01 fevereiro, 2026

Rio Tapajós, uma "estrada de água" x um território de vida e subsistência.

Hoje, 1º de fevereiro de 2026, a ocupação do porto da Cargill em Santarém completa seu 10º dia consecutivo. A mobilização de lideranças indígenas de 14 povos do Baixo Tapajós e movimentos sociais permanece firme, impedindo o fluxo logístico normal da multinacional. O Bloqueio Total iniciou no sábado, 31, quando centenas de manifestantes intensificaram atos na entrada principal da unidade pela Avenida Cuiabá, em Santarém e também promoveram nova Barqueata de Resistência em reforço ao protesto, buscando a união das comunidades ribeirinhas contra a dragagem e concessão de trechos de navegação no  Rio Tapajós à inciativa privada. Lideranças do movimento declararam que não aceitam negociar termos de consulta enquanto o decreto não for revogado. Argumentam que os editais de licitação do DNIT avançaram sem os devidos Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Denunciam a falta de consulta prévia (conforme a Convenção 169 da OIT) e temem impactos irreversíveis na pesca e no ecossistema. O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) exigem que o governo suspenda o decreto, alegando que a "privatização" do rio ameaça a segurança alimentar e o modo de vida local. O governo defende que o projeto reduzirá custos logísticos para o agronegócio e que as intervenções físicas só ocorrerão após a aprovação de órgãos ambientais. O conflito com os povos indígenas ocorre justamente porque, para a Cargill e autoridades federais o Tapajós é visto como uma "estrada de água", enquanto para as comunidades locais, ele é um território de vida e subsistência.


O governo federal anunciou a criação de uma mesa de conciliação, mas as lideranças indígenas afirmam que só aceitam dialogar se o decreto for suspenso, pois entendem que a "consulta" não pode servir apenas para validar uma decisão que o Estado já tomou. Ministro Guilherme Boulos, chefe da Secretaria-Geral da Presidência, órgão responsável  por mediar conflitos com movimentos sociais e sua equipe técnica estabeleceram contato com lideranças do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) para tentar mediar o levantamento do bloqueio no porto da Cargill em Santarém, Boulos anunciou que levaria as demandas dos indígenas de suspensão do decreto aos ministérios "técnicos" que assinaram a medida, como o Ministério dos Transportes e a Casa Civil. Além de Boulos, a ministra Sonia Guajajara (Povos Indígenas) tem sido soliocitada pelos manifestantes a intervir diretamente junto ao presidente Lula, já que o decreto 12.600/2025 é visto como uma contradição às promessas ambientais do governo.
Os efeitos do Decreto nº 12.600/2025 sobre o acesso aos recursos naturais pelos povos da Amazônia são o ponto central do atual conflito em Santarém e Itaituba. De acordo com as denúncias, os principais impactos na prática são:
Restrição da Pesca Artesanal: A prioridade dada aos grandes comboios de barcaças (que podem chegar a 200 metros de comprimento) cria "zonas de exclusão" e riscos de acidentes, impedindo que pescadores locais lancem suas redes nos canais principais e áreas de remanso.
Alteração do Ciclo Hidrológico: As obras de dragagem (aprofundamento do leito) e derrocamento (explosão de pedrais) modificam o habitat de reprodução dos peixes, afetando a segurança alimentar das comunidades que dependem da proteína do rio.
Ameaça ao Direito de Passagem: Há o receio de que a privatização da gestão do rio resulte em taxas ou restrições de navegação para as pequenas embarcações ("rabetas" e barcos de linha), que são o único meio de transporte para saúde e educação nas comunidades.
Insegurança Territorial: A instalação de portos de apoio e terminais logísticos previstos no projeto atrai a valorização especulativa de terras, pressionando territórios indígenas e quilombolas ainda não homologados.
Impacto na Biodiversidade: A remoção de sedimentos e o aumento do tráfego de cargas pesadas elevam o risco de poluição por combustível e alteram a turbidez da água, essencial para o equilíbrio da fauna aquática local.
A Cargill depende da navegação pelo Eixo Tapajós-Amazonas. O interesse com o Decreto 12.600/2025 é garantir que o rio tenha profundidade constante (via dragagem) para que barcaças maiores circulem mesmo no período de seca extrema.

