27 março, 2026

NÃO SÃO RISONHAS E FRANCAS AS GUERRAS. SÃO POR LUCROS EM TODAS AS FRENTES

 

Há guerras outras além da guerra. Mesmo que se mantenha a Copa do Mundo de Futebol de 2025 nos EUA. Como as guerras essa de vamos falar é também por muito dinheiro. Diferente das versões vendidas em lojas de varejo comum, as camisas que os jogadores usaram em campo no jogo vencido pela França por 2x1 contra o Brasil são as únicas que já saem de fábrica com o matchday patch aplicado para o evento. Torcedores que compram a camisa em lojas oficiais às vezes podem adicionar o patch separadamente como um serviço de customização.

Foto: Franck Fife/AFP

Detalhe que observei: as bandeirinhas de Brasil e França juntas no uniforme da Seleção Brasileira eram o patch do dia do jogo, uma personalização exclusiva para partidas oficiais ou amistosos de grande relevo.

Geralmente aplicado por transfer térmico no centro do peito da camiseta ou levemente deslocado para o lado esquerdo, próximo ao escudo ou abaixo do logo da Jordan Brand. 

Além das duas bandeiras nacionais, o patch costuma incluir o nome das seleções, a data do confronto (26/03/2026) e o local da partida (Boston, EUA). Serve para identificar a partida específica em que aquela camisa foi usada, sendo um item de colecionador muito valorizado em jogos históricos. 

O jogo entre as seleções de Brasil e França na quinta-feira, 26 de março de 2026, no Gillette Stadium, entretanto, bem avaliado, parece ter sido inamistoso.

A camisa da França não tinha o patch com a bandeira do Brasil. 

O Brasil aplicou como de costume o matchday patch (as duas bandeirinhas juntas) para marcar o confronto. a França optou por uma padronização diferente em seu novo uniforme reserva "Glacier Green". O novo uniforme reserva francês, inspirado na cor da Estátua da Liberdade para a Copa de 2026, trouxe detalhes fixos nas mangas e gola que celebram a conexão com os EUA.

Em vez das bandeiras dos adversários no peito, a França incluiu a palavra Liberté nas mangas de sua camisa para este jogo, em alusão ao monumento presenteado por Paris a Nova Iorque.

A França optou por um design de uniforme limpo e comemorativo para este jogo de hoje (26/03/2026), sem o patch de bandeiras do adversário no peito.

Diferente do Brasil, que vem utilizando as duas bandeirinhas juntas como um "selo" do confronto, a seleção francesa priorizou outros elementos em seu novo manto reserva, uma homenagem aos EUA. O jogo se realizou em Boston, solo norte-americano, a França escolheu destacar essa conexão simbólica em vez do patch do amistoso.

 É possível pensar que a França homenageia a si mesmo no amistoso porque foi quem doou a Estátua da Liberdade para os Estados Unidos. uma homenagem de mão dupla: em que celebra a própria história e, ao mesmo tempo, o país anfitrião do jogo (EUA).

Como a Estátua da Liberdade foi um presente dos franceses aos americanos em 1886 para celebrar o centenário da Declaração de Independência, o uniforme funciona como um lembrete dessa conexão. A Cor "Glacier Green", o tom de verde-azulado da camisa 2 da França, não é apenas estético; ele imita exatamente a cor da pátina (o efeito do tempo no cobre) que cobre a estátua hoje. Os detalhes do escudo da FFF e dos números são em tom de cobre, que era a cor original da estátua quando saiu da França. A Inscrição "Liberté" na manga é o toque final dessa homenagem à herança francesa em solo americano.

Enquanto o Brasil foca na parceria inédita com a Jordan Brand e no registro do confronto com o patch das duas bandeirinhas, a França transformou o uniforme em um símbolo de outro perfil diplomático e histórico.

Homenagear a si mesmo num jogo amistoso com um adversário, explicita que não seriam tão amigos de fato, sendo a França mais amiga dos Estados Unidos. Por razões objetivas além das esportivas.

Em um amistoso, que teoricamente serve para celebrar o encontro entre duas nações, focar apenas na própria história com o país sede (EUA) pode soar como uma falta de cortesia esportiva com o adversário, disse-me sem pedir segredo uma fonte bastante acreditada.

A postura das duas seleções no uniforme hoje mostrou prioridades bem diferentes. O Brasil foi diplomático ao colocar as duas bandeirinhas juntas no peito, seguiu o protocolo de "visita" e respeito, registrando o momento do encontro com o adversário, independentemente de onde o jogo ocorria. A França continuou sendo a conhecida autocentrada, ao ignorar a bandeira do Brasil e focar 100% na relação histórica "França-EUA". Ao optar pelo patch da Estátua da Liberdade, a seleção francesa acaba transformando o jogo em um evento particular de autoafirmação.

Essa escolha da França realmente reforça a ideia de que viram o amistoso em Boston mais como uma vitrine política e de marketing para o mercado norte-americano do que como um intercâmbio com o futebol brasileiro.

No campo da etiqueta esportiva, o Brasil acabou sendo muito mais elegante ao carregar a bandeira francesa no peito, o que nada tem a ver com te perdido o jogo inamistoso.

Pensar que a FIFA ou a CBF deveriam exigir que ambos os times usassem o patch do confronto para manter a igualdade no uniforme seria exigir da FIFA deixar de lado as solas do sapato do Trump

Seguidamente, a FIFA curva suas regras e tradições aos interesses comerciais e políticos dos grandes mercados, como os Estados Unidos (que ainda constam como país sede da Copa de 2026).

A falta de padronização nos uniformes hoje evidencia o interesse comercial que atropela a Etiqueta. Permitir que a França ignorasse o Brasil para focar em estratégia de marketing voltada ao público norte-americano é um “caminhão faltoso” na etiqueta que atropela também o fair play.

Como o jogo foi em Boston, o foco da organização parece ter sido bajular o anfitrião. Deixar a França "se homenagear" através de um presente que deu aos EUA é um movimento de relações públicas em que a FIFA aceita sem questionar a falta de cortesia com a Seleção Brasileira. Nem sem fale de VAR numa hora dessas.

O Brasil manteve a tradição diplomática das bandeirinhas no peito, mas acabou sendo o único a demonstrar esse respeito mútuo em campo.

Na prática, a FIFA acabou funcionando como um balcão de negócios onde o marketing e a política externa dos países mais influentes ditam o que aparece ou não na camisa, deixando de lado o simbolismo de união que um amistoso deveria ter.

O peso de um país sede e o interesse comercial da FIFA em "vender" o futebol para o mercado norte-americano, escancara que, no fim das contas, a FIFA é uma empresa que adora cifras, e o sucesso dos Estados Unidos na Copa de 2026 seria o cenário dos sonhos para os patrocinadores.

