20 fevereiro, 2026

A ESTRATÉGIA CONSPIRATIVA DE JEFFREY EPSTEIN - Parte I (Honey Trap e Kompromat)

 

Jeffrey Epstein articulou uma rede mundial de pedofilia como estratégia central para consolidar poder e influência, como fica evidente no caso do senhor Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do Rei Charles III, preso no Reino Unido, em 19 de fevereiro de 2026, sob suspeita de má conduta em cargo público.


Documentos liberados indicam que Andrew trocou e-mails com Epstein em 2010, enviando relatórios comerciais confidenciais sobre viagens suas ao Vietnã, Hong Kong e Singapura. Além disso, Andrew aparece em fotos e depoimentos citando orgias e encontros com meninas, supostamente menores de idade na oportunidade, no contexto das redes de tráfico sexual de Epstein

O nome mais comum para a prática do que vamos examinar especialmente no âmbito de segurança e espionagem econômica e política é Honey Trap, expressão clássica para a estratégia da promoção de relacionamentos românticos ou sexuais com o objetivo de comprometer personalidades e autoridades criando situações objetivas para obter segredos públicos e privados via a sextortion, quando o flagrante sexual é utilizado para chantagear a pessoa exigindo dinheiro, decisões políticas ou silêncio em troca da não divulgação das imagens ou de fatos de algum modo registrados.  O flagrante preparado ou "provocado", quando a situação foi montada artificialmente para incriminar alguém, até poderá tornar a prova inválida no recurso ao âmbito jurídico, mas muito estrago terá sido feito até um juízo final. 

Documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA reforçam que Epstein tentou construir uma rede poderosa de figuras políticas e líderes empresariais através desses métodos. 

O esquema até aqui revelado inclui relações objetivas com Ehud Barak, ex-primeiro-ministro israelense, que também serviu como ministro da Defesa de Israel (2007-2013). Na construção clandestina e conspirativa da hegemonia surge no circuito a relação entre Jeffrey Epstein e Steve Bannon, aliado político e conselheiro de Donald Trump, revelada detalhadamente em documentos liberados entre o final de 2025 e início de 2026, num momento em que a estratégia de mediação informal de Epstein-Ehud-Bannon em geopolítica e tecnologia de segurança aparece e vai sendo consolidada. Epstein não apenas financia tecnologias de defesa, mas usa sua rede para conectar figuras como Bannon a líderes globais e ex-chefes de inteligência, como Ehud Barak, visando a expansão de movimentos políticos e interesses internacionais de segurança.

A hipótese de Jeffrey Epstein ter atuado como um ativo do Mossad (serviço de inteligência externa de Israel) é uma das teorias mais persistentes da atualidade, robustecida com a divulgação recente de documentos oficiais em 2026.

Embora o governo israelense e líderes israelitas como ex-primeiro-ministro Naftali Bennett neguem qualquer vínculo, diversos elementos e documentos do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) sustentam a suspeita.

A suposição principal é de que inicialmente a coleta de flagrantes visasse à criação de um inventário para chantagem sexual contra líderes mundiais, acadêmicos e empresários influentes, uma Kompromat* que permitiria exercer alavancagem sobre decisões de política externa dos EUA e de outras potências.

Memorando do FBI de 2020, revelado recentemente, cita uma fonte confidencial afirmando que Epstein foi "treinado como espião" sob a supervisão do ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak ((1999–2001)) e que era um "agente cooptado do Mossad". Ghislaine Maxwell, uma ex-socialite britânica, condenada em 2022 a 20 anos de prisão nos Estados Unidos por tráfico sexual e por aliciar meninas menores de idade para o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, foi parceira de longa data, confidente e cúmplice de Epstein, desempenhando um papel fundamental na rede de abusos criada por ele entre 1994 e 2004. Gislaine é filha de Robert Maxwell, um magnata da mídia amplamente considerado por ex-oficiais de inteligência como um ativo de alto nível do Mossad até sua morte misteriosa em 1991.

Ehud Barak, que também servira como ministro da Defesa de Israel de 2007 a 2013, visitou residências de Epstein quase 30 vezes entre 2013 e 2017, segundo ele após deixar os cargos públicos.

Consta que Epstein destinou em 2015 investimentos de cerca de US$ 1 milhão intermediado pelo próprio Ehud Barak, a startup de tecnologia de vigilância e segurança Reporty, posteriormente renomeada para Carbyne.  

