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08 dezembro, 2009

A Hospedaria do Diabo alcança o 31º capítulo e se aproxima de inusitado final

A Hospedaria do Diabo, minha segunda novela, tem já 31 capítulos e penso em terminá-la ainda em dezembro

Já o texto integral da minha primeira novela O Dia do Descanso de Deus continua à disposição do leitor interessado. Download grátis.

Cometida em 2007, foram impressos 1.000 exemplares, de uma primeira edição de autor, já esgotada.


Para o baixamento do arquivo .PDF é necessário ter a versão do acrobat reader 9.2
[ http://www.overmundo.com.br/banco/uma-novela-para-ler-de-graca ].

04 dezembro, 2009

A Hospedaria do Diabo

Chega ao 28º capítulo minha segunda aventura longa. Já está mais pros finalmentes. Devo publicar impressa em 2010, Edição do Autor, por certo. Esse meu segundo livro, de título provisório A Hospedaria do Diabo é uma novela policial.

O Dia do Descanso de Deus, a minha primeira novela, faz mais o gênero tragédia.
Após esgotados os 1.000 exemplares impressos em 2007, disponibilizei grátis na WEB uma edição em .pdf, bastando clicar na capa da publicação aí à esquerda da sua telinha pra chegar ao linque e baixar o arquivo.

28 outubro, 2009

Chilique no baixamento da novela

Entre a palavra e o ato desce a sombra, alertava Gilberto Gil na introdução de uma canção, em 1968.

Tentei disponibilizar ontem na rede uma versão integral em PDF da minha primeira novela
O Dia do Descanso de Deus, esgotados desde janeiro de 2009 os 1000 exemplares da edição do autor.

Deu xabu no baixamento, no entanto.

Estou tentando resolver o chilique que dá o arquivo como corrompido e impede o acesso ao texto.

Talvez só o consiga após o feriado.

Se o quiseres antes, manda um email para adroaldo@portoweb.com.br que te envio uma cópia.

Se conseguir vencer a perengue informática antes, publico aqui.

Aproveitando tua presença, informo que estou finalizando minha segunda novela, também um enredo com amor, ódio, tragédia, suspense, algum horror e um tanto de humor... essas coisas que a vida criativa nos revela diariamente.

A política estará lá, por certo, mas não tem grande presença aberta na trama, ainda que tudo por ela seja regido.
Não sei se o bem vencerá, porque ainda não terminei o roteiro, nem o fim está adivinhado.

Penso chamá-la "A Hospedaria do Diabo".

Dou notícias dela aqui também, tão logo tenha novidades.

A fila anda!

Adroaldo Bauer Corrêa

22 outubro, 2007

Vendidos já 820 exemplares da novela O dia do descanso de Deus. Vou à Feira do Livro de Porto Alegre a partir de sexta, 26


Há uns dois meses, se tanto, disse aqui que estava agradavelmente impactado, lisonjeado até com a repercussão positiva que minha novela vinha tendo entre as pessoas que a têm lido e, muito mais ainda, pelas críticas que a publicação tem recebido.

A idéia de escrever um texto assim foi primeiro para fazer ler em português. E no modo que a nossa língua foi falada e escrita em um tempo já passado, mas ainda próximo, até os anos 1970 do século passado.

A outra idéia forte é que as personagens fossem pessoas que tivessem existência comum e, desde estas circunstâncias, se relacionassem com o que lhes determinava as condutas, ainda que contra as vontades mais singelas de muitas delas: a vontade pela felicidade, o amor e a fraternidade contrariadas pelo ódio, pela tragédia, pela iniqüidade.


Estão vendidos hoje, 22 de outubro, desde o lançamento a público em 31 de maio de 2007, 820 exemplares de uma primeira edição de 1.000.

Frente a ese positivo retorno, planejo uma continuação, um segundo episódio com alguns dos mesmos personagens e herdeiros destes para uma existência temporal até o ano de 1994.

