Lapid e Benny Gantz) enfrenta o dilema da crítica a Netanyahu parecer ato "antipatriótico", o que dá ao atual primeiro-ministro um fôlego político que ele não tinha há anos.

Trump joga o controle do Poder Legislativo em novembro, enquanto Netanyahu joga sua própria permanência no cargo através da sobrevivência da sua coalizão sob fogo.

Se a operação militar for vista como "cirúrgica" e bem-sucedida (com a destruição dos radares e da marinha iraniana), Trump pode ajudar os Republicanos a manter ou expandir a maioria no Congresso, usando a narrativa de segurança nacional. Se o conflito se arrastar e causar uma alta nos preços dos combustíveis nos postos americanos em pleno ano eleitoral, os Democratas usarão isso como munição pesada, culpando a "aventura militar" de Trump pela inflação no bolso do eleitor.  

Os Democratas também estão em posição delicada. O apoio institucional é exigido no curto prazo, em razão da dificuldade de criticar um presidente enquanto soldados americanos estão morrendo. Assim, tendem a apoiar o financiamento militar para não parecerem "antipatriotas". A médio prazo, focarão na diplomacia rompida, argumentando que a política de Trump trouxe o mundo à beira de uma Terceira Guerra Mundial, tentando atrair o voto dos eleitores jovens e dos estados pêndulos que são contra intervenções externas.

Netanyahu afasta as chances de uma queda de governo, seu prestígio depende do desfecho do conflito. Se ele não conseguir "eliminar a ameaça nuclear iraniana" de vez, a oposição o atacará por expor Israel a um ataque de mísseis balísticos sem precedentes. Pelo andamento da carruagem, Netanyahu usará a emergência para adiar qualquer disputa interna, mantendo-se no poder através do governo de união nacional.

No plano internacional, as reações europeias ao massacre das meninas na escola infantil e ao agravamento da guerra foram de choque e condenação, marcando uma ruptura na narrativa de "apoio total" que alguns países ainda mantinham, apesar da agressão dos EUA e Israel ao Irã terem se dado em pleno ambiente de negociações de paz. Alto Representante da UE para Assuntos Estrangeiros afirmou que ataques a infraestruturas escolares violam o Direito Internacional Humanitário. A Europa teme que esse nível de violência provoque uma nova crise migratória massiva vinda do Oriente Médio.

No mundo dos negócios, o mercado do petróleo reagiu com pânico à destruição dos portos e ao bloqueio do Estreito de Ormuz. O barril de petróleo Brent subiu velozmente, ultrapassando a barreira dos US$ 80,00. Já no domingo o mercado sinalizava uma forte alta impulsionada pela escalada de tensões militares entre os Estados Unidos, Israel e o Irã.

As bolsas asiáticas e a australiana operam em forte queda na segunda-feira (02/03/2026), refletindo o pânico dos investidores com a escalada militar contra o Irã no fim de semana. O petróleo disparou na abertura dos mercados asiáticos na segunda-feira (02/03/2026), com o Brent saltando 13% em seu pico inicial. O movimento reflete o temor de interrupções críticas no fornecimento após os ataques militares no Oriente Médio e a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz. Nas bolsas de Sydney e Tóquio, as ações de grandes petroleiras como Woodside e Santos operam na contramão dos índices gerais, registrando altas entre 6% e 9%. Analistas em Cingapura e Hong Kong já incorporam o risco de o barril atingir os US$ 100 caso o conflito impeça o tráfego de navios-tanque na região.



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