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05 setembro, 2012

sem final, nem ponto

O amor é incondicional...
não pede licença,
põe portas abaixo,
arromba janelas,
invade corações,
pula muros,
vence barreiras,
encurta distâncias,
inflama,
transborda,
exclama,
dá vexame.
Amar é simplesmente amar
Sem final, nem ponto

21 junho, 2012

O futuro cada dia mais distante, menos nítido vai ficando o horizonte



Há dias em que gostaríamos de ser
visita em nossa própria casa,
de estar a passeio
do outro lado do mundo.
Há dias que a cama mais alto chama.
Há dias que até coçar cansa,
que respirar fundo dá soluço,
que um pelinho no lábio vira buço.
Há dias em que até a noite é um açoite
e mesmo com toda flama
custa manter acesa a chama.
Há esses dias e sabe-se deles
porque se os vive.
Vive-se porque sabe-se que logo ali,
mais adiante e após
tudo pode ser de modo outro
e mais como queremos nós.

19 junho, 2011

Palavras amargas


Há mais que palavras amargas agora
Há o peso estranho do nosso silêncio
Dor, a incompreensão tudo embarga
Pra onde nessa hora vai o amor
Na expectativa do que supor?
Calo vazio de sentidos, assim
Pulsa tudo por ti em mim

17 junho, 2011

Por teu amor

As penas da saudade são


rir de si em silêncio às noites

um constante corolário

num canto qualquer do mundo

[o melhor porque lá estás]

e ao vento os cabelos revoltos

alinham em gotas

a chuva impregnada na roupa,

na pele, na alma

no escuro fundo da terra

a semente projeta o amanhã

fecundo de ti, em sumarento fruto

que vai chegar-te aos lábios de romã

por amor

16 junho, 2011

De mim e de ti

O verso é tudo de mim e nada mais é de ti
Assim, entretanto, é um tanto menos  inverso

10 junho, 2011

03 junho, 2011

namorada minha amada



Um dia, todos os dias, qualquer dos dias, 

santos, santificados, úteis ou feriados, 

serão só nossos, os dias de namorados.

22 dezembro, 2010

Amo vocês

E por isso repito,
toda hora
...todo dia
todo mês
ano a ano
Por isso vivo
porque amo vocês
a lembrança de vocês
a presença de vocês
não é insensatez
é apenas porque
entra ano, sai ano
e são vocês que amo
repito: amo vocês.

15 outubro, 2010

Eu não sou religioso, Frei Betto é. Voto em Dilma

TENDÊNCIAS/DEBATES

Dilma e a fé cristã

FREI BETTO


Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu,
jamais se encontrará uma única linha
contrária aos princípios do Evangelho e da fé cristã


Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte.

Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência.

Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho.

Nada tinha de "marxista ateia".

Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.

Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória -diria, terrorista- acusar Dilma Rousseff de "abortista" ou contrária aos princípios evangélicos.

Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.

Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo.

Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica.

Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que "a árvore se conhece pelos frutos", como acentua o Evangelho.

É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam.

Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto...

Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.

Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.

Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.

A resposta de Jesus surpreendeu: "Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes..." (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz.

Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.

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FREI BETTO, frade dominicano, é assessor de movimentos sociais e escritor, autor de "Um homem chamado Jesus" (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004, governo Lula).

28 agosto, 2010

É muito sentir um ano sem ti


Aquele aquecer difícil de esquecer
Aquela espera de enlouquecer
Aquele tão mágico acontecer
Naqueles momentos de entardecer
As tuas tantas maneiras de enternecer
Os vários modos de estar em ti e ser
Aquela bela maneira única de te reconhecer
Aquele teu meigo jeito de se deixar prender
Esse modo outro, sem dor, do poeta ver
Aquilo e isso, amor, são nossos jeitos de ser

