A situação do BRB (Banco de Brasília) tornou-se crítica em fevereiro de 2026, com a revelação de que os controladores do Banco Master (atualmente em liquidação extrajudicial) não eram apenas vendedores de ativos, mas tornaram-se acionistas relevantes do próprio banco estatal. O BRB enfrenta agora uma crise tripla: Reputacional/Criminal: Investigação de sua antiga cúpula por gestão fraudulenta. Financeira: Necessidade urgente de capital para cobrir o rombo das "carteiras podres". Controle: Mudança forçada na base acionária, com alvos da PF (Vorcaro) e gigantes globais (Mastercard) ocupando espaço no capital da instituição estatal. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), está diretamente implicado no imbróglio e tornou-se formalmente investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ)*.
Investigações da Polícia Federal e uma auditoria externa do próprio BRB revelaram que o grupo liderado por Daniel Vorcaro chegou a deter quase 15% das ações do BRB até janeiro de 2026. O grupo Vorcaro (via holding Titan e aliados como Maurício Quadrado e João Carlos Mansur) comprava ações do BRB ao mesmo tempo em que negociava a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito para a instituição. Em desdobramento inusitado, a Mastercard tornou-se acionista (6,93%) do BRB em janeiro de 2026 após executar garantias de uma dívida do Will Bank (fintech ligada ao grupo Master) que consistiam em ações do banco de Brasília.
A PF apura se o BRB foi utilizado para "salvar" o Master da quebra por meio de uma operação de "camaradagem", adquirindo ativos problemáticos para injetar liquidez no banco privado. Ainda hoje, sexta-feira 6 de fevereiro de 2026, o BRB deveria apresentar ao Banco Central plano para recompor um valor total de R$ 5 bilhões de perdas geradas pelo envolvimento com o Master. O banco estatal busca evitar uma intervenção direta do BC após a descoberta de que aceitou R$ 10 bilhões em ativos do Master sem a devida avaliação, o que pode gerar um prejuízo bilionário ao patrimônio público do Distrito Federal.
As investigações da Operação Compliance Zero ainda conectam o caso a movimentações suspeitas de lavagem de dinheiro. O Master teria realizado cerca de R$ 2,8 bilhões em câmbio para empresas investigadas por ligação com o Hezbollah e o PCC.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), está diretamente implicado no imbróglio e tornou-se formalmente investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em fevereiro de 2026. Diferente dos dirigentes do banco, que são investigados em instâncias inferiores, Ibaneis é alvo no STJ devido ao foro privilegiado. Depoimentos revelaram pontos críticos. Daniel Vorcaro afirmou em depoimento à Polícia Federal que tratou pessoalmente com Ibaneis sobre a tentativa de venda da instituição ao BRB. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa declarou em depoimento que o governador estava ciente da operação de R$ 12,2 bilhões com o Master.
A oposição na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) protocolou pedidos de impeachment contra o governador em 1º de fevereiro de 2026. Os parlamentares apontam crime de responsabilidade, alegando que Ibaneis teria interferido politicamente para forçar a compra de "papéis podres" (carteiras de crédito sem valor) do Master pelo banco estatal, o que gerou um rombo bilionário. Ibaneis tentando se distanciar da responsabilidade direta pelas perdas financeiras, afirmou que "confiou" no ex-presidente do banco e que as decisões eram de caráter técnico da diretoria. Ele declarou ver com "naturalidade" as investigações da PF, embora o avanço do caso no STF e STJ tenha aumentado a pressão política sobre seu mandato.
Enquanto os dirigentes do BRB respondem por gestão fraudulenta e temerária, Ibaneis é investigado por interferência política e possível omissão ou facilitação de um esquema que, segundo a PF, serviu para injetar dinheiro público em um banco privado (Master) já quase sem liquidez.
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* De acordo com o Artigo 105, inciso I, alínea "a" da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) processar e julgar, nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal. O STF (Supremo Tribunal Federal) julga o Presidente da República, Ministros de Estado, Senadores e Deputados Federais. O STJ é o tribunal responsável pelos chefes de executivo estadual/distrital. Quando Ibaneis foi investigado pelo STF no caso do 8 de janeiro, a investigação envolvia atos que supostamente atentavam contra os Poderes da República e a ordem democrática, crimes que estavam sob a relatoria do Ministro Alexandre de Moraes em um inquérito que já tramitava no Supremo com outros réus que tinham foro no STF. Havia o que o direito chama de "vis attractiva" (força de atração): quando o crime é contra a segurança nacional ou envolve figuras do alto escalão federal, o STF pode atrair a competência. No imbróglio atual envolvendo o Banco Master e o BRB, as acusações são de crime comum (gestão fraudulenta, corrupção, peculato ou lavagem de dinheiro no âmbito distrital). Como o crime em tese ocorreu durante o mandato e está relacionado ao exercício do cargo (influência sobre o banco estatal do DF), a competência volta para a regra geral: o STJ, quando a investigação corre sob a supervisão de um ministro do STJ e é conduzida pela Polícia Federal, por tratar-se de verbas federais/estatais e crimes financeiros.
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