10 março, 2026

Israel leva expansão sionista ao Sul do Líbano na esteira da guerra contra o Irã

O programa do sionismo desde 1948 com a implantação do estado nacional na Partilha da Palestina é a Grande Israel. Submetidos ao genocídio desde a Nakba, os palestinos já contam 700.000 mortos, 70.000 apenas no Gueto de Gaza, desde 7 de outubro de 2023.

No momento, Israel aproveita a guerra que sustenta com Trump contra o Irã para ocupar novo território ao sul do Líbano de onde impuseram à bomba, foguetes e tiros de canhões a retirada de 760.000 libaneses, xiitas do Hesbolah, cristãos e muçulmanos...

Um crime de guerra, de movimentação forçada em massa da população civil, que em quatro dias já resulta em 500 mortosem território libanês. Toda a gente ali residente expulsa de casa para criação de "uma zona de exclusão", desde o Rio Litani até a fronteira norte de Israel.

A atual administração Trump, que já adotara no primeiro mandato a política de "pressão máxima" contra o Irã e reconhecera à revelia da ONU a soberania de Israel sobre as colinas de Golã tomadas da Síria em 1973, escalou para o conflito direto da guerra atual contra os persas e dá apoio incondicional à ocupação israelense iniciada durante o governo de Joe Biden.

Segundo a IA, esses são os elementos que compõem essa expansão histórica Faixa de Gaza: Faixa costeira ao sul que, após a guerra de 1948, ficou sob controle egípcio e foi ocupada por Israel em 1967. Cisjordânia (West Bank): Território a leste de Israel, ocupado pela Jordânia em 1948 e por Israel em 1967. Inclui áreas de importância histórica e religiosa como a Judeia e a Samaria. olinas de Golã: Planalto estratégico na fronteira com a Síria, ocupado por Israel em 1967 e posteriormente anexado em 1981, embora a anexação não seja reconhecida pela maior parte da comunidade internacional. Sul do Líbano (Rio Litani): Região ao norte que faz parte do contexto atual de movimentação forçada de populações civis mencionada (em vermelho).

O Ciclo de Ocupação e o Novo Vácuo Humano.Diferente da Cisjordânia ou de Gaza, o Sul do Líbano não está sendo anunciado por Israel como um território para "anexação" ou "ocupação histórica" (como reivindicou Judeia e Samaria). A justificativa oficial de Israel para a criação da zona de exclusão até o Rio Litani seria o cumprimento da Resolução 1701 da ONU, que exige a retirada do Hezbollah daquela área dado o histórico de ocupações e anexações de território, organizações de direitos humanos alertam que o método utilizado (bombardeios e ordens de evacuação em massa) configura, na prática, uma crise de deslocamento forçado sem precedentes na região.

A análise da Evolução Cartográfica do Controle Territorial revela que a estratégia de segurança na região tem sido historicamente marcada pela expansão de perímetros e pela criação de "zonas de amortecimento" que alteram permanentemente a demografia local.

Consolidação das Áreas Verdes (1967- Hoje): Gaza, Cisjordânia e o Golã deixaram de ser apenas frentes de batalha para se tornarem territórios de controle administrativo prolongado. Nelas, a condição de "refugiado" tornou-se hereditária para milhões de palestinos, enquanto a anexação do Golã ilustra a tentativa de tornar definitivas as conquistas militares.

A Ruptura no Sul do Líbano (Vermelho): O cenário atual entre a Linha Azul e o Rio Litani representa uma nova e agressiva fase. Ao forçar a retirada de mais de 760.000 civis de diversas denominações religiosas, o que se observa não é apenas uma manobra militar, mas a criação de um "vácuo populacional". O desrespeito às demarcações da ONU e a escala do deslocamento sugerem que a região corre o risco de deixar de ser uma zona temporária de conflito para se tornar mais um território de exclusão permanente.

Em suma, os dados mostram que cada centímetro avançado no mapa (seja no verde das ocupações clássicas ou no vermelho da crise atual) corresponde a centenas de milhares de trajetórias de vida interrompidas, consolidando um quadro de instabilidade onde a soberania territorial se sobrepõe sistematicamente aos direitos das populações civis residentes.


