31 março, 2026

A estratégia militar sionista e o expansionismo colonialista

 




O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu anuncia oficialmente a expansão da "zona de segurança" no sul do Líbano. Embora o governo já tivesse sinalizado dias atrás a intenção de controlar o território até o Rio Litani, a nova diretriz dada ao Exército (IDF) visa ampliar ainda mais essa área para neutralizar capacidades remanescentes do Hezbollah. Cerca de 3.500 pessoas já foram mortas por balas, bombas e foguetes israelenses. A estratégia militar de Tel Aviv no Líbano, intensificada em setembro de 2024 e com desdobramentos em 2025 e 2026, já foi descrita como uma réplica dos métodos utilizados na Faixa de Gaza, incluindo bombardeios pesados em áreas densamente povoadas e deslocamento populacional em massa, que têm garantido maioria parlamentar para vultosas suplementações orçamentárias e permanêrncia de Benjamin Netanyahu como o líder do bloco sionista e chefe plenipoitenciário de todos os israelenses

O objetivo estratégico alegado é o de sempre: afastar as ameaças de mísseis antitanque e impedir tentativas de invasão terrestre contra as comunidades do norte de Israel. Netanyahu afirmou que a zona tampão existente será ampliada para "mudar fundamentalmente a situação no Norte". Na prática, as tropas israelenses já avançam em direção ao Rio Litani e atingiram afluentes estratégicos perto de vilarejos como Qantara.

Israel intensificou a demolição de casas em vilarejos fronteiriços e a destruição de pontes sobre o Litani para isolar a região sul do restante do Líbano.

À semelhança do ocorrido na ocupação das Colinas de Golan, tomadas da síria, dois pontos centrais conectam a estratégia militar à viabilidade de longo prazo de um território: recursos hídricos e controle demográfico.

O Rio Litani é o "santo graal" hídrico da região. Ele corre inteiramente dentro do Líbano, mas sua proximidade com a fronteira sempre despertou interesse o interesse de Israel.

Controlar as margens ou o curso do Litani permitiria, tecnicamente, o desvio de águas para o Negev ou para o Norte de Israel, que enfrenta escassez hídrica crônica.

No projeto político-militar sionista do "Grande Israel", a segurança hídrica é um pilar. Ter o controle físico do rio garante que Israel não dependa apenas da dessalinização ou do Mar da Galileia.

Um rio não precisa de gente para correr. A tática de criar uma zona de exclusão (despovoamento) serve à limpeza étnica e ao controle do território.

Ao forçar a saída da população civil libanesa sob pretexto de combate ao Hezbollah, Israel cria um vácuo demográfico. Historicamente, áreas declaradas como "zonas militares fechadas" ou "zonas de segurança" costumam ser o primeiro passo para a instalação de infraestrutura civil (colonatos). Sem população local para oferecer resistência cotidiana, a ocupação se torna menos custosa politicamente no início. A ocupação do Rio Litani é um "detalhe de rodapé" para o sistema global, mas um pilar fundamental para o projeto de Estado-Nação de Israel.

O neoimperialismo aliado do projeto sionista sustenta essa expansão porque ela garante um aliado estável e tecnologicamente avançado num ponto estratégico, enquanto o resto do mundo se preocupa com o preço do frete marítimo.

Em 2026, Israel anuncia o avanço para além do Rio Litani. O objetivo declarado é a segurança, mas a prática aponta para a criação de uma zona de exclusão despovoada, garantindo o controle de recursos hídricos estratégicos e neutralizando a ameaça do Hezbollah sob o olhar omisso da comunidade internacional (focada em Ormuz e Suez).

No entanto, desde 1948, Israel expandiu significativamente seu território original de 55% da Palestina mandatária (Plano da ONU) após guerras com vizinhos árabes. A maior mudança ocorreu na Guerra dos Seis Dias (1967), ocupando a Cisjordânia, Faixa de Gaza, Península do Sinai e Colinas de Golã, devolvendo o Sinai posteriormente, mas mantendo colonatos.

Principais Marcos Territoriais

Em 1948/1949, ano da fundação do Estado de Israel e da Guerra da Independência, Israel foi criado com cerca de 53,5% da Palestina, enquanto o Estado Palestino teria 45,4%, com Jerusalém internacionalizada. A Guerra de Independência se encerra em 1949) com controle israelense de cerca de 78% do território e expulsão de cerca de 750 mil palestinos.

Em 1967 (Guerra dos Seis Dias), Israel ocupou a Península do Sinai e Faixa de Gaza (do Egito), Cisjordânia e Jerusalém Oriental (da Jordânia) e as Colinas de Golã (da Síria), a grande expansão é o marco inicial do neoimperialismo regional, quando Israel triplica seu tamanho, ocupando as Colinas Golã, passando à gestão regional da água, avançando sobre a Cisjordânia e Gaza, dando corpo físico ao projeto político-militar sionista e iniciando o controle sobre as bacias hidrográficas vitais.

Em 1979, assina a paz com o Egito, devolve a Península do Sinai, um terreno vasto, seco e despovoado, em troca de reconhecimento diplomático formal. O projeto sionista volta suas forças para o Norte, iniciando a primeira ocupação prolongada do Sul do Líbano para criar a primeira "zona de segurança".

Em 1993/1994, Israel assina os Acordos de Oslo, com a OLP, estabelecendo a Autoridade Nacional Palestina, iniciando a devolução parcial de áreas na Cisjordânia e Gaza, mas acabou estabelecendo um sistema de "ilhas" de controle palestino cercadas por controle militar israelense, mantendo as principais fontes de água e pontos estratégicos sob domínio de Israel.

Em 2005, Israel retira os colonatos e tropas da Faixa de Gaza, mas manteve controle exclusivo das fronteiras, espaço aéreo e marítimo, consolidando o controle por "fatos consumados" e focando na anexação silenciosa e expansão de assentamentos na Cisjordânia, utilizando barreiras físicas e controle de recursos para fragmentar a soberania palestina.

Essa sequência mostra que, desde o início, a geografia de Israel não é estática; ela se expande conforme a oportunidade militar e a necessidade de recursos (água e terra) se alinham à tolerância global.

Atualmente, o que Israel pretende no Líbano, segundo suas declarações oficiais e movimentações militares recentes em 2026, é consolidar uma "zona de segurança" para neutralizar a ameaça do Hezbollah e garantir o retorno dos residentes do norte de Israel às suas casas. 

Os objetivos estratégicos admitidos publicamente incluem criação de um perímetro de segurança numa zona que se estenda para além do Rio Litani a cerca de 30 km ao norte da fronteira), visando impedir que o Hezbollah mantenha infraestrutura militar ou lance ataques diretos contra o território israelense.

O governo israelense exige que as forças do Hezbollah se retirem para o norte do Rio Litani, permitindo que apenas o Exército Libanês (LAF) e forças da ONU (UNIFIL) operem no sul do país, conforme o estabelecido pela Resolução 1701 da ONU.

Embora o Líbano tenha declarado atividades militares do grupo Hezbollah como ilegais em março de 2026, Israel mantém pressão militar para degradar a capacidade de mísseis e o comando da organização, que já teve líderes como Hassan Nasrallah eliminados em fases anteriores do conflito.

Tais ações visam a neutralização da influência iraniana, inviabilizando acesso ao Hezbollah, principal força militar em território libanês. 

A estratégia de destruição da infraestrutura para "limpeza" de vilarejos no Sul e ultimatos para evacuação em massa buscam pressionar o governo central do Líbano a assumir o controle total do território, embora haja o risco de desencadear instabilidade interna ou até uma nova guerra civil no Líbano devido às fraturas sectárias.

O anúncio ocorre em meio a uma campanha militar mais ampla que Israel descreve como um confronto direto contra o Irã e seus aliados, após escaladas contínuas iniciadas no em março de 2026.

Essa movimentação marca uma transição de ataques transfronteiriços para o que observadores internacionais descrevem como uma ocupação de longo prazo de 10% ou mais do território libanês

A estratégia militar oficial em conexão com a ideologia expansionista é a síntese do projeto do "Grande Israel" (Eretz Yisrael Hashlema). Enquanto o governo justifica a expansão para além do Litani como uma necessidade de segurança nacional (parar foguetes e incursões), a ala mais à direita do espectro político israelense evoca as fronteiras bíblicas, que incluiriam partes do sul do Líbano.