Essa falta de postura da França hoje em Boston — ignorando o Brasil no uniforme para bajular os americanos com o tema da Estátua da Liberdade — só reforça a percepção de que o foco mudou definitivamente: o futebol já é apenas um acessório da diplomacia e do marketing de negócios. Volta a campo a velha máxima do futebol raiz: para ser campeão, não basta jogar bola, será preciso vencer o "sistema" inteiro. Os 11 em campo precisam enfrentar a torcida hostil, a arbitragem tendenciosa e até as forças de segurança (os cães e a polícia na beira do gramado).

Antigamente, se dizia que o Brasil precisava fazer dois ou três gols para que um valesse, justamente para anular qualquer "ajuda" ao adversário ou ao dono da casa.

O que se evidencia a partir do uniforme da França — essa bajulação explícita aos EUA, o desprezo pelo protocolo com o Brasil, o “olho branco” da FIFA — (e em algumas pequenas e continuadas falhas do “apito” é a versão atual das antigas "manobras". É o uso da imagem e do marketing para criar um ambiente onde um time já entra como o "favorito moral" da organização. Sem desconsiderar que a equipe francesa foi bem em jogo, com técnica e aplicação tática superiores, mesmo depois de uma expulsão de defensor seu.

O fato de o Brasil estar usando o logo da Jordan Brand, uma marca norte-americana, pode ser lido como uma tentativa da CBF de também "jogar o jogo" dos negócios para não ser engolida totalmente pelo lobby local, mas o detalhe das bandeirinhas mostra que, no campo da ética, o Brasil ainda mantém a postura de quem respeita o jogo.

No fim das contas, a lógica sugere que, se o Brasil quiser o Hexa em 2026, vai ter que jogar bem mais do que jogou no “inamistoso” com a França e pensar em que vai ter de vencer também VAR, marketing de negócios e contra a vontade dos EUA, que atacam países e mantém privilégios que os russos não têm e ainda são os donos da festa.

A Copa no país dos senhores da guerra.

Até o momento, a realização da Copa do Mundo de 2026 nos três países-sede (EUA, México e Canadá) está mantida, mas o torneio enfrenta sua maior crise diplomática e de segurança a poucos meses da abertura em 11 de junho.

No México, a fundadas suspeitas sobre a segurança, por mais respeitos que se deva a presidenta Claudia Sheinbaum. A morte em confronto de "El Mencho" chefe do Cartel de Jalisco escalou a guerra aberta do Estado contra os cartéis e destes entre si. Sendo a capital de Jalisco e cidade-sede, a viabilidade logística e de segurança de Guadalajara para torcedores estrangeiros é a maior dúvida da FIFA no momento.

Já, na guerra deflagrada por EUA/Israel contra o Irã, a FIFA está atenta apenas à presença do Irã em solo americano OU a exclusão da seleção Persa da Copa.

A participação da seleção masculina de futebol do Irã na Copa ainda se mantém incerta e instável. Após anunciar em 11 de março de 2026 um boicote ao torneio, devido a tensões políticas e à guerra com os Estados Unidos, o país recuou parcialmente e negocia com a FIFA jogar no México ou no Canadá. 

Caso a desistência ou exclusão seja confirmada, a FIFA tem o poder de decisão sobre a substituição, com países como Iraque ou Emirados Árabes Unidos sendo cogitados. 

O cenário continua em constante mudança com negociações diplomáticas e esportivas em andamento.

O Canadá está sendo avaliado como porto seguro e permanece como o anfitrião mais estável, mas enfrenta limitação de infraestrutura, poucos estádios padrão FIFA.

Na história das Copas FIFA de seleções após a Segunda guerra Mundial, esse é o período mais conturbado em relação a Seleções e Direitos Humanos. A Rússia segue banida devido à invasão da Ucrânia, consolidando o precedente de exclusão por conflito bélico.

Jogadores de elite como Haaland e Salah e técnicos como Guardiola mantêm pressão pública por ajuda humanitária em Gaza, o que pode gerar manifestações políticas nos estádios, algo que a FIFA geralmente tenta proibir.

Iraque, Catar, Arábia com bases norte-americanas bombardeadas pelo Irã estão classificados ou na repescagem. Até a logística de viagem dessas seleções para os EUA sob tensão diplomática é desafio sem precedentes.

A FIFA mantém o plano original monitorado "minuto a minuto", mas o torneio de 2026 desenha-se como o mais politizado e perigoso da história moderna.

 

As perspectivas atuais dividem-se em dois cenários críticos:

1. Crise no México, onde a morte do líder do Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), Nemesio "El Mencho" Oseguera, em fevereiro de 2026, desencadeou uma onda de retaliações violentas em estados como Jalisco e Michoacán. A posição da FIFA expressa em declaração pelo presidente Gianni Infantino é de "total confiança" nas autoridades mexicanas e na presidente Claudia Sheinbaum para garantir a segurança, embora Guadalajara, capital de Jalisco e uma das sedes dos jogos, tenha vivido estado de tensão elevado com bloqueios de estradas, confrontos e ataques. Representantes da FIFA realizam visitas técnicas extras para reavaliar a segurança e mobilidade nas cidades mexicanas.

2. Conflito Geopolítico e Segurança Interna

A Federação de Futebol do Irã ter admitido que sua participação no Mundial se tornou "imprópria" e o país cogitar se retirar da competição, discussões sobre possíveis sanções e retaliações aos EUA, mesmo considerando recuos e pedidos de transferência de jogos para o Canadá para mitigar riscos, não remove a guerra retomada novamente em meio a negociações de paz em andamento. Há riscos inéditos ao evento.

Com as comemorações dos 250 anos da Declaração de Independência dos EUA coincidindo com a Copa, as 11 cidades-sede americanas estão em estado de alerta máximo contra possíveis ameaças terroristas ou protestos.

Inclusive o congelamento de verbas federais para segurança e um shutdown parcial do governo dos EUA gera preocupações extras sobre a capacidade de proteção dos estádios e aeroportos.

Embora não existam planos oficiais para o cancelamento do torneio, a FIFA monitora "minuto a minuto" o cenário geopolítico. A possibilidade de remanejamento de sedes específicas (tirar jogos de cidades mexicanas críticas ou reduzir o papel dos EUA em favor do Canadá) é o plano de contingência mais citado nos bastidores caso a violência não diminua até maio.

Até o momento, não existe uma posição pública oficial do governo do Canadá ou da Canada Soccer manifestando o desejo de sediar o torneio sozinha. A postura oficial do país, reiterada pelo Governo do Canadá, continua sendo a de um coanfitrião comprometido com o modelo trinacional junto a EUA e México.

Apesar da falta de um posicionamento formal para a exclusividade, o cenário de bastidores e a opinião pública apresentam nuances. Especialistas e análises técnicas indicam que o Canadá carece de infraestrutura para receber todos os 104 jogos de uma Copa com 48 seleções de forma isolada.

Atualmente, apenas Toronto (BMO Field) e Vancouver (BC Place) estão confirmadas como cidades-sede canadenses.

Sedes históricas como Edmonton e Montreal foram descartadas ou enfrentam desafios de modernização que exigiriam anos de obras, inviáveis a poucos meses do torneio.

