Um outro capítulo da mesma história da guerra de Trump contra os persas são os ataque iranianos a centros de dados em Israel e países aliado dos EUA. A dependência do Pentágono da IA da Microsoft já é centenas de vezes maior do que a dependência do Irã de qualquer serviço de nuvem ocidental. Um divisor de águas que confirma uma nova realidade: a infraestrutura de nuvem e IA agora é considerada "alvo militar legítimo". Posicionar a IA em grandes centros de dados no solo, no entanto, cria pontos únicos de falha.
A relação entre o acordo da Microsoft com o Pentágono e o risco para parceiros de guerra abre amplo e novo cenário, por exemplo, é parágrafo destacado da história. O fornecimento de IA ao Pentágono através de projetos como o JWCC (Joint Warfighting Cloud Capability) integra a Microsoft diretamente na cadeia de comando e controle dos EUA. Quando o Irã ou seus aliados atacarem um centro da Microsoft, eles não estarão atacando apenas uma empresa de software, mas o "cérebro digital" que processa dados de inteligência, logística e seleção de alvos para a guera. Este evento sinaliza que qualquer nação ou empresa que hospede infraestrutura crítica de IA vinculada aos EUA torna-se um alvo. Países como o Kuwait, que abrigam bases americanas e infraestrutura de suporte, veem o risco aumentar.
A IA da Microsoft é usada para
coordenar defesas antimísseis e sistemas de drones (como os caças F-15, aqueles
abatidos no incidente de fogo amigo). Atacar o centro de processamento,
fisicamente ou por hackeamento é uma tentativa de "cegar" o sistema
na origem, em vez de tentar abater o míssil no ar. Um bombardeio ou mesmo um
hackeamento revelaria que a estratégia de posicionar a IA em grandes centros
de dados cria pontos únicos de falha. Se isso era apenas uma hipótese a ponderar, já
é necessário considerar como possível.
Se a IA é necessária para a
defesa, mas o local onde ela é processada é vulnerável, o parceiro que utiliza
essa tecnologia importa também a vulnerabilidade do fornecedor.
O Irã demonstrou que pode usar
drones de baixo custo para destruir aviões de milhões, sistemas de radar que
custam bilhões. Os Data Centers que operam algoritmos valem trilhões de
dólares.
O Pentágono agora enfrenta um
dilema: para que a IA funcione no campo de batalha, ela precisa de servidores
próximos (de baixa latência*). No entanto, colocar esses servidores em zonas de
conflito como Israel, Catar, Emirados Árabes ou Kuwait expõe a infraestrutura
da Microsoft a ataques físicos que podem paralisar operações globais da empresa
ou de outros clientes civis.
Isso pode levar a uma
"soberania de dados militarizada", onde o Pentágono passará a exigir
centros de dados móveis ou subterrâneos, isolados da infraestrutura comercial,
para evitar que o bombardeio de uma empresa privada afete a segurança nacional
própria ou de país aliado em combate.
A instalação de centros de
dados em submarinos ou cápsulas subaquáticas é tecnicamente viável e já passou
da fase de protótipo, sendo uma das soluções mais discutidas para proteger a
"nuvem de guerra".
A própria Microsoft liderou essa inovação com o Projeto Natick, que provou vantagens aplicáveis ao cenário militar: os servidores são montados em estruturas do tamanho de contêineres de transporte (ISO), que possuem dimensões compatíveis com o casco de grandes submarinos de carga ou plataformas subaquáticas modulares.
Já existem conceitos para submarinos de "classe data center", que em vez de carregar mísseis balísticos carregam racks de servidores refrigerados pela água do mar, eliminando ainda o maior custo e desafio de um centro de dados de IA, o dano por calor excessivo. Submerso o submarino dedicado ao transporte de data centers, a água fria permitiria que os processadores rodassem em capacidade máxima sem derreter, o que é essencial para processar algoritmos de guerra em tempo real.
Diferente do centro em
terra, como em Israel, que tem uma localização geográfica fixa e visível por
satélite, um data center submarino poderia ser deslocado pelo Golfo
ou pelo Mediterrâneo, tornando quase impossível para drones iranianos
localizarem o alvo.
A pressão e a profundidade protegeriam
os servidores de bombardeios aéreos e ataques de drones de superfície. Se o
Pentágono mover sua IA para o fundo do mar, o conflito muda de dimensão.
O Irã ou aliados como a
Rússia, especialista em guerra submarina, poderiam focar na temerária tática de
cortar cabos de fibra ótica que ligassem esses centros subaquáticos às bases em
terra.