Os insurgentes de Tapajós enviaram um recado claro a Boulos: não aceitam apenas "conversar" enquanto o decreto estiver valendo. Eles exigem um ato formal de suspensão dos estudos de concessão para liberar totalmente as vias de acesso ao porto.

O governo federal, via DNIT, iniciou processos para contratar estudos ambientais e projetos de dragagem (retirada de sedimentos do fundo do rio) para viabilizar a passagem de grandes comboios de grãos durante todo o ano.

Ministério Público Federal (MPF) não apenas discorda do Decreto 12.600/2025, mas está agindo em frentes judiciais e administrativas para barrar o projeto da hidrovia. O MPF emitiu recomendações formais para órgãos como a Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Semas), o DNIT e a Marinha, exigindo a interrupção de qualquer licenciamento ou edital de dragagem no Rio Tapajós. O argumento é que o governo está avançando com obras sem realizar a Consulta Prévia, Livre e Informada exigida pela Convenção 169 da OIT. O MPF também solicitou a abertura de inquérito policial para investigar se a Cargill e a consultoria responsável pelos estudos ambientais cometeram crimes como falsidade ideológica. A suspeita é de que dados sobre os impactos reais das operações portuárias e da dragagem tenham sido omitidos ou distorcidos. 
Apesar da pressão, em 19 de janeiro de 2026, a Justiça Federal negou um pedido de suspensão liminar da dragagem que havia sido solicitado por movimentos sociais. Isso gerou a revolta que culminou na ocupação atual. Até hoje, não há uma ordem de desocupação definitiva sendo executada.

A aplicação do Decreto Federal nº 12.600/2025 foca na estruturação da Hidrovia do Rio Tapajós para concessão à iniciativa privada. O decreto incluiu o trecho de 250 km entre Itaituba e a foz no Rio Amazonas, em Santarém, no Programa Nacional de Desestatização (PND). 

A área de interesse da Cargill em Santarém é estratégica por ser o "ponto de saída" do chamado Arco Norte, conectando o Centro-Oeste brasileiro ao mercado internacional (Europa e China) de forma muito mais barata que pelos portos do Sul e Sudeste. Localizado na foz do Rio Tapajós, é um dos maiores terminais de transbordo do país. Ele recebe grãos que chegam via barcaças e os carrega em navios transoceânicos. O foco quase exclusivo da operação da Cargill na região são as commodities agrícolasSoja: O principal produto. Originada majoritariamente do Mato Grosso (via BR-163 até Miritituba) e também de polos produtores no próprio Pará. 
Com a hidrovia estruturada pelo decreto, a Cargill reduziria o Custo Logístico, uma vez que  transporte por caminhões é até três vezes mais caro que o por barcaças.
O problema da navegação nas épocas de seca, quando as barcaças circulam com apenas 50% ou 60% da carga para não encalhar, seria contornado pela dragagem prevista no decreto, que viabilizaria a navegação em carga máxima o ano todo, garantido aumento aumentando dos lucros da multinacional.
O decreto prevê que as concessões trarão sinalização e segurança, mas as lideranças locais afirmam que estão ignorando o Protocolo de Consulta Prévia, violando a Convenção 169 da OIT ao decidir sobre o destino do rio sem a participação dos povos que o habitam
Protocolo de Consulta é um conjunto de regras criado pelos próprios povos indígenas e comunidades tradicionais para definir como o governo deve dialogar com eles antes de tomar decisões que afetem seus territórios e modos de vida. 
Os povos indígenas de Santarém e região denunciam que o governo não realizou a consulta antes de publicar o Decreto Federal nº 12.600/2025.  Durante a COP30, ano passado, o governo federal sinalizou compromisso com os protocolos, mas publicou o decreto incluindo o Rio Tapajós no plano de concessões, sem ouvir as comunidades locais.
Devido à ausência da consulta, o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) e outras 14 etnias estão em pé de guerra, ocupando portos e realizando barqueatas em Santarém para exigir a revogação imediata do decreto até que o processo legal de consulta seja respeitado. 
Ele baseia-se na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que exige que a consulta seja: 
  1. Livre: sem pressão ou ameaças.
  2. Prévia: antes de qualquer ato administrativo ou obra ser aprovada.
  3. Informada: com acesso total e em linguagem clara sobre os impactos do projeto. 
No último domingo (25/01/2026), o MPF atuou diretamente na mediação entre as lideranças do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) e os órgãos federais para evitar um confronto violento na ocupação da Cargill. O órgão protocolou pedidos à Justiça Federal para que seja reconhecida a ilegalidade do decreto devido à falta de estudos de impacto climático e social específicos para a bacia do Tapajós. 

