Tudo se mudou num repente.
Da algazarra festiva ao silêncio, num átimo.
O peso oco do silêncio detonou a algaravia mesmo de crianças.
Um lufa organizada se sucede.
As mães calam os pequenos, os casais se abraçam, dentro e fora dágua.
Eu temo, meu medo pelo pior se-me impõe dramático retorno a um ano de meu enfarte.
Uma tensão.
Uma grande atenção.
O corpo já está estendido no chão.
Um especialista dá pancadas firmes e ritmadas no peito inanimado.
Tenta recobrar o coração.
A perna esquerda do socorrido é levantada por um outro para tensionar a femoral.
Parece que houve um refluxo, é um comentário.
Há pouco nadava forte, em raia exclusiva.
Piscina curta.
O clube em folguedo.
Medo!
Corre o tempo.
Voa!
Aumenta a tensão, mais o tempo passa.
Quase pânico...
Socorristas acorrem, o beijo tenta inspirar a vida...
Não reanimam ainda o banhista.
Segue a massagem no peito.
Chega enfim a ambulância com equipe especializada em emergência.
Desfibrilador, voltagem alta... nova carga, maca... soro.
Volta o músculo a bater.
Fraco, ainda, após 15 a 20 minutos...
Um tempo interminável de angústia pessoal de todos, do paciente, dos mais próximos aos mais distantes.
Medicamentos outros.
Como chegou em silêncio partiu, para não tonitroar alarde, nem causar comoção.
Tristeza remanescente, burburinhos isolados em pequenos grupos, cochichos, o medo da morte sem aparente razão no meio da própria diversão.
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18 janeiro, 2009
09 janeiro, 2009
20 outubro, 2008
Carta a uma amiga que sofre uma grande perda
Eu não acho estranho que sintas dor, nem que eleve essa dor ao âmago da boa pessoa que és:
Perdemos todos os dias pessoas queridas, pessoas conhecidas, pessoas desconhecidas, perdemos todos os dias, um pouco das nossas vidas, muito dos nossos sonhos, mais ainda da possibilidade de vê-los concretos um dia.
Perdemos todos os dias fios da teia da esperança, perdemos todos os dias, até o nascer do sol, porque estamos ainda dormindo, ou o pôr do sol, porque está chovendo, o céu é cinza, e não saímos a rua para molhar os pés.
Perdemos todos os dias o que ganhamos todos os dias, e não vou ser insensível: perdemos em muitos dessses dias pessoas por demais queridas, jamais possíveis de serem por outras pessoas substituídas, porque com elas perdemos parte das nossas vidas, grandes pedaços de nossas almas com parte mesma da nossa carne.
As vidas que ganhamos e reproduzimos devemos sempre elevar, todos os dias, por beijos, por abraços, por palavras doces, por carinhos, para que nos sobrem as boas lembranças sobre as más recordações, para que deixemos ao partir saudades de bons momentos, de amizade, de amor, de alegria aos que sobreviverem a nós.
O que posso dizer a mais é que devemos sempre celebrar incondicionalmente a vida!
Perdemos todos os dias pessoas queridas, pessoas conhecidas, pessoas desconhecidas, perdemos todos os dias, um pouco das nossas vidas, muito dos nossos sonhos, mais ainda da possibilidade de vê-los concretos um dia.
Perdemos todos os dias fios da teia da esperança, perdemos todos os dias, até o nascer do sol, porque estamos ainda dormindo, ou o pôr do sol, porque está chovendo, o céu é cinza, e não saímos a rua para molhar os pés.
Perdemos todos os dias o que ganhamos todos os dias, e não vou ser insensível: perdemos em muitos dessses dias pessoas por demais queridas, jamais possíveis de serem por outras pessoas substituídas, porque com elas perdemos parte das nossas vidas, grandes pedaços de nossas almas com parte mesma da nossa carne.
As vidas que ganhamos e reproduzimos devemos sempre elevar, todos os dias, por beijos, por abraços, por palavras doces, por carinhos, para que nos sobrem as boas lembranças sobre as más recordações, para que deixemos ao partir saudades de bons momentos, de amizade, de amor, de alegria aos que sobreviverem a nós.
O que posso dizer a mais é que devemos sempre celebrar incondicionalmente a vida!
16 junho, 2008
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