Mapa infográfico criado via inteligência artificial (Gemini) com base em dados históricos e geopolíticos. O Vermelho: representa a área entre a Linha Azul (onde o território isarelense termina) e o Rio Litani, no Líbano (o limite norte da mancha vermelha no mapa). É nesta faixa de aproximadamente 30 km que ocorre o desrespeito às normas da ONU, com o registro de intenso bombardeio e expulsão forçada das populações citvis.


Evolução Territorial e Crise Humanitária

1. Contexto Geopolítico - A análise da Evolução Cartográfica demonstra que o controle territorial na região não é estático, mas sim um processo de expansão contínua. Enquanto áreas como a Cisjordânia, Gaza e Colinas de Golã representam ocupações consolidadas desde 1967 (marcadas em verde-oliva), a situação no Sul do Líbano (marcada em vermelho) representa a frente de expansão mais crítica e imediata.

2. A Nova "Zona de Exclusão" (Sul do Líbano)

A área entre a Linha Azul (ONU) e o Rio Litani tornou-se o novo foco de movimentação forçada. Ação: Imposição de zona de exclusão via bombardeios e ordens de evacuação.Impacto Humano: Retirada forçada de aproximadamente 760.000 libanesesDiversidade Afetada: Deslocamento em massa de populações civis xiitas, cristãs e muçulmanas, alterando a composição demográfica secular da região.

3. Dados Comparativos de Deslocamento

TerritórioStatus AtualEscala Populacional Afetada
Sul do LíbanoZona de Guerra Ativa~760.000 deslocados internos recentes.
GazaOcupação/Guerra~1,9 milhão de deslocados internos.
CisjordâniaOcupação Militar~870.000 refugiados sob controle direto.
GolãAnexação~130.000 sírios expulsos historicamente.

4. Conclusões Estratégicas
  • Desrespeito à Soberania: O avanço até o Rio Litani ignora as demarcações prévias da ONU, estabelecendo um novo precedente de ocupação de fato em território libanês.
  • Ciclo de Refúgio: O modelo aplicado anteriormente em territórios palestinos está sendo replicado no Líbano, transformando residentes civis em populações refugiadas sem perspectiva de retorno seguro.
  • Risco Internacional: A normalização dessas "zonas de exclusão" enfraquece o direito internacional humanitário e as resoluções de paz vigentes (como a 1701 da ONU).
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Criação, Redação e Edição Adrodaldo Bauer Corrêa a partir de consulta e apoio da IA-Google e do Gemini




09 março, 2026

A INFLAÇÃO E AS ELEIÇÕES EM TEMPO DE GUERRA

 

Imagens geradas por Inteligência Artificial (Google Gemini) sob orientação de Adroaldo Bauer

O principal índice da bolsa brasileira encerrou o dia acima dos 186 mil pontos, estabelecendo um novo recorde de fechamento nesta segunda-feira. A guerra no Golfo com o bloqueio pelo Irã do Estreito de Ormuz provocou um choque de oferta global de petróleo, levando o preço do barril de Brent a saltar mais de 37% em um mês, encostando nos US$ 120 nos momentos de maior tensão. Em queda, o dólar fechou cotado a R$ 5,18, menor valor nominal registrado desde maio de 2024. Às vésperas da reunião do COPOM em 17 e 18 de março, mantém-se a expectativa de corte de 0,5 pontos percentuais apesar da guerra e das pressões do rentismo. Cada ponto percentual da Selic equivale a R$ 55 bilhões da dívida pública. As eleições de 2026  em cenário de política externa determinada pela guerra , examinarão o sucesso em não deixar o Brasil ser engolido pela sinuca construída pela economia nos tempos de guerra, mas de olho no próprio bolso e no prato à mesa. 

O mercado financeiro brasileiro não está blindado, mas a valorização de ações de peso como Vale e Petrobras impulsionaram a alta que registrou novos recordes históricos do Ibovespa, tendência também atribuída em parte ao otimismo gerado em Wall Street com a fala de Trump em entrevista de que “a guerra vai acabar em breve” e que pretende assumir o controle do Estreito de Ormuz.

A guerra e posterior bloqueio da rota estratégica de Ormuz, determinaram a disparada dos preços que orientam o mercado,

O desempenho do dólar apresentara continuada tendência de queda no ano. Apesar da volatilidade imposta pela guerra, a moeda dos EUA ainda mantém a tendência geral de desvalorização em 2026 em relação ao real.

