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17 fevereiro, 2013

RESTAM ESTRELAS NO CÉU



Anunciado paraíso tragado pelo abismo
Uma antiga Atlântida soçobrada, nada,
morre na praia o almejado Xangri-Lá.

De atalaia, Cupido morre de dar risada:
outro bobo ferido da morte anunciada.

Cabeça rodando mais que os casais
no Arraial de Isabel, limpa da poeira,
longe da zoeira, a alma sangra mais.

Aflitas acorrem pessoas, aos gritos;
- Não morre, não morre, de amor aflito!
- É porre, é porre, gaito ecoa o pito.

O amor não pede licença, se instala
se acomoda, se arrancha, se assenta.
Dane-se quem ama, se não é amado.
Continua esperando o trem, sentado.

Foi plantar batata, o vento bateu a porta.
Trancado dentro do mundo, fora de casa,
respira pouco e fundo, pouco importa:
Nenhuma fruta caiu do pé agora, José.

É por ser homem e amar que choras,
então não importa mesmo, pois amas
no plural, de modo incondicional, sem
reparar o velho coração rasgado nem.

Segue a senda sendo sem tormento:
evite açúcares, gorduras e fermentos,
beba bom vinho, até antes do porre.
Sim, amas, mas de amor não morres.

Murcha teu ego, como já é tua boca 
e espera na beira do mar a pescar
ou vê a vida passar, breve e louca.

Quando menos por conta te deres,
uma onda te leva na volta da seta.
Sem mapa, nem superpoderes, 
restam ainda nos céus as estrelas.

29 janeiro, 2013

HÁ ESTRELAS MAIORES QUE O SOL



Li há pouco no Facebook depoimento de integrante ou simpatizante do grupo musical que atuava na Boate Kiss, a que foi incendiada e matou 231 pessoas em Santa Maria.

Impressionou-me o tom anódino do pouco lá escrito sobre as possíveis responsabilidades dos músicos em contraste que me parece grave com a profusão em sequência de argumentos sobre a leniência de autoridades na liberação e fiscalização do ambiente para funcionamento, do que, sim, há fortes indícios, e mesmo provas concretas.

Impactou-me a expressão do justo sentimento de dor pela morte de um dos integrantes do conjunto, mas, muito mais, ao ponto da incredulidade se não estivesse lá com tantas letras escrito, o protesto defensivo de que estão presos dois integrantes do grupo artístico enquanto "o presidente" está solto.

Não chega a dizer o texto, na sequência de argumentos defensivos, que o "presidente", que não foi nominado, seja o responsável pelas mortes na Boate Kiss de Santa Maria.

Li muito rancor por estarem sendo acusados pelo ato irresponsável, mais do que li apreço e admissão da parcela de responsabilidade que possam ter pelas tantas vidas ceifadas.

É só uma leitura minha, no entanto. Não sou juiz daqueles crimes cometidos...

Crimes graves de irresponsabilidade e leniência que não poderão os responsáveis, por motivo fútil ou grave, transferir a quem não os cometeu, seja às vítimas, que decidiram por si entrar na arapuca para a tragédia apenas ainda não marcada, seja aos pais, mães e responsáveis que perderam as pessoas que lá entraram e não puderam escapar, seja "ao presidente" que está solto.

Uma parte fundamental, inescapável e intrínseca ao ato de qualquer pessoa é ela arcar com as consequências do que decide em sã consciência fazer.

Não se pode responsabilizar o sol, que se põem, pela aparição de estrelas, até de maior grandeza, só percebidas porque a noite se faz sem artifícios.

24 janeiro, 2013

ESTRELAS QUE JÁ NÃO SÃO



I
O objetivo de ser é não ser.
É deixar de ser pra ser.
É não apenas parecer,
é mais, cada vez, ser.

II
A conquista na caminhada
não acontece sem trabalho.
A inteligência só existe,
e para alguma razão humana
se para um bem aplicada

[não confundir com esperteza]


III
O expressar-se verdadeiro,
o ser real e inteiro,
o pensado e sentido
enfrentam o dito e escrito.

O que se fala ou se escreve
confronta até suave palavra.

Muralhas barram forte
o alcance dos sentidos.
o percebido, sofrido ou fruído.

IV
Somos sempre seres vários
muitas facetas em um corpo,
que a matéria transforma,
até ela nos transmuda,
que nos conforma ao mudar,
se altera ao nos alterar
é também a alma,
a essência do se encontrar.

V
A bela fotografia fulge lembranças
como brilham as estrelas extintas
Algumas são imaginação minha
outras tantas chegam-me de ti.

Mais combinam com o que sinto
do que as desenhasse eu de punho
Gosto de dizer por escrito
Que gosto que gostes. Fico feliz.


VI
As belezas muitas da existência
não tem própria pertinência,
do mundo é que tem pertença.

Vejo-me em ti, estou contigo.
Assim me vens, comigo estás


VII
Essa partilha singela do belo
é o achado por ti produzido.

- Também achas isso lindo?

Mesmo um dia de chuva fina,
um vento suave na campina,
tão igual ao profundo do mar?

É como um passar de cuia,
suave vai os lábios molhar,
manhã após manhã,
se me beijas ao acordar.

Esse beijo que me dás
quando vens me visitar
transpõe verdes campos e mar,
resulta de persistir, de amar,
de sonhar o que desfrutar

VIII
Chegas tímida, amistosa, solidária
és de fato bela, amiga minha amada,
tal o sol que rompe a madrugada já.

Não há distâncias reais que impeçam
esse encontro das estrelas já findas,
sequer reveladas ainda. Um Xangri-Lá.

Aí é quase aqui. Esse todo, quase nada.

IX

- Assim, prometo, me dizes. Eu aceito.
- O mais belo dos passeios será.
- E como te parece se encontra o amor?

Parece isso um tanto difuso,
sem um propósito e confuso,
sigo repetindo: seja lá qual for,
um mundo acaba a cada segundo.

E outro emerge no encontro do amor

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