O histórico de Israel mostra que "zonas de segurança" temporárias podem se tornar ocupações de décadas (como ocorreu no sul do Líbano entre 1985 e 2000). Para os defensores do Grande Israel, essas ocupações são passos para a anexação definitiva.

A demolição de infraestrutura e a criação de "zonas mortas" (áreas despovoadas) lembram a dinâmica aplicada na Cisjordânia, onde o controle militar precede o controle territorial total.

Tudo se passa escancarado à vista do mundo, televisionado e revela dramaticamente a ineficácia das instituições internacionais (como a ONU) enquanto desvela a política de "fatos consumados".

No Conselho de Segurança da ONU, qualquer resolução prática contra Israel é historicamente barrada por veto dos Estados Unidos. Sem sanções ou consequências reais, as declarações de "preocupação" da comunidade internacional tornam-se apenas retórica.

Então, Israel aplica no Líbano o que já funcionou na Cisjordânia, que já funcionara no Golã: ocupa o território, destrói a infraestrutura local e cria uma nova realidade física. Quando a diplomacia finalmente tenta agir, a configuração do terreno já mudou tanto que a reversão se torna impossível.

É quando as potências ocidentais parecem mais preocupadas em evitar que o conflito se torne “uma guerra mundial contra o Irã” do que em proteger a integridade territorial do Líbano. Uma explícita carta branca para que Israel avance. No caso específico da água do Rio Litani e da expansão territorial, o silêncio ou a lentidão internacional acabam servindo como uma autorização tácita. Enquanto o mundo discute ajuda humanitária, a geografia está sendo redesenhada de forma permanente.

Oficialmente, o Estado de Israel cala sobre os propósitos de longo prazo ou nega a intenção de anexar o Líbano, tratando a operação como uma manobra defensiva contra o Hezbollah. E, no entanto, o fato de a "zona de segurança" estar se expandindo para além do limite geográfico do Rio Litani consubstancia a tese de que o objetivo final pode ser um redesenho permanente das fronteiras regionais, alinhado ao ideal expansionista.

A Semelhança com a Cisjordânia é mais que coincidência. O modelo que vai sendo praticado hoje no Líbano espelha o que foi feito no Vale do Jordão. Declara-se a área como vital para a segurança do Estado de Israel, restringe-se o acesso da população local aos recursos, à água e à terra, instalam-se postos avançados que, com o tempo, viram comunidades permanentes.

O controle do Litani daria a Israel o domínio sobre a bacia hidrográfica mais importante ao norte, consolidando uma hegemonia territorial que vai muito além da simples defesa contra foguetes.

O Líbano, como Estado fragmentado, não tem condições de oferecer algum tipo de resistência diplomática ou militar que mude esse rumo empreendido pelo projeto político-militar sionistas desde a tomada das Colinas de Golã, o "modelo" perfeito para o acontece agora no sul do Líbano em relação ao Rio Litani “e além”, no dizer atualizado de Netanyahu.

Existem três semelhanças fundamentais nesse "destino histórico": 1. A Geopolítica da Água (Hidropolítica)

Assim como o sul do Líbano tem o Litani, o Golã é a principal fonte de água doce para Israel. Controlar Golã é dominar as nascentes do Rio Jordão e o Mar da Galileia (Lago Kinneret). Quem tem o Golã, controla a torneira de Israel.

O Rio Litani, ao Sul do Líbano, a 30 quilômetro da fronteira Norte com Israel, despeja milhões de metros cúbicos de água doce no Mediterrâneo. Para um projeto de expansão territorial e agrícola (como o dos colonatos), capturar essa água é a diferença entre um deserto e uma região produtiva.

A Justificativa da "Segurança” tornou a ocupação em do Golã em anexação. Israel ocupou a área em 1967 alegando que a Síria usava o planalto para bombardear comunidades israelenses abaixo. Em 1981, anexou o território unilateralmente.

A justificativa no Litani é o Hezbollah. Ao destruir vilarejos, explodir pontes e expandir a zona para além do Litani, o movimento migra de uma "operação militar" para uma ocupação territorial de longo prazo, repetindo o roteiro do Golã.

Para consolidar o controle da água e da terra, a estratégia costuma ser o despovoamento permanente. No Golã, a grande maioria da população síria foi expulsa ou fugiu em 1967. No sul do Líbano, as ordens de evacuação em massa e a destruição impiedosa e continuada da infraestrutura tornam a volta dos civis libaneses quase impossível.

Sem habitantes locais, a área fica livre para a exploração de recursos e, eventualmente, para a instalação de postos avançados de colonização.

Tanto a Síria (no Golã) quanto o Líbano (no Sul) acabam perdendo soberania sobre seus recursos naturais mais valiosos sob o argumento da "necessidade militar defensiva do Estado de Israel". No final das contas, o mapa do "Grande Israel" se desenha onde a água corre e onde a topografia oferece vantagem estratégica.

Para as grandes potências, a soberania do Líbano ou a água do Litani são "problemas locais", enquanto o comércio global é uma questão de sobrevivência.

As artérias do capital, o Estreito de Ormuz (fertilizantes, gás, petróleo) e o Canal de Suez/Bab el-Mandeb (logística global) são os pontos onde o mundo "sente dor" no bolso. Se o fluxo de navios para a inflação explode em Nova York, Londres e Pequim...

O "Sacrifício" do Líbano. Enquanto Israel mantém esse aspecto da guerra contido como conflito em terra firme (mesmo expandindo para o Líbano), o impacto sistêmico na economia global é administrável. Por isso, a tolerância implícita: "façam o que precisarem em terra, desde que as rotas marítimas continuem abertas".

Muitas vezes, a liberdade que Israel recebe para redesenhar suas fronteiras ao Norte é o preço que o Ocidente paga para que Israel não escale um ataque direto às infraestruturas iranianas, o que resultaria no fechamento de vez o Estreito de Ormuz pelo Irã.

No fim das contas, a geografia dos recursos (água e terra no Líbano) está sendo devorada enquanto a geografia do fluxo (canais e estreitos) é protegida. O Líbano, fragilizado e sem peso econômico global, acaba sendo o elo mais fraco dessa corrente.

O Irã não é apenas um "eixo de resistência"; é também um Estado com uma economia que precisa respirar, e sabe que travar o Estreito de Ormuz é um "botão de autodestruição" econômica para si mesmo.

O Irã é um dos maiores importadores mundiais de trigo e milho. Se fecha o tráfego marítimo para punir Israel ou o Ocidente, cortam o próprio suprimento de comida. A inflação interna já é altíssima; um bloqueio poderia ser estopim para revoltas domésticas incontroláveis.

O regime iraniano sobrevive da venda de petróleo e gás (principalmente para a China). O caos no Golfo Pérsico interrompe o fluxo de caixa que mantém o governo e as próprias milícias que financiam no exterior (Hezbollah, Houthis).

Isso explica porque a Comunidade Internacional se sente "confortável" em deixar Israel avançar sobre o Rio Litani e manter ocupadas Colinas de Golã:

Avaliam que o Irã vai gritar, mas dificilmente “suicidará” sua economia travando Ormuz por causa da água do Líbano ou a autonomia Palestina em Gaza e na Cisjordânia.

Netanyahu lidera o projeto político-militar sionista e aproveita o "equilíbrio de medos" para consolidar o Projeto Grande Israel na prática, sabendo que a prioridade global é o preço do barril e a logística de grãos, e não o desenho das fronteiras terrestres libanesas, sírias, palestinas.

No fim, palestino e libaneses acabam sendo a moeda de troca na moita. Israel expande seu domínio hídrico e territorial, o Irã mantém suas rotas de exportação abertas para não colapsar internamente, e o mundo finge que não vê as anexações de fato porque o fluxo continua operando nos canais de Suez e Ormuz.

Se os impérios antigos (Roma, Otomanos) conquistavam por marcha territorial e os coloniais (século XIX) por extração de matéria-prima, o neoimperialismo opera por controle de fluxos e pontos nodais.

A lógica atual terceiriza a fronteira. O "império" moderno (liderado pelos EUA e grandes blocos econômicos) não precisa administrar o território libanês ou sírio diretamente. Ele permite que aliados regionais fortes, como Israel, façam a "limpeza" e o controle geográfico (água, terra, zonas de exclusão), desde que os canais globais (Suez, Ormuz) permaneçam abertos para o capital.