Embora o governo se mantenha em silêncio sobre a exclusividade, tem crescido a pressão de patrocinadores, consulados e organizações internacionais para que a FIFA considere o Canadá como um "porto seguro":

A FIFA avalia transferir jogos específicos dos EUA para o Canadá devido às dificuldades de visto enfrentadas por delegações e torcedores.

Publicamente, a FIFA mantém "confiança total" nas sedes originais por enquanto e o foco canadense está em cumprir sua cota atual de 13 jogos. O país está investindo cerca de R$ 5 bilhões em infraestrutura e segurança especificamente para as cidades de Toronto e Vancouver.

Qualquer mudança drástica para tornar o Canadá sede única exigiria uma reestruturação logística que a FIFA classifica como "último recurso", dado o custo astronômico e o tempo escasso.

A FIFA tem os motivos comerciais já avaliados de não impor aos EUA a exclusão adotada contra a Rússia, já oficialmente fora da Copa do Mundo de 2026. O país sequer foi admitido nas Eliminatórias Europeias. O banimento inicial foi imposto pela FIFA e pela UEFA em fevereiro de 2022, logo após o início do conflito militar com a Ucrânia. A decisão foi mantida para o ciclo de 2026 como uma sanção direta à agressão russa. O que não ocorreu com os EUA e Israel nem em julho de 2024 nem na retomada da guerra contra o Irã em 2026.

Mesmo que diversos países africanos venham enfrentando conflitos civis ou instabilidade política, disputaram as eliminatórias para a Copa de 2026, com destaque para o Sudão. Em meio a uma devastadora guerra civil iniciada em 2023, a seleção do Sudão foi a grande surpresa do Grupo B. Forçada a jogar como mandante em solo neutro (principalmente na Líbia), a equipe liderou seu grupo durante boa parte da campanha, chegando a empatar com o favorito Senegal. Relatos indicam que, durante os jogos, as facções em conflito chegavam a interromper os combates para acompanhar a seleção.

O Sudão do Sul, vizinho do Sudão e também marcado por instabilidade, disputou todos os seus jogos no Grupo B. Assim como o vizinho, enfrentou desafios imensos de infraestrutura e segurança, terminando na última posição do grupo.

A Somália, que lida com décadas de insurgência e conflitos internos, participou do Grupo G. Devido à falta de segurança em Mogadíscio, mandou suas partidas em países vizinhos como o Marrocos e a Tunísia. A equipe foi eliminada sem conquistar vitórias.

A Etiópia, apesar do conflito na região de Amhara e tensões pós-guerra no Tigré, disputou o Grupo A. Por não ter estádios aprovados pela CAF, mandou seus jogos no Marrocos. Foi eliminada na fase de grupos.

A República Democrática do Congo (RDC), enfrentando conflitos no leste do país, teve uma campanha sólida, terminando em segundo no Grupo B e garantindo uma vaga na repescagem mundial.

O cenário atual de escalada militar no Oriente Médio atinge diretamente seleções que já estão classificadas ou que disputam as últimas vagas para a Copa de 2026.

O Irã, classificado desde 2025, realizou ataques de retaliação contra bases dos EUA em diversos países da região que também possuem seleções no ciclo do Mundial.

A Arábia Saudita, que já garantiu sua vaga no Mundial, possui duas bases dos EUA em seu território alvo de mísseis iranianos.

O Catar, sede da última Copa, com a seleção classificada para 2026, suspendeu jogos nacionais, devido aos bombardeios iranianos a base norte-americana em seu território.

Mesma situação da Jordânia, classificada de forma inédita, também sofreu ataques em áreas que hospedam ativos militares dos EUA.

O Iraque, uma das seleções que disputam repescagem, abriga duas bases dos EUA que também já foram bombardeadas (incluindo o aeroporto de Erbil). O Iraque tem sido citado como o principal candidato a herdar a vaga do Irã caso este seja excluído.

Os Emirados Árabes Unido, com bases norte-americanas alvejadas em Abu Dhabi e Dubai, têm a seleção ainda disputa de vaga na repescagem asiática para tentar chegar ao Mundial.

O Kuwait, país do Golfo Pérsico com cinco bases dos EUA seleção tem a seleção ativa nas eliminatórias asiáticas.

A eliminação da seleção masculina de Israel ocorreu por desempenho esportivo dentro de campo, e não por uma suspensão política ou banimento da FIFA (que, apesar de pressionada, manteve a equipe na competição).

Israel integrou o Grupo I das Eliminatórias da UEFA, junto com Noruega, Itália, Estônia e Moldávia.

A equipe foi matematicamente eliminada em outubro de 2025 após derrotas consecutivas para a Noruega (5-0, com hat-trick de Haaland) e para a Itália (3-0 em Udine).

Israel terminou em terceiro lugar no seu grupo, posição insuficiente para garantir vaga direta ou mesmo para avançar à repescagem europeia.

A logística de viagem dessas seleções para os EUA sob tensão diplomática é um desafio sem precedentes.

A FIFA mantém o plano original monitorado "minuto a minuto", mas a Copa do Mundo de Futebol de 2026 desenha-se como a mais politizada e perigosa da história moderna.

ALÉM DAS GUERRAS

A Associação Norueguesa de Futebol (NFF) anunciou que a renda arrecadada com a venda de ingressos para o jogo entre Noruega e Israel, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, seria destinada a fins humanitários em Gaza.

O jogo ocorreu em 11 de outubro de 2025, em Oslo. A Noruega venceu por 5 a 0, com Erling Haaland marcando um hat-trick (três gols).

Todo o lucro da bilheteria (estimado em centenas de milhares de dólares) foi doado à organização Médicos Sem Fronteiras para apoiar os esforços de socorro às vítimas da guerra na Faixa de Gaza.

Além de participar do jogo beneficente, o atacante do Manchester City já havia se manifestado em suas redes sociais com a frase: "Nenhuma criança inocente merece morrer", em referência às vítimas civis do conflito.

Vale notar que o jogador também demonstrou empatia por vítimas do outro lado do conflito, tendo realizado uma chamada de vídeo para um refém israelense libertado de Gaza, Omer Shem Tov, que é seu grande fã.

As ações de Haaland e o posicionamento de Pep Guardiola no Manchester City têm gerado grande repercussão na Inglaterra e no cenário internacional:

Erling Haaland e as Causas Humanitárias

Além do hat-trick na Noruega com renda revertida para Gaza, Haaland tem mantido um perfil de "diplomacia silenciosa":

Doações Diretas: O atacante realizou doações pessoais para a Save the Children focadas em zonas de conflito, sem alarde publicitário.

Equilíbrio: Sua postura é vista como humanitária, focada no bem-estar de crianças, o que o protegeu de críticas mais ácidas que atletas com viés puramente político costumam receber.

Pep Guardiola, o treinador do Manchester City, tem sido uma das vozes mais firmes na Primeira Liga Inglesa (a Premier League) sobre o conflito. Pep tem questionado abertamente a "inação" da comunidade internacional e das organizações de futebol. Em coletivas recentes, ele afirmou que "o silêncio do mundo sobre o que acontece em Gaza é ensurdecedor".

