12 março, 2026

A IMPRECISÃO DAS ARMAS É TÃO LETAL QUANTO A DOS SENHORES DELAS

 

A relação entre a inteligência cibernética de Israel e o ecossistema de dados dos EUA viveria ainda um momento de "divórcio técnico" e realinhamento estratégico. Após setembro de 2025, a Microsoft restringiu o acesso de Tel Aviv a ferramentas avançadas de IA generativa e reconhecimento facial no Azure. Relatórios internos indicaram que Israel estaria usando o Azure para alimentar um sistema IA de seleção de alvos com uma margem de erro considerada inaceitável por padrões corporativos da Microsoft. Sem a nuvem da empresa estadunidense, Tel Aviv teria perdido parte da capacidade de processamento em larga escala, o que contribuiria para a "cegueira" informativa que tenderia a produzir erros de identificação de alvos..

        

Donald Trump voltou a afirmar que venceu a guerra contra o Irã no primeiro dia. Que os restantes dias até hoje estão servindo para "terminar o trabalho", e que agora vai cuidar "do estreitos" onde ele deve ter incluído o nó na economia mundial dado por Teerã no “Estreito de Ormuz".

Penso diferente. EUA e Israel iniciaram a guerra como japoneses que atacaram Pearl Harbor, um ataque em meio a uma rodada de negociação de paz. Afundaram a moral que já estava boiando na lama, no sangue de crianças persas ao bombardear por maldade ou. imperícia mais de centena e meia de meninas, funcionários e professoras em uma escola de infantil.

Após 11 dias da barbárie, investigações divulgadas hoje confirmaram que foi um míssil Tomahawk, dos Estados Unidos, que atingiu a escola primária para meninas em Minab, no sul do Irã, na manhã do dia 28 de fevereiro, matando mais cerca de 170 pessoas, a maioria crianças e professores.

As evidências públicas de autoria dos EUA constam de análises de vídeo realizadas por especialistas, incluindo confirmações de meios de comunicação e relatórios preliminares do próprio governo dos EUA. Notas de fontes diversas confirmam que o míssil era de fabricação norte-americana e parte de um ataque cujo alvo seria a Guarda Revolucionária Iraniana.

Notas sugerem que oficiais do Comando Central dos EUA (CENTCOM) utilizaram dados de inteligência defasados fornecidos pela Agência de Inteligência de Defesa (DIA).

O prédio destruído no ataque abrigava a escola infantil há anos antes, cedido por uma unidade da Guarda Revolucionária.

Apesar de já ter conhecimento de relatório destas evidências, o presidente Donald Trump negou até o domingo, 8, responsabilidades dos EUA, atribuindo sem dúvidas o ocorrido a suposta "imprecisão das armas iranianas".

O ataque é considerado um dos mais letais para civis na atual guerra.Se supomos que os EUA usem escudos por satélite como espinha dorsal, pode ter imposto filtros de soberania no software. Por exemplo, Israel receberia os dados de posicionamento e comunicação do escudo, mas não teria acesso ao "código-fonte" ou a camadas criptografas de segurança.

Para evitar episódios de fogo amigo ou bombardeio de alvos exclusivamente civis, os EUA terriam exigido que qualquer alvo identificado pela IA israelense passasse por uma validação cruzada nos servidores da defesa estadunidense, via satélite. antes de ser autorizado para baterias de mísseis integradas. Isto em escala mínima de segundos, em baixíssima latência, supondo que estamos falando de caças e mísseis ultrassônicos.

Talvez por sentir-se vulnerável pela dependência de empresas parceiras, mas estrangeiras, Israel iniciou o desenvolvimento de uma camada de IA soberana na tentativa de rodar localmente ou mesmo em minis-datas centers móveis para que seus sistemas de defesa (Iron Dome/David's Sling) oferecessem dados para decisões sem esperar anuência de terceiros, o que gera, sem dúvida tensão diplomática constante e promove um cenário de degradação de inteligência.

Se pode aventar a hipótese de que o ataque à escola de meninas no Irã teria ocorrido em meio a esse "apagão" de cooperação. Há três mecanismos técnicos que podem ter causado o desastre. Regressão ao momento tecnológico de escolha do "Alvo por Probabilidade", em que, sem o acesso total à nuvem (ao cérebro) e aos dados de alta precisão filtrados pelo escudo, o sistema pode ter voltado a utilizar algoritmos locais menos refinados, que tenderiam a identificar "anomalias de calor" ou "padrões de movimento" como alvos militares, sem a verificação humana ou satelital necessária para distinguir uma escola de um quartel.