O neoimperialismo sustenta-se na capacidade de decidir quem morre no escuro (o Líbano, longe das câmeras e do interesse econômico) e quem é protegido (as rotas de gás, petróleo, grãos e fertilizantes que alimentam o sistema). É um imperialismo seletivo, das commodities.

Impõe-se a sobrevivência pelo pragmatismo. Mesmo o Irã, "adversário do sistema” está preso a ele. E sustentam o neoimperialismo porque dependem da mesma infraestrutura global para importar comida e exportar energia. Ninguém quer derrubar o tabuleiro; todos querem apenas uma fatia maior dele.

Não confunda judaísmo com sionismo, mas tenha em mente que a ideologia dominante em uma sociedade é a ideologia da classe que domina essa sociedade. 

O Sionismo Político é um movimento nacionalista moderno, surgido no final do século XIX, enquanto o Judaísmo é uma tradição religiosa e ética milenar.

Muitos judeus (incluindo grupos ortodoxos e pensadores humanistas) criticam o projeto do Grande Israel (Eretz Yisrael Hashlema), argumentando que a ocupação territorial e o expansionismo militar entram em conflito com os valores espirituais e morais da fé judaica.

Separar o projeto de Estado da identidade religiosa é o que permite entender por que essa expansão sobre o Litani ou o Golã é uma estratégia de poder político, e não um consenso teológico.

Para entender o projeto político do Grande Israel é essencial olhar para a ala revisionista do sionismo, liderada por Ze'ev Jabotinsky, que deu origem ao atual partido Likud (de Netanyahu).

Jabotinsky, o fundador ideológico do projeto, escreveu The Iron Wall", O Muro de Ferro, em 1923.  No ensaio publicado antes da existência de um estado de judeus, ele defendia que os árabes nunca aceitariam a partilha da Palestina voluntariamente. Portanto, a colonização judaica deveria ocorrer sob a proteção de uma força armada inabalável (o muro de ferro) até que os árabes desistissem de resistir.

O projeto original do "Revisionist Zionism" reivindicava ambas as margens do Rio Jordão (incluindo a atual Jordânia). O Rompimento com o Mandato Britânico tem raízes no White Paper de 1939, a imposição da a limitação à imigração judaica para a Palestina, com o objetivo de acalmar as revoltas árabes.

Menachem Begin, que viria a ser primeiro-ministro de Israel, liderava a organização paramilitar Irgun, quando deflagrou "The Revolt" contra o Mandato Britânico em 1944.

Para os revisionistas, os britânicos se tornaram um obstáculo ao "destino histórico" de um estado judeu em toda a extensão da Palestina mandatária. Eles usaram táticas de guerrilha e atentados terroristas (como o do King David Hotel) para forçar a saída britânica.

Inicialmente, nem todos os judeus apoiaram essa via política que incorporava o terrorismo e o expansionismo como objetivo. Grupos de judeus ultraortodoxos tornaram-se oposicionistas à existência do Estado de Israel sustentando que um Estado judeu soberano como o proposto pelo sionismo político seria uma violação de juramentos bíblicos. Os haredim se articulavam em torno do "Haredi Anti-Zionism", o Antissionismo Haredi, propagando que um Estado de Israel só deveria ser estabelecido com a vinda do Messias.

Grupos como Neturei Karta e Satmar Hasidism argumentam que a criação de um estado judeu por mãos humanas e força militar é uma rebelião contra a vontade divina.

O destacado intelectual religioso israelense Yeshayahu Leibowitz, tornou-se um crítico ferrenho crítico da ocupação de 1967, chamando-a de "messianismo político" que corromperia o judaísmo.

Intelectuais judeus como Hannah Arendt (que cobriu o julgamento de Eichmann) e, mais recentemente, Norman Finkelstein e Gideon Levy, alertaram para o perigo de um povo traumatizado repetir padrões de opressão contra outros para garantir sua própria "segurança". Todos argumentaram que o "nunca mais" deveria ser universal, e não apenas para um grupo.

No contexto atual (especialmente em Gaza após outubro de 2023), a África do Sul levou Israel ao Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) acusando-o de genocídio. O argumento é que a destruição sistemática de hospitais, escolas, sistemas de água e o bloqueio de ajuda criam condições de vida destinadas a destruir o grupo físico, parcial ou totalmente.

Ao sugerir que os palestinos podem "sobreviver em qualquer lugar" (Egito, Jordânia, América Latina), o projeto sionista nega o direito de autodeterminação e o vínculo histórico deles com a terra. É a ideia de que "são apenas árabes", e como há muitos países árabes, eles poderiam ser absorvidos por outros, deixando a Palestina livre para o "povo escolhido".

O que vemos em Gaza e no sul do Líbano hoje é a criação de condições inviáveis de vida. Destruir hospitais, escolas e o acesso à água (como discutimos nos casos de Gola e Litani) não é apenas um ato de guerra; é uma mensagem: "Aqui não há futuro, saiam". É o incentivo à migração sob bombardeio.

Antes da "Solução Final" (o extermínio), o regime nazista chegou a considerar o Plano Madagascar, que pretendia expulsar e transferir todos os judeus da Europa para aquela ilha na África.

A lógica era a mesma: "eles podem existir, desde que não aqui". A substituição de uma população por outra através da transferência forçada é um crime de guerra sob o estatuto moderno, mas é uma ferramenta antiga de impérios e nacionalismos extremos.

Para o projeto do Grande Israel, a terra (e sua água) é um ativo estratégico. A população nativa é vista como um "obstáculo demográfico". Se eles podem ser "diluídos" em outros países, o "problema" desaparece sem a necessidade formal de um extermínio, mas com o mesmo resultado prático: o desaparecimento de uma cultura e de um povo de seu território de origem.

Essa visão de que "o outro" é deslocável e irrelevante para a paisagem é o que sustenta a expansão das fronteiras desde 1948.

No fim das contas, a estratégia de "dispersão" e "inviabilização da vida" no território (seja no Líbano, na Palestina, na Síria) conta com o tempo e a fadiga da comunidade internacional encostada à parede pela geopolítica bruta do fato consumado.

Enquanto o mundo discute a moralidade das ações ou monitora os movimentos em tempo real, as escavadeiras avançam, as vilas são demolidas, as pontes e estradas explodidas, as fontes de água cercadas, as pessoas mortas às centenas, aos milhares...

A história mostra que o que hoje é um "escândalo internacional", em dez ou vinte anos vira uma "questão complexa e consolidada". Foi assim com as Colinas de Golã e com os grandes blocos de colonatos na Cisjordânia.

Ao destruir a infraestrutura básica (escolas, hospitais, redes de água), cria-se um cenário onde "voltar" não é mais uma opção viável para as famílias. A migração para o Paraguai, Egito ou Europa deixa de ser uma escolha política e vira uma questão de sobrevivência biológica.

Para o projeto do Grande Israel, a opinião pública global é um ruído administrável, desde que o controle físico da terra e da água seja garantido.

27 março, 2026

NÃO SÃO RISONHAS E FRANCAS AS GUERRAS. SÃO POR LUCROS EM TODAS AS FRENTES

 

Há guerras outras além da guerra. Mesmo que se mantenha a Copa do Mundo de Futebol de 2025 nos EUA. Como as guerras essa de vamos falar é também por muito dinheiro. Diferente das versões vendidas em lojas de varejo comum, as camisas que os jogadores usaram em campo no jogo vencido pela França por 2x1 contra o Brasil são as únicas que já saem de fábrica com o matchday patch aplicado para o evento. Torcedores que compram a camisa em lojas oficiais às vezes podem adicionar o patch separadamente como um serviço de customização.

Foto: Franck Fife/AFP

Detalhe que observei: as bandeirinhas de Brasil e França juntas no uniforme da Seleção Brasileira eram o patch do dia do jogo, uma personalização exclusiva para partidas oficiais ou amistosos de grande relevo.

Geralmente aplicado por transfer térmico no centro do peito da camiseta ou levemente deslocado para o lado esquerdo, próximo ao escudo ou abaixo do logo da Jordan Brand. 

Além das duas bandeiras nacionais, o patch costuma incluir o nome das seleções, a data do confronto (26/03/2026) e o local da partida (Boston, EUA). Serve para identificar a partida específica em que aquela camisa foi usada, sendo um item de colecionador muito valorizado em jogos históricos. 