Houve rumores de tensão nos bastidores do City, já que o clube é de propriedade dos Emirados Árabes Unidos (país que mantém relações diplomáticas complexas com Israel e EUA). No entanto, a diretoria do City tem respeitado a liberdade de expressão de Guardiola devido ao seu status lendário no clube. Apesar das polêmicas, ele renovou seu contrato recentemente e o City entende que sua voz política é indissociável de sua liderança técnica.

Recentemente, Guardiola foi visto usando um broche ou símbolos que remetem à paz na região, reforçando que sua preocupação é com a "crise de humanidade" e não apenas com geopolítica.

Mohamed Salah (Egito/Liverpool) continua sendo o principal doador individual para o Crescente Vermelho Egípcio, que envia ajuda para Gaza.

Karim Benzema enfrentou problemas jurídicos na França por suas postagens, mas mantém apoio público a projetos de reconstrução em áreas afetadas.

Você gostaria de saber se houve alguma punição oficial da Premier League ou da UEFA contra esses manifestantes nos últimos jogos?

O caso mais recente e polêmico envolveu o British Museum (Museu Britânico), em Londres, e ocorreu no final de 2024, estendendo-se com desdobramentos até o início de 2025.

A polêmica não foi sobre uma exposição em si, mas sobre o patrocínio e a censura a um evento cultural. Um grupo de artistas e curadores planejava realizar um evento chamado "Voices of Resilience" (Vozes da Resiliência), focado na cultura e nos relatos de palestinos em Gaza.

O museu foi acusado de tentar silenciar ou modificar drasticamente o conteúdo do evento após pressões externas e devido à sua parceria comercial de longa data com a gigante de energia BP (British Petroleum). A BP assinou recentemente acordos de exploração de gás na costa de Israel, em áreas que os ativistas afirmam pertencer legalmente à jurisdição palestina. Isso criou um conflito de interesses direto entre o financiador do museu e o tema do evento.

Em resposta, o grupo de ativistas "Energy of Shell/BP Out" e artistas palestinos realizaram uma série de protestos dentro do museu. Mais de 100 artistas e trabalhadores da cultura assinaram uma carta aberta condenando o museu por "limpeza cultural" e por aceitar dinheiro de empresas que lucram com a exploração de recursos em zonas de conflito.

Além do British Museum, o Barbican Centre também enfrentou uma crise severa. Um curador renunciou após o centro cancelar uma palestra do ensaísta indiano Pankaj Mishra sobre o Holocausto e Gaza, sob a alegação de que o tema era "muito sensível". Isso gerou um boicote de vários artistas que retiraram suas obras das exposições do Barbican em sinal de protesto.

Essas ações colocaram os museus de Londres no centro de um debate sobre ética de patrocínio e liberdade de expressão artística em tempos de guerra.

1. Eixo México: Segurança sob Suspeita

A Crise: A morte de "El Mencho" (líder do CJNG) iniciou uma guerra aberta de cartéis.

O Ponto Focal: Guadalajara. Sendo a capital de Jalisco e cidade-sede, sua viabilidade logística e segurança para torcedores estrangeiros é a maior dúvida da FIFA no momento.

2. Eixo EUA: Geopolítica e Conflito Direto

A Crise: Guerra direta envolvendo EUA/Israel contra o Irã, com bombardeios a bases americanas no Oriente Médio.

O Ponto Focal: A presença (ou exclusão) da Seleção do Irã em solo americano. Há um risco real de desistência iraniana ou pressão internacional para que os jogos do Irã sejam transferidos para o Canadá por questões de segurança.

3. Eixo Canadá: O "Porto Seguro"

O Cenário: O país permanece como o anfitrião mais estável, mas enfrenta limitação de infraestrutura (poucos estádios padrão FIFA).

O Plano de Contingência: Monitorar se o Canadá absorverá jogos originalmente previstos para cidades mexicanas violentas ou sedes americanas sob ameaça terrorista.

4. Seleções e Direitos Humanos

Rússia: Segue banida devido à invasão da Ucrânia, consolidando o precedente de exclusão por conflito bélico.

Ativismo: Jogadores de elite (como Haaland e Salah) e técnicos (como Guardiola) mantêm pressão pública por ajuda humanitária em Gaza, o que pode gerar manifestações políticas nos estádios, algo que a FIFA geralmente tenta proibir.

5. Logística e Boicotes

Iraque e Países Árabes: Países com bases americanas bombardeadas (Iraque, Catar, Arábia) estão classificados ou na repescagem.


23 março, 2026

Na guerra, morte e escassez são produtos, a fome de lucro dos fabricantes de armas não tem limite

 

A sequência em escalada das guerras na Ucrânia e no Irã em março de 2026 amplia a volatilidade dos preços, mundiais com os mercados regionais e nacionais monitorando de hora em hora, principal e primordialmente a segurança de rotas ferroviárias, rodoviárias e marítimas de transporte de grãos, petróleo e gás, radares, bases de ataque e lançamento de drones e mísseis, instalações nucleares. A combinação de ataques a redes elétricas, dutos de petróleo e gás e à logística de produção, armazenamento e transporte de dados militares ou financeiros, grãos e combustíveis gera um efeito cascata que encarece o custo de qualquer mercadoria e pressiona os preços de tudo em todo o mundo. Na guerra, nem a escassez é o limite, nem a paz é objetivo, se o exame percebe a pessoa ou o lucro dos fabricantes de armas.

       Drone russo explode em Odessa, em 1º de março de 2026. CNN

O redirecionamento dos fluxos ucranianos de Odessa para as rotas do Danúbio e fronteiras terrestres não representa apenas uma manobra de sobrevivência econômica, mas a exposição de uma nova vulnerabilidade na guerra moderna: a fragilidade dos nós logísticos. Assim como no Estreito de Ormuz, onde a guerra reiniciada pelos EUA e Israel contra alegada “ameaça nuclear iraniana” transcende o bloqueio físico do canal de exportação de óleo, gás e fertilizantes, para atingir ativos financeiros e sistemas de dados, de radar e bases militares territoriais e náuticas, através de enxames de drones e guerra cibernética, a ofensiva russa contra bases e campos de treinos, portos e junções ferroviárias da Ucrânia revela similar estratégia de estrangulamento sistêmico.

A invasão russa em grande escala contra a Ucrânia iniciou em 24 de fevereiro de 2022. A operação militar começou com bombardeios e ataques terrestres, marcando o maior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Embora a invasão em larga escala seja de 2022, as tensões começaram em 2014 com a anexação da Crimeia pela Rússia e com as batalhas de perfil guerra civil nas regiões russófonas do Donbass.