    A situação no local é de vigília permanente, com os indígenas recebendo apoio de sindicatos locais e organizações para a manutenção do acampamento com água e alimentação. 
    Abaixo estão as posições oficiais das partes diretamente envolvidas no impasse em Santarém:
    1. Posição da Cargill
    Cargill, em notas recentes, tem adotado uma postura de cautela jurídica. A empresa afirma que:
    • Segurança e Logística: A prioridade é garantir a integridade de seus funcionários e a segurança das operações portuárias, que estão severamente impactadas pelo bloqueio.
    • Cumprimento da Lei: Sustenta que opera em conformidade com as licenças vigentes e que a discussão sobre o Decreto 12.600/2025 e as concessões de hidrovias é uma responsabilidade do Estado Brasileiro.
    • Diálogo: Declara-se aberta ao diálogo institucional, mas evita confrontar diretamente as pautas indígenas para não escalar a tensão no local.
    2. Posição do Ministério dos Transportes e DNIT
    O governo federal, por meio do Ministério dos Transportes, defende a manutenção do decreto sob os seguintes argumentos:
    • Interesse Nacional: Alega que a hidrovia é essencial para reduzir o "custo Brasil" e a emissão de carbono, substituindo caminhões por barcaças no escoamento da safra.
    • Fase de Estudos: O ministério sustenta que a inclusão no PND (Programa Nacional de Desestatização) é apenas uma etapa administrativa para realizar estudos, e que a consulta aos povos indígenas ocorreria em um momento posterior, antes do leilão final.
    • Modernização: O DNIT reforça que as intervenções (dragagem e sinalização) trarão segurança para todos os navegantes, incluindo as populações locais.
    3. O "Nó" Jurídico
    O conflito reside no fato de que o Ministério Público Federal (MPF) entende que a Consulta Prévia deveria ter ocorrido antes da assinatura do decreto e do edital de estudos, e não depois. Para o MPF, publicar o decreto sem ouvir os povos é uma violação de direitos que torna o ato ilegal.
    Status de hoje: O porto segue parado para embarques de soja e milho, e a tensão aumenta com a chegada de mais contingentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na região para monitorar os bloqueios na BR-163 (Avenida Cuiabá).

    A aplicação do Decreto Federal nº 12.600/2025 foca na estruturação da Hidrovia do Rio Tapajós para concessão à iniciativa privada. O decreto incluiu o trecho de 250 km entre Itaituba e a foz no Rio Amazonas, em Santarém, no Programa Nacional de Desestatização (PND). 



    31 janeiro, 2026

    Ação repressiva da milícia da imigração expõe mudança estratégica de Donald Trump

    As manifestações contra as políticas de imigração do governo Trump se espalharam por todos os Estados Unidos na última semana de janeiro de 2026, culminando em uma convocação de paralisação geral em diversas metrópoles. O cenário é de mobilização intensa, especialmente em estados com grandes populações imigrantes e lideranças democratas que resistem à cooperação com o governo federal. O conjunto da ação repressiva da milícia da imigração expõe uma mudança estratégica no comando das operações de campo que se aproxima das organizações paramilitares capazes de impor condutas aos cidadãos e ter papel nas eleições de meio de mandato em 3 de novembro, quando Trump teme perder a maioria republicana nas casas legislativas e inviabilizar projetos de terceiro mandato.

         Foto: Rolling Stone. Nova Iorque realizou uma das maiores manifestações contra a deportação trumpista.
           “Fora ICE”, exigiram os manifestantes na ruas dem pelo menos 25 grandes cidades.