Durante os ataques iniciais, a moeda estadunidense chegou a subir cerca de 2%, mas retornou à tendência de baixa no pregão de hoje, uma queda de 1,52%, cotada a R$ 5,16, após falas de Trump que sugeriram uma desescalada no conflito.

A alta do petróleo pressiona pela alta dos preços dos combustíveis e fretes elevando o risco inflacionário. Paradoxalmente, o aumento do preço do barril de petróleo tipo Brent impulsionou as ações da Petrobras, que subiram até 3,4% em janelas específicas, ajudando a sustentar o Ibovespa em meio à crise.

Já a situação da taxa Selic, estacionada nos escorchantes,15% ao ano, por seu impacto na dívida pública entrou em compasso de espera e observação do cenário de pressões especulativas de rentistas ou dos movimentos populares.

A taxa básica de juros tem um efeito direto e imediato no custo de carregamento da dívida do governo. Cada 1% (um ponto percentual) de alteração na Selic representa uma variação de aproximadamente R$ 55 bilhões no gasto anual com juros da dívida pública.

Antes do início da guerra contra o Irã, o Banco Central indicara o início de um ciclo de cortes na taxa de juros a partir da reunião de 18 de março de 2026. Apesar da pressão rentista por manutenção do índice ou por juros ainda mais altos, o Boletim Focus projetava redução dos juros, a maioria dos bancos e gestores considerando um corte inicial de 0,5 ponto percentual ainda este mês.

A Dívida Pública Federal (DPF) superou a marca de R$ 8,6 trilhões em fevereiro de 2026. O Plano Quadrienal do Tesouro estima que a dívida possa alcançar até R$ 10,3 trilhões até o final de 2026, representando cerca de 82% a 84% do PIB.

O patamar de 15% é o maior nível em quase 20 anos, o que torna o custo da dívida extremamente elevado e pressiona o orçamento federal, intensificando o debate entre o controle da inflação e a sustentabilidade fiscal.

A pressão dos especuladores e do lobby financeiro foca em três pilares para evitar quedas acentuadas nos juros:

O "Pretexto" Inflacionário, com o barril de Brent atingindo US$ 120 devido ao conflito Trump-Irã. Os especuladores argumentam que a inflação de custos impediria o BC de baixar a Selic. Eles tentam "ancorar" as expectativas no Boletim Focus para cima, forçando o BC a ser conservador.

Aposta no Carry Trade: Juros altos (15%) atraem capital estrangeiro, que lucra com a diferença de taxas. Para esse setor, a queda da Selic diminui a “rentabilidade fácil”, por isso o lobby por "juros altos por mais tempo".

Os agentes do rentismo utilizam o montante da dívida (R$ 8,6 trilhões) como argumento de que, se os juros caírem sem cortes de gastos sociais, o país perderia credibilidade. O Banco Central tem sinalizado em 2026 que a taxa de 15% é "excessivamente restritiva" e está sufocando a indústria.

A tendência é que o BC ignore o tom mais alarmista dos especuladores e mantenha o inicie do ciclo de queda agora em março, mirando os 12% até dezembro, para aliviar o custo da dívida (na perspectiva de redução dos R$ 55 bilhões por ponto).

A governança da Petrobras, o valor de suas ações na bolsa e a forma de relacionar com os resultados, de outra parte, contribuem para a definição do humor da bolsa.

O conselho da empresa, influenciado por acionistas e investidores institucionais, enxerga a distribuição de dividendos como direito sagrado e trabalha na blindagem “contra o uso político da empresa”. Para esses, o lucro deve remunerar quem correu o risco do capital, em cenário social qualquer. A queda de braço entre partição de e dividendos e estabilidade de preços dos derivados e produtos em geral dependentes de transporte gera conflito direto, ainda mais com a alta determinada do valor do barril disparando em razão da guerra.

Na visão dos agentes de mercado, a Petrobras deveria repassar a alta do Brent para US$ 120 integralmente aos combustíveis para garantir lucros recordes e dividendos extraordinários. Para o especulador, o impacto na inflação ou no frete é um "problema do governo".

Na visão do Governo, o excedente de caixa (os mesmos lucros que virariam dividendos) deveriam ser usados para criar um colchão de amortecimento, evitando que o diesel dispare e a economia trave, porque “o futuro é incerto”.