A Ucrânia superou os momentos de desorganização de um exército pouco profissional com processo de formação e ampliação acelerado pela urgência. Nessa queima de etapas da formação regular continuada, incorporou o Batalhão Azov (atualmente Brigada Azov), uma unidade militar ucraniana com origem em milícia voluntária de extrema-direita ressurgida em 2014, com histórico de ligações a ideologias neonazistas e supremacistas brancas em sua formação. Incorporado formalmente ao exército regular da Ucrânia, o Batalhão Azov tem hoje o status de Guarda Nacional, tendo passado, segundo informações oficiais, por um processo de "despolitização" ao longo dos anos, ainda que continue sendo acusado de neonazista pelas raízes ideológicas.

A principal modernização das forças militares ucraniana se deram no campo da defesa antiaérea e criação e operação de drones de defesa e ataque com significativos impactos na guerra territorial e contra a frota russa no Mar Negro utilizando uma estratégia assimétrica inovadora, focada na destruição de navios de alto valor com drones navais e mísseis, forçando a Rússia a optar pelo retirada da força de infantaria blindada, que chegara as portas de Kiev, e do recuo da frota de Sebastopol na Crimeia para bases mais distantes, como Novorossiysk. 

A atual opção estratégica da Rússia foca em neutralizar os centros operacionais e a infraestrutura de energia e transportes.

Praticamente sem marinha convencional, com o uso de drones, a Ucrânia revolucionou a guerra naval. O uso de drones de superfície pequenos, rápidos, difíceis de detectar que carregam cargas explosivas, como o Magura V5 e Sea Baby, vem sendo a principal arma responsável por afundar ou danificar gravemente corvetas, navios de desembarque e patrulha. O Neptune, um míssil de fabricação ucraniana, foi usado no afundamento do cruzador Moskva em 2022. O Harpoon, míssil antinavio fornecidos pela OTAN, opera a partir de lançadores baseados em terra. O uso de mísseis aéreos de cruzeiro, tipo Storm Shadow/SCALP, lançados por aeronaves ucranianas Su-24 focaram em alvos fixos, incluindo a sede da frota em Sebastopol e submarinos no porto. 

A Inteligência de Defesa da Ucrânia (GUR) coordena ataques com drones e colabora com agentes no terreno para guiar mísseis contra radares, sistemas de defesa aérea (S-400) e centros de comunicações. 

Essas ações resultaram na neutralização de cerca de 25% a 30% da frota russa, forçando a redução da presença naval na Crimeia, possibilitando que a Ucrânia retomasse parcialmente o corredor de grãos.

Em ambos os cenários das duas guerras, como visto nos casos de Odessa e no Estreito de Ormuz a estratégia deixa de focar exclusivamente na conquista territorial para priorizar a interdição de fluxos vitais, utilizando uma coordenação técnica de dados e bombas, a dos iranianos, possivelmente alimentada por inteligência compartilhada entre potências do eixo eurasiano, a dos ucranianos alimentada por países da OTAN, como evidente em Vasylkiv, o que transforma a infraestrutura civil e os dados digitais nos campos de batalha decisivos deste segundo quarto do século 21.

 

Segundo informações recentes, as forças russas atingiram áreas militares na região de Vasylkiv, ao sul de Kiev, com foco em infraestrutura de defesa.

Ataques ocorridos do fim de semana de 14-15 de março de 2026 atingiram um local de treinamento militar ucraniano que, segundo relatos, estava sendo utilizado para lançar drones de longo alcance. Relatos indicam a destruição de drones de fabricação francesa e componentes associados que haviam sido implantados na área de Vasylkiv. A ofensiva também visou locais de armazenamento de equipamentos militares, com relatos de baixas entre as tropas ucranianas e possíveis especialistas estrangeiros na região.

A ação fez parte de uma campanha mais ampla de mísseis e drones da Rússia, que na mesma época atingiu infraestruturas energéticas em outras regiões da Ucrânia, em que um dos alvos específicos foi a infraestrutura do oleoduto Odessa-Brody. Drones atingiram estações de bombeamento no Sul com o objetivo de interromper o fornecimento de petróleo não-russo para a Europa (na mesma semana em que os EUA levantavam por 30 dias sanções às exportações de petróleo e gás russos).

Em Odessa, os ataques russos com drones e mísseis se estenderam pela semana seguinte e focaram intensamente na infraestrutura crítica portuária, danificando armazéns e sistemas de transporte, subestações e instalações de energia em toda a região, causando incêndios e interrupções significativas no fornecimento de eletricidade.

Grupos de drones (estimados em levas de 15 a 25 unidades, com capacidade tática de cegar radares e baterias antiaéreas) atingiram alvos descritos como áreas de uso das forças ucranianas na região de Odessa, visando dificultar a movimentação de reservas para a linha de frente.

Em Zaporizhzhia, os ataques foram marcados pelo uso de bombas aéreas guiadas e drones, atingindo também infraestrutura civil.

Relatos atualizados indicam que a situação na Usina Nuclear de Zaporizhzhia (ocupada e mantida sob controle russo desde o início da guerra) permanecia estável, operando via linha de alta tensão, apesar do contexto de hostilidades na região.

Estes bombardeios ocorrem combinados com intensificação da ofensiva russa contra grandes centros urbanos e redes de energia ucranianas. A partir de 13 de março, alvejadas as instalações em Vasylkiv, Odessa e Zaporizhzhia, revelam uma estratégia coordenada de asfixia logística e interrupção de fluxos, visando degradar a capacidade ucraniana de sustentar as frentes de combate físico.

A avaliação estratégica desses movimentos combinados foca em três eixos principais:

Paralisação da Rede Ferroviária e Energética. Como o transporte ferroviário é a espinha dorsal da exportação de grãos e abastecimento de tropas (munições e equipamentos pesados), o corte de energia em Odessa e os danos em entroncamentos ferroviários dificultam o envio de reservas para o Leste, o Sul e o exterior.

O ataque em Vasylkiv visou especificamente neutralizar: locais de treinamento e lançamento de drones de longo alcance. Ao atingir essa infraestrutura, a Rússia tenta reduzir a capacidade da Ucrânia de contra-atacar as linhas de suprimento russas, protegendo fluxos logísticos.

A degradação da sustentação com ataque a infraestrutura civil em Zaporizhzhia e arredores, utilizando bombas guiadas, parece tática para tornar crítico o abastecimento local, inviabilizando o apoio a qualquer avanço territorial, em um momento em que a Ucrânia tentava recuperar território em Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia, ainda que no final, em um inverno particularmente rigoroso de temperaturas geladas, neve tornando-se lama, os ataques à infraestrutura energética, tornando este um dos momentos mais difíceis da guerra, temperando o moral das tropas e do povo.

O foco na infraestrutura do oleoduto Odessa-Brody e em instalações de energia visou produzir déficit de combustível e eletricidade. Sem energia estável, a manutenção de equipamentos na retaguarda e a rapidez do trânsito logístico são severamente comprometidas, forçando a Ucrânia a priorizar recursos escassos.

A combinação desses ataques revela uma estratégia focada em destruição de equipamentos, neutralização de pessoal especializado e destruição de recursos para exaurir capacidades de luta. Em vez de batalhas decisivas ou manobras rápidas uma guerra em busca da vitória pelo cansaço, moral baixo e esgotamento econômico do oponente.

