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30 janeiro, 2013
29 dezembro, 2011
Aproveite antes que o mundo acabe!
Meu primeiro livro, a novela de suspense
O dia do descanso de Deus
publicada em 2007, edição impressa esgotada, vai tornar-se e-book em 2012.
[ acesse grátis o e-book na Bookess]
antes do fim da promoção iniciada em outubro de 2010, hoje com mais de 1020 downloads.
Saúde e felicidades no ano novo!
20 dezembro, 2010
O império Bandido tem já 600 exemplares distribuídos.
O tráfico de drogas entranhado no poder de estado constitui a trama da novela policial O Império Bandido. Tem lances imprevistos bem aparentados com a realidade e a vida comum de pessoas que quase conhecemos. Não se as conhece de fato porque não tem sobrenome as personagens.
A alegoria da ficção só perde em brilho pra vida real.
Drama policial, minha segunda novela tem também personagens que amam de modo desprendido, ainda que a perfídia da vida bandida dispute página a página as relações da história.
O Império Bandido, 42 capítulos, 230 páginas, edição do autor foi lançado em 15 de junho de 2010, em Porto Alegre. Já conta com 600 exemplares distribuídos,
Edito o blog
O Dia do descanso de Deus, minha primeira novela, é uma tragédia, também com trama policial. Esgotados os exemplares impressos da edição de 1 mil exemplares, está disponibilizada aqui no
09 setembro, 2010
Estarei na Feira do Livro de Porto Alegre neste 2010
Uma novela pra ler de graça.
É só baixar!
Essa outra é uma novela ainda impressa, quase de graça, não fosse um drama policial.
O Império Bandido, em 42 capítulos, 232 páginas impressas, edição do autor, como a primeira.
Já estão distribuídos 400 exemplares da primeira edição do autor de 1 mil.
Sessão de autógrafos na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre em 14 de novembro, às 18h30min.
18 fevereiro, 2010
O dia do descanso de Deus alcança 144 novos leitores

Estou numa felicidade só.
Desde fins de outubro disponibilizei em pontopdf e mais recentemente em pontodoc a versão eletrônica de minha primeira novela O dia do descanso de Deus. Grátis.
Tenho, hoje, 144 novos leitores interessados no texto que tinha esgotada a edição impressa de 1mil exemplares em janeiro do ano passado. A novela fora lançada em 31 de maio de 2007.
Edição do autor, cumpriu curiosa trajetória.
Vendeu em livrarias e nas feiras do livro de Porto Alegre e São Leopoldo pouco mais de 100 exemplares. Antecipadamente, vendera 150 exemplares a apoiadores, que chamei padrinhos da publicação. Mais uma centena em três sessões de autógrafos, a de lançamento, uma outra em Porto Alegre e a terceira em São Leo.
O segundo ambiente que mais aproximou leitores da novela e deste autor então estreante foi o programa Conversa com a pessoa que lê, em que apresentava brevemente o processo de criação da história e batíamos um papo descontraído com os interessados, muitos também escritores de poemas, crônicas pra revistas de bairro, poetas e contistas ainda de gavetas.
O que mais insisti com o pessoal é que publicassem, mesmo na internet, em blogs, sítios de cultura como o Overmundo, o Recanto das Letras, o Portal Literal, aqui nesse meu blog, o Retorno Imperfeito, em que me dispunho a postar o que de bom me enviem.
O primeiro ambiente a aproximar mais leitores, antes absolutamente desconhecidos meus e eu deles, hoje muitos grandes amigos e conselheiros, como as colegas jornalistas e poetas Cida Almeida, de Goiânia, e Cintia Thomé, de Campinas, que também publicaram no período; a professora Ize Oswald, uma principal incentivadora minha, que inclusive resenhou a novela para o Overmundo, em meio a todos fazeres de coordenadora de mestrados da UERJ; Dora Nascimento, amiga itinerante, quase tão nômade na rede quanto as tribos de índios que ajuda a formar e recuperar a identidade visual; o músico, cineasta, dramaturgo, escritor, poeta, compositor e amigo grande, José do Spírito Santo, do Rio de Janeiro e do Mundo, um desafiador e propositor de dilemas a solver e de identidades a revelar, nosssa, de negros, da Francinne Amarante, poeta maior e tocadora audaz do Balaio Cultural em Brasília, em São Paulo, no mundo todo.
Nesse primeiro ambiente, a Internet, recebi o carinho de tantos leitores novos estimulados pelos instigantes postados da minha cria Juliaura, como Saramar, Cris Pingarrilho, Poeta Jorge Henrique, Lili Beth, entre muitas outras pessoas queridas.
A todas muito agradecido estou. Façamos da rede a grande gaveta universal dos textos nossos de cada dia, nossa impressões sobre o mundo com o que nos vai nos corações e mentes.
Vou decidido para a publicação da segunda novela: 666 O Império Bandido, também uma edição do autor, confiante que aprendi a contar uma história. Muito mais cauteloso no processo de construção dela pelos bons conselhos bem recebidos das pessoas que comentaram comigo o primeiro texto.
Será também um novela (um romance), mais drama que tragédia, sobre como o poder dos traficantes de todas as drogas constitui-se pararelo ou mesmo sobre a ordem essa que vivemos na sociedade.
Aliás, diga-se em homenagem à realidade, ordem essa iníqua e tão violenta e excludente como a gerada por ela através da indústria internacional do tráfico, pelo que se faz a guerra no Afeganistão, se mantém o estatus de autonomia periclitante da Cachemira, formam-se governos títeres no Paquistão e na Colômbia.