Embora tenha mantido por anos que não tinha conhecimento da gravidade dos crimes, em entrevista exclusiva ao Canal 12 de Israel em fevereiro de 2026 (após a divulgação de novos documentos do caso), Ehud Barak expressou arrependimento e pediu desculpas publicamente por sua longa associação com Jeffrey Epstein, e disse que "se arrepende do momento em que conheceu Epstein" financiador de projetos comerciais seus.

Barak admitiu que sabia da condenação de Epstein em 2008, mas alegou que, na época, a elite americana parecia tratar o caso como alguém que "pagou sua dívida com a sociedade". Ele afirmou que eram estas as razões por ter cortado relações definitivamente apenas em 2019, quando nova investigação revelou a "extensão e profundidade" dos crimes de Epstein. Barak enfatizou que, nos 15 anos em que conheceu Epstein, nunca presenciou ou participou de qualquer comportamento inadequado ou ilegal. Documentos revelaram que Barak visitou as propriedades de Epstein em Nova Iorque e na Flórida dezenas de vezes entre 2013 e 2017, além de ter voado em seu jato particular e visitado sua ilha privada

Barak sustentou que a associação mantida com Epstein se limitara a tentar garantir que a política externa americana permanecesse favorável aos interesses nacionais de Israel em momentos críticos.

Jeffrey Epstein teria servido como um "conector", proporcionando acesso direto a círculos de poder que agências de inteligência tradicionais encontrariam dificuldade em infiltrar de forma tão profunda. Documentos sugerem que ele atuava em canais diplomáticos informais, inclusive intermediando relações de Israel com outros países além dos EUA.  Atualmente, o Congresso dos EUA e investigadores independentes continuam analisando cerca de três milhões de páginas de documentos liberados pelo Epstein Files Transparency Act para determinar a extensão real desses laços.

Os investimentos de Jeffrey Epstein em empresas ligadas a Ehud Barak não seriam apenas financeiros, mas parte de uma rede não oficial, o que abre novo, imenso e contemporâneo capítulo, que integraria tecnologia de vigilância, influência política e inteligência de Estado. 

A conexão central iniciou-se através da startup israelense Carbyne desenvolvedora de sistemas avançados de geolocalização e transmissão de vídeo para serviços de emergência e polícia. 

Em 2015, Ehud Barak estabeleceu uma parceria limitada para investir na Carbyne. Documentos revelam que Epstein financiou uma parte considerável desse investimento de Barak, tornando-se, na prática, um sócio oculto no projeto. A tecnologia da Carbyne, muitas vezes descrita como tendo sido testada em contextos de conflito (como em Gaza), permite a coleta massiva de dados e monitoramento em tempo real.

Críticos sugerem que o interesse de Epstein nesse tipo de tecnologia estava alinhado com sua prática de coletar informações comprometedoras.

A diretoria da Carbyne incluía figuras de alto escalão da segurança de Israel, como Pinchas Buchris, ex-diretor do Ministério da Defesa e ex-comandante da Unidade 8200 (a elite de inteligência cibernética de Israel). Em 2025, a Carbyne seria adquirida pela empresa americana Axon. Documentos do Departamento de Justiça dos EUA indicam que Epstein também financiou iniciativas ligadas ao retorno político de Barak, incluindo a ONG "Achrayut Leumit" (Responsabilidade Nacional). 

Essa estrutura sugere que Epstein funcionava como uma "ponte" financeira para tecnologias de defesa israelenses entrarem no mercado global, enquanto ganhava acesso a ferramentas de vigilância de ponta e proximidade com a cúpula da inteligência de Israel.

A estrutura descrita destaca a interseção entre capital privado de alto risco, figuras políticas influentes e tecnologias de vigilância com origem em unidades de inteligência de elite de Israel.

A tecnologia da Carbyne, que permite a centrais de emergência (PSAPs) acessar câmera, microfone e localização precisa do smartphone de um usuário, foi amplamente disseminada e adotada sob a justificativa de modernizar o atendimento a serviços de emergência (nos EUA, o 911).  