Transformando o conflito em uma guerra de atrição logística, a Rússia promove dificuldades estruturais para a Ucrânia levar suprimentos até a "ponta da linha" e mesmo se relacionar com o exterior através de toda a Frente Leste, a única que dá saída soberana ao mar, o que amplia os fatores limitadores para as operações de defesa e contraofensiva, impactando severamente os eixos de exportação e as rotas de suprimento, criando um cenário de "estrangulamento" logístico.

Na outra ponta do mapa, a Oeste, a estratégia de liquidação ou paralisação temporária de meios, foca no tráfego ferroviário de ajuda militar e civil vindo do Ocidente, que enfrenta interrupções críticas devido a danos nas redes ferroviárias na Polônia e Ucrânia que agravam o já problemático transbordo da carga transportada determinado pela diferença de bitolas dos dois países. Foram registradas explosões em linhas ferroviárias essenciais na Polônia, especificamente em rotas que ligam Varsóvia ao sudeste do país e à fronteira ucraniana.

A Polônia se diz o principal alvo de uma campanha de sabotagem e guerra híbrida russa na Europa. De acordo com relatórios de março de 2026, o país teria registrado cerca de 21% de todos os casos de sabotagem atribuídos a Rússia identificados no continente desde 2022.

As principais frentes dessa agressão incluiriam atos de sabotagem e espionagem. Em meados de março de 2026, as autoridades polonesas investigavam explosões e danos em linhas ferroviárias no sudeste do país, cruciais para o transporte de ajuda à Ucrânia. O governo classificou esses atos como "terrorismo de Estado". Nove pessoas foram presas sob suspeita de trabalhar para serviços especiais russos, planejando incêndios criminosos e agressões físicas em território polonês.

A Polônia e outros países da OTAN interceptaram encomendas contendo compostos inflamáveis enviadas para depósitos de logística (como a DHL), em um plano atribuído à inteligência russa para causar caos e testar vulnerabilidades.

Em setembro de 2025 ocorrera uma invasão massiva de pelo menos 19 drones espiões russos no espaço aéreo polonês, alguns penetrando centenas de quilômetros. O incidente levou a Polônia a acionar o Artigo 4 da OTAN para consultas de emergência. Em 17 de março de 2026, caças MiG-29 poloneses interceptaram um avião espião russo sobre o Mar Báltico.

A Polônia ainda mantém alerta máximo na fronteira com Belarus, acusando o governo vizinho e a Rússia de orquestrar uma crise migratória para desestabilizar o país.

Em janeiro de 2026, um ciberataque russo teria atingido o sistema energético polonês, chegando perto de causar um apagão nacional.

A Polônia respondeu elevando seus investimentos em defesa para mais de 5% do PIB e reforçando a presença militar nas fronteiras Leste e Norte (Kaliningrado).

A reação da OTAN aos ataques e sabotagens russas foram uma combinação de alerta máximo, mobilização aérea e o lançamento de novas operações de vigilância no flanco leste.

Em 14 de março de 2026, a Polônia e a OTAN colocaram aeronaves em alerta máximo após os ataques russos massivos na Ucrânia, a poucos quilômetros da fronteira polonesa. No dia 16 de março, caças F-16 e Eurofighter foram mobilizados para proteger o espaço aéreo da Romênia após detecção de drones próximos à fronteira.

A aliança está implementando a Operação "Sentinela do Leste" (Eastern Sentry) para reforçar as defesas aéreas integradas, enviando mais tropas, artilharia e sistemas de defesa (como os Patriots alemães) para países como Polônia e Lituânia. O objetivo é impedir que provocações com drones russos "normalizem" violações de território soberano de países do pacto atlântico.

Em consequência do cenário, a OTAN emitiu alertas severos à Rússia para que cesse atividades de sabotagem híbrida, ameaçando com "respostas assimétricas caso novos ataques contra infraestruturas críticas (como trilhos ou cabos submarinos) resultem em vítimas fatais”.

A Rússia intensificara ataques para paralisar a rede ferroviária ucraniana em 13 de março de 2026. Como o sistema de Kiev depende de eletricidade e possui bitolas diferentes das europeias, os danos em subestações de energia tornam o transbordo na fronteira extremamente lento.

A situação agrava o já precário fluxo de grãos em estado de alerta máximo devido aos ataques diretos à infraestrutura de Odessa. Bombardeios recentes atingiram armazéns de exportação e terminais portuários na região de mais intensos combates físicos por território, o que pode impedir a saída de milhões de toneladas de grãos.

Ataques à infraestrutura russa: A Ucrânia tem focado em atacar a infraestrutura de exportação de petróleo e combustíveis da Rússia, paralisando portos como Novorossiysk e atingindo petroleiros da "frota fantasma" russa no Mar Negro e no Mediterrâneo. Embora não seja um grande exportador de petróleo bruto, a Ucrânia possui exportações de carvão, produtos químicos, aço e alguns produtos petrolíferos.

Desde a invasão russa, a logística marítima ucraniana no Mar Negro foi severamente comprometida, tornando o embarque de petróleo bruto ucraniano inviável em larga escala

Com a ameaça constante aos portos principais, a Ucrânia busca escoar a produção pelos portos do rio Danúbio, alternativa estratégica para acessar o Mar Negro e escoar exportações (especialmente grãos) diante do bloqueio parcial e ataques esporádicos aos grandes portos de Odessa. 

Embora o Danúbio não substitua totalmente a capacidade de Odessa, ele funciona como uma rota vital de sobrevivência econômica através da fronteira com a Romênia e Moldávia, o que implica em um xadrez novo e arriscado, perturbado ainda pelas bitolas diferenciadas. Esta via tem capacidade significativamente menor do que os portos oceânicos.

A Ucrânia busca utilizar principalmente os portos fluviais de Izmail, Reni e Kiliia, localizados no extremo sudoeste do país, às margens do Danúbio.  Os produtos são carregados em barcaças nesses portos e transportados rio abaixo. Eles navegam por águas territoriais da Romênia (país membro da OTAN), fator que oferece uma camada extra de segurança contra ataques navais diretos. Grande parte da carga segue até o porto romeno de Constanta, no Mar Negro, onde é transferida para navios cargueiros maiores que seguem para o mercado global.

Desde o início da guerra, o volume de carga nesses portos fluviais aumentou significativamente, chegando a transportar milhões de toneladas por mês quando as rotas marítimas principais estavam totalmente interrompidas

A ONU e a UE discutem modelos de proteção para garantir a segurança alimentar, buscando replicar o sucesso passado da Iniciativa de Grãos do Mar Negro em outros contextos globais.

O Acordo de Grãos do Mar Negro (ou Iniciativa de Grãos do Mar Negro), que era mediado pela ONU e pela Turquia, não existe mais formalmente desde julho de 2023, quando a Rússia se retirou unilateralmente do pacto. 