Na faina de rodar sua própria IA sem a moderação de servidores estrangeiros, o sistema pode ter sofrido uma "alucinação de dados". Sob estresse e interferência de sistemas usados pelos persas, sinais de celulares das crianças ou de geradores elétricos da escola sem filtros de última geração poderiam ter sido interpretados como uma base de lançamento de drones.

Com o sistema territorial local parcialmente "isolado" da rede de consenso mais geral, não pode ser afastada a hipótese da "alucinação" da IA Soberana, que decidiria pela operação em modo autônomo.

Nesse modo, o tempo de decisão é reduzido a milissegundos, e o sistema prioriza a destruição da ameaça percebida antes que o antagonista dispare, o que prejudica ou elimina a camada de revisão ética que os protocolos automatizados consensuais estão construindo. Admitir uma falha nesse nível da operação imposta pela exclusão ou parcial isolamento do sistema territorial local pelos protocolos de consenso, é concluir que foi aberta a estrada para a criação de um monstro tecnológico fora de controle.

Relatórios de campo ajudam a entender as hipóteses em exames. Eles indicam a presença de componentes eletrônicos e fragmentos de metal que evidenciam ter sido um míssil "made in usa" equipada com kits de guiagem da mesma origem que explodiu a escola de meninas iraniana.

Bombas assim dependem de coordenadas precisas. Se houve interferência do sistema usado pelos persas (de ruídos ou hakeamento) ou se o sistema de mapeamento estava operando com dados desatualizados (pelo isolamento da nuvem Azure), a bomba poderia até desviar muitos metros do alvo original ou, como mais parece, ter sido programada com coordenadas erradas.

A hipótese de que a escola foi confundida com um alvo iraniano é forte devido ao "Efeito Fantasma", quando a proximidade de infraestruturas civis é usada para ocultar lançadores móveis. Por exemplo, se um sistema de mísseis iraniano esteve posicionado nas proximidades da escola horas antes do lugar ter sido alvejado, a área pode ter sido marcada como "ativa". Ainda, equipamentos de comunicação iranianos operam em frequências que, sob forte interferência, podem mimetizar o ruído eletrônico de uma escola cheia de dispositivos Wi-Fi e celulares.

Sem o "filtro de clareza" dos supercomputadores da rede de consenso, um sistema soberano semi-isolado poderia interpretar o volume de sinais da escola como um posto de comando e controle. Assim poderia ter ocorrido se o parceiro mais fiel tivesse usado o projeto soberano próprio, menos sofisticado, sem as camadas de segurança e "check-and-balance" impostas pelo consenso geral.

A provisão da conexão de internet via satélite. sem o data center para processar as imagens e distinguir "criança" de "soldado", poderia ser chamada de operação "às cegas", confiando em algoritmos locais que priorizaram letalidade sobre a identificação precisa.

O surpreendente no episódio é o silêncio das fontes de 11 dias sobre a munição, sobre de que IA, a consensual ou a soberana, partiu o "erro de cálculo". Mas é segredo de polichinelo a resguardar reputações a ser logo ali configuradas. Ainda que a responsabilidade se torne um emaranhado jurídico e ético entre o fornecedor da arma, o fornecedor da conexão e o operador do software, a diferenciação entre quem fabricou e quem disparou é feita através da chamada técnica forense de munição, que cruza o hardware encontrado com os registros de exportação e os dados da rede de comando.

O rastreamento pelo "DNA" dos fragmentos informará quem fabricou a bomba, o lote que frequentou e a quem foi enviada. As informações são gravadas em placas de circuito e carcaças de aço que identificam o contrato de venda específico e permitem saber em que ano a munição foi entregue, se o fragmento pertence a um lote de janeiro de 2026, se ele veio de uma remessa de emergência para quem no Oriente Médio.

O fragmento revela quem fabricou, o "rastro digital" identifica quem apertou o gatilho. Bombas modernas possuem, inclusive, módulos de memória que armazenam as últimas coordenadas inseridas. Se os investigadores da ONU, por exemplo, acessarem os registros de tráfego do sistema de consenso, poderá "ver o exato momento" em que um caça, identificado pelo seu ID de rede, enviou o comando de disparo para aquelas coordenadas específicas.