Papoula em flor e folhas de coca juntam-se às lavouras de canabis e aos sintéticos de laboratório, envolvendo as gentes. Nada se planta ou sintetiza nos morros e favelas do mundo, mas tudo circula por lá, no caldo de cultura da miséria social, pra distribuir aos que dirigem os carros do ano que vem, a maioria já blindados, e nas festas de cobertura monitoradas por segurança privada, camarotes de festas de graúdos, reivis de juventude alucinada e sem causa, hedonismo à flor da pele, festivais planetários de quaisquer gêneros.
Vendem aí tanto quanto já vendem água em garrafa plástica, mais caro que leite.
Essa novela não vai dar o que falar, porque não entrará no circuito da midia da literatura de fama. Não só porque não tem editor, mas pelo que descreverá a história, que traz também uns relances da Operação Condor, o conluio da súcia clandestina policial-militar para a repressão dos inimigos internos em países sul-americanos submetidos à hegemonia estadunidense. Tais assuntos não interessam de modo algum aos do poder secular, hoje mantido pela propriedade dos meios de produção e de reprodução ideológica.
Espero, no entanto, ter abordado um tema do cotidiano com alguma arte e engenho.
Se tudo vai bem como vem ocorrendo, em abril teremos o livro.
Agradecido a todas as pessoas que vem se aproximando carinhosamente da minha prosa e outros escritos meus. Tentarei sempre retribuir o que de gentileza tenho recebido, com muito amor.
Terno abraço.
Adroaldo Bauer
08 dezembro, 2009
A Hospedaria do Diabo alcança o 31º capítulo e se aproxima de inusitado final
A Hospedaria do Diabo, minha segunda novela, tem já 31 capítulos e penso em terminá-la ainda em dezembro
Já o texto integral da minha primeira novela O Dia do Descanso de Deus continua à disposição do leitor interessado. Download grátis.
Cometida em 2007, foram impressos 1.000 exemplares, de uma primeira edição de autor, já esgotada.
Para o baixamento do arquivo .PDF é necessário ter a versão do acrobat reader 9.2
[ http://www.overmundo.com.br/banco/uma-novela-para-ler-de-graca ].
Já o texto integral da minha primeira novela O Dia do Descanso de Deus continua à disposição do leitor interessado. Download grátis.
Cometida em 2007, foram impressos 1.000 exemplares, de uma primeira edição de autor, já esgotada.
Para o baixamento do arquivo .PDF é necessário ter a versão do acrobat reader 9.2
[ http://www.overmundo.com.br/banco/uma-novela-para-ler-de-graca ].
04 dezembro, 2009
A Hospedaria do Diabo
Chega ao 28º capítulo minha segunda aventura longa. Já está mais pros finalmentes. Devo publicar impressa em 2010, Edição do Autor, por certo. Esse meu segundo livro, de título provisório A Hospedaria do Diabo é uma novela policial.
O Dia do Descanso de Deus, a minha primeira novela, faz mais o gênero tragédia.
Após esgotados os 1.000 exemplares impressos em 2007, disponibilizei grátis na WEB uma edição em .pdf, bastando clicar na capa da publicação aí à esquerda da sua telinha pra chegar ao linque e baixar o arquivo.
O Dia do Descanso de Deus, a minha primeira novela, faz mais o gênero tragédia.
Após esgotados os 1.000 exemplares impressos em 2007, disponibilizei grátis na WEB uma edição em .pdf, bastando clicar na capa da publicação aí à esquerda da sua telinha pra chegar ao linque e baixar o arquivo.
31 outubro, 2009
Pessoas que lêem comentam a versão grátis da novela O Dia do Descanso de Deus
Adroaldo, que maravilha você disponibilizar a leitura online.
Assim, outros, muitos outros poderão conhecer a história daquele amor desesperado, desesperançado e as sutilezas de Deus, mesmo quando descansa.
Vou reler.
beijos
Saramar · Goiânia (GO) · 30/10/2009
---------------
Ai minha santinha Bebiana, e as demais das macegas tantas. Eu tonta, saio de perto, o caboclo comunismo incorpora o copyesquerda no ômi. Lá se vai minha herança pelas ribanceiras da web. Vovó Marinalva já me alertara, não tem herdeiro de gente viva.
Tá certo, se não aproveitarem, eu faço uma encadernação de luxo e ponho em leilão, esperem.
Brincadeirinha de tua enteada alemazinha, curtindo chopis em Berlim.
Bonito, papá Bauer. Um gesto solidário, desprendido e de dar água na boca.
Quem não leu, vai poder se deliciar com aqueles olhos lindos do Dom, ai, ai, ai... que a Laurita não me ouça.
Juliaura · Porto Alegre (RS) · 30/10/2009 23:43
-----------
Adroaldo
Que beleza...vale a pena mesmo.
Juli, o meu exemplar fica na sala de visita, bem bonitinho pra quem chegar ver. Mas já esteve no mar e foi uma boa leitura entre uma caipirosca e outra (bons tempos, médico me proibiu bebidinhas, mas sol . mar e delicias da leitura de Bauer não)
Olhem a foto aqui!
Cintia Thome · São Paulo (SP) · 31/10/2009 02:18
--------
Muito bacana, Bauer!
Parabéns pela iniciativa de disponibilizar seu livro!!!
Fiquei mais fã ainda.
beijão
Francinne Amarante · Brasília (DF) · 31/10/2009 12:08
Assim, outros, muitos outros poderão conhecer a história daquele amor desesperado, desesperançado e as sutilezas de Deus, mesmo quando descansa.
Vou reler.
beijos
Saramar · Goiânia (GO) · 30/10/2009
---------------
Ai minha santinha Bebiana, e as demais das macegas tantas. Eu tonta, saio de perto, o caboclo comunismo incorpora o copyesquerda no ômi. Lá se vai minha herança pelas ribanceiras da web. Vovó Marinalva já me alertara, não tem herdeiro de gente viva.