O jogo entre as seleções de Brasil e França na quinta-feira, 26 de março de 2026, no Gillette Stadium, entretanto, bem avaliado, parece ter sido inamistoso.

A camisa da França não tinha o patch com a bandeira do Brasil. 

O Brasil aplicou como de costume o matchday patch (as duas bandeirinhas juntas) para marcar o confronto. a França optou por uma padronização diferente em seu novo uniforme reserva "Glacier Green". O novo uniforme reserva francês, inspirado na cor da Estátua da Liberdade para a Copa de 2026, trouxe detalhes fixos nas mangas e gola que celebram a conexão com os EUA.

Em vez das bandeiras dos adversários no peito, a França incluiu a palavra Liberté nas mangas de sua camisa para este jogo, em alusão ao monumento presenteado por Paris a Nova Iorque.

A França optou por um design de uniforme limpo e comemorativo para este jogo de hoje (26/03/2026), sem o patch de bandeiras do adversário no peito.

Diferente do Brasil, que vem utilizando as duas bandeirinhas juntas como um "selo" do confronto, a seleção francesa priorizou outros elementos em seu novo manto reserva, uma homenagem aos EUA. O jogo se realizou em Boston, solo norte-americano, a França escolheu destacar essa conexão simbólica em vez do patch do amistoso.

 É possível pensar que a França homenageia a si mesmo no amistoso porque foi quem doou a Estátua da Liberdade para os Estados Unidos. uma homenagem de mão dupla: em que celebra a própria história e, ao mesmo tempo, o país anfitrião do jogo (EUA).

Como a Estátua da Liberdade foi um presente dos franceses aos americanos em 1886 para celebrar o centenário da Declaração de Independência, o uniforme funciona como um lembrete dessa conexão. A Cor "Glacier Green", o tom de verde-azulado da camisa 2 da França, não é apenas estético; ele imita exatamente a cor da pátina (o efeito do tempo no cobre) que cobre a estátua hoje. Os detalhes do escudo da FFF e dos números são em tom de cobre, que era a cor original da estátua quando saiu da França. A Inscrição "Liberté" na manga é o toque final dessa homenagem à herança francesa em solo americano.

Enquanto o Brasil foca na parceria inédita com a Jordan Brand e no registro do confronto com o patch das duas bandeirinhas, a França transformou o uniforme em um símbolo de outro perfil diplomático e histórico.

Homenagear a si mesmo num jogo amistoso com um adversário, explicita que não seriam tão amigos de fato, sendo a França mais amiga dos Estados Unidos. Por razões objetivas além das esportivas.

Em um amistoso, que teoricamente serve para celebrar o encontro entre duas nações, focar apenas na própria história com o país sede (EUA) pode soar como uma falta de cortesia esportiva com o adversário, disse-me sem pedir segredo uma fonte bastante acreditada.

A postura das duas seleções no uniforme hoje mostrou prioridades bem diferentes. O Brasil foi diplomático ao colocar as duas bandeirinhas juntas no peito, seguiu o protocolo de "visita" e respeito, registrando o momento do encontro com o adversário, independentemente de onde o jogo ocorria. A França continuou sendo a conhecida autocentrada, ao ignorar a bandeira do Brasil e focar 100% na relação histórica "França-EUA". Ao optar pelo patch da Estátua da Liberdade, a seleção francesa acaba transformando o jogo em um evento particular de autoafirmação.

Essa escolha da França realmente reforça a ideia de que viram o amistoso em Boston mais como uma vitrine política e de marketing para o mercado norte-americano do que como um intercâmbio com o futebol brasileiro.

No campo da etiqueta esportiva, o Brasil acabou sendo muito mais elegante ao carregar a bandeira francesa no peito, o que nada tem a ver com te perdido o jogo inamistoso.

Pensar que a FIFA ou a CBF deveriam exigir que ambos os times usassem o patch do confronto para manter a igualdade no uniforme seria exigir da FIFA deixar de lado as solas do sapato do Trump

Seguidamente, a FIFA curva suas regras e tradições aos interesses comerciais e políticos dos grandes mercados, como os Estados Unidos (que ainda constam como país sede da Copa de 2026).

A falta de padronização nos uniformes hoje evidencia o interesse comercial que atropela a Etiqueta. Permitir que a França ignorasse o Brasil para focar em estratégia de marketing voltada ao público norte-americano é um “caminhão faltoso” na etiqueta que atropela também o fair play.

Como o jogo foi em Boston, o foco da organização parece ter sido bajular o anfitrião. Deixar a França "se homenagear" através de um presente que deu aos EUA é um movimento de relações públicas em que a FIFA aceita sem questionar a falta de cortesia com a Seleção Brasileira. Nem sem fale de VAR numa hora dessas.

O Brasil manteve a tradição diplomática das bandeirinhas no peito, mas acabou sendo o único a demonstrar esse respeito mútuo em campo.

Na prática, a FIFA acabou funcionando como um balcão de negócios onde o marketing e a política externa dos países mais influentes ditam o que aparece ou não na camisa, deixando de lado o simbolismo de união que um amistoso deveria ter.

O peso de um país sede e o interesse comercial da FIFA em "vender" o futebol para o mercado norte-americano, escancara que, no fim das contas, a FIFA é uma empresa que adora cifras, e o sucesso dos Estados Unidos na Copa de 2026 seria o cenário dos sonhos para os patrocinadores.

Essa falta de postura da França hoje em Boston — ignorando o Brasil no uniforme para bajular os americanos com o tema da Estátua da Liberdade — só reforça a percepção de que o foco mudou definitivamente: o futebol já é apenas um acessório da diplomacia e do marketing de negócios. Volta a campo a velha máxima do futebol raiz: para ser campeão, não basta jogar bola, será preciso vencer o "sistema" inteiro. Os 11 em campo precisam enfrentar a torcida hostil, a arbitragem tendenciosa e até as forças de segurança (os cães e a polícia na beira do gramado).

Antigamente, se dizia que o Brasil precisava fazer dois ou três gols para que um valesse, justamente para anular qualquer "ajuda" ao adversário ou ao dono da casa.

O que se evidencia a partir do uniforme da França — essa bajulação explícita aos EUA, o desprezo pelo protocolo com o Brasil, o “olho branco” da FIFA — (e em algumas pequenas e continuadas falhas do “apito” é a versão atual das antigas "manobras". É o uso da imagem e do marketing para criar um ambiente onde um time já entra como o "favorito moral" da organização. Sem desconsiderar que a equipe francesa foi bem em jogo, com técnica e aplicação tática superiores, mesmo depois de uma expulsão de defensor seu.

O fato de o Brasil estar usando o logo da Jordan Brand, uma marca norte-americana, pode ser lido como uma tentativa da CBF de também "jogar o jogo" dos negócios para não ser engolida totalmente pelo lobby local, mas o detalhe das bandeirinhas mostra que, no campo da ética, o Brasil ainda mantém a postura de quem respeita o jogo.

No fim das contas, a lógica sugere que, se o Brasil quiser o Hexa em 2026, vai ter que jogar bem mais do que jogou no “inamistoso” com a França e pensar em que vai ter de vencer também VAR, marketing de negócios e contra a vontade dos EUA, que atacam países e mantém privilégios que os russos não têm e ainda são os donos da festa.

A Copa no país dos senhores da guerra.

Até o momento, a realização da Copa do Mundo de 2026 nos três países-sede (EUA, México e Canadá) está mantida, mas o torneio enfrenta sua maior crise diplomática e de segurança a poucos meses da abertura em 11 de junho.

No México, a fundadas suspeitas sobre a segurança, por mais respeitos que se deva a presidenta Claudia Sheinbaum. A morte em confronto de "El Mencho" chefe do Cartel de Jalisco escalou a guerra aberta do Estado contra os cartéis e destes entre si. Sendo a capital de Jalisco e cidade-sede, a viabilidade logística e de segurança de Guadalajara para torcedores estrangeiros é a maior dúvida da FIFA no momento.

Já, na guerra deflagrada por EUA/Israel contra o Irã, a FIFA está atenta apenas à presença do Irã em solo americano OU a exclusão da seleção Persa da Copa.

A participação da seleção masculina de futebol do Irã na Copa ainda se mantém incerta e instável. Após anunciar em 11 de março de 2026 um boicote ao torneio, devido a tensões políticas e à guerra com os Estados Unidos, o país recuou parcialmente e negocia com a FIFA jogar no México ou no Canadá. 

