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17 fevereiro, 2013

RESTAM ESTRELAS NO CÉU



Anunciado paraíso tragado pelo abismo
Uma antiga Atlântida soçobrada, nada,
morre na praia o almejado Xangri-Lá.

De atalaia, Cupido morre de dar risada:
outro bobo ferido da morte anunciada.

Cabeça rodando mais que os casais
no Arraial de Isabel, limpa da poeira,
longe da zoeira, a alma sangra mais.

Aflitas acorrem pessoas, aos gritos;
- Não morre, não morre, de amor aflito!
- É porre, é porre, gaito ecoa o pito.

O amor não pede licença, se instala
se acomoda, se arrancha, se assenta.
Dane-se quem ama, se não é amado.
Continua esperando o trem, sentado.

Foi plantar batata, o vento bateu a porta.
Trancado dentro do mundo, fora de casa,
respira pouco e fundo, pouco importa:
Nenhuma fruta caiu do pé agora, José.

É por ser homem e amar que choras,
então não importa mesmo, pois amas
no plural, de modo incondicional, sem
reparar o velho coração rasgado nem.

Segue a senda sendo sem tormento:
evite açúcares, gorduras e fermentos,
beba bom vinho, até antes do porre.
Sim, amas, mas de amor não morres.

Murcha teu ego, como já é tua boca 
e espera na beira do mar a pescar
ou vê a vida passar, breve e louca.

Quando menos por conta te deres,
uma onda te leva na volta da seta.
Sem mapa, nem superpoderes, 
restam ainda nos céus as estrelas.

01 novembro, 2012

Saindo pra viver


No papel de parede da área de trabalho
céu azul anil, leves e brancas nuvens, 
um mar de indizível turmalina também há
próximo e perto mesmo uma solitária ilha 

em seguida um deserto pelo vento varrido
pinheiros nevados em montes escarpados
rochas seculares, fiordes, verde colina
flores, folhas secas, brumas, neblina
um rio limpo e calmo rola seixos e vidas

Como estará o mundo lá fora, agora ?

06 dezembro, 2010

estrelado é

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abraço a árvore agora
ligado a ela fora sempre
da cidade eu ela de fora
a cotovia pousada
...no cotovelo do galho,
a rola enfiada nas folhas
adentra perdiz o matagal
o gramado aparado em pelo
esbugalho os olhos meus
vejo pouco já os teus
de tanto escuro é céu
profundo e salpicado
por aqui pirilampos
fazendo os bordados
estrelada abóbada
uma doce goiabada

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