Tá certo, se não aproveitarem, eu faço uma encadernação de luxo e ponho em leilão, esperem.
Brincadeirinha de tua enteada alemazinha, curtindo chopis em Berlim.
Bonito, papá Bauer. Um gesto solidário, desprendido e de dar água na boca.
Quem não leu, vai poder se deliciar com aqueles olhos lindos do Dom, ai, ai, ai... que a Laurita não me ouça.
Juliaura · Porto Alegre (RS) · 30/10/2009 23:43
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Adroaldo
Que beleza...vale a pena mesmo.
Juli, o meu exemplar fica na sala de visita, bem bonitinho pra quem chegar ver. Mas já esteve no mar e foi uma boa leitura entre uma caipirosca e outra (bons tempos, médico me proibiu bebidinhas, mas sol . mar e delicias da leitura de Bauer não)
Olhem a foto aqui!
Cintia Thome · São Paulo (SP) · 31/10/2009 02:18
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Muito bacana, Bauer!
Parabéns pela iniciativa de disponibilizar seu livro!!!
Fiquei mais fã ainda.
beijão
Francinne Amarante · Brasília (DF) · 31/10/2009 12:08
29 outubro, 2009
Leia grátis a novela O Dia do Descanso de Deus
Superado o xabu e os chiliques do baixamento do arquivo .PDF (é necessário ter a versão do acrobat reader 9.2 para poder acessar o texto integral) está à disposição do leitor interessado a novela o Dia do Descanso de Deus, minha primeira aventura em prosa longa, cometida em 2007, impressos 1.000 exemplares, de uma primeira edição do autor já esgotada. Clique na capa na coluna da esquerda para chegar ao arquivo em Overmundo.
http://overmundo.com.br/banco/uma-novela-para-ler-de-graca
Boa leitura.
Se quiser, dê retorno por aqui ou por email para
É grátis.
adroaldo@portoweb.com.br
http://overmundo.com.br/banco/uma-novela-para-ler-de-graca
Boa leitura.
Se quiser, dê retorno por aqui ou por email para
É grátis.
adroaldo@portoweb.com.br
28 outubro, 2009
Chilique no baixamento da novela
Entre a palavra e o ato desce a sombra, alertava Gilberto Gil na introdução de uma canção, em 1968.
Tentei disponibilizar ontem na rede uma versão integral em PDF da minha primeira novela
O Dia do Descanso de Deus, esgotados desde janeiro de 2009 os 1000 exemplares da edição do autor.
Deu xabu no baixamento, no entanto.
Estou tentando resolver o chilique que dá o arquivo como corrompido e impede o acesso ao texto.
Talvez só o consiga após o feriado.
Se o quiseres antes, manda um email para adroaldo@portoweb.com.br que te envio uma cópia.
Se conseguir vencer a perengue informática antes, publico aqui.
Aproveitando tua presença, informo que estou finalizando minha segunda novela, também um enredo com amor, ódio, tragédia, suspense, algum horror e um tanto de humor... essas coisas que a vida criativa nos revela diariamente.
A política estará lá, por certo, mas não tem grande presença aberta na trama, ainda que tudo por ela seja regido.
Não sei se o bem vencerá, porque ainda não terminei o roteiro, nem o fim está adivinhado.
Penso chamá-la "A Hospedaria do Diabo".
Dou notícias dela aqui também, tão logo tenha novidades.
A fila anda!
Adroaldo Bauer Corrêa
Tentei disponibilizar ontem na rede uma versão integral em PDF da minha primeira novela
O Dia do Descanso de Deus, esgotados desde janeiro de 2009 os 1000 exemplares da edição do autor.
Deu xabu no baixamento, no entanto.
Estou tentando resolver o chilique que dá o arquivo como corrompido e impede o acesso ao texto.
Talvez só o consiga após o feriado.
Se o quiseres antes, manda um email para adroaldo@portoweb.com.br que te envio uma cópia.
Se conseguir vencer a perengue informática antes, publico aqui.
Aproveitando tua presença, informo que estou finalizando minha segunda novela, também um enredo com amor, ódio, tragédia, suspense, algum horror e um tanto de humor... essas coisas que a vida criativa nos revela diariamente.
A política estará lá, por certo, mas não tem grande presença aberta na trama, ainda que tudo por ela seja regido.
Não sei se o bem vencerá, porque ainda não terminei o roteiro, nem o fim está adivinhado.
Penso chamá-la "A Hospedaria do Diabo".
Dou notícias dela aqui também, tão logo tenha novidades.
A fila anda!
Adroaldo Bauer Corrêa
30 junho, 2008
Leitora apaixonada, Saramar fala da novela O dia do descanso de Deus

Adroaldo,
Aproveitando a semana de trabalho fora do meu Estado, levei o seu livro (agora meu, por presente) para ler na tranqüilidade dos ócios noturnos em algum hotel. O livro merece esta dedicação, só possível quando nada nos perturba, senão um ou outro sentimento reforçado pela própria história que ele conta.
Não sei criticar livros. Sei apenas dizer o que senti sobre o que trazem. E este seu livro, confesso, surpreende pela inocência que, acredito, deveria ser a marca dos deuses sobre nós e que abandonamos tão prontamente,
trocando-a pelo mal.
Quando falo na inocência presente neste seu romance, falo na esperança de que os verdadeiramente maus serão punidos, de alguma forma. Também falo na crença da força dos amantes, que os eleva mesmo sobre suas fraquezas, como se viu nestes mais que trágicos amantes, Laurita e Domício. Romântica que sou, li, neste seu livro, o amor, além do drama principal de Romão e Divina, nó que amarra todos os personagens.
O amor dos três amigos, dos trigêmeos, das três tias. Até na sutileza com que você situou o romance nos anos negros, há o amor seu para quem vai ler, como de quem não quer entristecer demais (ou mais ainda) o leitor com aquelas dores mostradas de soslaio.