Caso a desistência ou exclusão seja confirmada, a FIFA tem o poder de decisão sobre a substituição, com países como Iraque ou Emirados Árabes Unidos sendo cogitados. 

O cenário continua em constante mudança com negociações diplomáticas e esportivas em andamento.

O Canadá está sendo avaliado como porto seguro e permanece como o anfitrião mais estável, mas enfrenta limitação de infraestrutura, poucos estádios padrão FIFA.

Na história das Copas FIFA de seleções após a Segunda guerra Mundial, esse é o período mais conturbado em relação a Seleções e Direitos Humanos. A Rússia segue banida devido à invasão da Ucrânia, consolidando o precedente de exclusão por conflito bélico.

Jogadores de elite como Haaland e Salah e técnicos como Guardiola mantêm pressão pública por ajuda humanitária em Gaza, o que pode gerar manifestações políticas nos estádios, algo que a FIFA geralmente tenta proibir.

Iraque, Catar, Arábia com bases norte-americanas bombardeadas pelo Irã estão classificados ou na repescagem. Até a logística de viagem dessas seleções para os EUA sob tensão diplomática é desafio sem precedentes.

A FIFA mantém o plano original monitorado "minuto a minuto", mas o torneio de 2026 desenha-se como o mais politizado e perigoso da história moderna.

 

As perspectivas atuais dividem-se em dois cenários críticos:

1. Crise no México, onde a morte do líder do Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), Nemesio "El Mencho" Oseguera, em fevereiro de 2026, desencadeou uma onda de retaliações violentas em estados como Jalisco e Michoacán. A posição da FIFA expressa em declaração pelo presidente Gianni Infantino é de "total confiança" nas autoridades mexicanas e na presidente Claudia Sheinbaum para garantir a segurança, embora Guadalajara, capital de Jalisco e uma das sedes dos jogos, tenha vivido estado de tensão elevado com bloqueios de estradas, confrontos e ataques. Representantes da FIFA realizam visitas técnicas extras para reavaliar a segurança e mobilidade nas cidades mexicanas.

2. Conflito Geopolítico e Segurança Interna

A Federação de Futebol do Irã ter admitido que sua participação no Mundial se tornou "imprópria" e o país cogitar se retirar da competição, discussões sobre possíveis sanções e retaliações aos EUA, mesmo considerando recuos e pedidos de transferência de jogos para o Canadá para mitigar riscos, não remove a guerra retomada novamente em meio a negociações de paz em andamento. Há riscos inéditos ao evento.

Com as comemorações dos 250 anos da Declaração de Independência dos EUA coincidindo com a Copa, as 11 cidades-sede americanas estão em estado de alerta máximo contra possíveis ameaças terroristas ou protestos.

Inclusive o congelamento de verbas federais para segurança e um shutdown parcial do governo dos EUA gera preocupações extras sobre a capacidade de proteção dos estádios e aeroportos.

Embora não existam planos oficiais para o cancelamento do torneio, a FIFA monitora "minuto a minuto" o cenário geopolítico. A possibilidade de remanejamento de sedes específicas (tirar jogos de cidades mexicanas críticas ou reduzir o papel dos EUA em favor do Canadá) é o plano de contingência mais citado nos bastidores caso a violência não diminua até maio.

Até o momento, não existe uma posição pública oficial do governo do Canadá ou da Canada Soccer manifestando o desejo de sediar o torneio sozinha. A postura oficial do país, reiterada pelo Governo do Canadá, continua sendo a de um coanfitrião comprometido com o modelo trinacional junto a EUA e México.

Apesar da falta de um posicionamento formal para a exclusividade, o cenário de bastidores e a opinião pública apresentam nuances. Especialistas e análises técnicas indicam que o Canadá carece de infraestrutura para receber todos os 104 jogos de uma Copa com 48 seleções de forma isolada.

Atualmente, apenas Toronto (BMO Field) e Vancouver (BC Place) estão confirmadas como cidades-sede canadenses.

Sedes históricas como Edmonton e Montreal foram descartadas ou enfrentam desafios de modernização que exigiriam anos de obras, inviáveis a poucos meses do torneio.

Embora o governo se mantenha em silêncio sobre a exclusividade, tem crescido a pressão de patrocinadores, consulados e organizações internacionais para que a FIFA considere o Canadá como um "porto seguro":

A FIFA avalia transferir jogos específicos dos EUA para o Canadá devido às dificuldades de visto enfrentadas por delegações e torcedores.

Publicamente, a FIFA mantém "confiança total" nas sedes originais por enquanto e o foco canadense está em cumprir sua cota atual de 13 jogos. O país está investindo cerca de R$ 5 bilhões em infraestrutura e segurança especificamente para as cidades de Toronto e Vancouver.

Qualquer mudança drástica para tornar o Canadá sede única exigiria uma reestruturação logística que a FIFA classifica como "último recurso", dado o custo astronômico e o tempo escasso.

A FIFA tem os motivos comerciais já avaliados de não impor aos EUA a exclusão adotada contra a Rússia, já oficialmente fora da Copa do Mundo de 2026. O país sequer foi admitido nas Eliminatórias Europeias. O banimento inicial foi imposto pela FIFA e pela UEFA em fevereiro de 2022, logo após o início do conflito militar com a Ucrânia. A decisão foi mantida para o ciclo de 2026 como uma sanção direta à agressão russa. O que não ocorreu com os EUA e Israel nem em julho de 2024 nem na retomada da guerra contra o Irã em 2026.

Mesmo que diversos países africanos venham enfrentando conflitos civis ou instabilidade política, disputaram as eliminatórias para a Copa de 2026, com destaque para o Sudão. Em meio a uma devastadora guerra civil iniciada em 2023, a seleção do Sudão foi a grande surpresa do Grupo B. Forçada a jogar como mandante em solo neutro (principalmente na Líbia), a equipe liderou seu grupo durante boa parte da campanha, chegando a empatar com o favorito Senegal. Relatos indicam que, durante os jogos, as facções em conflito chegavam a interromper os combates para acompanhar a seleção.

O Sudão do Sul, vizinho do Sudão e também marcado por instabilidade, disputou todos os seus jogos no Grupo B. Assim como o vizinho, enfrentou desafios imensos de infraestrutura e segurança, terminando na última posição do grupo.

A Somália, que lida com décadas de insurgência e conflitos internos, participou do Grupo G. Devido à falta de segurança em Mogadíscio, mandou suas partidas em países vizinhos como o Marrocos e a Tunísia. A equipe foi eliminada sem conquistar vitórias.

A Etiópia, apesar do conflito na região de Amhara e tensões pós-guerra no Tigré, disputou o Grupo A. Por não ter estádios aprovados pela CAF, mandou seus jogos no Marrocos. Foi eliminada na fase de grupos.

A República Democrática do Congo (RDC), enfrentando conflitos no leste do país, teve uma campanha sólida, terminando em segundo no Grupo B e garantindo uma vaga na repescagem mundial.

O cenário atual de escalada militar no Oriente Médio atinge diretamente seleções que já estão classificadas ou que disputam as últimas vagas para a Copa de 2026.

O Irã, classificado desde 2025, realizou ataques de retaliação contra bases dos EUA em diversos países da região que também possuem seleções no ciclo do Mundial.

A Arábia Saudita, que já garantiu sua vaga no Mundial, possui duas bases dos EUA em seu território alvo de mísseis iranianos.

O Catar, sede da última Copa, com a seleção classificada para 2026, suspendeu jogos nacionais, devido aos bombardeios iranianos a base norte-americana em seu território.

Mesma situação da Jordânia, classificada de forma inédita, também sofreu ataques em áreas que hospedam ativos militares dos EUA.

O Iraque, uma das seleções que disputam repescagem, abriga duas bases dos EUA que também já foram bombardeadas (incluindo o aeroporto de Erbil). O Iraque tem sido citado como o principal candidato a herdar a vaga do Irã caso este seja excluído.

Os Emirados Árabes Unido, com bases norte-americanas alvejadas em Abu Dhabi e Dubai, têm a seleção ainda disputa de vaga na repescagem asiática para tentar chegar ao Mundial.

O Kuwait, país do Golfo Pérsico com cinco bases dos EUA seleção tem a seleção ativa nas eliminatórias asiáticas.