Satélites de infravermelho captam o "flash" do lançamento e o perfil térmico do caça. Cruzando o horário do flash com a rota do da aeronave, confirma-se a autoria.

Para fins de dirimir dúvidas e colaborar com certeza as bombas têm padrões de design diferentes e componentes eletrônicos com inscrições na língua de seus fabricantes.

Se o fragmento tiver códigos da OTAN (Cage Codes), a arma pode ter procedência em um país e operada sob licença em território de outro.

A investigação dos EUA ainda não se concluiu e é considerada "reservada" talvez porque já saibam do que estamos aqui aventando como como hipótese, condicionais, esquemas vagos.   E já saberiam não porque consultaram as estrelas ou os oráculos, mas porque têm acesso aos da rede satelital onde está gravado qual aeronave transmitiu os dados de ataque.

Admitir publicamente o ocorrido implica em apontar o responsável por um crime de guerra cometido com tecnologia de algum proprietário de alguma nação. Certo mesmo, até aqui, é que a análise de inteligência sobre o ataque à Escola Shajareh Tayyebeh, em Minab (sul do Irã), no dia 28 de fevereiro de 2026, revela um cenário de erro catastrófico alimentado pela degradação tecnológica:

Que imagens de satélite capturadas dias antes do ataque indicavam que o Irã havia posicionado baterias de mísseis em valas rasas cobertas com redes antidrone em diversas províncias.


Que a escola em Minab estava localizada nas proximidades de uma base naval da Guarda Revolucionária (IRGC), que também foi alvo de ataques aéreos no mesmo dia.


Que é altamente provável que o sistema de IA operando sem o filtro do protocolo de consenso tenha detectado a assinatura eletrônica de lançadores móveis iranianos (como os modelos Fateh ou Zulfiqar) que se movimentaram pela zona escolar para evitar a detecção.

Que, sem a capacidade de processamento de imagem em alta resolução, que a nuvem Azure fornecia, o sistema pode ter "travado" o alvo na estrutura física mais proeminente da área: a escola.

Que a urgência determinada por algoritmos orientados pela letalidade tenha possibilitado o bombardeiode uma escola como se quartel fosse, crianças que não serão soldados, o que, por certo, não era o objetivo dos criadores de IA e senhores da guerra em geral. Até porque, o Irã fica muito distante de Washington e Tel Aviv, embora limite com o Estreito de Ormuz, e persas não são árabes como os palestinos massacrados no confinamento do Gueto de Gaza tornado campo de extermínio.


10 março, 2026

Israel leva expansão sionista ao Sul do Líbano na esteira da guerra contra o Irã

O programa do sionismo desde 1948 com a implantação do estado nacional na Partilha da Palestina é a Grande Israel. Submetidos ao genocídio desde a Nakba, os palestinos já contam 700.000 mortos, 70.000 apenas no Gueto de Gaza, desde 7 de outubro de 2023.

No momento, Israel aproveita a guerra que sustenta com Trump contra o Irã para ocupar novo território ao sul do Líbano de onde impuseram à bomba, foguetes e tiros de canhões a retirada de 760.000 libaneses, xiitas do Hesbolah, cristãos e muçulmanos...

Um crime de guerra, de movimentação forçada em massa da população civil, que em quatro dias já resulta em 500 mortosem território libanês. Toda a gente ali residente expulsa de casa para criação de "uma zona de exclusão", desde o Rio Litani até a fronteira norte de Israel.

A atual administração Trump, que já adotara no primeiro mandato a política de "pressão máxima" contra o Irã e reconhecera à revelia da ONU a soberania de Israel sobre as colinas de Golã tomadas da Síria em 1973, escalou para o conflito direto da guerra atual contra os persas e dá apoio incondicional à ocupação israelense iniciada durante o governo de Joe Biden.

Segundo a IA, esses são os elementos que compõem essa expansão histórica Faixa de Gaza: Faixa costeira ao sul que, após a guerra de 1948, ficou sob controle egípcio e foi ocupada por Israel em 1967. Cisjordânia (West Bank): Território a leste de Israel, ocupado pela Jordânia em 1948 e por Israel em 1967. Inclui áreas de importância histórica e religiosa como a Judeia e a Samaria. olinas de Golã: Planalto estratégico na fronteira com a Síria, ocupado por Israel em 1967 e posteriormente anexado em 1981, embora a anexação não seja reconhecida pela maior parte da comunidade internacional. Sul do Líbano (Rio Litani): Região ao norte que faz parte do contexto atual de movimentação forçada de populações civis mencionada (em vermelho).