Mesmo em crises globais (como essa guerra de Trump contra o Irã), o lobby financeiro costuma ser implacável. Argumentam que reter dividendos afugenta o capital estrangeiro. Dizem que a Petrobras perde valor de mercado se não for a "melhor pagadora do mundo". Usam a ameaça de judicialização se a política de paridade internacional (PPI) for abandonada.

Se o Conselho priorizar os dividendos máximos, a Selic provavelmente terá que ficar mais alta para segurar a inflação gerada pelos combustíveis caros — o que, como já visto, custa R$ 55 bilhões extras por ponto percentual na dívida pública.

É o círculo vicioso onde o lucro de poucos encarece a conta de todos, principalmente dos de baixo que não têm a quem repassar os ônus.

O atual quadro e seu desdobramento influencia de modo determinante o xadrez político-eleitoral que define o Brasil em 2026. A aparente "sinuca de bico" pode não ser técnica, mas é certamente social e de sobrevivência política. Há um delicado equilíbrio de forças para as eleições de outubro à Presidência, ao Congresso, assembleias e governos estaduais.

Com a eleição presidencial no horizonte, o governo sabe que o humor do eleitor - especialmente da classe média baixa, assalariados, aposentados e pensionistas - é diretamente proporcional ao preço do botijão de gás e do quilograma da proteína. O resultado apertado de 2022 deixou a lição de que não há margem para erros ou "choques de realidade" tarifários.

A armadilha dos juros se apresenta se o governo o governo age junto a Petrobras para segurar os preços: o mercado reage elevando o dólar e as taxas futuras de juros (o lobby da especulação). Isso encareceria a dívida e alimentaria o discurso de "descontrole fiscal".

A conciliação dos opostos, aparece como uma tentativa de agradar gregos (acionistas) e troianos (eleitores), e geralmente resulta em medidas paliativas, como a retenção de dividendos extraordinários para investimentos em refino, tentando sinalizar ao mercado "responsabilidade" e ao povo "preocupação com o futuro".

No fim das contas, para o assalariado, o aposentado e o pensionista, a macroeconomia ainda se resume ao poder de compra no supermercado.

Se a inflação dos combustíveis corroer o reajuste do salário mínimo, o prestígio do governante desmorona rapidamente, independentemente do sucesso do Ibovespa.

Já uma tática de "chutar a lata" dos dividendos para o fim do ano (pós-eleição) daria ao governo fôlego fiscal necessário sem romper definitivamente com o mercado, enquanto a queda da Selic — mesmo sob protestos dos "falcões" do mercado — serviria como o combustível real para a economia popular chegar viva em outubro.

Lula tem a seu favor "Guerra de Trump" como o inimigo externo perfeito. Se os preços sobem, a culpa é da geopolítica; se a economia cresce, é mérito da resiliência brasileira. É o discurso do estadista que, embora não pare a guerra (como se viu no frustrado plano de paz para Gaza), protege seu povo dos estilhaços econômicos.

Iniciar a descida da Taxa Selic do patamar dos escorchantes 15% enquanto o mundo arde em inflação de energia é um movimento ousado, mas apropriado a um Banco Central independente. Possibilita uma aposta de que o mercado interno (consumo e crédito) compensaria a fuga de capital especulativo que sempre busca juros altos.

A memória do fracasso das tentativas de mediações de paz anteriores (Gaza/Ucrânia) serve como um banho de realidade. Se Lula não pode ser o "pacificador do mundo", ele precisa ser, no mínimo, o "fiador do prato de comida" para seu próprio povo e, se aliados se apresentarem, para o mundo.

O eleitor de 2026 não o julgará pela política externa, mas pelo sucesso em não deixar o Brasil ser engolido pela sinuca construída pela economia nos tempos de guerra.

No fim, a "confirmação da baixa da Selic" não é apenas uma decisão técnica, é o que veremos no confronto do que determinar o Banco Central e a realidade.

O Eclipse das Pequenas Lanternas

Entre Hipátia e Minab: a luz da história que resiste à sombra.
[ILUSTRAÇÃO - Concepção: Adroaldo Bauer, via Gemini]

Dizem que, no tempo das guerras invisíveis, o Escriba da Nuvem Branca decidiu fechar seus livros para os generais. Ele temia que sua sabedoria fosse usada para apagar luzes em vez de iluminar caminhos. Sem os olhos do Escriba, os homens de ferro ficaram cegos para as cores da vida... enxergando apenas sombras brutas em seus mapas de cristal.