    Na Califórnia - em Los Angeles e San Francisco -, milhares de pessoas foram às ruas em protestos marcados pela presença de figuras públicas e ativistas. Em Los Angeles, a polícia chegou a usar bombas de efeito moral para dispersar manifestantes que cercavam prédios federais. Em Illinois, a cidade de Chicago registrou marchas massivas exigindo que a polícia local impeça as batidas do ICE. Há relatos de cidadãos formando "cordões humanos" para bloquear veículos de transporte de detidos. Em Nova York, as manifestações se concentraram na Foley Square e em frente a centros de processamento de imigrantes denunciando o aumento da militarização das agências de imigração. No Texas, um estado majoritariamente republicano, Houston e El Paso tiveram protestos sob o lema "Nenhum filho de Deus é ilegal" e o governador Greg Abbott mobilizou a Guarda Nacional para reforçar o policiamento preventivo nessas áreas.

    A ocupação federal de Mineápolis, o assassinato de Renê Nicole Gold, do enfermeiro Alex Pretti, a prisão de criança que voltava sozinha da escola e a detenção do jornalistas Don Lemon e Georgia Fort intensificaram manifestações contra a ação miliciana do ICE, acelerando marchas em centros urbanos e até áreas rurais. também porque as populaões das outras cidades temem intervenções semelhantes. os jornalistas foram presos enquanto cobriam batidas do ICE em bairros residenciais. O governo alegou que eles estavam "obstruindo operações federais". Um juiz distrital em Minnesota emitiu liminar ordenando a soltura imediata dos profissionais, afirmando que o governo estava usando táticas de intimidação para impedir que o público visse as condições das detenções domiciliares.

    Organizações de direitos civis convocaram uma paralisação nacional a partir da sexta-feira 30 de janeiro visando parar setores de serviços e construção para pressionar o governo a retirar os agentes federais das ruas. Trump tem rotulado os milhares de manifestantes como "agitadores profissionais" e pressiona o Congresso para aprovar leis que criminalizem as "cidades santuário", alegando que a recusa de cooperação das autoridades locais está gerando o caos.
    A situação permanece volátil, a ponto de a ONU ter se manifestado por uma "desescalada" na repressão aos protestos enquanto novas marchas são planejadas para este fim de semana.

    Mineápolis é ainda o epicentro do conflito entre o governo federal e as chamadas "cidades santuário", uma crise institucional sem precedentes. Na prática, Mineapolis vive uma ocupação. O governo Trump enviou cerca de 1.500 agentes federais (oficiais do ICE e da Patrulha de Fronteira) para uma cidade que possui apenas 600 policiais municipais em serviço ativo. O prefeito Jacob Frey classificou a medida como uma "invasão política" destinada a punir cidades que se recusaram a colaborar com as deportações em massa. A prefeitura e o governo do Minnesota processam judicialmente a administração federal, alegando que o volume de agentes federais nas ruas subordinou a autoridade local e paralisou o policiamento comunitário.

    Assim também, Trump promoveu a substituição de quadros de carreira pública por nomeações. Oficiais de carreira do ICE que questionaram a legalidade de prender crianças em Mineapolis foram substituídos por comandantes alinhados ideologicamente com a Casa Branca. Para compensar a resistência interna em agências federais, o governo expandiu contratos com empresas de segurança privada para realizar o transporte e a custódia armada dos detidos. Embora não tenham poder de prisão legal, esses "mercenários" foram vistos operando perímetros de segurança, gerando críticas sobre o uso de força paramilitar sem prestação de contas pública. Enquanto o governo federal inundava a cidade com agentes, a polícia municipal de Mineapolis enfrenta uma redução drástica de sua eficácia:. Os 600 policiais locais foram orientados pela prefeitura a não auxiliar o ICE, o que criou um clima de "guerra fria" nas ruas, onde a polícia municipal e os agentes federais frequentemente entram em conflito sobre jurisdição, deixando crimes comuns em segundo plano. O caso de Mineapolis permanece nos tribunais superiores, sendo usado como o principal argumento para definir se o governo federal pode, de fato, "substituir" a força policial de uma cidade que se opõe às suas políticas migratórias.