Apaixonada que vivo, nesta primeira leitura, escolhi como trecho mais bonito, a mútua entrega de Jesualdo e Belinha, entre as flores pequeninas e as imensas estrelas, nenhuma delas mais belas que a moça apaixonada e decidida.
Delinear o romance, encadeando-o como lembranças que surgem aleatórias, ao sabor de algum acontecimento, tornou-o realmente muito forte porque, antes do tempo, permite a quem lê, sentir a construção da teia da vida que, graças a todos os deuses, não é uma reta enfadonha e previsível.
Enfim, depois de falar tanto, peço que me perdoe a liberdade sobre sua criação. Muito aquém do você escreveu... é o reflexo dos meus olhos de leitora sobre as palavras do autor, por mim, mais que amado. Beijos.
Saramar
Visite Eufemismos, o blog de Saramar.
22 maio, 2008
Mal sabia eu que à preguiça divina sobrevém a insídia pérfida do diabo.

Maria Luiza Oswald fala de suas impressões da leitura da minha novela o dia do descanso de Deus, publicada em maio de 2007
Vida de correria, falta de tempo, exposição constante ao cenário imagético da vida cotidiana...
Quantos são os motivos que nos afastam hoje da ritualidade própria da leitura, que demanda do leitor disposição para se implicar com a “quietude” do livro.
Mesmo sendo amante inveterada de literatura, como não estou imune a este contexto, vinha há algum tempo experimentando a dificuldade de me envolver com este objeto de desejo.
E, diante da culpa por entregar-me ao ócio da leitura que interrompe o ritmo frenético do cotidiano, não hesitava em declinar deste prazer...
Afinal, “Deus ajuda a quem cedo madruga”...
Mas eis que, como que caído do céu, o livro de Adroaldo, que conheci por acaso no www.overmundo.com.br (bendito acaso!), me devolveu o direito à preguiça.
“O dia do descanso de Deus”. Se Deus descansa, por que eu, pobre mortal, não poderia também descansar?
Mal sabia eu que à preguiça divina sobrevém a insídia pérfida do diabo.
Eu aqui de livro nas mãos deliciando-me com a novela - deixando de lado a rotina escravizante do dia-a-dia – enquanto as criaturas da novela se lascavam num redemoinho de tragédia.
Seria isso justo?
Tanto não seria, que o descanso tão esperado não me foi dado...
Magistralmente fabricada, a trama não me concedeu sossego: a ausência de temporalidade linear exigiu de mim atenção e esperteza; o suspense me deixou tensa; o envolvimento com os dramas das personagens tirou-me o fôlego.
Adroaldo você não me deu descanso e, ainda assim, não me resta outra coisa senão lhe agradecer de coração.
Seu livro me devolveu o que Ítalo Calvino considera como faculdade humana fundamental: a capacidade de fazer brotar - do alinhamento de caracteres alfabéticos negros deitados sobre o papel - a sensibilidade e a imaginação, ingredientes sem os quais a vida não passa de uma página em branco.
_____________
Maria Luiza Oswald é professora doutora, leciona na Faculdade de Educação e no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
11 outubro, 2007
Leitora da novela O dia do descanso de Deus vê semelhança entre o Coronel (e o Lobisomem) e Romão da Divina
Li e gostei. Não só da trama. Também do estilo arrojado e inventivo estimulando para a leitura de um folego só.
A vertente regionalista se evidencia no texto na fala do nararador, me fez lembrar do Coronel e o Lobisomem, romance de José Candido de Carvalho, com seu personagem Coronel de Azeredo Furtado, em momentos semelhantes ao Romão.
Se queres uma dica, vale ler As pelejas de Ojuara, de Ney Leandro de Castro, cujo filme o Homem que enfrentou o diabo está nas telinhas.
Parabéns pela construção de personagens as vezes simples, mas revestidos de uma natureza muito forte.
Gostei imenso.
Abraços.
Ana Luiza da Penha
Natal, 9/10/2007
Rio Grande do Norte
A vertente regionalista se evidencia no texto na fala do nararador, me fez lembrar do Coronel e o Lobisomem, romance de José Candido de Carvalho, com seu personagem Coronel de Azeredo Furtado, em momentos semelhantes ao Romão.
Se queres uma dica, vale ler As pelejas de Ojuara, de Ney Leandro de Castro, cujo filme o Homem que enfrentou o diabo está nas telinhas.
Parabéns pela construção de personagens as vezes simples, mas revestidos de uma natureza muito forte.
Gostei imenso.
Abraços.
Ana Luiza da Penha
Natal, 9/10/2007
Rio Grande do Norte
24 setembro, 2007
Incrível e maravilhada resenha de leitora sobre a novela O dia do descanso de Deus

A primeira tarde
Era uma tarde nebulosa quando resolvi destrancar a minha ansiedade em viver O Dia do Descanso de Deus. Mas insisti em não adiar nem mais um minuto sequer o meu descanso de mim. Desenhei um imenso sol na areia branca da prainha na margem do Rio Tubarão, cercada por manguezais, vento, nuvens instáveis em cheiro de maresia. Deitei e abri o livro, e o sol se abriu num doce e quente sorriso.
Romão, o homem de valentia calada. O homem de alma encerrada dentro do medo de até por sua própria sombra surpreendido ser. Alma desconfiada amparada pela valentia de se fazer temer para não ser atraiçoada.
O sol ficou sob nuvens riscando o céu com raios vermelhos volatizados, parecendo um pescoço ensangüentado à navalhada.
E a tarde se fez paixão
Até Divina aparecer.Tão formosa, e terna, e breve, que fez o sol reaparecer ardendo suave e leve. E Romão, tomado, fisgado, de súbita e desconhecida emoção, esqueceu de vigiar a própria sombra, surpreendido perdido dentro do próprio coração. Não cuspiu na própria sombra, estava assombrado e tomado de paixão. E calado.