A eliminação da seleção masculina de Israel ocorreu por desempenho esportivo dentro de campo, e não por uma suspensão política ou banimento da FIFA (que, apesar de pressionada, manteve a equipe na competição).

Israel integrou o Grupo I das Eliminatórias da UEFA, junto com Noruega, Itália, Estônia e Moldávia.

A equipe foi matematicamente eliminada em outubro de 2025 após derrotas consecutivas para a Noruega (5-0, com hat-trick de Haaland) e para a Itália (3-0 em Udine).

Israel terminou em terceiro lugar no seu grupo, posição insuficiente para garantir vaga direta ou mesmo para avançar à repescagem europeia.

A logística de viagem dessas seleções para os EUA sob tensão diplomática é um desafio sem precedentes.

A FIFA mantém o plano original monitorado "minuto a minuto", mas a Copa do Mundo de Futebol de 2026 desenha-se como a mais politizada e perigosa da história moderna.

ALÉM DAS GUERRAS

A Associação Norueguesa de Futebol (NFF) anunciou que a renda arrecadada com a venda de ingressos para o jogo entre Noruega e Israel, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, seria destinada a fins humanitários em Gaza.

O jogo ocorreu em 11 de outubro de 2025, em Oslo. A Noruega venceu por 5 a 0, com Erling Haaland marcando um hat-trick (três gols).

Todo o lucro da bilheteria (estimado em centenas de milhares de dólares) foi doado à organização Médicos Sem Fronteiras para apoiar os esforços de socorro às vítimas da guerra na Faixa de Gaza.

Além de participar do jogo beneficente, o atacante do Manchester City já havia se manifestado em suas redes sociais com a frase: "Nenhuma criança inocente merece morrer", em referência às vítimas civis do conflito.

Vale notar que o jogador também demonstrou empatia por vítimas do outro lado do conflito, tendo realizado uma chamada de vídeo para um refém israelense libertado de Gaza, Omer Shem Tov, que é seu grande fã.

As ações de Haaland e o posicionamento de Pep Guardiola no Manchester City têm gerado grande repercussão na Inglaterra e no cenário internacional:

Erling Haaland e as Causas Humanitárias

Além do hat-trick na Noruega com renda revertida para Gaza, Haaland tem mantido um perfil de "diplomacia silenciosa":

Doações Diretas: O atacante realizou doações pessoais para a Save the Children focadas em zonas de conflito, sem alarde publicitário.

Equilíbrio: Sua postura é vista como humanitária, focada no bem-estar de crianças, o que o protegeu de críticas mais ácidas que atletas com viés puramente político costumam receber.

Pep Guardiola, o treinador do Manchester City, tem sido uma das vozes mais firmes na Primeira Liga Inglesa (a Premier League) sobre o conflito. Pep tem questionado abertamente a "inação" da comunidade internacional e das organizações de futebol. Em coletivas recentes, ele afirmou que "o silêncio do mundo sobre o que acontece em Gaza é ensurdecedor".

Houve rumores de tensão nos bastidores do City, já que o clube é de propriedade dos Emirados Árabes Unidos (país que mantém relações diplomáticas complexas com Israel e EUA). No entanto, a diretoria do City tem respeitado a liberdade de expressão de Guardiola devido ao seu status lendário no clube. Apesar das polêmicas, ele renovou seu contrato recentemente e o City entende que sua voz política é indissociável de sua liderança técnica.

Recentemente, Guardiola foi visto usando um broche ou símbolos que remetem à paz na região, reforçando que sua preocupação é com a "crise de humanidade" e não apenas com geopolítica.

Mohamed Salah (Egito/Liverpool) continua sendo o principal doador individual para o Crescente Vermelho Egípcio, que envia ajuda para Gaza.

Karim Benzema enfrentou problemas jurídicos na França por suas postagens, mas mantém apoio público a projetos de reconstrução em áreas afetadas.

Você gostaria de saber se houve alguma punição oficial da Premier League ou da UEFA contra esses manifestantes nos últimos jogos?

O caso mais recente e polêmico envolveu o British Museum (Museu Britânico), em Londres, e ocorreu no final de 2024, estendendo-se com desdobramentos até o início de 2025.

A polêmica não foi sobre uma exposição em si, mas sobre o patrocínio e a censura a um evento cultural. Um grupo de artistas e curadores planejava realizar um evento chamado "Voices of Resilience" (Vozes da Resiliência), focado na cultura e nos relatos de palestinos em Gaza.

O museu foi acusado de tentar silenciar ou modificar drasticamente o conteúdo do evento após pressões externas e devido à sua parceria comercial de longa data com a gigante de energia BP (British Petroleum). A BP assinou recentemente acordos de exploração de gás na costa de Israel, em áreas que os ativistas afirmam pertencer legalmente à jurisdição palestina. Isso criou um conflito de interesses direto entre o financiador do museu e o tema do evento.

Em resposta, o grupo de ativistas "Energy of Shell/BP Out" e artistas palestinos realizaram uma série de protestos dentro do museu. Mais de 100 artistas e trabalhadores da cultura assinaram uma carta aberta condenando o museu por "limpeza cultural" e por aceitar dinheiro de empresas que lucram com a exploração de recursos em zonas de conflito.

Além do British Museum, o Barbican Centre também enfrentou uma crise severa. Um curador renunciou após o centro cancelar uma palestra do ensaísta indiano Pankaj Mishra sobre o Holocausto e Gaza, sob a alegação de que o tema era "muito sensível". Isso gerou um boicote de vários artistas que retiraram suas obras das exposições do Barbican em sinal de protesto.

Essas ações colocaram os museus de Londres no centro de um debate sobre ética de patrocínio e liberdade de expressão artística em tempos de guerra.

1. Eixo México: Segurança sob Suspeita

A Crise: A morte de "El Mencho" (líder do CJNG) iniciou uma guerra aberta de cartéis.

O Ponto Focal: Guadalajara. Sendo a capital de Jalisco e cidade-sede, sua viabilidade logística e segurança para torcedores estrangeiros é a maior dúvida da FIFA no momento.

2. Eixo EUA: Geopolítica e Conflito Direto

A Crise: Guerra direta envolvendo EUA/Israel contra o Irã, com bombardeios a bases americanas no Oriente Médio.

O Ponto Focal: A presença (ou exclusão) da Seleção do Irã em solo americano. Há um risco real de desistência iraniana ou pressão internacional para que os jogos do Irã sejam transferidos para o Canadá por questões de segurança.

3. Eixo Canadá: O "Porto Seguro"

O Cenário: O país permanece como o anfitrião mais estável, mas enfrenta limitação de infraestrutura (poucos estádios padrão FIFA).

O Plano de Contingência: Monitorar se o Canadá absorverá jogos originalmente previstos para cidades mexicanas violentas ou sedes americanas sob ameaça terrorista.

4. Seleções e Direitos Humanos

Rússia: Segue banida devido à invasão da Ucrânia, consolidando o precedente de exclusão por conflito bélico.

Ativismo: Jogadores de elite (como Haaland e Salah) e técnicos (como Guardiola) mantêm pressão pública por ajuda humanitária em Gaza, o que pode gerar manifestações políticas nos estádios, algo que a FIFA geralmente tenta proibir.

5. Logística e Boicotes

Iraque e Países Árabes: Países com bases americanas bombardeadas (Iraque, Catar, Arábia) estão classificados ou na repescagem.


23 março, 2026

Na guerra, morte e escassez são produtos, a fome de lucro dos fabricantes de armas não tem limite

 

A sequência em escalada das guerras na Ucrânia e no Irã em março de 2026 amplia a volatilidade dos preços, mundiais com os mercados regionais e nacionais monitorando de hora em hora, principal e primordialmente a segurança de rotas ferroviárias, rodoviárias e marítimas de transporte de grãos, petróleo e gás, radares, bases de ataque e lançamento de drones e mísseis, instalações nucleares. A combinação de ataques a redes elétricas, dutos de petróleo e gás e à logística de produção, armazenamento e transporte de dados militares ou financeiros, grãos e combustíveis gera um efeito cascata que encarece o custo de qualquer mercadoria e pressiona os preços de tudo em todo o mundo. Na guerra, nem a escassez é o limite, nem a paz é objetivo, se o exame percebe a pessoa ou o lucro dos fabricantes de armas.