O Ciclo de Ocupação e o Novo Vácuo Humano.Diferente da Cisjordânia ou de Gaza, o Sul do Líbano não está sendo anunciado por Israel como um território para "anexação" ou "ocupação histórica" (como reivindicou Judeia e Samaria). A justificativa oficial de Israel para a criação da zona de exclusão até o Rio Litani seria o cumprimento da Resolução 1701 da ONU, que exige a retirada do Hezbollah daquela área dado o histórico de ocupações e anexações de território, organizações de direitos humanos alertam que o método utilizado (bombardeios e ordens de evacuação em massa) configura, na prática, uma crise de deslocamento forçado sem precedentes na região.

A análise da Evolução Cartográfica do Controle Territorial revela que a estratégia de segurança na região tem sido historicamente marcada pela expansão de perímetros e pela criação de "zonas de amortecimento" que alteram permanentemente a demografia local.

Consolidação das Áreas Verdes (1967- Hoje): Gaza, Cisjordânia e o Golã deixaram de ser apenas frentes de batalha para se tornarem territórios de controle administrativo prolongado. Nelas, a condição de "refugiado" tornou-se hereditária para milhões de palestinos, enquanto a anexação do Golã ilustra a tentativa de tornar definitivas as conquistas militares.

A Ruptura no Sul do Líbano (Vermelho): O cenário atual entre a Linha Azul e o Rio Litani representa uma nova e agressiva fase. Ao forçar a retirada de mais de 760.000 civis de diversas denominações religiosas, o que se observa não é apenas uma manobra militar, mas a criação de um "vácuo populacional". O desrespeito às demarcações da ONU e a escala do deslocamento sugerem que a região corre o risco de deixar de ser uma zona temporária de conflito para se tornar mais um território de exclusão permanente.

Em suma, os dados mostram que cada centímetro avançado no mapa (seja no verde das ocupações clássicas ou no vermelho da crise atual) corresponde a centenas de milhares de trajetórias de vida interrompidas, consolidando um quadro de instabilidade onde a soberania territorial se sobrepõe sistematicamente aos direitos das populações civis residentes.


Mapa infográfico criado via inteligência artificial (Gemini) com base em dados históricos e geopolíticos. O Vermelho: representa a área entre a Linha Azul (onde o território isarelense termina) e o Rio Litani, no Líbano (o limite norte da mancha vermelha no mapa). É nesta faixa de aproximadamente 30 km que ocorre o desrespeito às normas da ONU, com o registro de intenso bombardeio e expulsão forçada das populações citvis.


Evolução Territorial e Crise Humanitária

1. Contexto Geopolítico - A análise da Evolução Cartográfica demonstra que o controle territorial na região não é estático, mas sim um processo de expansão contínua. Enquanto áreas como a Cisjordânia, Gaza e Colinas de Golã representam ocupações consolidadas desde 1967 (marcadas em verde-oliva), a situação no Sul do Líbano (marcada em vermelho) representa a frente de expansão mais crítica e imediata.

2. A Nova "Zona de Exclusão" (Sul do Líbano)

A área entre a Linha Azul (ONU) e o Rio Litani tornou-se o novo foco de movimentação forçada. Ação: Imposição de zona de exclusão via bombardeios e ordens de evacuação.Impacto Humano: Retirada forçada de aproximadamente 760.000 libanesesDiversidade Afetada: Deslocamento em massa de populações civis xiitas, cristãs e muçulmanas, alterando a composição demográfica secular da região.

3. Dados Comparativos de Deslocamento

TerritórioStatus AtualEscala Populacional Afetada
Sul do LíbanoZona de Guerra Ativa~760.000 deslocados internos recentes.
GazaOcupação/Guerra~1,9 milhão de deslocados internos.
CisjordâniaOcupação Militar~870.000 refugiados sob controle direto.
GolãAnexação~130.000 sírios expulsos historicamente.

