A sequência em escalada das
guerras na Ucrânia e no Irã em março de 2026 amplia a volatilidade dos preços, mundiais
com os mercados regionais e nacionais monitorando de hora em hora, principal e
primordialmente a segurança de rotas ferroviárias, rodoviárias e marítimas de transporte de grãos, petróleo e gás, radares, bases de ataque e lançamento de drones e mísseis, instalações nucleares. A combinação de ataques a redes elétricas, dutos de petróleo e
gás e à logística de produção, armazenamento e transporte de dados militares ou financeiros, grãos e combustíveis
gera um efeito cascata que encarece o custo de qualquer mercadoria e
pressiona os preços de tudo em todo o mundo. Na guerra, nem a escassez é o limite, nem a paz é objetivo, se o exame percebe a pessoa ou o lucro dos fabricantes de armas.
Drone russo explode em Odessa, em 1º de março de 2026. CNN
O redirecionamento dos fluxos
ucranianos de Odessa para as rotas do Danúbio e fronteiras terrestres não
representa apenas uma manobra de sobrevivência econômica, mas a exposição de
uma nova vulnerabilidade na guerra moderna: a fragilidade dos nós
logísticos. Assim como no Estreito de Ormuz, onde a guerra reiniciada
pelos EUA e Israel contra alegada “ameaça nuclear iraniana” transcende o bloqueio
físico do canal de exportação de óleo, gás e fertilizantes, para atingir ativos
financeiros e sistemas de dados, de radar e bases militares territoriais e
náuticas, através de enxames de drones e guerra cibernética, a ofensiva russa
contra bases e campos de treinos, portos e junções ferroviárias da Ucrânia revela
similar estratégia de estrangulamento sistêmico.
A invasão russa em grande
escala contra a Ucrânia iniciou em 24 de fevereiro de 2022. A operação militar
começou com bombardeios e ataques terrestres, marcando o maior conflito armado
na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Embora a invasão em larga escala seja
de 2022, as tensões começaram em 2014 com a anexação da Crimeia pela Rússia e
com as batalhas de perfil guerra civil nas regiões russófonas do Donbass.
A Ucrânia superou os momentos
de desorganização de um exército pouco profissional com processo de formação e ampliação
acelerado pela urgência. Nessa queima de etapas da formação regular continuada,
incorporou o Batalhão Azov (atualmente Brigada Azov), uma unidade
militar ucraniana com origem em milícia voluntária de extrema-direita ressurgida
em 2014, com histórico de ligações a ideologias neonazistas e supremacistas
brancas em sua formação. Incorporado formalmente ao exército regular da
Ucrânia, o Batalhão Azov tem hoje o status de Guarda Nacional, tendo passado,
segundo informações oficiais, por um processo de "despolitização"
ao longo dos anos, ainda que continue sendo acusado de neonazista pelas raízes
ideológicas.
A principal modernização das
forças militares ucraniana se deram no campo da defesa antiaérea e criação e
operação de drones de defesa e ataque com significativos impactos na guerra
territorial e contra a frota russa no Mar Negro utilizando uma estratégia
assimétrica inovadora, focada na destruição de navios de alto valor com drones
navais e mísseis, forçando a Rússia a optar pelo retirada da força de infantaria
blindada, que chegara as portas de Kiev, e do recuo da frota de Sebastopol na Crimeia
para bases mais distantes, como Novorossiysk.
A atual opção estratégica da
Rússia foca em neutralizar os centros operacionais e a infraestrutura de
energia e transportes.
Praticamente sem marinha
convencional, com o uso de drones, a Ucrânia revolucionou a guerra naval. O
uso de drones de superfície pequenos, rápidos, difíceis de detectar que carregam
cargas explosivas, como o Magura V5 e Sea Baby,
vem sendo a principal arma responsável por afundar ou danificar gravemente
corvetas, navios de desembarque e patrulha. O Neptune, um míssil de fabricação
ucraniana, foi usado no afundamento do cruzador Moskva em
2022. O Harpoon, míssil antinavio fornecidos pela OTAN, opera a partir
de lançadores baseados em terra. O uso de mísseis aéreos de cruzeiro, tipo Storm
Shadow/SCALP, lançados por aeronaves ucranianas Su-24 focaram em alvos
fixos, incluindo a sede da frota em Sebastopol e submarinos no porto.
A Inteligência de Defesa da
Ucrânia (GUR) coordena ataques com drones e colabora com agentes no terreno para
guiar mísseis contra radares, sistemas de defesa aérea (S-400) e centros de
comunicações.