A Carbyne consolidou sua presença nos EUA, adotada em dezenas de jurisdições, incluindo grandes centros como Miami, Atlanta, Nova Orleans e Nova Iorque, e colaborou com gigantes da tecnologia e segurança, como a Amazon Web Services (AWS) e a AT&T, para integrar sua plataforma de vídeo e dados em tempo real em redes de segurança pública. Em novembro de 2025, a gigante de tecnologia policial Axon anunciou a aquisição da Carbyne por US$ 625 milhões, visando integrar o sistema de vídeo ao vivo a sua linha de câmeras corporais. 

Recentemente, através do Sourcewell, um programa de compras governamentais, a Carbyne acelerou a adoção de seu sistema em municípios e distritos escolares nos EUA.

A expansão da Carbyne também focou em parcerias na América Latina, especialmente no setor de segurança veicular e serviços de emergência. Estabeleceu parcerias com a Bosch Service Solutions eCall (chamada de emergência automática) em veículos na América Latina, conectando dados do veículo diretamente a centros de despacho.

A presença ativa da Carbyne na América Latina se verifica pela tecnologia de "vídeo de emergência", que tem sido comercializada para governos e empresas de segurança privada com objetivo declarado de "modernizar" o atendimento ao cidadão em tempo real. 

Nos EUA, a Carbyne focou em modernizar a infraestrutura de centros de chamadas de emergência, que em muitos estados ainda operava serviços com tecnologia defasada. O diferencial da Carbyne é permitir que o atendente de serviços de emergência acesse a câmera e a localização GPS exata do smartphone do solicitante sem que ele precise instalar um aplicativo. A tecnologia já foi adotada em condados de estados como Flórida, Geórgia e Ohio, mas a empresa enfrentou questionamentos em cidades como Nova Orleans, onde legisladores expressaram preocupação com a privacidade dos dados e o histórico de dados dos investidores, especialmente após as revelações sobre Epstein.

O Brasil tornou-se um mercado estratégico para a Carbyne devido aos desafios de segurança pública e necessidade de modernização dos Centros Integrados de Comando e Controle (CICC). A empresa estabeleceu parcerias para implementar a plataforma em estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde o foco foi a triagem rápida de ocorrências e a capacidade de receber vídeo ao vivo de incidentes em andamento, o que teoricamente reduz o tempo de resposta policial ou de socorro. O sucesso no Brasil tem servido como vitrine para outros países da América Latina, como México e Colômbia.

A lógica operacional da Carbyne em associação ao projeto de Epstein sustentou-se em que a tecnologia seria desenvolvida e testada em cenários militares ou de inteligência israelenses, no Lobby de figuras como Epstein e Barak, que forneceriam o capital inicial e, o diferencial exclusivo, as conexões políticas necessárias para abrir portas em governos estrangeiros. Ferramentas que antes eram de agências de espionagem são "empacotadas" como serviços de emergência civil, privatizando a Inteligência, o que foi facilitador da entrada em mercados democráticos sob o pretexto de segurança pública. Embora a Carbyne sustente ter se distanciado de Epstein após as acusações de proxenetismo e pedofilia virem à tona, a estrutura de financiamento inicial e o conselho administrativo composto por ex-chefes de inteligência mantêm a empresa no centro de debates sobre a influência da inteligência estrangeira em infraestruturas críticas nacionais.  

E-mails revelaram que Epstein usou uma holding configurada por Barak para esconder seu investimento inicial de US$ 1 milhão, garantindo a proximidade com os criadores da tecnologia.  

A trajetória da Carbyne mostra como a tecnologia de ponta de segurança (surveillance tech) de Israel encontrou mercados globais através de intermediários com alto poder de influência, como Ehud Barak e, secretamente, Jeffrey Epstein. 

A startup criada por ex-membros de unidades de espionagem de Israel, com Barak na liderança. A conexão com o Kompromat de Epstein, um ativo do Mossad controlador de um inventário para chantagem contra líderes mundiais, acadêmicos e empresários, teria viabilizado exercer alavancagem sobre decisões financeiras, políticas e econômicas nos EUA e em outras potências, apesar da tecnologia ter gerado suspeitas sobre o uso da plataforma para monitoramento de informações pessoais e nacionais sensíveis por inteligências estrangeiras. 