    As idas e vindas da política de imigração do segundo mandato de Donald Trump (2025-2026) estão marcadas por uma escalada agressiva na fiscalização interna e na expansão recorde da infraestrutura de detenção. Diferente do mandato anterior, focado na fronteira, o governo atual intensificou a detenção de famílias dentro do país. O governo reabriu e adaptou centros no Texas (como Karnes e Dilley) para prender pais e filhos juntos, revertendo a política da era Biden. Entre janeiro e outubro de 2025, o ICE registrou a entrada de cerca de 3.800 menores em centros de detenção familiar, incluindo crianças de um e dois anos. Embora o Acordo Flores* limite o tempo de detenção de menores, a administração tem usado brechas para manter famílias custodiadas enquanto promovem a deportação acelerada. De outra parte, a condução da política migratória tornou-se um negócio multibilionário para empresas privadas, que operam grande parte do sistema. Companhias como o GEO Group e a CoreCivic receberam centenas de milhões de dólares em novos contratos para gerir o aumento da população detida, que saltou de 40 mil para mais de 66 mil pessoas em um ano.
    Empresas como a Palantir (análise de dados para batidas policiais) e a Fisher Sand & Gravel (construção do muro) lucraram bilhões com o orçamento de imigração.

    A justiça autorizou o uso de tropas para auxiliar agentes federais em operações de fiscalização.
    Há uma fila de cerca de 200.000 inscritos, candidatos ao bônus de R$ 50 mil para reforçar a tropa de campo do ICE. O governo tem testado os limites constitucionais através de memorandos internos e ordens executivas. O ICE recebeu orientações para entrar em residências de imigrantes sem mandado judicial, baseando-se apenas em documentos administrativos da própria agência.
    Agentes foram autorizados a realizar prisões em locais anteriormente evitados, como igrejas e escolas. Juízes federais, especialmente em Minnesota, relataram que o governo violou ordens judiciais dezenas de vezes só em janeiro de 2026, para manter o ritmo das detenções.
    O governo afirma ter deportado mais de 600.000 pessoas, enquanto outras 1,9 milhão teriam realizado a "autodeportação" sob pressão das novas medidas.
    ____________
    * O Acordo Flores (Flores Settlement Agreement) é uma decisão judicial histórica de 1997 que estabelece padrões nacionais para o tratamento, detenção e liberação de menores imigrantes sob custódia do governo federal dos Estados Unidos.  O acordo surgiu de uma ação coletiva iniciada em 1985 (caso Flores v. Reno) após denúncias de condições desumanas em centros de detenção.
    Suas principais diretrizes incluem: 
    Limite de Detenção: Proíbe que autoridades de imigração mantenham crianças detidas por mais de 20 dias, mesmo quando acompanhadas pelos pais.
    Liberação Prioritária: O governo deve liberar menores "sem demora desnecessária" para pais, parentes adultos ou programas licenciados.
    Condições de Custódia: Exige que as crianças sejam mantidas em instalações seguras e sanitárias, adequadas à sua idade e vulnerabilidade, com acesso a água, comida, assistência médica e educação.
    Ambiente Menos Restritivo: Se a detenção for necessária, ela deve ocorrer no ambiente "menos restritivo possível", geralmente em instalações licenciadas por entidades de bem-estar infantil. 
    Contexto Atual (2026)
    Em janeiro de 2026, o Acordo Flores permanece no centro de debates jurídicos e políticos:
    Tentativas de Encerramento: O governo atual busca rescindir o acordo, argumentando que mudanças na legislação (como o One Big Beautiful Bill Act de julho de 2025, que destinou US$ 45 bilhões para centros de detenção familiar) invalidam a necessidade do controle judicial.
    Disputa Judicial: O caso está sendo analisado pela Corte de Apelações do Nono Circuito (processo Flores v. Bondi), que decidirá se a administração pode substituir o acordo por novas regulamentações federais.
    Impacto das Políticas: Enquanto o acordo estiver em vigor, ele impede a detenção por tempo indefinido de famílias com crianças, o que críticos alegam dificultar o controle da imigração, enquanto defensores veem o acordo como uma salvaguarda essencial contra abusos aos direitos humanos.

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