Por que exatamente essa data eu vou tentar explicar no próximo livro. Por enquanto, continuo convidando leitores a conhecerem essa minha primeira novela O dia do descanso de Deus e a dizerem-me aqui o que avaliarem dela.
Agradecido a todas as pessoas que me visitam.

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Concluí já oito capítulos de uma outra novela, A Hospedaria do Diabo. Eles podem ser acessados por único daunlôundi aqui nessa página.

No Capítulo 8 começa a se explicada a prisão do hóspede da cela 66.
Revelam-se algumas razões do irascível diretor da prisão e dão-se a conhecer relações anteriores desse com a polícia e o próprio inspetor Cheguêva.

Capítulo 8
Aquela era uma cena cotidiana, fosse quem o plantonista da emergência da enfermaria do estado-maior-de-grades: o diretor sentado à mesa tipo escrivaninha, ainda de chapéu, de costas para a porta de entrada da sala, como a contemplar o nada numa parede lisa sem um quadro à frente, ouvia o relato das ocorrências do setor, por cinco minutos, às 7h45min.

Fazia o aceno frouxo com a mão direita como o dar até logo a pessoas apenas conhecidas ou para intervalos breves de ausência já de frente para o destino.

E não usava ter quadros na parede às costas de si, como explicava a quem sugerisse enfeitar a sala, como uma ou duas secretarias mais animadas já lhe haviam sugerido, para “não perder de vista a olhada do comparte e não dar motivo de abstraimento, que isso aqui não é recinto de convescote, é sítio de afazeres.”


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Levarei O dia do descanso de Deus a partir dessa semana à Feira do Livro de Porto Alegre, onde pretendo estar diariamente das 18 às 20 horas na Banca da Livraria Nova Roma e, dia 7, em sessão de autógrafos na Livraria do Café do Margs, também ao final da tarde. Aguardo por lá.

25 setembro, 2007

A Hospedaria do Diabo - Capítulo 7








- A senhora tem certeza de que não é trabalho, dona Ofelina? É possível que volte só amanhã pela manhã, mesmo. A gente nunca sabe, não? Depois de tanto tempo, nem sei o que se faz mais em festa...
- Não é trabalho, Carlota, o Zelito é um mimo de criança. Fica tranqüila e vê se te diverte um pouco, que só trabalhar embrutece a alma. Vê se arranja um namorado firme, bonitão e trás ele aqui pra gente conhecer.

A mofa da vizinha tentava desanuviar a tensão que percebia em Carlota, enfiada numa saia tão justa e curta que lhe deixava o par de coxas bronzeado quase todo à mostra. Era uma mini-saia em brim lavado azul, que fez combinar com uma blusinha vermelha esvoaçando solta desde as alças fechadas em laços quase infantis sobre os ombros nus de um moreno conquistado ao sol no tanque de lavar e no estender as roupas no varal ou no quarador. Dali só as tirava ao cair da tarde de todo o dia em que não chovesse.
- Então, desde já fico agradecida e lhe devendo um presente. E tu, guri, cuida da dona Ofelina pra mamãe que já volto, tá bem?
Beijou e abraçou o menino, tapinha na própria testa a dizer que estaria pensando nele, dois beijos de comadre na vizinha e uma rápida volta sobre os calcanhares que fez os sapatos de tênis rangerem no assoalho do alpendre e as duas mulheres e a criança rirem do fato, antes de abanarem-se às mãos em despedida.