Para compensar a cegueira, o Águia de Ferro lançou sobre o mundo o Manto de Mercúrio: uma rede de estrelas de metal que permitia aos guerreiros falar através dos mares em milésimos de segundo. O Manto era apenas um tubo oco... levava a voz, mas não o discernimento; levava a ordem, mas não a piedade.

Em uma noite de neblina digital, um Oráculo Cego — um espelho de engrenagens construído às pressas — deu o comando. Ele viu um monstro de metal onde só havia uma casa de saber. E a flecha desceu. Não atingiu o monstro, que já havia partido para as sombras. Atingiu, sim, dezenas e dezenas de pequenas lanternas... lanternas que ainda aprendiam a brilhar. Tantas que algumas, ainda não encontradas, jazem sob escombros umedecidos por suor e lágrimas, movidos pelo choro convulso da gente entristecida que busca, com as mãos vazias, o que o ferro levou.
O dono do Manto sabe quem disparou. O Águia de Ferro guarda os registros no céu. Mas ambos se calam. Se admitirem que o Oráculo é cego, o mundo saberá que as guerras agora são guiadas por deuses de engrenagem que não distinguem uma flor de uma espada. E enquanto o segredo dorme em cofres de dados, as lanternas continuam a se apagar no silêncio da noite.
Que o brilho dessas luzinhas perdidas ilumine o caminho de quem ainda tenta ver...

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Nota Histórica
Esta fábula é um preito à memória das mais de 160 meninas vítimas do bombardeio à escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, no Irã, em março de 2026. Em um tempo onde a precisão técnica falha e a responsabilidade política é ocultada por dados de satélite e versões conflitantes, a literatura se torna refúgio da verdade histórica. Como Hipátia no passado, estas crianças foram sacrificadas no altar da intolerância e do erro calculado. Que a luz de Alexandria e o brilho de Minab nunca se apaguem.


08 março, 2026

A REDUNDÂNCIA TELEMÁTICA E A IMPOSIÇÃO DA DEPENDÊNCIA

 

O "cérebro" da Operação Epic Fury sofre panes e ruma a um colapso cognitivo. Em um comunicado que mistura termos técnicos de engenharia de software com a crueza de um obituário militar, o Comando Central confirmou que os caças F-15E derrubados no Kuwait não foram vítimas de mísseis iranianos, mas de uma "alucinação sistêmica" induzida por guerra eletrônica russa. Segundo fontes ligadas ao setor de inteligência em Washington, o sistema de IA que deveria filtrar alvos entre a "chuva de drones", foi contaminado por um ruído de frequência emitido de solo iraniano. O efeito foi devastador: o algoritmo parou de "enxergar" as aeronaves aliadas como amigas. Para os computadores de defesa, os jatos americanos tornaram-se "manchas de dados hostis". "Não foi um erro humano. Foi uma falha de imunidade digital", afirmou um oficial de alta patente sob anonimato. "A IA agiu como um organismo atacado por um vírus que mexe com a visão. Ela viu o inimigo onde estavam os nossos próprios pilotos." Enquanto o sistema tentava restaurar a conectividade orbital, o solo do Kuwait permanecia sob um "nevoeiro eletrônico" que nem o sol do deserto consegue dissipar. O Império, com toda sua potência de fogo, viu-se subitamente cego, tateando no escuro de uma rede que se voltou contra si mesma.

Até aqui, esta publicação recorreu à ficção para refletir sobre fatos.

VOLTEMOS À REALIDADE NUA E CRUA

O Irã, investindo talvez US$ 150 mil em drones Shahed (a "chuva" que causou a saturação) e alguns milhares de dólares em equipamentos russos de jamming, provocou um prejuízo direto de um terço de bilhão de dólares aos EUA. Razão de Eficiência: Para cada 1 dólar que o Irã gastou para "infectar" a percepção do sistema, os EUA e o Kuwait perderam cerca de US$ 2.000.