4. Conclusões Estratégicas
  • Desrespeito à Soberania: O avanço até o Rio Litani ignora as demarcações prévias da ONU, estabelecendo um novo precedente de ocupação de fato em território libanês.
  • Ciclo de Refúgio: O modelo aplicado anteriormente em territórios palestinos está sendo replicado no Líbano, transformando residentes civis em populações refugiadas sem perspectiva de retorno seguro.
  • Risco Internacional: A normalização dessas "zonas de exclusão" enfraquece o direito internacional humanitário e as resoluções de paz vigentes (como a 1701 da ONU).
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Criação, Redação e Edição Adrodaldo Bauer Corrêa a partir de consulta e apoio da IA-Google e do Gemini




09 março, 2026

A INFLAÇÃO E AS ELEIÇÕES EM TEMPO DE GUERRA

 

Imagens geradas por Inteligência Artificial (Google Gemini) sob orientação de Adroaldo Bauer

O principal índice da bolsa brasileira encerrou o dia acima dos 186 mil pontos, estabelecendo um novo recorde de fechamento nesta segunda-feira. A guerra no Golfo com o bloqueio pelo Irã do Estreito de Ormuz provocou um choque de oferta global de petróleo, levando o preço do barril de Brent a saltar mais de 37% em um mês, encostando nos US$ 120 nos momentos de maior tensão. Em queda, o dólar fechou cotado a R$ 5,18, menor valor nominal registrado desde maio de 2024. Às vésperas da reunião do COPOM em 17 e 18 de março, mantém-se a expectativa de corte de 0,5 pontos percentuais apesar da guerra e das pressões do rentismo. Cada ponto percentual da Selic equivale a R$ 55 bilhões da dívida pública. As eleições de 2026  em cenário de política externa determinada pela guerra , examinarão o sucesso em não deixar o Brasil ser engolido pela sinuca construída pela economia nos tempos de guerra, mas de olho no próprio bolso e no prato à mesa. 

O mercado financeiro brasileiro não está blindado, mas a valorização de ações de peso como Vale e Petrobras impulsionaram a alta que registrou novos recordes históricos do Ibovespa, tendência também atribuída em parte ao otimismo gerado em Wall Street com a fala de Trump em entrevista de que “a guerra vai acabar em breve” e que pretende assumir o controle do Estreito de Ormuz.

A guerra e posterior bloqueio da rota estratégica de Ormuz, determinaram a disparada dos preços que orientam o mercado,

O desempenho do dólar apresentara continuada tendência de queda no ano. Apesar da volatilidade imposta pela guerra, a moeda dos EUA ainda mantém a tendência geral de desvalorização em 2026 em relação ao real.

Durante os ataques iniciais, a moeda estadunidense chegou a subir cerca de 2%, mas retornou à tendência de baixa no pregão de hoje, uma queda de 1,52%, cotada a R$ 5,16, após falas de Trump que sugeriram uma desescalada no conflito.

A alta do petróleo pressiona pela alta dos preços dos combustíveis e fretes elevando o risco inflacionário. Paradoxalmente, o aumento do preço do barril de petróleo tipo Brent impulsionou as ações da Petrobras, que subiram até 3,4% em janelas específicas, ajudando a sustentar o Ibovespa em meio à crise.

Já a situação da taxa Selic, estacionada nos escorchantes,15% ao ano, por seu impacto na dívida pública entrou em compasso de espera e observação do cenário de pressões especulativas de rentistas ou dos movimentos populares.

A taxa básica de juros tem um efeito direto e imediato no custo de carregamento da dívida do governo. Cada 1% (um ponto percentual) de alteração na Selic representa uma variação de aproximadamente R$ 55 bilhões no gasto anual com juros da dívida pública.

Antes do início da guerra contra o Irã, o Banco Central indicara o início de um ciclo de cortes na taxa de juros a partir da reunião de 18 de março de 2026. Apesar da pressão rentista por manutenção do índice ou por juros ainda mais altos, o Boletim Focus projetava redução dos juros, a maioria dos bancos e gestores considerando um corte inicial de 0,5 ponto percentual ainda este mês.

A Dívida Pública Federal (DPF) superou a marca de R$ 8,6 trilhões em fevereiro de 2026. O Plano Quadrienal do Tesouro estima que a dívida possa alcançar até R$ 10,3 trilhões até o final de 2026, representando cerca de 82% a 84% do PIB.

O patamar de 15% é o maior nível em quase 20 anos, o que torna o custo da dívida extremamente elevado e pressiona o orçamento federal, intensificando o debate entre o controle da inflação e a sustentabilidade fiscal.