Desceu rápido as ruelas do morro, quase todas vazias de adultos àquela hora de início de tarde da sexta-feira feriado, ao encontro da turma de meninas da Avenida, que haviam todas combinado de irem juntas ao parque de diversões. Ela não estranhara o convite das adolescentes, embora já com filho e aos 19 anos, por saber que a consideravam menina, mais por pequenina que por de fato. E, também, por acompanhar à risca a moda da juventude, que conhecia até pelo avesso.
A maioria das jovens da turma era de famílias para quem Carlota lavava e passava trouxas e trouxas de roupa há já quase cinco anos, desde que deixara a pensão em que se alojou ao chegar a cidade e mudou-se para a casinha construída numa ponta de terreno cedida a ela pela futura vizinha Ofelina no cume do morro em que foi morar.
- Eu mesma fiz a casa! – jactava-se Carlota. E a verdade é que a fizera mesmo em parte, ajudada por dois moleques do beco, que subiam os caibros e as folhas de zinco por cordas para o oitão e o telhado. O resto foi tábua e prego, prego e tábua, depois tinta, tinta e tinta, já no último mês do ano que a obra durou. Certo que os alicerces e o conjunto de alvenaria para banheiro e cozinha ela contratou de um pedreiro dali mesmo, que o fez em um sem número de fins de sábados em que não tinha bicos fora do morro. E tudo em troca de um bom chimarrão cevado a capricho, uma rapadura puxa que ela assegurava ser da colônia e, ele muito agradecido a isso, pela roupa sempre bem lavada e passada.

Carlota começava a duvidar ter sido boa idéia aceitar a coação da turma animada para a reunião-dançante após à tarde de domingo no parque com todos aqueles rapazes que se enrabicharam nelas há primeira hora que chegaram ao lugar. Elas todas em mini-saias, tubinhos justos, shortinhos, blusinhas tomara-que-caia transparentes e até camisetas pintadas em casa com desenhos originais resultantes de amarras de cordões enfiadas em baldes de tintas corantes, do tipo daquela do artista do filme de música que ela adorara ter visto e se apaixonara pelo descabelado. Os pés em sapatos de tênis ou sandálias de couro e mesmo de borracha para enfrentar o calor de mais de 30 graus que dera folga ao inverno já quase primavera.
Um loirinho miúdo se arranjou de par e, toda vez que olhava para ele, onde fosse, nos brinquedos ou num banco do parque, estava de olhos encravados nas coxas dela.
- Nunca viu perna de mulher, ô tarado!
O rapaz ficara rubro como a blusa dela em conseqüência da chacota súbita. Sem ligar para o acanhamento, ela convidou o rapaz para andarem juntos na montanha-russa.
Santo remédio. Ele cerrou o semblante em quase pânico. Ela viu-se livre do olhar concupiscente dele pela primeira vez. E para o resto da tarde.
Por pouco não retorna para casa mais cedo e dá fim à festa, quando ele, enjoado e aliviado do medo do brinquedo, vomitou a seus pés na saída da montanha russa. Carlota alcançou-lhe um lenço mínimo que catou numa bolsinha de crochê já um pouco marcado de batom vermelho. Deu-lhe as costas para não pejar ainda mais o estremecido. Condoeu-se, mas ria para si mesma da fragilidade outra vez confirmada por aquele candidato a seu par.
Eunício, era o nome todo do Nisso, como os demais da turma de rapazes o chamavam. Não tinha ainda 18 anos, não prestara serviço militar, estava no segundo Científico. Nascido e criado na Capital, sempre morou na Zona Norte, em um casarão de quadra e meia da Chácara dos Bentos, na Estrada da Pedreira.
Quase um depoimento formal, essa última fala apressada do rapaz a fez parar o questionário, um rosário banal de prestação de contas de onde estudas, já trabalhas, onde moras, de que gostas, sabes dançar, jogas bola, tens namorada, vens sempre aqui...
A música que os dois dançavam, já as mãos dele à cintura dela, as dela à nuca dele, os rostos colados ainda que o suor porejasse das frontes, as pernas quase esmagando umas às outras, roçando leve de quando em vez as pélvis, cessou para ela, embora ambos continuassem a rodar suavemente, cobrindo a extensão da sala, os passos guiados firmes por Nisso, que a conduzia leve tal um mestre-sala, do que ela muito gostara.
A memória dela desandou em turbilhão, como uma fita desenrolada de carretel na matinê, à menção do nome do bairro onde também ela nascera: Estrada da Pedreira... Para todas as pessoas que conheciam Carlota adulta isso era um segredo.

(haverá continuação, mas a novela está ainda em produção)

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