(Em breve, a Parte II, já em revisão)

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Kompromat (do russo: компромат) é um termo que se refere a material comprometedor — documentos, fotografias, vídeos, gravações de áudio — coletado sobre um político, figura pública ou indivíduo, com o objetivo de chantagear, difamar, manipular ou destruir a reputação. O termo surgiu na União Soviética, tornando-se popular durante a época da KGB. Embora originado na Rússia, o termo tornou-se de uso internacional para definir uma prática milenar do uso estratégico de segredos ou informações. Henrique VIII a utilizou para sustentar a decapitação de Ana Bolena e Catarina Howard, duas da seis esposas que constiuiu.

06 fevereiro, 2026

CRISE MASTER-BRB ENVOLVE GOVERNADOR DO DF

  A situação do BRB (Banco de Brasília) tornou-se crítica em fevereiro de 2026, com a revelação de que os controladores do Banco Master (atualmente em liquidação extrajudicial) não eram apenas vendedores de ativos, mas tornaram-se acionistas relevantes do próprio banco estatal. O BRB enfrenta agora uma crise tripla: Reputacional/Criminal: Investigação de sua antiga cúpula por gestão fraudulenta. Financeira: Necessidade urgente de capital para cobrir o rombo das "carteiras podres". Controle: Mudança forçada na base acionária, com alvos da PF (Vorcaro) e gigantes globais (Mastercard) ocupando espaço no capital da instituição estatal. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), está diretamente implicado no imbróglio e tornou-se formalmente investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ)*.

    Foto: TV Globo/Reprodução
     
Investigações da Polícia Federal e uma auditoria externa do próprio BRB revelaram que o grupo liderado por Daniel Vorcaro chegou a deter quase 15% das ações do BRB até janeiro de 2026. O grupo Vorcaro (via holding Titan e aliados como Maurício Quadrado e João Carlos Mansur) comprava ações do BRB ao mesmo tempo em que negociava a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito para a instituição. Em desdobramento inusitado, a Mastercard tornou-se acionista (6,93%) do BRB em janeiro de 2026 após executar garantias de uma dívida do Will Bank (fintech ligada ao grupo Master) que consistiam em ações do banco de Brasília.

  A PF apura se o BRB foi utilizado para "salvar" o Master da quebra por meio de uma operação de "camaradagem", adquirindo ativos problemáticos para injetar liquidez no banco privado. Ainda hoje, sexta-feira 6 de fevereiro de 2026, o BRB deveria apresentar ao Banco Central plano para recompor um valor total de R$ 5 bilhões de perdas geradas pelo envolvimento com o Master. O banco estatal busca evitar uma intervenção direta do BC após a descoberta de que aceitou R$ 10 bilhões em ativos do Master sem a devida avaliação, o que pode gerar um prejuízo bilionário ao patrimônio público do Distrito Federal.

  As investigações da Operação Compliance Zero ainda conectam o caso a movimentações suspeitas de lavagem de dinheiro. O Master teria realizado cerca de R$ 2,8 bilhões em câmbio para empresas investigadas por ligação com o Hezbollah e o PCC.

  O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), está diretamente implicado no imbróglio e tornou-se formalmente investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em fevereiro de 2026. Diferente dos dirigentes do banco, que são investigados em instâncias inferiores, Ibaneis é alvo no STJ devido ao foro privilegiado. Depoimentos revelaram pontos críticos. Daniel Vorcaro afirmou em depoimento à Polícia Federal que tratou pessoalmente com Ibaneis sobre a tentativa de venda da instituição ao BRB. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa declarou em depoimento que o governador estava ciente da operação de R$ 12,2 bilhões com o Master.

  A oposição na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) protocolou pedidos de impeachment contra o governador em 1º de fevereiro de 2026. Os parlamentares apontam crime de responsabilidade, alegando que Ibaneis teria interferido politicamente para forçar a compra de "papéis podres" (carteiras de crédito sem valor) do Master pelo banco estatal, o que gerou um rombo bilionário. Ibaneis tentando se distanciar da responsabilidade direta pelas perdas financeiras, afirmou que "confiou" no ex-presidente do banco e que as decisões eram de caráter técnico da diretoria. Ele declarou ver com "naturalidade" as investigações da PF, embora o avanço do caso no STF e STJ tenha aumentado a pressão política sobre seu mandato.