E o amor brutalmente separado
Mas aí, depois do amor formalizado e semeado em quatro crianças lindas, Deus se ausenta do mundo, e em poucos segundos, se abate a tragédia conferida ao Diabo.
A tristeza de Romão engoliu tudo então, e saiu engolindo calada a dor da Florzinha, a do Alarico, a do Jesualdo, Deusa, Belinha, e dor de todos daquele lugar. Talvez apenas as crianças trouxessem dor igual e não engolida pela dor de Romão, que também engoliu a minha, e me transcendeu, e o sol se escondeu, o vento soprou no seu masculino forte e frio sopro enraivecido, juntando as nuvens em chumbo, antes fragmentadas, e uma grande sombra sob este pedaço de terra se abateu. Chorava invisivelmente Romão, e chorei intimamente eu. E a grande nuvem formada, levemente verteu águas; é que também, de lá do seu descanso, chorava Deus através dos céus.
(Um parênteses interessante de abrir. Na segunda tarde de leitura, eu esqueci de levar o meu cardeninho de anotações, porque como eu resolvi pirangar o livro, e Deus deu de me ajudar a controlar tranqüila e docemente a ansiedade em devorar a novela, eu paro aqui e ali para escrever, e às vezes até para desafogar a alma, trazê-la um pouco à tona do mundo exterior, o real(?). Mas nem chego muito para fora do livro, porque fico com as vozes inaudíveis dos personagens e do narrador - que eu imagino em belo barítono de locutor de programa radialístico - soando com o vento da tarde. Então, querendo escrever o que me vinha de emoção repercutindo a história dentro de mim, e sem meu cardeninho, apenas a caneta, não restou outra alternativa, a não ser escrever na contra-capa do livro, o quê agora vou transcrever aqui)
Fim de tarde com ecos urbanos, vermelha como a morte (a)parece à razão, às leis e aos olhos dos humanos.
Numa tarde tragicamente ensolarada, umas duas tardes após a dor de Romão ainda ecoando no meu coração, reencontrei Jesualdo, 12 anos mais experiente, delegado em cidade grande, tarimbado com as mazelas sociais, mas, talvez sem se acostumar com elas, olhando um corpo esvaído em sangue derramado pelo pescoço navalhado, no chão de um boteco afavelado. Seu coração bateu retumbantes lembranças ensangüentadas, dívida honesta, sentimento de impotência ante a fatídica fatalidade, e raiva enlutada. Tudo isso, me dizia silencioso e desconfiado Jesualdo.
Aquele crime ali, tão inverossímel quanto o pano muito limpo que o balconista sobre o seu ombro apresentava e, como se não bastasse, um São Benedito decapitado causando estrago no seu pé desastrado. O sangue daquele corpo morto o levou de volta ao sangue da Divina, cruelmente e covardemente derramado. E ele sentiu o seu amigo Romão sofrendo silenciado e exilado, talvez, para não sentir, ou sentir embrutecido, sentindo a cada gota, ao invés de saliva, o sangue da sua amada Divina alimentando a sua ira por si só, silenciosa e enlutada. Talvez, após aquela perda brutal, Romão, fera contida, quando cospe na própria sombra, cuspa uma saliva ensangüentada.
Mais uma dor convertida em poesia
E, em mais uma tarde de entrega a'O Dia do Descanso de Deus, mais uma vez a dor se fez presente num destino desabitado sob os céus. O sol perdeu a força, o vento sofreu soprando feroz e as nuvens se aglomeraram pesando tristeza em chumbo no céu. Era a dor de Laurita de estar vendo numa página de jornal estampado o pescoço degolado do Dom amado seu.
Surpresa minha.
Dor na Laurita.
Dor inaudita.
Dor toda invertida,
invertendo a tarde em que tudo doeu.
O sol deixou de sorrir
apagando seu brilho dourado no céu.
Chorava ja tão de tragédia marcada,
uma dolorida Laurita.
Chorei calada eu.
E a maré,
Que até então estava seca,
De repente águas verteu.
O rio levando em seu leito
Em correnteza lenta,
Suas águas salgadas,
Brotando como lágrimas
Saídas das entranhas de Deus.
Não consegui ler mais nada. Com mais essa dor trágica dilacerando a silenciosa Laurita, fui caminhando desolada para casa. A dor dela turvando a minha alma, pensando no meu amor que - ainda - vivo, se faz revestido em dor calada.
Tarde presenciada por Deus
Hoje a tarde está linda, apesar das nuvens num céu quase cristalino. O vento é menino correndo ligeiro feito um triplo de piás desesperando as páginas do livro, parecendo que elas querem sair voando para levar as palavras cheias de dor e revelações inesperedas, além de tensão, medo, tristes lembranças, segredos subitamente revelados, manias da Florzinha, divagações tardias de Nádia, Jesualdo, Deusa, Dom, Alarico, os três piás, Laurita órfã de mãe, separada do pai, de amor enlutada e no ventre uma semente fecundada, Belinha e o medo antecedendo suspenses, suspeitas e outras agonias. E mais morte no "Saco da Alemoa".
E eu?!
O vento então meio que sossegou. Imperou o silêncio quase tão tenso e denso, quanto os silêncios de Deusa e Belinha em retorno à vida viva e real da capital, mas do mangue vem um longíquo arrulhar, como ecos de crianças a chorar. Não fosse isso, essa dor, essa perda retornada nos últimos gemidos da agonizante Divina, e eu diria que esta tarde era Deus voltando do seu descanso.
Tardias crueldades dos dias.