Essas ações resultaram na
neutralização de cerca de 25% a 30% da frota russa, forçando a redução da
presença naval na Crimeia, possibilitando que a Ucrânia retomasse parcialmente
o corredor de grãos.
Em ambos os cenários das duas
guerras, como visto nos casos de Odessa e no Estreito de Ormuz a estratégia
deixa de focar exclusivamente na conquista territorial para priorizar a
interdição de fluxos vitais, utilizando uma coordenação técnica de dados e
bombas, a dos iranianos, possivelmente alimentada por inteligência
compartilhada entre potências do eixo eurasiano, a dos ucranianos alimentada por
países da OTAN, como evidente em Vasylkiv, o que transforma a infraestrutura
civil e os dados digitais nos campos de batalha decisivos deste segundo quarto
do século 21.
Segundo informações recentes, as
forças russas atingiram áreas militares na região de Vasylkiv, ao sul de Kiev,
com foco em infraestrutura de defesa.
Ataques ocorridos do fim de
semana de 14-15 de março de 2026 atingiram um local de treinamento militar
ucraniano que, segundo relatos, estava sendo utilizado para lançar drones de
longo alcance. Relatos indicam a destruição de drones de fabricação francesa e
componentes associados que haviam sido implantados na área de Vasylkiv. A
ofensiva também visou locais de armazenamento de equipamentos militares, com
relatos de baixas entre as tropas ucranianas e possíveis especialistas
estrangeiros na região.
A ação fez parte de uma
campanha mais ampla de mísseis e drones da Rússia, que na mesma época atingiu
infraestruturas energéticas em outras regiões da Ucrânia, em que um dos alvos
específicos foi a infraestrutura do oleoduto Odessa-Brody. Drones atingiram
estações de bombeamento no Sul com o objetivo de interromper o fornecimento de
petróleo não-russo para a Europa (na mesma semana em que os EUA levantavam por
30 dias sanções às exportações de petróleo e gás russos).
Em Odessa, os ataques russos com
drones e mísseis se estenderam pela semana seguinte e focaram intensamente na
infraestrutura crítica portuária, danificando armazéns e sistemas de transporte,
subestações e instalações de energia em toda a região, causando incêndios e
interrupções significativas no fornecimento de eletricidade.
Grupos de drones (estimados em
levas de 15 a 25 unidades, com capacidade tática de cegar radares e baterias antiaéreas)
atingiram alvos descritos como áreas de uso das forças ucranianas na região de
Odessa, visando dificultar a movimentação de reservas para a linha de frente.
Em Zaporizhzhia, os ataques
foram marcados pelo uso de bombas aéreas guiadas e drones, atingindo também infraestrutura
civil.
Relatos atualizados indicam
que a situação na Usina Nuclear de Zaporizhzhia (ocupada e mantida sob controle
russo desde o início da guerra) permanecia estável, operando via linha de alta
tensão, apesar do contexto de hostilidades na região.
Estes bombardeios ocorrem
combinados com intensificação da ofensiva russa contra grandes centros urbanos
e redes de energia ucranianas. A partir de 13 de março, alvejadas as instalações
em Vasylkiv, Odessa e Zaporizhzhia, revelam uma estratégia coordenada de
asfixia logística e interrupção de fluxos, visando degradar a capacidade
ucraniana de sustentar as frentes de combate físico.
A avaliação estratégica desses
movimentos combinados foca em três eixos principais:
Paralisação da Rede
Ferroviária e Energética. Como o transporte ferroviário é a espinha dorsal da
exportação de grãos e abastecimento de tropas (munições e equipamentos
pesados), o corte de energia em Odessa e os danos em entroncamentos
ferroviários dificultam o envio de reservas para o Leste, o Sul e o exterior.
O ataque em Vasylkiv visou
especificamente neutralizar: locais de treinamento e lançamento de drones de
longo alcance. Ao atingir essa infraestrutura, a Rússia tenta reduzir a
capacidade da Ucrânia de contra-atacar as linhas de suprimento russas,
protegendo fluxos logísticos.
A degradação da sustentação
com ataque a infraestrutura civil em Zaporizhzhia e arredores, utilizando
bombas guiadas, parece tática para tornar crítico o abastecimento local,
inviabilizando o apoio a qualquer avanço territorial, em um momento em que a
Ucrânia tentava recuperar território em Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia, ainda que
no final, em um inverno particularmente rigoroso de temperaturas geladas, neve
tornando-se lama, os ataques à infraestrutura energética, tornando este um dos
momentos mais difíceis da guerra, temperando o moral das tropas e do povo.