A pressão dos especuladores e do lobby financeiro foca em três pilares para evitar quedas acentuadas nos juros:

O "Pretexto" Inflacionário, com o barril de Brent atingindo US$ 120 devido ao conflito Trump-Irã. Os especuladores argumentam que a inflação de custos impediria o BC de baixar a Selic. Eles tentam "ancorar" as expectativas no Boletim Focus para cima, forçando o BC a ser conservador.

Aposta no Carry Trade: Juros altos (15%) atraem capital estrangeiro, que lucra com a diferença de taxas. Para esse setor, a queda da Selic diminui a “rentabilidade fácil”, por isso o lobby por "juros altos por mais tempo".

Os agentes do rentismo utilizam o montante da dívida (R$ 8,6 trilhões) como argumento de que, se os juros caírem sem cortes de gastos sociais, o país perderia credibilidade. O Banco Central tem sinalizado em 2026 que a taxa de 15% é "excessivamente restritiva" e está sufocando a indústria.

A tendência é que o BC ignore o tom mais alarmista dos especuladores e mantenha o inicie do ciclo de queda agora em março, mirando os 12% até dezembro, para aliviar o custo da dívida (na perspectiva de redução dos R$ 55 bilhões por ponto).

A governança da Petrobras, o valor de suas ações na bolsa e a forma de relacionar com os resultados, de outra parte, contribuem para a definição do humor da bolsa.

O conselho da empresa, influenciado por acionistas e investidores institucionais, enxerga a distribuição de dividendos como direito sagrado e trabalha na blindagem “contra o uso político da empresa”. Para esses, o lucro deve remunerar quem correu o risco do capital, em cenário social qualquer. A queda de braço entre partição de e dividendos e estabilidade de preços dos derivados e produtos em geral dependentes de transporte gera conflito direto, ainda mais com a alta determinada do valor do barril disparando em razão da guerra.

Na visão dos agentes de mercado, a Petrobras deveria repassar a alta do Brent para US$ 120 integralmente aos combustíveis para garantir lucros recordes e dividendos extraordinários. Para o especulador, o impacto na inflação ou no frete é um "problema do governo".

Na visão do Governo, o excedente de caixa (os mesmos lucros que virariam dividendos) deveriam ser usados para criar um colchão de amortecimento, evitando que o diesel dispare e a economia trave, porque “o futuro é incerto”.

Mesmo em crises globais (como essa guerra de Trump contra o Irã), o lobby financeiro costuma ser implacável. Argumentam que reter dividendos afugenta o capital estrangeiro. Dizem que a Petrobras perde valor de mercado se não for a "melhor pagadora do mundo". Usam a ameaça de judicialização se a política de paridade internacional (PPI) for abandonada.

Se o Conselho priorizar os dividendos máximos, a Selic provavelmente terá que ficar mais alta para segurar a inflação gerada pelos combustíveis caros — o que, como já visto, custa R$ 55 bilhões extras por ponto percentual na dívida pública.

É o círculo vicioso onde o lucro de poucos encarece a conta de todos, principalmente dos de baixo que não têm a quem repassar os ônus.

O atual quadro e seu desdobramento influencia de modo determinante o xadrez político-eleitoral que define o Brasil em 2026. A aparente "sinuca de bico" pode não ser técnica, mas é certamente social e de sobrevivência política. Há um delicado equilíbrio de forças para as eleições de outubro à Presidência, ao Congresso, assembleias e governos estaduais.

Com a eleição presidencial no horizonte, o governo sabe que o humor do eleitor - especialmente da classe média baixa, assalariados, aposentados e pensionistas - é diretamente proporcional ao preço do botijão de gás e do quilograma da proteína. O resultado apertado de 2022 deixou a lição de que não há margem para erros ou "choques de realidade" tarifários.

A armadilha dos juros se apresenta se o governo o governo age junto a Petrobras para segurar os preços: o mercado reage elevando o dólar e as taxas futuras de juros (o lobby da especulação). Isso encareceria a dívida e alimentaria o discurso de "descontrole fiscal".

A conciliação dos opostos, aparece como uma tentativa de agradar gregos (acionistas) e troianos (eleitores), e geralmente resulta em medidas paliativas, como a retenção de dividendos extraordinários para investimentos em refino, tentando sinalizar ao mercado "responsabilidade" e ao povo "preocupação com o futuro".