E nessa tarde tão silenciosa e limpa, não quis economizar parágrafos em quartos de horas, as emoções não cessavam de aqui e ali alterar os batimentos do meu coração que sentencia silenciosa existência do sentir. Tão calado quanto um Romão despedaçado. E parei apenas quando Deus me cobrou economias me trazendo de volta à minha idílica realidade tardia, numa frase findando aquela tarde:
"A paixão cedera, adormecida pela crueldade dos dias"

Então, chorando (des)obedeci - como sempre costumo fazer com O(s) deus(es) - parei de ler, fechei o livro, e me entreguei a escrever, movida por esta minha indefinvel, inaceitaável, incompreensível e - ainda - não cedida paixão. Apesar dos meus dias reais terem parecido muito cruéis dentro dela.
Tarde em cores de dor e melancolia.
Mais uma tarde de alegres lembranças turvadas por dores também lembradas. A tarde não finalizada numa Divina assassinada. E a tarde começou quente e seca tal qual as duras palavras áridas do Romão. Daí em diante nuvens aglomerando-se pressagiosas, e deve ter doído assim a tarde em que Divina morreu, deixando o Romão mergulhado na tortuosa dor de ter ficado exilado no seu mundo, que o deixou sem o perdão, com um buquê de lírios nas mãos, sentimentos dolorosos no coração, e sem ao menos um adeus.
Mais um filho, mais um medo, mais um lindo rebento e mais um grande tormento, para ele que tanto temia perder para a morte a sua Divina. Ai que sangrenta ferida carrega o bravo e altivo Romão, sem a Divina, já sem vida, sem despedida, e a tanta culpa ele calado se entrega, fora duro com ela pela primeira vez em suas unidas vidas, porque a queria apenas viva.
O vento soprou dor e desespero, e o sol tudo reaqueceu, recomeçando tudo, iluminando em viva cor as nuvens cheias de memórias, que trouxeram desde o quando e de como o amor nasceu.
O amor em sons de alegres tardes.
Outra tarde se fazendo alegre e doce e com sons reconhecíveis a distância, dando tempo de se embelezar - como se preciso fosse - mais um pouquinho, até para disfarçar inutilmente a ansiedade da saudade se intensificando.
(Lembrei eu menina nos meus sublimes 11 anos, quando me enamorei de um menino da mesma idade. Todas as tardes eu botava um dos meus poucos vestidinhos de festa, um laço de fita no cabelo, e ia sentar no mesmo banco da curva da pracinha da nossa rua, apenas para vê-lo passar na sua bicicleta Caloi vermelha. Ele dava dez voltas em torno da praça, contadas. No começo ele nem ligava, mas a minha insistência parecendo silenciosa penitência, teve bons resultados. Ele já conhecia todos os meus vestidinhos, e, com o passar dos dias, apesar da gente sequer se falar, ele passou a me perceber, e a compensação veio quando ele passou a me olhar, depois a me sorrir. Então, todas as tardes, a cada volta, ele me olhava e me sorria. Eram dez voltas, dez olhares e dez sorrisos que eu ganhava do meu amor-criança-calada. Essa paixão infantil durou pouco mais de um ano. Nem sei mais o que aconteceu. Mas sei que aquelas foram as tardes mais lindas e felizes daquela minha infância já delirante e apaixonada. E hoje, olhando um pouco para o sumidouro do espelho que é o passado, parece que ainda sou aquela menina, delirantemente apaixonada. É isso que sou Querido Imperador (modo como a leitora apelidou o autor), uma menina apaixonada, e não há mistério, e mais nada que eu possa usar para me descrever. E sei que para muitos isso soa inadmissível, mas, com o perdão da palavra, à merda com todos estes insensíveis babacas).
Tarde de festa e perigo detido a unhas.
(Hoje a minha tarde foi tão agitada quanto uma manhã de festa na Boca do Monte, e o meu céu inicial era quase de "Brigadeiro". Mas aí a minha tarde já começou eu tendo que sair daquele meu lugar vespertino, porque um pescador que mora numa das casas de frente à prainha me descobriu nos meus banhos de sol, supostamente sozinha. Na primeira vez, ele ficou na dele, na segunda, quando cheguei ele já estava dentro do rio lavando o barco dele e me secando, e aí eu flagrei ele! A minha Lilith disse sorrindo: "Deixa pra la, vai! Teu corpo quase todo exposto, ainda enxuto, e todo bronzeado! Deixa o animal se saciar molhado."
Então eu o ignorei, e continuei no meu banho de sol muitíssimo bem acompanhada pela prosa gostosa dos três amigos queridos meus. Na terceira tarde, foi só eu me sentar e me despir para o animal vir na direção do rio. Eu me vesti, levantei, peguei minha bolsa, minha canga, e, "Puta da Vida", tal qual a Laurita em ira bem dita ao se deparar com a baixesa de alguns homens. Ai, hoje, mesma coisa, ele da casa dele! Tive que andar uns 200 metros pela beira do rio, que está na maré se fazendo alta, e sai devorando a estreita margem de areia, e à noite ela já terá tomado tudo, até a pequena estrada aberta à força continua de carros, motos, bicicletas, carroças, e animais, racionais ou não. Enfim, abri o livro).
Do mangue vinha um burburinho festivo. E o vento era suave como o esvoaçar dos trajes elegantes das mulheres em palavreados condizentes com a dignidade que lhes cabe. No céu escassas nuvens de efêmeros desenhos. Uma tarde de festa de interior. De repente, um ruído esquisito quebrando o equilíbrio, vozes, gritos, vindos em alarido! No meio da festa de Boca do Monte, um touro fugitivo!