O foco na infraestrutura do
oleoduto Odessa-Brody e em instalações de energia visou produzir déficit de
combustível e eletricidade. Sem energia estável, a manutenção de equipamentos
na retaguarda e a rapidez do trânsito logístico são severamente comprometidas,
forçando a Ucrânia a priorizar recursos escassos.
A combinação desses ataques revela
uma estratégia focada em destruição de equipamentos, neutralização de pessoal
especializado e destruição de recursos para exaurir capacidades de luta. Em vez
de batalhas decisivas ou manobras rápidas uma guerra em busca da vitória pelo
cansaço, moral baixo e esgotamento econômico do oponente.
Transformando o conflito em
uma guerra de atrição logística, a Rússia promove dificuldades estruturais para
a Ucrânia levar suprimentos até a "ponta da linha" e mesmo se
relacionar com o exterior através de toda a Frente Leste, a única que dá saída soberana
ao mar, o que amplia os fatores limitadores para as operações de defesa e contraofensiva,
impactando severamente os eixos de exportação e as rotas de suprimento, criando
um cenário de "estrangulamento" logístico.
Na outra ponta do mapa, a
Oeste, a estratégia de liquidação ou paralisação temporária de meios, foca no tráfego
ferroviário de ajuda militar e civil vindo do Ocidente, que enfrenta
interrupções críticas devido a danos nas redes ferroviárias na Polônia e Ucrânia
que agravam o já problemático transbordo da carga transportada determinado pela
diferença de bitolas dos dois países. Foram registradas explosões em linhas
ferroviárias essenciais na Polônia, especificamente em rotas que ligam Varsóvia
ao sudeste do país e à fronteira ucraniana.
A Polônia se diz
o principal alvo de uma campanha de sabotagem e guerra híbrida russa na Europa.
De acordo com relatórios de março de 2026, o país teria registrado cerca de 21%
de todos os casos de sabotagem atribuídos a Rússia identificados no continente
desde 2022.
As principais frentes dessa
agressão incluiriam atos de sabotagem e espionagem. Em meados de março de 2026,
as autoridades polonesas investigavam explosões e danos em linhas ferroviárias
no sudeste do país, cruciais para o transporte de ajuda à Ucrânia. O governo
classificou esses atos como "terrorismo de Estado". Nove pessoas
foram presas sob suspeita de trabalhar para serviços especiais russos,
planejando incêndios criminosos e agressões físicas em território polonês.
A Polônia e outros países da
OTAN interceptaram encomendas contendo compostos inflamáveis enviadas para
depósitos de logística (como a DHL), em um plano atribuído à inteligência russa
para causar caos e testar vulnerabilidades.
Em setembro de 2025 ocorrera
uma invasão massiva de pelo menos 19 drones espiões russos no espaço aéreo
polonês, alguns penetrando centenas de quilômetros. O incidente levou a Polônia
a acionar o Artigo 4 da OTAN para consultas de emergência. Em 17 de março de
2026, caças MiG-29 poloneses interceptaram um avião espião russo sobre o Mar
Báltico.
A Polônia ainda mantém alerta
máximo na fronteira com Belarus, acusando o governo vizinho e a Rússia de
orquestrar uma crise migratória para desestabilizar o país.
Em janeiro de 2026, um
ciberataque russo teria atingido o sistema energético polonês, chegando perto
de causar um apagão nacional.
A Polônia respondeu elevando
seus investimentos em defesa para mais de 5% do PIB e reforçando a presença
militar nas fronteiras Leste e Norte (Kaliningrado).
A reação da OTAN
aos ataques e sabotagens russas foram uma combinação de alerta máximo,
mobilização aérea e o lançamento de novas operações de vigilância no flanco
leste.
Em 14 de março de 2026, a
Polônia e a OTAN colocaram aeronaves em alerta máximo após os ataques russos
massivos na Ucrânia, a poucos quilômetros da fronteira polonesa. No dia 16 de
março, caças F-16 e Eurofighter foram mobilizados para proteger o espaço aéreo
da Romênia após detecção de drones próximos à fronteira.
A aliança está implementando a
Operação "Sentinela do Leste" (Eastern Sentry) para reforçar as
defesas aéreas integradas, enviando mais tropas, artilharia e sistemas de
defesa (como os Patriots alemães) para países como Polônia e Lituânia. O
objetivo é impedir que provocações com drones russos "normalizem"
violações de território soberano de países do pacto atlântico.
Em consequência do cenário, a
OTAN emitiu alertas severos à Rússia para que cesse atividades de sabotagem
híbrida, ameaçando com "respostas assimétricas caso novos ataques contra
infraestruturas críticas (como trilhos ou cabos submarinos) resultem em vítimas
fatais”.