       Drone russo explode em Odessa, em 1º de março de 2026. CNN

O redirecionamento dos fluxos ucranianos de Odessa para as rotas do Danúbio e fronteiras terrestres não representa apenas uma manobra de sobrevivência econômica, mas a exposição de uma nova vulnerabilidade na guerra moderna: a fragilidade dos nós logísticos. Assim como no Estreito de Ormuz, onde a guerra reiniciada pelos EUA e Israel contra alegada “ameaça nuclear iraniana” transcende o bloqueio físico do canal de exportação de óleo, gás e fertilizantes, para atingir ativos financeiros e sistemas de dados, de radar e bases militares territoriais e náuticas, através de enxames de drones e guerra cibernética, a ofensiva russa contra bases e campos de treinos, portos e junções ferroviárias da Ucrânia revela similar estratégia de estrangulamento sistêmico.

A invasão russa em grande escala contra a Ucrânia iniciou em 24 de fevereiro de 2022. A operação militar começou com bombardeios e ataques terrestres, marcando o maior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Embora a invasão em larga escala seja de 2022, as tensões começaram em 2014 com a anexação da Crimeia pela Rússia e com as batalhas de perfil guerra civil nas regiões russófonas do Donbass.

A Ucrânia superou os momentos de desorganização de um exército pouco profissional com processo de formação e ampliação acelerado pela urgência. Nessa queima de etapas da formação regular continuada, incorporou o Batalhão Azov (atualmente Brigada Azov), uma unidade militar ucraniana com origem em milícia voluntária de extrema-direita ressurgida em 2014, com histórico de ligações a ideologias neonazistas e supremacistas brancas em sua formação. Incorporado formalmente ao exército regular da Ucrânia, o Batalhão Azov tem hoje o status de Guarda Nacional, tendo passado, segundo informações oficiais, por um processo de "despolitização" ao longo dos anos, ainda que continue sendo acusado de neonazista pelas raízes ideológicas.

A principal modernização das forças militares ucraniana se deram no campo da defesa antiaérea e criação e operação de drones de defesa e ataque com significativos impactos na guerra territorial e contra a frota russa no Mar Negro utilizando uma estratégia assimétrica inovadora, focada na destruição de navios de alto valor com drones navais e mísseis, forçando a Rússia a optar pelo retirada da força de infantaria blindada, que chegara as portas de Kiev, e do recuo da frota de Sebastopol na Crimeia para bases mais distantes, como Novorossiysk. 

A atual opção estratégica da Rússia foca em neutralizar os centros operacionais e a infraestrutura de energia e transportes.

Praticamente sem marinha convencional, com o uso de drones, a Ucrânia revolucionou a guerra naval. O uso de drones de superfície pequenos, rápidos, difíceis de detectar que carregam cargas explosivas, como o Magura V5 e Sea Baby, vem sendo a principal arma responsável por afundar ou danificar gravemente corvetas, navios de desembarque e patrulha. O Neptune, um míssil de fabricação ucraniana, foi usado no afundamento do cruzador Moskva em 2022. O Harpoon, míssil antinavio fornecidos pela OTAN, opera a partir de lançadores baseados em terra. O uso de mísseis aéreos de cruzeiro, tipo Storm Shadow/SCALP, lançados por aeronaves ucranianas Su-24 focaram em alvos fixos, incluindo a sede da frota em Sebastopol e submarinos no porto. 

A Inteligência de Defesa da Ucrânia (GUR) coordena ataques com drones e colabora com agentes no terreno para guiar mísseis contra radares, sistemas de defesa aérea (S-400) e centros de comunicações. 

Essas ações resultaram na neutralização de cerca de 25% a 30% da frota russa, forçando a redução da presença naval na Crimeia, possibilitando que a Ucrânia retomasse parcialmente o corredor de grãos.

Em ambos os cenários das duas guerras, como visto nos casos de Odessa e no Estreito de Ormuz a estratégia deixa de focar exclusivamente na conquista territorial para priorizar a interdição de fluxos vitais, utilizando uma coordenação técnica de dados e bombas, a dos iranianos, possivelmente alimentada por inteligência compartilhada entre potências do eixo eurasiano, a dos ucranianos alimentada por países da OTAN, como evidente em Vasylkiv, o que transforma a infraestrutura civil e os dados digitais nos campos de batalha decisivos deste segundo quarto do século 21.

 

Segundo informações recentes, as forças russas atingiram áreas militares na região de Vasylkiv, ao sul de Kiev, com foco em infraestrutura de defesa.

Ataques ocorridos do fim de semana de 14-15 de março de 2026 atingiram um local de treinamento militar ucraniano que, segundo relatos, estava sendo utilizado para lançar drones de longo alcance. Relatos indicam a destruição de drones de fabricação francesa e componentes associados que haviam sido implantados na área de Vasylkiv. A ofensiva também visou locais de armazenamento de equipamentos militares, com relatos de baixas entre as tropas ucranianas e possíveis especialistas estrangeiros na região.

A ação fez parte de uma campanha mais ampla de mísseis e drones da Rússia, que na mesma época atingiu infraestruturas energéticas em outras regiões da Ucrânia, em que um dos alvos específicos foi a infraestrutura do oleoduto Odessa-Brody. Drones atingiram estações de bombeamento no Sul com o objetivo de interromper o fornecimento de petróleo não-russo para a Europa (na mesma semana em que os EUA levantavam por 30 dias sanções às exportações de petróleo e gás russos).

Em Odessa, os ataques russos com drones e mísseis se estenderam pela semana seguinte e focaram intensamente na infraestrutura crítica portuária, danificando armazéns e sistemas de transporte, subestações e instalações de energia em toda a região, causando incêndios e interrupções significativas no fornecimento de eletricidade.

Grupos de drones (estimados em levas de 15 a 25 unidades, com capacidade tática de cegar radares e baterias antiaéreas) atingiram alvos descritos como áreas de uso das forças ucranianas na região de Odessa, visando dificultar a movimentação de reservas para a linha de frente.

Em Zaporizhzhia, os ataques foram marcados pelo uso de bombas aéreas guiadas e drones, atingindo também infraestrutura civil.

Relatos atualizados indicam que a situação na Usina Nuclear de Zaporizhzhia (ocupada e mantida sob controle russo desde o início da guerra) permanecia estável, operando via linha de alta tensão, apesar do contexto de hostilidades na região.

Estes bombardeios ocorrem combinados com intensificação da ofensiva russa contra grandes centros urbanos e redes de energia ucranianas. A partir de 13 de março, alvejadas as instalações em Vasylkiv, Odessa e Zaporizhzhia, revelam uma estratégia coordenada de asfixia logística e interrupção de fluxos, visando degradar a capacidade ucraniana de sustentar as frentes de combate físico.

A avaliação estratégica desses movimentos combinados foca em três eixos principais:

Paralisação da Rede Ferroviária e Energética. Como o transporte ferroviário é a espinha dorsal da exportação de grãos e abastecimento de tropas (munições e equipamentos pesados), o corte de energia em Odessa e os danos em entroncamentos ferroviários dificultam o envio de reservas para o Leste, o Sul e o exterior.

O ataque em Vasylkiv visou especificamente neutralizar: locais de treinamento e lançamento de drones de longo alcance. Ao atingir essa infraestrutura, a Rússia tenta reduzir a capacidade da Ucrânia de contra-atacar as linhas de suprimento russas, protegendo fluxos logísticos.

A degradação da sustentação com ataque a infraestrutura civil em Zaporizhzhia e arredores, utilizando bombas guiadas, parece tática para tornar crítico o abastecimento local, inviabilizando o apoio a qualquer avanço territorial, em um momento em que a Ucrânia tentava recuperar território em Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia, ainda que no final, em um inverno particularmente rigoroso de temperaturas geladas, neve tornando-se lama, os ataques à infraestrutura energética, tornando este um dos momentos mais difíceis da guerra, temperando o moral das tropas e do povo.

O foco na infraestrutura do oleoduto Odessa-Brody e em instalações de energia visou produzir déficit de combustível e eletricidade. Sem energia estável, a manutenção de equipamentos na retaguarda e a rapidez do trânsito logístico são severamente comprometidas, forçando a Ucrânia a priorizar recursos escassos.

A combinação desses ataques revela uma estratégia focada em destruição de equipamentos, neutralização de pessoal especializado e destruição de recursos para exaurir capacidades de luta. Em vez de batalhas decisivas ou manobras rápidas uma guerra em busca da vitória pelo cansaço, moral baixo e esgotamento econômico do oponente.