(Na minha direção, uma manada de cinco bicicletas, apenas machos montados. "Ai meu Deus, que droga é essa?! Será que hoje eu não concluo esta tarde?" E vesti o short e a camiseta, apressadamente, ao mesmo tempo em que mentalizava, "Passando!" E passaram já silenciosos, mas por bem perto de mim. Me olharam, mas passaram. Quis tirar a roupa novamente. Mas, quando tirei a camiseta, Deus disse assim: "Ficas ao menos com o short 'guria', e olha a tua volta. Estás deitada no meio da estrada, o que tu querias? Que eles desviassem por dentro das dunas cheias de vegetação de restinga, correndo risco de rasgar roupas, de furar pneus e pés, apenas para que tu não te sintas acuada e enfureças?" Eu concordei, aborrecida. Ai cheguei na esquizofrenia de Dom).
Tardia Maré Cheia de Dor.
(E hoje foi a nossa primeira maré enchendo. É que está chegando a lua cheia, e como Deus ainda se demora descansando, mas não descansado, têm sido tardes de nuvens pesadas, mas de sol constante. Às vezes rindo conosco em raios quentes, às vezes em raios nos acalentando, ou ocultado, mas nunca ausente, por sobre as nuvens existentes. E agora que me livrei de bolsa e chinelos, acendi o meu segundo cigarro do dia, e entrei na Iole que aqui nos recebe ancorada, para ficar dentro dela a balançar-nos na correnteza do rio, enquanto nos encontramos dentro do livro. E vamos a ele, que o sol não espera, e por enquanto ainda nos resta mais de uma certeza, além da morte, a noite também é certa, e as noites, como ja te disse pertencem a outro Deus).
Agora que me contas
De Nádia e sua dor
Que é dor de Mãe-Maré
Dor de homem calado
Céu enlutado.
Dor de crias enlutadas
Tardes órfãs e ensolaradas.
Dor de irmãs desoladas.
Nuvens desbotadas.
Dor de amigos desamparados
Ventos em silêncios sagrados.
Dor de paixão degolada
Dor de águas minadas.
Mas dor de mãe
É dor de lágrimas sangradas
É dor de águas
Brotando sagradas,
Ficando assim,
Para o resto da vida
Essa dor convertida
Em águas de marés
Hora secando
Hora enchendo
Nesse ir e vir
Do eterno sentir
Dor de mãe na alma
Subterrâneas águas.
(Foi por isso que cheguei na maré seca e sofri com a Nádia na sua dor enchendo a maré com essas águas tão sagradas, que singram de dentro para fora, de baixo para cima, dor uterina, onde a vida começa e a morte finda).
Querido Adroaldo, finalizei teu livro numa bela tarde de azul límpido no céu, e sol amornando saudades da história de amor e sangue em que mergulhei quando abri teu livro. E o verde do manguezal emoldurando tudo, feitio também dos olhos da Laurita.
Mas nesta tarde de fim de história, eu estou no lado oposto de onde eu a comecei a ler e sentir, durante 15 tardes, cá no meu lugar, as tuas crias uma a uma me alcançando de dentro para dentro, como eu gosto de ser alcançada, me entregando, me envoldendo. Durante 15 tardes eu fiquei entre Boca do Monte e Diogo Lopes, num louco espaço-tempo surreal, e, no entanto, forte demais para ser descrito de outra maneira a não ser essa, de poder escrever o que senti quando abria o livro e saía de mim.
Sempre acontece assim.
(Fiquei tão apaixonada por Romão que quis ser ele! Mas é uma paixão que se inflama apenas nas horas vespertinas).
Pois bem, a história chega ao fim, aqui, num canto novo redescoberto no meu lugar. E um pedaço lindo desse paraíso, onde uma bica - que aqui o povo chama "escorrego", porque é por onde a água doce "escorre", entendes? - de onde cai uma água doce e fresca vinda direto dos lençóis freáticos existentes por sob as dunas. Nas partes mais altas daqui do meu lugar, algumas dunas abrigam lagoas pluviais. São poucas, dado o pouco volume de água de chuva que cai por estas bandas da terra Brasilis.
Esses "escorregos" despejam incesantemente água doce indo ao encontro da salgada água do rio, e juntas seguem para desaguarem na imensidão Atlântica.
(Aiiiii!Como sou romântica!)
Ontem à tarde ouve muita tensão, dentro do livro e fora de mim, cá na realidade do meu lugar, nada demais, mas hoje eu quis me entregar em paz, e consegui, aqui, entre águas doces e salgadas, em entregas e doações, e em Laurita, enfim, desatou a vontade reprimida de abraçar o pai.
Foi lindo. Sem mais pedidos, sem conflitos, como deve ser toda entrega, seja de sangue ou não.
Mas ainda não findei o livro, ainda tenho mais dois dias aqui, então, só amanhã é que lerei o epílogo.
E agora, um breve adeus, que eu vou me entregar e me beneficiar da esxistência do outro Deus.
Epílogo feliz!
Acabei de ouvir pai e filha conversando sobre passado-presente e futuro e o sol que andava abafando o meu mundo em nuvens pesadas como ressentimentos inúteis rompeu distâncias e reapareceu.
(um dia, em outra vida, eu vou querer (s)ter um pai assim, está ouvindo, Deus?)
E hoje eu escolhi outro canto sagrado para o nosso adeus deste meu lugar todo envolvido em descanso bom. A maré seca deixa a mostra uma relvinha de doce verde em toda a extensão do rio. Esta é a minha penúltima tarde aqui, amanhã o dia todo será dedicado a despedidas das pessoas queridas deste meu lugar. Pessoas que me viram nascer, e que seria uma desfeita não comungar com elas por um dia inteiro.
Café da manhã com a minha irmã primogênita, cunhado, sobrinhos ( e sobrinha!), sobrinhas-netas e mais um no oitavo mês de vida submersa e protegida nas águas amnióticas do útero da mãe. Almoço com a minha madrinha, mulher pequena e guerreira, generosa e linda.