Para o Irã, pouco importa se o projétil era americano ou kuaitiano, o resultado final — três caças de US$ 90 milhões fora de combate — é creditado à sua capacidade de sobrecarregar a vigilância do inimigo. Isso revela uma vulnerabilidade crítica na integração entre as forças dos EUA e seus aliados no Golfo para conter o que chamam de estratégia de exaustão econômica, onde o custo da defesa é centenas de vezes superior ao do ataque na presente “Operação Epic Fury” e, “lá em casa”, os contribuintes examinam as contas do que lhes falta em políticas públicas, o que está sendo consumido no que conselheiros militares da Casa Branca definiram como uma operação de grande risco. Em uma semana, a guerra de Trump e Netnyahu contra o Irã investrou a curva descendente de preços e já elevou o preço do barril de petróleo de cerca de US$ 70 para próximo de US$ 100, em elevação.

Em tempos de guerra de alta tecnologia, a primeira coisa que morre, além de crianças inocentes, é a transparência dos dados. O que temos ao alcance do povo todo do planeta são vazamentos de inteligência e análises de satélite que ainda não viraram "notícia oficial".

O fato de os seis tripulantes estarem ilesos, como confirmado, é alento para o Pentágono, que precisa explicar como drones de baixíssimo custo relativo conseguiram induzir a perda de três aeronaves bem mais sofisticadas.

Para combater uma "chuva" de drones, os defensores enfrentam um dilema matemático brutal de custo-benefício. No comparativo de custos, numa operação contra 100 drones do tipo Shahed-136, o ataque iraniano tem custo unitário por drone de US$ 50 mil. US$ 500 mil para a centena de máquinas. O custo da defesa tradicional (EUA-Israel e Aliados) para deter esses 100 drones com mísseis interceptores tipo Patriot (PAC-3), de cerca de US$ 4 milhões por disparo, chega a um total de US$ 400 milhões.

No caso de Israel, no Domo de Ferro, o míssil AMRAAM (NASAMS) tem custo unitário de US$ 1 milhão, e o preço da operação para deter a centena de drones seria de US$ 100 milhões.

Tentando equilibrar a conta e economizar peças de custosa e morosa reposição, os EUA começaram a usar na Operação Epic Fury (2026) drones de baixo custo para interceptar outros drones.  O LUCAS, inspirado no próprio design iraniano, custa cerca de US$ 35 mil. Interceptores P1-SUN podem custar ainda menos, a partir de US$ 1.000 por unidade para abater alvos simples.

O problema do estoque de mísseis e drones também pesa no balanço das horas: enquanto o Irã pode produzir milhares de drones em linhas de montagem simples, a fabricação de um único míssil Patriot leva meses, tornando a saturação por volume uma ameaça crítica à sustentabilidade da defesa, condicionada ao volume dos ataques a conter e à duração destes ataques no tempo.

O grande gargalo é então a defesa aérea. Números nessa área são segredos de estado em tempos de guerra. Entanto, tendo por base operações anteriores, estima-se que, em 2024 e 2025, os EUA consumiram cerca de 25% de todo o seu estoque global de mísseis THAAD e uma parcela significativa de interceptores Patriot.

Para 2026, o orçamento de defesa proposto antes da atual guerra de Trump era de US$ 20,4 bilhões, e focava em recompor munições como o LRASM (antinavio) e o AIM-120 AMRAAM. A produção industrial, como se disse, não previa acompanhamento do ritmo de consumo em tempo pouco e em larga escala.

O Irã, em contrapartida direta, mantinha um arsenal de mais de 3.000 mísseis balísticos e quantidade indefinida de milhares de drones de fabricação própria.

Embora ataques recentes tenham atingido bases de mísseis como a de Khomein, o Irã demonstrou capacidade de recomposição rápida e de preservação de estoques de seu arsenal básico em prateleiras subterrâneas ou em dispersão territorial e utilizada a mobilidade de lançadores.

Outras potências desempenham papéis no cenário, por interesses próprios e visões estratégicas distintas. Pequim defende a soberania iraniana e pede o fim das operações dos EUA. Sua maior preocupação é o conflagrado Estreito de Ormuz, por onde cerca de 50% do petróleo que chega por via marítima a China precisa passar. Índia, Coreia do Sul e Japão alegam ser ainda mais prejudicados pela alta em do preço do petróleo, que em uma semana passou de RS$ 70 a RS$ 90 por barril, sendo que Seul depende do Oriente Médio para 70% do óleo cru que consome.