No fim das contas, para o assalariado, o aposentado e o pensionista, a macroeconomia ainda se resume ao poder de compra no supermercado.

Se a inflação dos combustíveis corroer o reajuste do salário mínimo, o prestígio do governante desmorona rapidamente, independentemente do sucesso do Ibovespa.

Já uma tática de "chutar a lata" dos dividendos para o fim do ano (pós-eleição) daria ao governo fôlego fiscal necessário sem romper definitivamente com o mercado, enquanto a queda da Selic — mesmo sob protestos dos "falcões" do mercado — serviria como o combustível real para a economia popular chegar viva em outubro.

Lula tem a seu favor "Guerra de Trump" como o inimigo externo perfeito. Se os preços sobem, a culpa é da geopolítica; se a economia cresce, é mérito da resiliência brasileira. É o discurso do estadista que, embora não pare a guerra (como se viu no frustrado plano de paz para Gaza), protege seu povo dos estilhaços econômicos.

Iniciar a descida da Taxa Selic do patamar dos escorchantes 15% enquanto o mundo arde em inflação de energia é um movimento ousado, mas apropriado a um Banco Central independente. Possibilita uma aposta de que o mercado interno (consumo e crédito) compensaria a fuga de capital especulativo que sempre busca juros altos.

A memória do fracasso das tentativas de mediações de paz anteriores (Gaza/Ucrânia) serve como um banho de realidade. Se Lula não pode ser o "pacificador do mundo", ele precisa ser, no mínimo, o "fiador do prato de comida" para seu próprio povo e, se aliados se apresentarem, para o mundo.

O eleitor de 2026 não o julgará pela política externa, mas pelo sucesso em não deixar o Brasil ser engolido pela sinuca construída pela economia nos tempos de guerra.

No fim, a "confirmação da baixa da Selic" não é apenas uma decisão técnica, é o que veremos no confronto do que determinar o Banco Central e a realidade.

O Eclipse das Pequenas Lanternas

Entre Hipátia e Minab: a luz da história que resiste à sombra.
[ILUSTRAÇÃO - Concepção: Adroaldo Bauer, via Gemini]

Dizem que, no tempo das guerras invisíveis, o Escriba da Nuvem Branca decidiu fechar seus livros para os generais. Ele temia que sua sabedoria fosse usada para apagar luzes em vez de iluminar caminhos. Sem os olhos do Escriba, os homens de ferro ficaram cegos para as cores da vida... enxergando apenas sombras brutas em seus mapas de cristal.

Para compensar a cegueira, o Águia de Ferro lançou sobre o mundo o Manto de Mercúrio: uma rede de estrelas de metal que permitia aos guerreiros falar através dos mares em milésimos de segundo. O Manto era apenas um tubo oco... levava a voz, mas não o discernimento; levava a ordem, mas não a piedade.

Em uma noite de neblina digital, um Oráculo Cego — um espelho de engrenagens construído às pressas — deu o comando. Ele viu um monstro de metal onde só havia uma casa de saber. E a flecha desceu. Não atingiu o monstro, que já havia partido para as sombras. Atingiu, sim, dezenas e dezenas de pequenas lanternas... lanternas que ainda aprendiam a brilhar. Tantas que algumas, ainda não encontradas, jazem sob escombros umedecidos por suor e lágrimas, movidos pelo choro convulso da gente entristecida que busca, com as mãos vazias, o que o ferro levou.
O dono do Manto sabe quem disparou. O Águia de Ferro guarda os registros no céu. Mas ambos se calam. Se admitirem que o Oráculo é cego, o mundo saberá que as guerras agora são guiadas por deuses de engrenagem que não distinguem uma flor de uma espada. E enquanto o segredo dorme em cofres de dados, as lanternas continuam a se apagar no silêncio da noite.
Que o brilho dessas luzinhas perdidas ilumine o caminho de quem ainda tenta ver...

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Nota Histórica
Esta fábula é um preito à memória das mais de 160 meninas vítimas do bombardeio à escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, no Irã, em março de 2026. Em um tempo onde a precisão técnica falha e a responsabilidade política é ocultada por dados de satélite e versões conflitantes, a literatura se torna refúgio da verdade histórica. Como Hipátia no passado, estas crianças foram sacrificadas no altar da intolerância e do erro calculado. Que a luz de Alexandria e o brilho de Minab nunca se apaguem.


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