Programa inteligente

20 março, 2010

Meu resumo de Alice tem mais de 18 mil leitores


A trama de Lewis Carrol cria universo ficcional caótico que vai sendo conhecido em altíssima velocidade narrativa.
Nada real, coisa alguma de realidades.
Não deixa o leitor estabelecer relações cognitivas e emocionais no encontro com o texto. O impensado é o desafio a vencer.
O País das Maravilhas desliga linguagem de contexto usual e convida ao estranhamento do mundo. Obra de arte, não trata só do nonsense infantil, pois que carrega ordenação lógica singular.
carroll finaliza revelando em que se assenta o seu país: Ah, eu tive um sonho tão esquisito! – diz Alice. O autor faz das aventuras encontros fenomenológicos. Cada episódio guarda níveis de apreensão diversos.
A narrativa convoca a capacidade de reordenar as significações. Os encontros de Alice conduzem a pensar a própria linguagem de modo que se torne linguagem primeira redefinindo os próprios limites do mundo. Infância, jogo e linguagem são os marcos essenciais do mundo poético de Carroll. Nenhum suficiente em si para que se compreenda o mundo. Alice não é puro jogo com os significantes.
No quinto capítulo, Conselhos de uma Lagarta, filosofia profunda aparece como ingênuo diálogo infantil. “Quem é você?”. Está posta a própria existência em questão. Tantas transformações sofridas e encontros no mínimo inusitados na toca do coelho, longe da família, da escola, das atividades e círculos sociais próximos, a resposta poderá ser errada, porque requer de Alice retomar a própria essência. Tarefa colossal ante as circunstâncias do País das Maravilhas.
O desassossego se instala; Carrol questiona a existência antes da autodefinição. Dúvida antes do Verbo A lagarta será borboleta. Espelho da metamorfose.
Escapa a Alice a razão de não poder identificar-se.
- Bom, quem sabe a sua maneira de sentir talvez seja diferente ... ensaia Alice ainda na tentativa de explicar-se. - Você! - exclamou desdenhosamente a Lagarta.
– E quem é você?
- Acho que a senhora deveria me dizer primeiro quem é .
- Por quê?
A nova pergunta desconcerta, confronta sem desvelar-se. Carrol desarticula o mundo instituído. Retoma respostas socialmente aceitas, esvaziadas de significação e lhes dá outro lugar.
Só o olhar primeiro, um novo olhar, se permite maravilhar.
_______________
Apoiado no estudo A desconstrução de ilusões, de Milena Shimizu.

Expressos 222

Desde fins de outubro disponibilizei grátis na rede em pontoPDF e mais recentemente em pontoDOC a versão eletrônica de minha primeira novela O dia do descanso de Deus.
Feliz, tenho, hoje, 222 novos dowloads de interessados no texto que tinha esgotada a edição impressa de 1mil exemplares em janeiro do ano passado.
A novela fora lançada em 31 de maio de 2007.

Edição do autor, cumpriu curiosa trajetória.

O ambiente depois da WEB que muito mais aproximou leitores da novela e deste autor então estreante foi o programa Conversa com a pessoa que lê, em que apresentava brevemente o processo de criação da história e batíamos um papo descontraído com os interessados, muitos também escritores de poemas, crônicas pra revistas de bairro, poetas e contistas ainda de gavetas.

O que mais insisti com o pessoal é que publicassem, mesmo na internet, em blogs, sítios de cultura como o Overmundo, o Recanto das Letras, o Portal Literal, aqui nesse meu blog, o Retorno Imperfeito, em que me disponho a postar o que me enviem.