A Rússia intensificara ataques
para paralisar a rede ferroviária ucraniana em 13 de março de 2026. Como o
sistema de Kiev depende de eletricidade e possui bitolas diferentes das
europeias, os danos em subestações de energia tornam o transbordo na fronteira
extremamente lento.
A situação agrava o já
precário fluxo de grãos em estado de alerta máximo devido aos ataques diretos à
infraestrutura de Odessa. Bombardeios recentes atingiram armazéns de exportação
e terminais portuários na região de mais intensos combates físicos por
território, o que pode impedir a saída de milhões de toneladas de grãos.
Ataques à infraestrutura
russa: A Ucrânia tem focado em atacar a
infraestrutura de exportação de petróleo e combustíveis da Rússia, paralisando
portos como Novorossiysk e atingindo petroleiros da "frota fantasma"
russa no Mar Negro e no Mediterrâneo. Embora não seja um grande exportador de
petróleo bruto, a Ucrânia possui exportações de carvão, produtos químicos, aço
e alguns produtos petrolíferos.
Desde a invasão russa, a
logística marítima ucraniana no Mar Negro foi severamente comprometida,
tornando o embarque de petróleo bruto ucraniano inviável em larga escala
Com a ameaça constante aos
portos principais, a Ucrânia busca escoar a produção pelos portos do rio
Danúbio, alternativa estratégica para acessar o Mar Negro e escoar
exportações (especialmente grãos) diante do bloqueio parcial e ataques esporádicos
aos grandes portos de Odessa.
Embora
o Danúbio não substitua totalmente a capacidade de Odessa, ele funciona como
uma rota vital de sobrevivência econômica através da fronteira
com a Romênia e Moldávia, o que implica em um xadrez novo e arriscado, perturbado
ainda pelas bitolas diferenciadas. Esta via tem capacidade significativamente
menor do que os portos oceânicos.
A
Ucrânia busca utilizar principalmente os portos fluviais de Izmail, Reni e Kiliia,
localizados no extremo sudoeste do país, às margens do Danúbio. Os produtos são carregados em barcaças nesses
portos e transportados rio abaixo. Eles navegam por águas territoriais da Romênia (país
membro da OTAN), fator que oferece uma camada extra de segurança contra ataques
navais diretos. Grande parte da carga segue até o porto romeno de Constanta,
no Mar Negro, onde é transferida para navios cargueiros maiores que seguem para
o mercado global.
Desde
o início da guerra, o volume de carga nesses portos fluviais aumentou significativamente,
chegando a transportar milhões de toneladas por mês quando as rotas marítimas
principais estavam totalmente interrompidas
A ONU e a UE discutem modelos
de proteção para garantir a segurança alimentar, buscando replicar o sucesso
passado da Iniciativa de Grãos do Mar Negro em outros contextos globais.
O Acordo de Grãos do
Mar Negro (ou Iniciativa de Grãos do Mar Negro), que era
mediado pela ONU e pela Turquia, não existe mais formalmente desde
julho de 2023, quando a Rússia se retirou unilateralmente do pacto.
Atualmente, a situação das
exportações ucranianas pelo Mar Negro funciona pelo Corredor Humanitário
Independente, estabelecido pela Ucrânia que alcança as costas marítimas da Romênia
e Bulgária (águas territoriais da OTAN) para evitar o bloqueio russo
em mar aberto.
Um Cessar-fogo Setorial em março
de 2025 focava em não atacar infraestruturas de energia e garantir
a navegação segura de cargueiros de grãos e fertilizantes.
Apesar dos riscos e de ataques
pontuais a portos como Odesa e Izmail, a Ucrânia conseguiu retomar volumes
significativos de exportação através dessa nova rota costeira e dos portos
fluviais do Danúbio.
Embora a logística tenha se
adaptado, a produção de grãos da Ucrânia na safra 2024-2025 foi uma das menores
em uma década devido à redução das áreas de plantio causada pela guerra.
A Rússia condiciona o retorno
a um acordo formal pleno à suspensão de sanções que dificultam seus próprios
pagamentos e seguros agrícolas (como a reintegração ao sistema SWIFT).
Em ambos os cenários das duas
guerras, como visto nos casos de Odessa e no Estreito de Ormuz a estratégia
deixa de focar exclusivamente na conquista territorial para priorizar a
interdição de fluxos vitais, o que transforma a infraestrutura civil de energia
e transportes e os dados digitais nos campos de batalha decisivos deste segundo
quarto do século 21.