Transformando o conflito em uma guerra de atrição logística, a Rússia promove dificuldades estruturais para a Ucrânia levar suprimentos até a "ponta da linha" e mesmo se relacionar com o exterior através de toda a Frente Leste, a única que dá saída soberana ao mar, o que amplia os fatores limitadores para as operações de defesa e contraofensiva, impactando severamente os eixos de exportação e as rotas de suprimento, criando um cenário de "estrangulamento" logístico.

Na outra ponta do mapa, a Oeste, a estratégia de liquidação ou paralisação temporária de meios, foca no tráfego ferroviário de ajuda militar e civil vindo do Ocidente, que enfrenta interrupções críticas devido a danos nas redes ferroviárias na Polônia e Ucrânia que agravam o já problemático transbordo da carga transportada determinado pela diferença de bitolas dos dois países. Foram registradas explosões em linhas ferroviárias essenciais na Polônia, especificamente em rotas que ligam Varsóvia ao sudeste do país e à fronteira ucraniana.

A Polônia se diz o principal alvo de uma campanha de sabotagem e guerra híbrida russa na Europa. De acordo com relatórios de março de 2026, o país teria registrado cerca de 21% de todos os casos de sabotagem atribuídos a Rússia identificados no continente desde 2022.

As principais frentes dessa agressão incluiriam atos de sabotagem e espionagem. Em meados de março de 2026, as autoridades polonesas investigavam explosões e danos em linhas ferroviárias no sudeste do país, cruciais para o transporte de ajuda à Ucrânia. O governo classificou esses atos como "terrorismo de Estado". Nove pessoas foram presas sob suspeita de trabalhar para serviços especiais russos, planejando incêndios criminosos e agressões físicas em território polonês.

A Polônia e outros países da OTAN interceptaram encomendas contendo compostos inflamáveis enviadas para depósitos de logística (como a DHL), em um plano atribuído à inteligência russa para causar caos e testar vulnerabilidades.

Em setembro de 2025 ocorrera uma invasão massiva de pelo menos 19 drones espiões russos no espaço aéreo polonês, alguns penetrando centenas de quilômetros. O incidente levou a Polônia a acionar o Artigo 4 da OTAN para consultas de emergência. Em 17 de março de 2026, caças MiG-29 poloneses interceptaram um avião espião russo sobre o Mar Báltico.

A Polônia ainda mantém alerta máximo na fronteira com Belarus, acusando o governo vizinho e a Rússia de orquestrar uma crise migratória para desestabilizar o país.

Em janeiro de 2026, um ciberataque russo teria atingido o sistema energético polonês, chegando perto de causar um apagão nacional.

A Polônia respondeu elevando seus investimentos em defesa para mais de 5% do PIB e reforçando a presença militar nas fronteiras Leste e Norte (Kaliningrado).

A reação da OTAN aos ataques e sabotagens russas foram uma combinação de alerta máximo, mobilização aérea e o lançamento de novas operações de vigilância no flanco leste.

Em 14 de março de 2026, a Polônia e a OTAN colocaram aeronaves em alerta máximo após os ataques russos massivos na Ucrânia, a poucos quilômetros da fronteira polonesa. No dia 16 de março, caças F-16 e Eurofighter foram mobilizados para proteger o espaço aéreo da Romênia após detecção de drones próximos à fronteira.

A aliança está implementando a Operação "Sentinela do Leste" (Eastern Sentry) para reforçar as defesas aéreas integradas, enviando mais tropas, artilharia e sistemas de defesa (como os Patriots alemães) para países como Polônia e Lituânia. O objetivo é impedir que provocações com drones russos "normalizem" violações de território soberano de países do pacto atlântico.

Em consequência do cenário, a OTAN emitiu alertas severos à Rússia para que cesse atividades de sabotagem híbrida, ameaçando com "respostas assimétricas caso novos ataques contra infraestruturas críticas (como trilhos ou cabos submarinos) resultem em vítimas fatais”.

A Rússia intensificara ataques para paralisar a rede ferroviária ucraniana em 13 de março de 2026. Como o sistema de Kiev depende de eletricidade e possui bitolas diferentes das europeias, os danos em subestações de energia tornam o transbordo na fronteira extremamente lento.

A situação agrava o já precário fluxo de grãos em estado de alerta máximo devido aos ataques diretos à infraestrutura de Odessa. Bombardeios recentes atingiram armazéns de exportação e terminais portuários na região de mais intensos combates físicos por território, o que pode impedir a saída de milhões de toneladas de grãos.

Ataques à infraestrutura russa: A Ucrânia tem focado em atacar a infraestrutura de exportação de petróleo e combustíveis da Rússia, paralisando portos como Novorossiysk e atingindo petroleiros da "frota fantasma" russa no Mar Negro e no Mediterrâneo. Embora não seja um grande exportador de petróleo bruto, a Ucrânia possui exportações de carvão, produtos químicos, aço e alguns produtos petrolíferos.

Desde a invasão russa, a logística marítima ucraniana no Mar Negro foi severamente comprometida, tornando o embarque de petróleo bruto ucraniano inviável em larga escala

Com a ameaça constante aos portos principais, a Ucrânia busca escoar a produção pelos portos do rio Danúbio, alternativa estratégica para acessar o Mar Negro e escoar exportações (especialmente grãos) diante do bloqueio parcial e ataques esporádicos aos grandes portos de Odessa. 

Embora o Danúbio não substitua totalmente a capacidade de Odessa, ele funciona como uma rota vital de sobrevivência econômica através da fronteira com a Romênia e Moldávia, o que implica em um xadrez novo e arriscado, perturbado ainda pelas bitolas diferenciadas. Esta via tem capacidade significativamente menor do que os portos oceânicos.

A Ucrânia busca utilizar principalmente os portos fluviais de Izmail, Reni e Kiliia, localizados no extremo sudoeste do país, às margens do Danúbio.  Os produtos são carregados em barcaças nesses portos e transportados rio abaixo. Eles navegam por águas territoriais da Romênia (país membro da OTAN), fator que oferece uma camada extra de segurança contra ataques navais diretos. Grande parte da carga segue até o porto romeno de Constanta, no Mar Negro, onde é transferida para navios cargueiros maiores que seguem para o mercado global.

Desde o início da guerra, o volume de carga nesses portos fluviais aumentou significativamente, chegando a transportar milhões de toneladas por mês quando as rotas marítimas principais estavam totalmente interrompidas

A ONU e a UE discutem modelos de proteção para garantir a segurança alimentar, buscando replicar o sucesso passado da Iniciativa de Grãos do Mar Negro em outros contextos globais.

O Acordo de Grãos do Mar Negro (ou Iniciativa de Grãos do Mar Negro), que era mediado pela ONU e pela Turquia, não existe mais formalmente desde julho de 2023, quando a Rússia se retirou unilateralmente do pacto. 

Atualmente, a situação das exportações ucranianas pelo Mar Negro funciona pelo Corredor Humanitário Independente, estabelecido pela Ucrânia que alcança as costas marítimas da Romênia e Bulgária (águas territoriais da OTAN) para evitar o bloqueio russo em mar aberto.

Um Cessar-fogo Setorial em março de 2025 focava em não atacar infraestruturas de energia e garantir a navegação segura de cargueiros de grãos e fertilizantes.

Apesar dos riscos e de ataques pontuais a portos como Odesa e Izmail, a Ucrânia conseguiu retomar volumes significativos de exportação através dessa nova rota costeira e dos portos fluviais do Danúbio.

Embora a logística tenha se adaptado, a produção de grãos da Ucrânia na safra 2024-2025 foi uma das menores em uma década devido à redução das áreas de plantio causada pela guerra. 

A Rússia condiciona o retorno a um acordo formal pleno à suspensão de sanções que dificultam seus próprios pagamentos e seguros agrícolas (como a reintegração ao sistema SWIFT).

Em ambos os cenários das duas guerras, como visto nos casos de Odessa e no Estreito de Ormuz a estratégia deixa de focar exclusivamente na conquista territorial para priorizar a interdição de fluxos vitais, o que transforma a infraestrutura civil de energia e transportes e os dados digitais nos campos de batalha decisivos deste segundo quarto do século 21.

Twitter Updates

    follow me on Twitter