26 janeiro, 2026

O MERCADO É UM AMBIENTE EM DISPUTA

 DESMISTIFICANDO O MERCADO FINANCEIRO

Por Henrique Mann

O Mercado Financeiro não é uma entidade e nem pertence a um determinado grupo. Eu sou do tempo em que as compras e vendas de ações eram feitas “no grito”, daí o nome “pregão”, de “apregoar”. Qualquer pessoa poderia entrar lá, inscrever-se para a compra (comprovando o quanto tinha em dinheiro para investir) e participar do pregão. As empresas vendiam ações (cotas de participação) que, muito antigamente, chamavam-se “bonds”, daí porquê no Brasil o transporte público elétrico sobre trilhos é “bonde”... porque em 1911 a "Companhia The Rio de Janeiro Suburban Tramways Limeted" vendeu ações (bonds) para implantar o sistema de transporte no RJ. As pessoas que compravam “bonds” tornavam-se sócias da companhia na proporção da quantidade de "bonds" adquiridos. E isso não era nenhuma novidade: em 1602 a Companhia Holandesa das Índias Orientais lançou oficialmente ações na Bolsa de Amesterdã para financiar suas viagens comerciais, criando e consolidando o sistema de Capital Aberto, as Sociedades Anônimas e a secção das Cias Limitadas (LTDA).
 
"Bond": em 1911 a Companhia The Rio de Janeiro Suburban Tramways Limeted vendeu ações (bonds) para implantar o sistema de transporte no RJ. As pessoas que compravam “bonds” tornavam-se sócias da companhia na proporção da quantidade de bonds adquiridos. É por isso que no Brasil este transporte chamava-se "bonde".

A bolsa de valores brasileira (Bovespa, atual B3) passou a ser operada via internet nos anos 1990, consolidando-se com o sistema "Home Broker" em 1999. Foi ali que o pregão tradicional deu seus “últimos gritos” e foi substituído por uma tela de computador e pelo silêncio... hoje dá para comprar e vender ações até pelo telefone celular.
O Home Broker na tela do computador 
e do telefone ao mesmo tempo. 
É uma boa maneira de lidar com a situação.

Qualquer pessoa pode fazer uma conta gratuitamente em uma corretora de valores e comprar ou vender o que bem entender em ações, fundos de investimentos imobiliário (FII), Tesouro Direto... e qualquer coisa destas é melhor (muito melhor) do que aplicar em Poupança ou em CDB, quando se está disposto a correr algum risco.
E isso é importantíssimo explicar: se eu tenho, digamos, 10 mil reais e pretendo guardar este dinheiro, mas quero ter acesso rápido a ele em caso de necessidade...
se eu botar numa poupança terei um rendimento de 0,5% ao mês (50 reais), se aplicar no CDB terei 0,75% ao mês, nos dois casos serei penalizado se eu precisar retirar antes de completar-se cada ciclo de 1 mês. É porque, nos dois casos, estou "emprestando" o meu dinheiro ao banco, que vai me pagar 0,50 ou 0,75% e emprestar este mesmo capital para outros a juros extorsivos de 17%, 20%/mês e, em alguns casos, absurdos 350%/ano.
Mas, se eu comprar ações do banco, passo a ser “sócio” dele. Receberei dividendos (“dividend yeld”) + a valorização nominal e unitária das ações.
Se eu investir em FII, terei a valorização unitária de cada "ativo" + rendimento mensal sobre o Capital, que, tudo somado, costuma dar em torno de 1,2% a 1,5%, até 2% ao mês (em média).
Mas eu corro risco das ações e fundos "caírem". Ora, se eu investir em poupança ou CDB, o "Fundo Garantidor" do Banco Central também só “garante” até 250 mil reais... qualquer operação financeira envolve algum tipo de risco.
Então, numa perspectiva “conservadora”, devo aportar meu dinheiro em empresas consolidadas e de "baixo risco". As “queridinhas” do mercado brasileiro, por exemplo, são as do Banco ITAÚ, que valorizou suas ações em 55,6% nos últimos 12 meses. Mas, vejamos um exemplo oposto: quando veio o "tarifaço de Trump", as ações do Banco do Brasil caíram 16%, porque ele é o principal financiador público.
Poxa!
O investidor inexperiente entraria em desespero. Se ele tinha R$ 10 mil ficou com R$ 8,4... mas o investidor que conhece a história e sabe que o BB não pode falir, porque arrastaria consigo todo o sistema financeiro do Brasil e pelo menos uns 20% do mercado mundial (no qual os EUA também estão inseridos), não cometeria este erro!
Quem teve "sangue frio", comprou as ações quando elas caíram. Na última semana, as ações do BB subiram 14%, quem comprou R$ 10 mil quando estavam em baixa ganhou R$ 1.400... já ficou alegre, não é? Imagina, então, o sujeito que comprou 10 milhões... ganhou 1 milhão e quatrocentos mil em uma semana!
Uma aplicação de cerca R$ 1.400 - observe-se que ela detalha o preço pago pelo "ativo" ("abertura" e, no caso, é FII), o quanto paga-se pela "unidade", quanto ela valoriza (ou desvaloriza); quanto paga em rendimento... é assim que se deve agir: JAMAIS botar a totalidade do dinheiro disponível em um único "ativo"... deve-se dividir em, pelo menos, 10 "ativos" diferentes... a isto chama-se "diversificação", que é uma forma de "proteção": se um dos "ativos" cair sempre se teremos outros para compensar a queda. Uma boa Carteira de Investimentos deve ter mais de 10 "ativos"... mas há quem tenha 20, 30, 40 ou 50 e até mais... depende do perfil do investidor e de sua capacidade financeira