  Enquanto os dirigentes do BRB respondem por gestão fraudulenta e temerária, Ibaneis é investigado por interferência política e possível omissão ou facilitação de um esquema que, segundo a PF, serviu para injetar dinheiro público em um banco privado (Master) já quase sem liquidez.

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* De acordo com o Artigo 105, inciso I, alínea "a" da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) processar e julgar, nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal. O STF (Supremo Tribunal Federal) julga o Presidente da República, Ministros de Estado, Senadores e Deputados Federais. O STJ é o tribunal responsável pelos chefes de executivo estadual/distrital. Quando Ibaneis foi investigado pelo STF no caso do 8 de janeiro, a investigação envolvia atos que supostamente atentavam contra os Poderes da República e a ordem democrática, crimes que estavam sob a relatoria do Ministro Alexandre de Moraes em um inquérito que já tramitava no Supremo com outros réus que tinham foro no STF. Havia o que o direito chama de "vis attractiva" (força de atração): quando o crime é contra a segurança nacional ou envolve figuras do alto escalão federal, o STF pode atrair a competência. No imbróglio atual envolvendo o Banco Master e o BRB, as acusações são de crime comum (gestão fraudulenta, corrupção, peculato ou lavagem de dinheiro no âmbito distrital). Como o crime em tese ocorreu durante o mandato e está relacionado ao exercício do cargo (influência sobre o banco estatal do DF), a competência volta para a regra geral: o STJ, quando a investigação corre sob a supervisão de um ministro do STJ e é conduzida pela Polícia Federal, por tratar-se de verbas federais/estatais e crimes financeiros.



01 fevereiro, 2026

Rio Tapajós, uma "estrada de água" x um território de vida e subsistência.

Hoje, 1º de fevereiro de 2026, a ocupação do porto da Cargill em Santarém completa seu 10º dia consecutivo. A mobilização de lideranças indígenas de 14 povos do Baixo Tapajós e movimentos sociais permanece firme, impedindo o fluxo logístico normal da multinacional. O Bloqueio Total iniciou no sábado, 31, quando centenas de manifestantes intensificaram atos na entrada principal da unidade pela Avenida Cuiabá, em Santarém e também promoveram nova Barqueata de Resistência em reforço ao protesto, buscando a união das comunidades ribeirinhas contra a dragagem e concessão de trechos de navegação no  Rio Tapajós à inciativa privada. Lideranças do movimento declararam que não aceitam negociar termos de consulta enquanto o decreto não for revogado. Argumentam que os editais de licitação do DNIT avançaram sem os devidos Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Denunciam a falta de consulta prévia (conforme a Convenção 169 da OIT) e temem impactos irreversíveis na pesca e no ecossistema. O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) exigem que o governo suspenda o decreto, alegando que a "privatização" do rio ameaça a segurança alimentar e o modo de vida local. O governo defende que o projeto reduzirá custos logísticos para o agronegócio e que as intervenções físicas só ocorrerão após a aprovação de órgãos ambientais. O conflito com os povos indígenas ocorre justamente porque, para a Cargill e autoridades federais o Tapajós é visto como uma "estrada de água", enquanto para as comunidades locais, ele é um território de vida e subsistência.