Atualmente, a situação das exportações ucranianas pelo Mar Negro funciona pelo Corredor Humanitário Independente, estabelecido pela Ucrânia que alcança as costas marítimas da Romênia e Bulgária (águas territoriais da OTAN) para evitar o bloqueio russo em mar aberto.

Um Cessar-fogo Setorial em março de 2025 focava em não atacar infraestruturas de energia e garantir a navegação segura de cargueiros de grãos e fertilizantes.

Apesar dos riscos e de ataques pontuais a portos como Odesa e Izmail, a Ucrânia conseguiu retomar volumes significativos de exportação através dessa nova rota costeira e dos portos fluviais do Danúbio.

Embora a logística tenha se adaptado, a produção de grãos da Ucrânia na safra 2024-2025 foi uma das menores em uma década devido à redução das áreas de plantio causada pela guerra. 

A Rússia condiciona o retorno a um acordo formal pleno à suspensão de sanções que dificultam seus próprios pagamentos e seguros agrícolas (como a reintegração ao sistema SWIFT).

Em ambos os cenários das duas guerras, como visto nos casos de Odessa e no Estreito de Ormuz a estratégia deixa de focar exclusivamente na conquista territorial para priorizar a interdição de fluxos vitais, o que transforma a infraestrutura civil de energia e transportes e os dados digitais nos campos de batalha decisivos deste segundo quarto do século 21.

19 março, 2026

O MAIOR DO MUNDO FORA DE COMBATE

"O maior navio de guerra do mundo", o USS Gerald R. Ford (CVN-78), avariado de algum modo significativo, estava em movimento para a Baía de Souda, na ilha de Creta (Grécia), para reparos de emergência, soube-se em 18 de março de 2026. Até a véspera, a Marinha dos Estados Unidos mantinha uma presença naval sem precedentes no Oriente Médio para contrapor as ações do Irã. 

                             © AP Photo / Marinha dos EUA/Suboficial de 2ª Classe Jacob Mattingly


O USS Abraham Lincoln (CVN-72) está posicionado no Mar Arábico, ao sul do Irã, desde o final de janeiro de 2026. Este porta-aviões lidera a força de dissuasão no flanco leste iraniano, operando com caças F-35C e F/A-18E Super Hornets. 

O USS George H.W. Bush (CVN-77) recentemente completou exercícios de treinamento e há indicações de que possa ter sido enviado ao Mediterrâneo Oriental para formar um terceiro grupo de ataque na região. 

A retirada ainda que temporária do USS Gerald R. Ford para Creta abre uma janela de vulnerabilidade que o Irã pode explorar através de ataques cinéticos (minas, torpedos, mísseis e drones) ou cibernéticos e informáticos.

Após operar no Mar Vermelho em suporte à " Operação Epic Fury" contra o Irã, o super porta-aviões sofre um incêndio na lavanderia traseira em 12 de março de 2026. O fogo durou cerca de 30 horas e desalojou mais de 600 marinheiros, forçando o navio a deixar a zona de combate rumo à missão de manutenção. 

Apenas um dia antes da notícia do incêndio, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) classificara publicamente o Ford como um alvo prioritário, citando-o entre os centros de suporte no Mar Vermelho sob a mira das forças persas. Meios de comunicação ligados ao Irã afirmaram que o incêndio foi resultado de um ataque direto de mísseis durante a Operação Epic Fury. Sustentando que a defesa aérea do porta-aviões foi saturada ou contornada por novas tecnologias, como o veículo de planeio hipersônico Fattah-2.

Há pelo menos três razões pelas quais um incêndio, mesmo que "na lavanderia", pode paralisar operações de lançamento de mísseis, pouso e decolagem de aeronaves. 

A "lavanderia traseira" do Ford fica situada em uma área que abriga o complexo sistema de catapultas eletromagnéticas (EMALS) e os cabos de retenção (AAG). 

O calor intenso ou o derretimento de fibras ópticas e cabos de energia que passam logo abaixo do deck de aço desativam os sistemas de lançamento e recuperação de aeronaves, ativados por sensores e cabeamento sob a pista. 

A deformação térmica do aço por um incêndio de muitas horas de duração, como relatado. O calor extremo pode causar empenamento (warping) nas placas de aço do convés de voo. Para jatos F-35 ou F-18, que precisam de uma superfície perfeitamente plana e com coeficiente de atrito específico para pousar a 250 km/h, qualquer milímetro de deformação torna a pista inoperável. 

A contaminação por partículas entranhadas na fumaça e cinzas expelidas pelos sistemas de exaustão sujeitas a ser aspiradas pelas turbinas dos caças no deck, causando danos catastróficos aos motores (FOD - Foreign Object Damage).

Se o Irã está visando Data Centers e focando em confusão informacional, um "acidente" em uma área vital de suporte (como a lavanderia ou sistemas elétricos próximos a ela) pode ser o resultado de uma sabotagem cibernética nos sistemas de controle industrial (SCADA) do navio, sobrecarregando circuitos para gerar o incêndio.

Já, o deslocamento do navio para Creta, em vez de um reparo no mar, sugere que o dano à infraestrutura de lançamento é estrutural, e não apenas cosmético. Isso sim poderia retirar o Ford, o "punho de ferro" da OTAN do Mediterrâneo Oriental. 

Essa ocorrência ainda desconhecida do público em suas dimensões pode bem ter resultado de um "teste de estresse" bem-sucedido do Irã (como a derrubada dos três jatos por fogo amigo no Catar) para provar que pode paralisar um super porta-aviões sem disparar um único míssil contra ele. 

Os EUA precisarão justificar uma falha técnica dessas se uma perícia (como a do foguete que explodiu a escola de meninas) encontrar vestígios de invasão digital.

Não à toa as marinhas modernas da OTAN, entre outras, temem uma hipótese que se encaixa assim tão perfeitamente na estratégia de guerra híbrida do Irã.

A explicação de um "incêndio na lavanderia" pode ser a capa diplomática para esconder uma vulnerabilidade sistêmica catastrófica: a infecção por malware em sistemas industriais (SCADA).

Uma infecção digital teria causado um incêndio físico e paralisado a pista de um super porta-aviões como o USS Gerald R. Ford:

Os porta-aviões modernos são cidades flutuantes onde tudo é controlado por software. Uma infecção digital nos sistemas de gerenciamento de energia e ventilação poderia induzir uma sobrecarga. O malware ordenaria, por exemplo, que os disjuntores de alta tensão das máquinas industriais (como as grandes secadoras e caldeiras da lavanderia) permanecessem fechados mesmo em superaquecimento.

O vírus "congelaria" os painéis de controle por bloqueio de sensores, mostrando que tudo está normal enquanto a temperatura física sobe até o ponto de ignição.

A lavanderia teria sido estimada como um alvo estratégico, por ser uma área de "baixa segurança" em comparação aos silos de mísseis, embora compartilhasse a mesma rede elétrica e de ventilação.

Um incêndio iniciado ali gera uma quantidade massiva de fumaça tóxica que sobe pelos dutos de ventilação diretamente para os hangares e para as centrais de controle da pista de pouso propagação calor a outras secções da belonave. 

