Pra não ficar no diz-que-diz, vamos ao que já foi dito. Roberto Campos Neto teria sido informado sobre a crise de liquidez e inconsistências financeiras do Banco Master ao longo de seu último ano de mandato, em 2024, especificamente no início daquele ano. Os principais pontos sobre os quais ele teria recebido informações incluem Inconsistência de Liquidez, Dificuldades de Rolagem de Dívida, Gestão de Ativos ("Good Bank" vs. "Bad Bank"), Ultimato Informal.
No final de 2023 e ao longo de 2024, o BC e o CMN endureceram as regras para bancos que dependem excessivamente de depósitos garantidos pelo FGC (como o CDB do Master). Bancos com mais de 60% de captação garantida passaram a pagar uma contribuição extra ao fundo. Isso aumentou o custo de captação do Master e reduziu sua margem financeira, tornando o modelo de negócios insustentável antes mesmo da liquidação.
Em auditorias e fiscalizações realizadas no início de 2024, o Banco Central identificou que a instituição apresentava um cronograma elevado de desembolsos obrigatórios para pagamentos, contrastando com um estoque insuficiente de ativos líquidos.
Havia ciência de problemas na capacidade do banco em refinanciar seus compromissos financeiros.
Campos Neto teria conhecimento de uma divisão interna entre ativos saudáveis e problemáticos, uma aposta em que a venda da "parte boa" evitaria a liquidação total, o que reduziria o custo para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Documentos indicam que o Banco Central, ainda sob a gestão de Campos Neto, emitiu um "ultimato informa" à instituição, estabelecendo o prazo de março de 2025 para que uma solução definitiva de mercado fosse encontrada pelo Banco master.
Apesar dessas informações, a liquidação extrajudicial do banco só ocorreu em 18 de novembro de 2025, já sob a presidência de Gabriel Galípolo, após o Banco Master demonstrar incapacidade técnica de honrar compromissos.
Normas de contabilização de ativos de risco editadas pelo próprio BC em 2023 consolidaram a convergência do sistema financeiro brasileiro ao padrão internacional IFRS 9, com foco no reconhecimento antecipado de perdas e na classificação de ativos pelo modelo de negócio.
As principais resoluções publicadas naquele ano foram
Resolução BCB nº 309/2023, que estabeleceu os procedimentos para a definição de fluxos de caixa de ativos financeiros (critério de "somente pagamento de principal e juros" ou SPPI) e a metodologia para a taxa de juros efetiva.
Resolução BCB nº 352/2023, que definiu as diretrizes para a contabilização de instrumentos financeiros, incluindo critérios para identificar "ativos problemáticos" (com problema de recuperação de crédito) e regras para mensuração a valor justo.
Resolução CMN nº 5.100/2023, que alterou a norma mestre (Resolução CMN 4.966/2021) para ajustar conceitos de contabilidade de "hedge" e o reconhecimento de perdas esperadas, permitindo a realocação de instrumentos na transição para o novo modelo.
Resolução BCB nº 306/2023, que Atualizou os critérios de classificação de instrumentos entre a carteira de negociação (trading book) e a carteira bancária (banking book), visando alinhar o requerimento de capital ao risco real de mercado. (Fonte: Banco Central do Brasil)
Essas mudanças forçaram instituições a adotar o modelo de perda esperada (em vez de perda incorrida), o que exige maior provisionamento imediato para ativos de alto risco, impacto que foi central nas discussões sobre a solvência de bancos com carteiras deterioradas.
As novas normas de contabilização (baseadas no IFRS 9) e as alterações nas regras do FGC impactaram o balanço do Banco Master ao expor a fragilidade de um modelo de crescimento acelerado baseado em ativos de alto risco e baixa liquidez.
O impacto direto ocorreu em três frentes principais:
1. Reconhecimento de Perdas Esperadas (Resolução CMN 4.966)
Diferente da regra anterior (perda incorrida), a nova norma exige que o banco provisione perdas assim que o crédito é concedido, com base na perda esperada (probabilidade de inadimplência).
Como o banco focava em crédito para empresas em dificuldades financeiras e ativos estruturados (precatórios e debêntures conversíveis), a nova regra exigiria um volume de provisões muito superior ao que era mantido, corroendo o lucro e o patrimônio líquido.
O Banco Central permitiu que o impacto negativo dessas provisões no patrimônio fosse parcelado em até quatro anos (até 2028), o que deu uma sobrevida contábil temporária à instituição.
No final de 2023 e ao longo de 2024, o BC e o CMN endureceram as regras para bancos que dependem excessivamente de depósitos garantidos pelo FGC (como o CDB do Master). Bancos com mais de 60% de captação garantida passaram a pagar uma contribuição extra ao fundo. Isso aumentou o custo de captação do Master e reduziu sua margem financeira, tornando o modelo de negócios insustentável antes mesmo da liquidação.
Roberto Campos Neto foi indicado por Jair Bolsonaro em novembro de 2018 para presidir o Banco Central do Brasil, assumindo o cargo em 2019 e sendo aprovado pelo Senado com 55 votos favoráveis. Sob a gestão de Bolsonaro, foi sancionada a autonomia do BC, garantindo seu mandato até 31 de dezembro de 2024.
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