O governo federal anunciou a criação de uma mesa de conciliação, mas as lideranças indígenas afirmam que só aceitam dialogar se o decreto for suspenso, pois entendem que a "consulta" não pode servir apenas para validar uma decisão que o Estado já tomou. Ministro Guilherme Boulos, chefe da Secretaria-Geral da Presidência, órgão responsável  por mediar conflitos com movimentos sociais e sua equipe técnica estabeleceram contato com lideranças do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) para tentar mediar o levantamento do bloqueio no porto da Cargill em Santarém, Boulos anunciou que levaria as demandas dos indígenas de suspensão do decreto aos ministérios "técnicos" que assinaram a medida, como o Ministério dos Transportes e a Casa Civil. Além de Boulos, a ministra Sonia Guajajara (Povos Indígenas) tem sido soliocitada pelos manifestantes a intervir diretamente junto ao presidente Lula, já que o decreto 12.600/2025 é visto como uma contradição às promessas ambientais do governo.
Os efeitos do Decreto nº 12.600/2025 sobre o acesso aos recursos naturais pelos povos da Amazônia são o ponto central do atual conflito em Santarém e Itaituba. De acordo com as denúncias, os principais impactos na prática são:
Restrição da Pesca Artesanal: A prioridade dada aos grandes comboios de barcaças (que podem chegar a 200 metros de comprimento) cria "zonas de exclusão" e riscos de acidentes, impedindo que pescadores locais lancem suas redes nos canais principais e áreas de remanso.
Alteração do Ciclo Hidrológico: As obras de dragagem (aprofundamento do leito) e derrocamento (explosão de pedrais) modificam o habitat de reprodução dos peixes, afetando a segurança alimentar das comunidades que dependem da proteína do rio.
Ameaça ao Direito de Passagem: Há o receio de que a privatização da gestão do rio resulte em taxas ou restrições de navegação para as pequenas embarcações ("rabetas" e barcos de linha), que são o único meio de transporte para saúde e educação nas comunidades.
Insegurança Territorial: A instalação de portos de apoio e terminais logísticos previstos no projeto atrai a valorização especulativa de terras, pressionando territórios indígenas e quilombolas ainda não homologados.
Impacto na Biodiversidade: A remoção de sedimentos e o aumento do tráfego de cargas pesadas elevam o risco de poluição por combustível e alteram a turbidez da água, essencial para o equilíbrio da fauna aquática local.
A Cargill depende da navegação pelo Eixo Tapajós-Amazonas. O interesse com o Decreto 12.600/2025 é garantir que o rio tenha profundidade constante (via dragagem) para que barcaças maiores circulem mesmo no período de seca extrema.

Os insurgentes de Tapajós enviaram um recado claro a Boulos: não aceitam apenas "conversar" enquanto o decreto estiver valendo. Eles exigem um ato formal de suspensão dos estudos de concessão para liberar totalmente as vias de acesso ao porto.

O governo federal, via DNIT, iniciou processos para contratar estudos ambientais e projetos de dragagem (retirada de sedimentos do fundo do rio) para viabilizar a passagem de grandes comboios de grãos durante todo o ano.

Ministério Público Federal (MPF) não apenas discorda do Decreto 12.600/2025, mas está agindo em frentes judiciais e administrativas para barrar o projeto da hidrovia. O MPF emitiu recomendações formais para órgãos como a Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Semas), o DNIT e a Marinha, exigindo a interrupção de qualquer licenciamento ou edital de dragagem no Rio Tapajós. O argumento é que o governo está avançando com obras sem realizar a Consulta Prévia, Livre e Informada exigida pela Convenção 169 da OIT. O MPF também solicitou a abertura de inquérito policial para investigar se a Cargill e a consultoria responsável pelos estudos ambientais cometeram crimes como falsidade ideológica. A suspeita é de que dados sobre os impactos reais das operações portuárias e da dragagem tenham sido omitidos ou distorcidos. 
Apesar da pressão, em 19 de janeiro de 2026, a Justiça Federal negou um pedido de suspensão liminar da dragagem que havia sido solicitado por movimentos sociais. Isso gerou a revolta que culminou na ocupação atual. Até hoje, não há uma ordem de desocupação definitiva sendo executada.

A aplicação do Decreto Federal nº 12.600/2025 foca na estruturação da Hidrovia do Rio Tapajós para concessão à iniciativa privada. O decreto incluiu o trecho de 250 km entre Itaituba e a foz no Rio Amazonas, em Santarém, no Programa Nacional de Desestatização (PND). 