Cortar cabos submarinos é de
certa forma uma "opção tipo bomba nuclear" da guerra de informação: você cega o
inimigo, mas pode acabar se isolando também. Na atualidade, o Irã utiliza a
mesma infraestrutura global de cabos para sua economia e comunicações. Muitos
cabos que passam pelo Estreito de Ormuz conectam não apenas os EUA e o Kuwait,
mas também o Irã ao sistema financeiro global (ou o que resta dele sob sanções)
e a parceiros como a China.
O Irã tem investido em rotas
terrestres de fibra ótica via Rússia e Ásia Central, o que daria a Teerã a possibilidade
de voltar a cogitar o corte dos cabos submarinos a serviço da IA estadunidense e ao tráfego Kuwait/Arábia
Saudita, enquanto mantivesse sua própria internet funcionando por terra.
Há ainda o investimento persa
em pequenos submersíveis autônomos que poderiam ser usados para localizar e
detonar cargas contra essas cápsulas de dados.
Embora proteja contra a
"chuva de drones", o custo de operar IA debaixo d'água é altíssimo. A
manutenção é ainda impossível (se um servidor quebra, ele fica quebrado até a
cápsula ser içada semanas, meses ou anos depois), exigindo que a IA seja redundante e resiliente.
Essa transição para o fundo do
mar transformaria a Microsoft em uma empresa de tecnologia naval, integrando-se
ainda mais à estrutura de defesa dos EUA.
A dependência do Pentágono da
IA da Microsoft já é centenas de vezes maior do que a dependência do Irã de
qualquer serviço de nuvem ocidental.
Para os EUA, o corte de um
cabo significa ampliar a latência no processamento de alvos e falha na coordenação de
drones.
Para o Irã, significa perda de
internet civil, algo que o regime muitas vezes já faz deliberadamente durante
crises internas.
Em vez de cortar cabos, o Irã ainda
pode usar sabotagem eletrônica localizada. Se atacados os "pontos de
amarração" (onde o cabo sai do mar e entra na terra) em países aliados dos
EUA, isolaria a base militar sem desligar a internet de todo o país ou a sua
própria.
Se os cabos fossem cortados e os centros de dados físicos danificados (como o de Israel) , a única saída seria o Starlink ou o Starshield (versão militar da SpaceX).
Isso transfere a dependência
do cabo para o satélite.
O “risco Irã” ainda assim não
teria sido de todo afastado. Teerã vem testando intensamente sistemas de
interferência de sinal (jamming) de GPS e satélite para tentar anular essa
alternativa.
A pergunta que se impõe não é
se o Irã pode cortar o cabo, mas se a China permitiria. Se o corte interromper
o fluxo de dados chinês, Pequim poderia retirar o apoio político ao Irã. A
guerra moderna é uma teia onde puxar um fio pode desmoronar a rede de quem
atacou.
Qual seria o nível de
redundância que os EUA realmente têm no Golfo, se cabos e centros da Microsoft
caíssem simultaneamente?
A ativação do sistema
Starshield (a versão militarizada e criptografada da Starlink, da SpaceX) no
Oriente Médio tornou-se a prioridade absoluta do Pentágono após o primeiro bombardeio do
centro da Microsoft em Israel ainda em 2025. O objetivo foi criar uma rede de comunicação que
não dependesse de cabos submarinos ou centros de dados fixos e vulneráveis.
Como resposta tecnológica, a necessidade de redundância** dos EUA consolida a presença da Starshield no Golf. Apartir da destruição de infraestruturas físicas terrestres, o Pentágono está migrando o processamento de dados da "nuvem terrestre" para a "nuvem orbital".
O Starshield utiliza terminais que podem ser instalados em jipes, navios ou bases móveis, dificultando o rastreamento por drones iranianos. A "Nuvem Distribuída" significa, em vez de um grande prédio da Microsoft, o processamento de IA fragmentado entre milhares de satélites e estações terrestres móveis.
Ante a novidade, o Irã já começou a testar armas de pulso eletromagnético (EMP) e lasers de solo para tentar "cegar" também esses satélites em baixas altitudes (LEO).
Em síntese, ataques a data centers tornaram-se uma tática deliberada para paralisar governos e economias, custando milhões em tempo de inatividade. O ataques recentes demonstram que data centers no Oriente Médio agora são considerados alvos militares cruciais de infraestrutura.
______
* Baixa Latência é o tempo mínimo de atraso na transmissão de dados em uma rede, garantindo respostas rápidas, quase em tempo real, entre um dispositivo e um servidor.Medida em milissegundos (ms), é crucial para evitar lags em jogos online, videochamadas, streaming ao vivo e negociações financeiras, proporcionando uma experiência fluida.
** Redundância em sistemas e redes de dados é a duplicação intencional de componentes, dados ou caminhos de rede para garantir alta disponibilidade e tolerância a falhas. Ela permite que, se um dispositivo (como servidor ou switch) falhar, outro assuma imediatamente, evitando interrupções e perda de dados.
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