O primeiro ambiente a aproximar mais leitores, antes absolutamente desconhecidos meus e eu deles, hoje muitos grandes amigos e conselheiros, como as colegas jornalistas e poetas Cida Almeida, de Goiânia, e Cintia Thomé, de Campinas, que também publicaram no período; a professora Ize Oswald, uma principal incentivadora minha, que inclusive resenhou a novela para o Overmundo, em meio a todos fazeres de coordenadora de mestrados da UERJ; Dora Nascimento, amiga itinerante, quase tão nômade na rede quanto as tribos de índios que ajuda a formar e recuperar a identidade cultural atra´ves do registro visual; o músico, cineasta, dramaturgo, escritor, poeta, compositor e amigo grande, José do Spírito Santo, do Rio de Janeiro e do Mundo, um desafiador e propositor de dilemas a solver e de identidades a revelar, nosssa, de negros, da Francinne Amarante, poeta maior e tocadora audaz do Balaio Cultural em Brasília, em São Paulo, no mundo todo. E muitos próximos meus de Porto Alegre, sempre icnentivadores da minha produção: Ronald Augusto, Rosane Scherer Gloria Athanázio, Loma, Gustavo Mello, entre mais outroas pessoas queridas que expressaram vivamente seu gosto por essa minha prosa, o mais incentivador deles Miguel Rosseto, a quem sempre agradeço.

Nesse primeiro ambiente, a Internet, recebi o carinho de tantos leitores novos estimulados pelos instigantes postados da minha cria Juliaura, como Saramar, Cris Pingarrilho, Poeta Jorge Henrique, Lili Beth, entre muitas outras pessoas queridas.

A todas muito agradecido estou. Façamos da rede a grande gaveta universal dos textos nossos de cada dia, nossa impressões sobre o mundo com o que nos vai nos corações e mentes.

16 março, 2010

Sim, tudo passa ou passará*

o problema, o pequeno detalhe
é que, enquanto isso passa
a vida também acontece no encalhe




__________
*meu gol mil no blogue

09 março, 2010

poesia e paixão

a poesia não naufraga,
mesmo sob a torrente,
nem encalha ou encroa
ela verte emoção
e vagas tantas
que reverbera paixão.

24 fevereiro, 2010

nada basta sem amor

Sem amor
nada justifica
ser humano


sem nada mais

Só nossos versos não nos deixam,
quando se vão a razão e a paixão.

Por que tanto falar de amor?

Sem novidade nas coisas da vida
Invento histórias versão colorida
Deposito meu coração na tua mão
Sabes que pesa o meu amor então


Pouco vale, isso é inteira verdade
Não há modo diverso de dizer-te
Nem mesmo sei como ainda falo
Há muito indago por que não calo



Tanta história pra contar em cor
Deveria deixar de falar de amor

22 fevereiro, 2010

após a tormenta

foto de W. Danielsl, do pós terremoto no Haiti


Se danço contigo, pego na tua mão
Meu corpo encontra o teu coração
O perfume recende mágoa passada
- mói, corrói, dói, atordoa.
E não revivo assim, é do que morro
Minh’alma se perde em volutas
Além da própria conhecida razão
Come com os pássaros no chão
São certezas de não futuro
Dum presente sem espelho
Dos escuros céus da tormenta
Um céu sem sol, nem lua
As estrelas nuas em prisão de gelo
Um tão melancólico destino
Aproxima do opaco desatino
O reverso refletido no frio da lâmina
Dum mundo perverso, abatido!
A queimada crestando o solo, a chama
Lugar algum fora d’alma intacto há
Os elementos em constante fluidez
O látego punindo minha rasa estupidez
As marcas ruinosas no coração
Os reveses da liquidez em versos
O corpo caído, vôo cego no vazio
Falso passo de valsa no cadafalso
Imprevisto lampejo, fim de desejos
Saudades e lembranças assombradas
Varadas por coriscos, tenebrosas
Lampejos da vida, tudo em risco
Atravessada por felicidade em vagas
Encadeadas como ondas à beira-mar
Sem tempo pra dor do desamor
De se poder também gostar
De estar sobre a cama sem medo
Num arremedo de brinquedo
À margem do sonho me quedo
Metade amor, metade desmantelo
Fugindo atormentado, adivinho
Após a borrasca, dor e borra de vinho

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