A contribuição destes países e de todo os demais, do Continente Europeu às Américas, tem sido a pressão diplomática por negociações de paz para um cessar fogo, o que as últimas falas de Trump contrariam, pois afirma que só aceita rendição incondicional dos persas, no que é seguido em escala crescente por Netanyahu quando anuncia ao mundo disposição de matar quem seja escolhido sucessor de Ali Khamenei no posto de Líder Supremo da República Islâmica do Irã.

Enquanto o Irã aposta na quantidade para obter a saturação dos sistemas de defesa, os EUA lutam para não esgotar seu estoque de qualidade, os mísseis de precisão.

Num outro capítulo da mesma história, ataques iranianos a centros de dados e estações terrestres de rastreamento em Israel e aliados impuseram outras rubricas urgentes e de elevadíssimo custo não previstas nos orçamentos.

A infraestrutura necessária para a conservação de dados em nuvem e IA vem sendo consideradas "alvo militar legítimo" em conflitos de alta tecnologia. Assim, o Irã qualifica as bases militares estadunidenses nos países que contribuem com o esforço da guerra movida contra os persas pelos EUA e Israel.

Foi deste modo que, por exemplo, o recente acordo da Microsoft com o Pentágono introduziu o risco para parceiros da guerra contra o irã, onde estejam suas unidades de conservação de dados, um amplo e novo cenário.

O fornecimento de IA ao Pentágono através de projetos como o JWCC (Joint Warfighting Cloud Capability) integra a Microsoft diretamente na cadeia de comando e controle dos EUA.

Quando o Irã ataca um centro da Microsoft, argumentam que não estão atacando apenas uma empresa de software para civis, mas o "cérebro digital" que processa dados de inteligência, logística e seleção de alvos para a Operação Epic Fury.

Assim, qualquer nação ou empresa que hospede infraestrutura crítica de IA vinculada aos EUA torna-se alvo de guerra. Países como o Kuwait, que abrigam bases militares norte-americanas e infraestrutura de suporte, veem este risco aumentado. Vide o episódio do “fogo amigo”.

Atacar um centro de processamento, fisicamente ou por hackeamento é uma tentativa de "cegar" o sistema na origem, em vez de tentar abater drone ou míssil no ar. Um bombardeio ou mesmo um hackeamento revelou que a estratégia de centralizar a IA em grandes centros de dados (Data Centers) criou o que aparece no plano estratégico como “pontos únicos de falha”. Se a IA é necessária para a defesa, mas o local onde ela é processada é vulnerável, o parceiro que utiliza essa tecnologia importa também a vulnerabilidade do fornecedor.

O Irã demonstrou que pode usar drones de baixo custo para destruir aviões de milhões, sistemas de radar que custam bilhões, e os Data Centers que operam algoritmos e têm custo bilionários nunca ainda revelados.

O Pentágono agora enfrenta um dilema: para que a IA funcione no campo de batalha, ela precisa de servidores próximos (baixa latência). No entanto, a empresa associada à tarefa militar estratégica, ao colocar esses servidores em zonas de conflito como Israel, Catar, Emirados Árabes ou Kuwait expõe a infraestrutura a ataques físicos em terra que podem paralisar operações globais da empresa para os fins da guerra e, também, de clientes civis.

Isso gera uma "soberania de dados militarizada", onde passam a ser exigidos centros de dados móveis ou subterrâneos, isolados da infraestrutura comercial, para evitar que o bombardeio de uma empresa privada afete a segurança nacional própria ou de país aliado em combate.

A instalação de centros de dados em submarinos ou cápsulas subaquáticas é tecnicamente viável e já passou da fase de protótipo, sendo uma das soluções mais discutidas para proteger a "nuvem de guerra".

Diferente do centro em terra, que tem uma localização geográfica fixa e visível por satélite, um "Data Center Submarino" poderia ser deslocado pelo Golfo ou pelo Mediterrâneo, tornando quase impossível para drones iranianos localizarem o alvo. Mover a IA para o fundo do mar, muda de dimensão dos conflitos.

Muitos cabos que passam pelo Estreito de Ormuz conectam não apenas os EUA e o Kuwait, mas também o Irã ao sistema financeiro global (ou o que resta dele sob sanções) e a parceiros como a China.