Só na frente da tela do computador ou do celular... fora isso, ainda vai receber os “dividendos”, que no caso do BB não são os mais altos do mercado, mas são distribuídos semestralmente aos acionistas. Pessoalmente, por lidar com pequenas e médias quantias, prefiro FIIs, do que ações. Os FIIs pagam mensalmente entre 1 e 2% do valor investido e sobem ou descem igual às ações. Nos dois casos, não há problema de liquidez ou de perdas em caso de resgate emergencial, se precisar do dinheiro rapidamente, basta abrir o Home Broker e vender as ações ou FIIs... em 24h o dinheiro está na conta pelo preço do dia da venda.
Um investidor estuda onde investir seu dinheiro através do "Home Broker".

Desmistificada esta parte “operacional”, demonstrado que está ao alcance de qualquer pessoa que tenha algum dinheirinho para economizar e que é melhor aplicar no mercado financeiro do que em Poupança ou CDB, vamos à questão política: é claro que os grandes operadores e investidores são de direita, pois são "ricos". Mas isso é da "individualidade" e da “coletividade” deles, como “classe rica”. Alguns são envolvidos com maracutaias e negociatas, outros são só de direita mesmo, por ideologia... mas o “mercado financeiro” em si, não “pensa por conta própria”... é apenas uma forma muito antiga de empresas arrecadarem dinheiro e de investidores ganharem algum dinheiro também. Isso acontece desde 1602... e antes já havia o sistema de “usura”, sendo que este se consolidou em 1397 d.C, quando os florentinos da família Médici e o "executivo" Giovanni Bicci fundaram o Banco Médici, que deu origem ao sistema financeiro moderno, para o bem e para mal, pois foi dali que surgiram os financiamentos (privados ou públicos), o acesso ao Capital, ações, sociedades abertas ou limitadas e até a Máfia.
Enfim, sempre que a gente abre uma conta num banco ou faz um saque num caixa eletrônico, usa um cartão de crédito ou débito, está usando este sistema de mais de 6 séculos.
Se os maiores investidores ou empresários, deste ou de qualquer outro setor, agem politicamente, é um problema deles. Vão agir igualmente em qualquer área da sociedade: dentro dos partidos políticos; dos meios de comunicação; dos clubes de futebol; das redes sociais ou no mercado financeiro... mas este não tem vontade própria e nem age como uma “entidade” coesa, dotada de raciocínio ou ideologia... está ao alcance de qualquer pessoa no sentido de usufruir, investir, comprar, vender... e é evidente que quem controla a "máquina" e tem mais dinheiro fará força para conduzir para suas convicções e usá-la politicamente... como fazem os donos dos meios de comunicação, das redes de lojas, das empresas em geral. Faz parte do jogo, "in saecula saeculorum".
Finalmente, é preciso compreender os acontecimentos recentes: a Bolsa de Valores do Brasil (B3) disparou, o dólar e o Euro caíram... a direita brasileira inventou uma mentira (“fakenews”) de que isto seria por um pequeno aumento percentual de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de voto.