A área de interesse da Cargill em Santarém é estratégica por ser o "ponto de saída" do chamado Arco Norte, conectando o Centro-Oeste brasileiro ao mercado internacional (Europa e China) de forma muito mais barata que pelos portos do Sul e Sudeste. Localizado na foz do Rio Tapajós, é um dos maiores terminais de transbordo do país. Ele recebe grãos que chegam via barcaças e os carrega em navios transoceânicos. O foco quase exclusivo da operação da Cargill na região são as commodities agrícolasSoja: O principal produto. Originada majoritariamente do Mato Grosso (via BR-163 até Miritituba) e também de polos produtores no próprio Pará. 
Com a hidrovia estruturada pelo decreto, a Cargill reduziria o Custo Logístico, uma vez que  transporte por caminhões é até três vezes mais caro que o por barcaças.
O problema da navegação nas épocas de seca, quando as barcaças circulam com apenas 50% ou 60% da carga para não encalhar, seria contornado pela dragagem prevista no decreto, que viabilizaria a navegação em carga máxima o ano todo, garantido aumento aumentando dos lucros da multinacional.
O decreto prevê que as concessões trarão sinalização e segurança, mas as lideranças locais afirmam que estão ignorando o Protocolo de Consulta Prévia, violando a Convenção 169 da OIT ao decidir sobre o destino do rio sem a participação dos povos que o habitam
Protocolo de Consulta é um conjunto de regras criado pelos próprios povos indígenas e comunidades tradicionais para definir como o governo deve dialogar com eles antes de tomar decisões que afetem seus territórios e modos de vida. 
Os povos indígenas de Santarém e região denunciam que o governo não realizou a consulta antes de publicar o Decreto Federal nº 12.600/2025.  Durante a COP30, ano passado, o governo federal sinalizou compromisso com os protocolos, mas publicou o decreto incluindo o Rio Tapajós no plano de concessões, sem ouvir as comunidades locais.
Devido à ausência da consulta, o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) e outras 14 etnias estão em pé de guerra, ocupando portos e realizando barqueatas em Santarém para exigir a revogação imediata do decreto até que o processo legal de consulta seja respeitado. 
Ele baseia-se na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que exige que a consulta seja: 
  1. Livre: sem pressão ou ameaças.
  2. Prévia: antes de qualquer ato administrativo ou obra ser aprovada.
  3. Informada: com acesso total e em linguagem clara sobre os impactos do projeto. 
No último domingo (25/01/2026), o MPF atuou diretamente na mediação entre as lideranças do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) e os órgãos federais para evitar um confronto violento na ocupação da Cargill. O órgão protocolou pedidos à Justiça Federal para que seja reconhecida a ilegalidade do decreto devido à falta de estudos de impacto climático e social específicos para a bacia do Tapajós. 

    A situação no local é de vigília permanente, com os indígenas recebendo apoio de sindicatos locais e organizações para a manutenção do acampamento com água e alimentação. 
    Abaixo estão as posições oficiais das partes diretamente envolvidas no impasse em Santarém:
    1. Posição da Cargill
    Cargill, em notas recentes, tem adotado uma postura de cautela jurídica. A empresa afirma que:
    • Segurança e Logística: A prioridade é garantir a integridade de seus funcionários e a segurança das operações portuárias, que estão severamente impactadas pelo bloqueio.
    • Cumprimento da Lei: Sustenta que opera em conformidade com as licenças vigentes e que a discussão sobre o Decreto 12.600/2025 e as concessões de hidrovias é uma responsabilidade do Estado Brasileiro.
    • Diálogo: Declara-se aberta ao diálogo institucional, mas evita confrontar diretamente as pautas indígenas para não escalar a tensão no local.
    2. Posição do Ministério dos Transportes e DNIT
    O governo federal, por meio do Ministério dos Transportes, defende a manutenção do decreto sob os seguintes argumentos:
    • Interesse Nacional: Alega que a hidrovia é essencial para reduzir o "custo Brasil" e a emissão de carbono, substituindo caminhões por barcaças no escoamento da safra.
    • Fase de Estudos: O ministério sustenta que a inclusão no PND (Programa Nacional de Desestatização) é apenas uma etapa administrativa para realizar estudos, e que a consulta aos povos indígenas ocorreria em um momento posterior, antes do leilão final.
    • Modernização: O DNIT reforça que as intervenções (dragagem e sinalização) trarão segurança para todos os navegantes, incluindo as populações locais.
    3. O "Nó" Jurídico
    O conflito reside no fato de que o Ministério Público Federal (MPF) entende que a Consulta Prévia deveria ter ocorrido antes da assinatura do decreto e do edital de estudos, e não depois. Para o MPF, publicar o decreto sem ouvir os povos é uma violação de direitos que torna o ato ilegal.
    Status de hoje: O porto segue parado para embarques de soja e milho, e a tensão aumenta com a chegada de mais contingentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na região para monitorar os bloqueios na BR-163 (Avenida Cuiabá).

    A aplicação do Decreto Federal nº 12.600/2025 foca na estruturação da Hidrovia do Rio Tapajós para concessão à iniciativa privada. O decreto incluiu o trecho de 250 km entre Itaituba e a foz no Rio Amazonas, em Santarém, no Programa Nacional de Desestatização (PND). 



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