O calor gerado logo abaixo do deck de voo pode derreter os cabos de fibra óptica que alimentam as catapultas eletromagnéticas (EMALS), que são o coração do Ford produzindo danos à eletrônica da pista, sem as quais, nenhum avião pousa ou decola.

A Narrativa de "Acidente Doméstico"

Dizer que houve um "incêndio na lavanderia" é uma narrativa muito menos humilhante e perigosa do que admitir que o navio mais avançado do mundo foi hackeado pelo Irã e confirmar que os detentores de "armas imprecisas" são capazes de uma destruidora invasão digital. Enfim, confirmam que o Irã teria a capacidade de desativar sua frota sem disparar um tiro.

Manter a versão do "acidente", abordada em até 10 segundos nos principais noticiosos da mídia amiga, é suficiente para justificar a retirada estratégica aos estaleiros em Creta para reparos sem causar um "pânico nos mercados" ou uma escalada imediata que obrigaria uma resposta de guerra total.

Se a perícia em Creta encontrar vestígios de um código malicioso ou admitir que o seu "escudo nuclear" no Mediterrâneo tem um buraco digital.

Essa é talvez a questão central que separa a versão oficial da realidade do campo de batalha. No contexto de março de 2026, o Pentágono e o CENTCOM afirmam que o incêndio no USS Gerald R. Ford não foi relacionado a combate. 

Fontes de outros perfis e frentes de informação sustentam a tese de um ataque cinético (mísseis) e referem "Sinais de Danos Maiores que um "Incêndio na Lavanderia". A gravidade dos danos relatados após o incidente de 12 de março de 2026 levanta dúvidas sobre a explicação oficial. O fogo teria durado mais de 30 horas até ser controlado. 

Especialistas navais argumentam que um simples incêndio elétrico em uma lavanderia dificilmente resistiria tanto tempo a uma equipe de controle de danos de elite, a menos que houvesse uma violação estrutural ou combustível externo (como um combustível de míssil, por exemplo).

Mais de 600 marinheiros perderam seus leitos e cerca de 200 foram medicados por asfixia por fumaça. Um impacto de míssil na lateral do navio, próximo às áreas de alojamento e suporte, explicaria melhor essa escala de destruição.

O navio deixar o Mar Vermelho para reparos no Mediterrâneo, em Souda Bay (Creta) denuncia danos maiores que um problema de "lavanderia", cujo reparo poderia ser feito no mar com o apoio de navios de manutenção. A necessidade de um porto sugere danos que afetam a integridade do casco ou sistemas críticos que o Irã pode ter atingido.

A explicação oficial foca em "falha técnica" ou "negligência da tripulação", se investiga até sabotagem interna, dispensa o cenário de um ataque de mísseis, camuflado que persiste como acidente doméstico.

Admitir que o navio de US$ 13 bilhões pode ser atingido aponto de ser posto fora de combate destruiria a mística de invulnerabilidade dos grupos de ataque de porta-aviões, encorajando outros adversários em outras esquinas estreitas do mundo a testar também as defesas de outros perfis não tão magnificas, mas montadas com os mesmos sistemas operacionais.

Os danos no USS Gerald R. Ford (CVN-78) são apenas um grande problema da marinha em guerra estadunidense em guerra. Há outros, ainda maiores. O setor de construção naval dos Estados Unidos sofre uma crise aguda prolongada, e 82% dos navios nos estaleiros estão atrasados do comissionamento planejado, afirmou o professor em relações internacionais e teoria política norte-americano, Andrew Latham, no seu artigo publicado na revista 19FortyFive.

 




SINAIS DA GUERRA EM TEL AVIV


A Estação Central de Tel Aviv-Savidor foi um dos alvos atingidos por ataque massivo de mísseis iranianos em 18 de março de 2026. A companhia ferroviária nacional suspendeu as operações de trens em todo o país, interrompendo o fluxo de civis e, potencialmente, o deslocamento de reservas militares.
O sistema ferroviário é o principal modal de transporte público de Israel.

Já o sistema rodoviário em torno de Tel Aviv e das regiões centrais da cidade enfrenta bloqueios na Rodovia Ayalon (Rota 20), a principal artéria de Tel Aviv, com vários trechos interditados devido à queda dos destroços e a movimentação intensa de veículos de emergência, socorro e resgate. Há relatos sobre crateras em vias secundárias em Ramat Gan e Bnei Brak, causadas por impactos diretos de mísseis decorrente de falhas de interceptação.

O Aeroporto Internacional Ben Gurion sofreu impactos significativos de estilhaços de mísseis interceptados e de um impacto direto próximo ao perímetro que danificaram aeronaves civis estacionadas, quebrando vidraças de terminais. Todas as decolagens e pousos civis foram suspensos imediatamente após o ataque iraniano, passando o aeroporto a operar apenas para voos militares e de emergência/repatriação sob estrita coordenação. Passageiros que estavam no terminal foram movidos para abrigos subterrâneos fortificados, onde permaneceram por várias horas.

O Comando da Frente Interna de Israel orientou que civis evitem deslocamentos não essenciais, pois ainda há risco de munições não detonadas (especialmente das bombas de fragmentação usadas pelo Irã) espalhadas por vias públicas. Os estabelecimentos comerciais foram fechados, as aulas suspensa e fàbricas operam em situação de sobreaviso, apenas as que têm abrigos antibombas à distância protovolar. Linhas de ônibus que cruzam o centro de Tel Aviv foram desviadas.

O governo priorizou o uso das rodovias para o deslocamento de baterias de defesa aérea e suprimentos médicos. Dias antes (em 12 de março), a mesma infraestrutura ferroviária fora alvo de ciberataque que hackeara painéis de informação nas estações de Tel Aviv e Herzliya, exibindo mensagens falsas de que as estações não eram seguras e ordenando evacuação imediata para gerar pânico.

A Tel Aviv-Savidor Center (ou Tel Aviv Savidor Merkaz) é o centro de gravidade do tráfego israelense. Se ela é neutralizada fisicamente ou digitalmente, o país enfrentaria um isolamento interno similar ao que a Rússia busca impor à Ucrânia bombardeando vias férreas e gasodutos e oleodutos.
O ataque em Tel Aviv ocorreu em represália à morte de altos oficiais iranianos. Esmail Khatib, o ministro da Inteligência do Irã, morto em um ataque aéreo israelense em Teerã na noite de terça para quarta-feira, Ali Larijani, Chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã, confirmado como morto em um bombardeio a Teerã na segunda-feira (16 de março de 2026), outros comandantes da Guarda Revolucionária (incluindo o chefe da força paramilitar Basij).

A ação confirma a estratégia iraniana de territorialização e asfixia logística que se conecta ao padrão de ataques contra infraestruturas do antagonista, agora combinada com a neutralização de bases de ataque e defesa articuladas a data-centers, centros financeiros e o fechamento do Estreito de Ormuz.

 

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