Nada pode ser mais falso do que isso! A verdade é que ingressou no Brasil, nestas últimas duas semanas, algo entre oito a nove bilhões de dólares de investidores estrangeiros.
Ora, quando um governo de qualquer país oferece estabilidade e previsibilidade atrai investidores. E quando oferece boas taxas de juros atrai ainda mais. O Brasil é um dos países que oferece maiores taxas de juros, mas conquistou o respeito da comunidade financeira ao enfrentar o “tarifaço” de Trump. Os investidores dos EUA e da União Europeia perceberam isso e transferiram capitais para a B3. E não foi só isso... num panorama geral, o Brasil avança em acordos multilaterais, possibilidades de investimentos, abre, por exemplo, fábrica da Embraer em Portugal e atrai a EDP (maior Companhia do ramo da eletricidade portuguesa) para investir no setor eólico no Nordeste brasileiro. Enfim, o Brasil oferece, hoje, taxas de remuneração de Capital maiores e mais seguras do que Nasdaq, Dow Jones, S&P; FTSE 100, Nikkei e Euronextcom, com estabilidade e previsibilidade. Isso é tudo o que um investidor internacional quer!!!
Por outro lado, um capitalista brasileiro de grandes recursos, não estará interessado em financiamento público de moradias para a classe média, programas sociais "para pobres" e nem mesmo na indústria brasileira de alta tecnologia, porque o interesse maior dele será num condomínio para ricaços no Balneário Camboriú... onde ele poderá obter financiamentos e adesões de outros ricaços da malta dele, e isso sim representa uma distorção do “mercado financeiro”... mas não uma condição inerente ao mesmo, porque o pequeno investidor, que comprou ações da Caixa Econômica para guardar uma reservinha capaz de adquirir um carro popular dali dois anos ou dar entrada em um apartamento de dois quartos... este também faz parte do tal "mercado financeiro" e irá sofrer as consequências das variações dele decorrentes (para mais e para menos).
Então, não é o "mercado"... e sim as forças que o integram e disputam.
No caso brasileiro, todos estão ganhando agora: grandes investidores internacionais, pequenos investidores brasileiros, o Governo que consegue atrair capital para investir no país... e até os patifes que lucram milhões, apenas porque sabem lidar com o mercado... mas, politicamente, para eles é melhor criar uma “narrativa” ou “fakenews” de que a disparada da B3 deve-se ao Flávio Bolsonaro. E o que se poderia esperar de gente como o "Véio da Havan" et caterva? Não sejamos ingênuos!
O “mercado financeiro” não é um "bicho-papão"... nem uma “seita” ou uma "igreja"... está aberto a todos nós... o problema é que poucos sabem utilizá-lo, daí aquele pessoal lá da "Faria Lima" fica com a vantagem, não por inteligência deles, mas por falta de conhecimento nosso. Tem gente que prefere "apostar no Tigrinho", eu prefiro "apostar na Bolsa de Valores".
Está mais do que na hora de entendermos isso e ocuparmos este espaço!
É historicamente nosso!
Não pertence aos grandes capitalistas e sim a qualquer cidadão!
Se o “mercado ficar nervoso”, o problema é dele! Basta que eu fique calmo... e saiba usá-lo!

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