E luau com os amigos.
O teu livro findou sem tristezas e já me deixando saudosa de todas as tuas crias, até de todos os "Mancos" que cruzaram visível ou invisivelmente a história tão habilidosamente por ti contada. Não tenho mais nada a te dizer mesmo, além de "Obrigada!" quantas vezes me forem dando vontades de escrever, "Obrigada!"
O meu descanso, está quase no fim, mas está completo, está repleto de coisas lindas, e boas, muitas cartas para algumas raras e caras pessoas, como tu.
Me curei um pouco de mim, e a tua história me ajudou bastante a rever feridas e antigas cicatrizes, e emoções felizes e tolas.
Me vi em cada uma das tuas crias e, depois do Alarico, passei a cumprimentar as pessoas do meu lugar com um "mmmmdiiiaaa!!, todo Alaricado, e meu som rouco saia de brincadeira, que eu não tenho bigodeira.
Que mais posso eu te dizer, querido Adroaldo, a não ser, mil vezes, Obrigada?!
Setembro do ano que vem, eu estarei de volta para me refazer de mim, espero que também já tenhas pronto, um outro livro tão bom quanto este, para eu trazer entre os tesouros meus, senão, trago novamente, "O Dia do Descanso de Deus."
Aliás, querido Imperador, teu livro (que é todo meu) está quase em frangalhos. As páginas quase separadas da brochura, de tanto que o vento quis arrancar e espalhar as palavras mundo a fora. Manchado de seiva de folha de mangue usada como marcadora de página. Melado de lama, áspero de areia, contra-capa escrita à caneta azul Não que tenha sido descuidado, é que ele foi por mim e pela natureza bem manuseado, e antes de eu ir embora, ele no rio Tubarão, será batizado.
Nestas tardes de deuses, dores e paixões, so faltou mesmo uma cuia de legitimo "Chimarrão, Tchê!"
Querido Adroaldo,
Eu nunca tinha vindo ao meu lugar no mês de agosto.
Já viera em maio, junho, julho, setembro e outubro.
E em todas as vezes precisando urgentemente me refazer, me ressuscitar e me recriar dentro do que sou sem me perder de mim.
Renascendo no lugar que é o meu segundo útero neste plano dos mundos de Deus.
As águas do rio Tubarão que do Atlântico vêm e para ele vão, são o meu salgado e sagrado líquido amniótico. Me deito ao sol em posição fetal e deixo que ele seque minhas feridas e o vento ágil assopre as cicatrizes.
Não há como querer a morte havendo tanta vida neste meu lugar.
Voltando a agosto, encontrei o meu lugar com tantas nuvens carregadas, pesadas, eletrificadas, como não me lembro de ter visto nunca não.
Mas não chove, raramente chove, e o povo daqui não gosta quando chove, pensam que é outro dilúvio, porque chove tudo de uma vez, formando lagoas nas concavidades das dunas, formando lençóis freáticos. Mas um dia uma dessas lagoas transbordou enchendo as duas únicas ruas do lugar com água e areia fina, mas não houve mortes, porque era apenas a vida sendo desaguada, e mais nada.
Todas as tardes - as das primeiras semanas, de maré seca - eu te trouxe comigo, tu e as tuas crias lindas, doces, e ferozes, caladas, românticas, tristes e lendárias.
Me entreguei a elas, as encarnava em suas sutilezas, em suas vidas por ti romantizadas.
Como te disse, aqui quase nunca chove.
É como se não precisasse.
Tem áreas que são áridas, áridas, mas existem nascentes de águas doces em alguns quintais, e em áreas desabitadas.
Para que chover então? Basta o necessário para reabastecer as lagoas e os lençóis.
Pois bem, na tarde em que a Divina foi assassinada, o sol se escondeu abruptamente por nuvens que enlutaram brevemente o céu, e caiu uma chuva leve, breve, fina e silenciada.
Foi por isso que valeu a pena cada minuto que esperei com minha ansiedade bem guardada, porque eu sabia, que aqui seria o melhor lugar do mundo para eu eternizar no meu coração as tuas palavras sonoramente silenciosas me contando a linda história do amor infindo, mas brutalmente (i)mortalizado da Divina e do Romão, o romance inadvertido e breve da Laurita e do Dom, o inibido amor do Alarico e da Deusa, a paixão adiada do Jesualdo e Belinha, além das maneirices e da melodia do linguajar do teu lugar e sem esquecer as manias lendárias da pequena Florzinha.
E eu também tenho as minhas, mas é coisa que apenas a família sabe.
Que mais posso eu te dizer, querido Adroaldo, a não ser, mil vezes, Obrigada?
Um abraço forte e bom, desses que apenas amigos sabem dar, seja cá onde estou ou aí onde estás.
Dora Nascimento.
Agosto de dois mil e sete sentimentos me trazendo de volta.
12 agosto, 2007
Nova Conversa com a pessoa que lê na quinta, 16.8
Literatura e a Língua Portuguesa na atualidade, Processo de Criação e Edição de Autor serão conteúdos da terceira edição do programa Conversa Com A Pessoa Que Lê.
O escritor e jornalista Adroaldo Bauer fará a conversa a partir de sua novela recém-lançada O dia do Descanso de Deus, na Biblioteca Popular do Clube de Mães do Bairro Cristal.
O encontro é promovido pelo Clube de Mães do Bairro Cristal e Coletivo do Mandato da vereadora Margarete Moraes.
O debate também abordará a proliferação avassaladora do internetês, que Adroaldo Bauer confronta já na dedicatória que faz da novela às pessoas que lêem.
O programa está marcado para as 15 horas do dia 16 de agosto, aberto ao público com ingresso grátis. A Biblioteca Popular do Clube de Mães do cristal fica na rua Curupaiti, 915 - Fundos.
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