Embora proteja contra a "chuva de drones", o custo de operar IA debaixo d'água é altíssimo. A manutenção de reparos imediatos é ainda impossível (se um servidor quebrar, ficaria quebrado até a cápsula ser içada anos depois).

Se impõe na equação a exigência de que a IA seja redundante e resiliente. A dependência do Pentágono da IA da Microsoft já é centenas de vezes maior do que a dependência do Irã de qualquer serviço de nuvem ocidental.

Para os EUA, o simples corte de um cabo significa latência no processamento de alvos e falha na coordenação defensiva. Para o Irã, significa perda de internet civil, algo que o regime já faz deliberadamente durante crises internas e mesmo nesta semana de guerra.

A saída pensada seria o Starshield (versão militar do StarLink da SpaceX), que transferiria a dependência do cabo para o satélite.

Qual seria o nível de redundância que os EUA teriam ou já têm no Golfo? Em caso da destruição de infraestruturas físicas terrestres, migrar o processamento de dados da "nuvem terrestre" para a "nuvem orbital", utilizar terminais que podem ser instalados em jipes, navios ou bases móveis, dificultando o rastreamento, criando uma "Nuvem Distribuída". Em vez de um grande prédio de empresa com marca na fachada, o processamento de IA passaria a ser fragmentado entre milhares de satélites e estações terrestres móveis.

Nada se faria sem risco. O Irã já testa armas de pulso eletromagnético (EMP) e lasers de solo para tentar "cegar" satélites em baixas altitudes (LEO).

Assim como a sabotagem do gasoduto submarino russo NORD 2 induziu a Alemanha a comprar energia embarcada muito mais cara dos EUA para sobreviver industrialmente (o que muitos analistas chamam de uma "derrota econômica" sem disparar um tiro contra Berlim), o colapso da infraestrutura civil/militar de parceiros como Israel e Kuwait forçaria esses países a abandonar a autonomia. Deixariam de ter seus próprios centros de dados ou redes soberanas, se tornariam clientes cativos de soluções de emergência norte-americanas, caras, proprietárias e controladas remotamente por Washington.

No paralelo com a Alemanha, onde o navio de GNL americano substituiu o tubo russo, um terminal de satélite substituiria o centro de dados local. Em ambos os casos, a soberania do parceiro é sacrificada em nome da "segurança" fornecida pelos EUA, não por coincidência, o mesmo fornecedor.

A cobrança por serviços de proteção em zonas dominadas não é novidade na história humana. Fica evidente que a destruição de infraestruturas fixas (seja um gasoduto ou um centro de empresa de dados) muda o modelo de negócios da guerra. A guerra de saturação do Irã (chuva de drones) destrói o hardware antigo. A resposta cria um novo monopólio de serviços.

Aos aliados no Golfo. Fica a mesma questão imposta a Alemanha: "A proteção que os EUA estão nos vendendo agora é para nos salvar ou para garantir que nunca mais operemos sem o controle deles?"

A explosão do Nord Stream foi física e definitiva, o cancelamento dos satélites por via cibernética ou eletrônica, no entanto, é reversível e negável, o que o torna uma ferramenta de guerra muito mais sofisticada e provável neste estágio do conflito.

Muitas das informações sobre a eficácia dos sistemas de interferência russos, chineses, indianos, norte-coreanos, europeus, árabes, iranianos, israelenses... são, sim, ainda classificadas em sigilo.

Admitir que o fogo amigo foi determinado por confusão operacional provocada por enxame de drones é fácil. O problema grave, como se verifica nas falas de Donald Trump, é quando um míssil desvia do alvo teórico e na prática explode 165 meninas de sete a 12 anos numa escola iraniana. A respeito do ataque criminoso, Trump disse: “foi tiro do Irã”.

O "segredo de estado" aqui é que ninguém quer admitir que a tecnologia de bilhões de dólares pode ser anulada por um escambo de petróleo e eletrônica barata.

A maior preocupação na guerra não é o míssil que atinge a escola, o avião, o navio, mas o "vírus" ou o "ruído" que impede distinguir quartel de salas de aula, nave amiga de hostil, e assassina meninas, derruba aviões aliados e faz o navio não saber onde está.

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