Adiaram o fim do mundo por duas semanas mais. Às 21 horas deste 7 de abril, o relógio não marcou o clarão final; a alardeada grande luz que derreteria fábricas, destruiria pontes, trilhos, estradas e cidades e eliminaria uma civilização e seu povo transformou-se no brilho azulado de uma tela de rede social ao som da orquestra de barris e tilintar das moedas.
O Dono da Bola, que governava os episódios por
audiência, concordou em adiar o espetáculo da destruição para data mais
conveniente para seus patrocinadores.
No grande Palácio de Vidro, rompido o
silêncio dos poderosos., o jogo de espelhos se invertera: os que outrora venciam
por veto, agora ouviam os que calculavam o valor do barril de petróleo e das
ações das fábricas de mísseis e bombas. Para o Dono da Bola e sua equipe de
astros da telinha, o medo não era um presságio, era um produto. O mundo não mais
acabaria com estrondos e luz em hora marcada. O caos ainda tinha dividendos a
pagar.
Nas terras do Oriente, o Povo da
Resistência celebrou o fato de o "valentão" ter piscado primeiro. O ultimato
tonitruante de Washington tornara-se um sussurro de mercador, mediado por
vizinhos interessados nos negócios de energia postos na mesa de negociações de
paz em Islamabad, no Paquistão.
No Vaticano, o papa Leão XIV fechava livros
litúrgicos com um suspiro, sabendo que a oração apenas ganhara um fôlego curto
diante do altar do dinheiro.
Um elo foi esquecido no imbróglio de guerra
e paz. Ninguém combinara o roteiro com Davi. O eterno escolhido se acha esquecido pela
diplomacia dos impérios. Enquanto o mundo respirava o alívio de quatorze dias
de trégua, Davi mantinha a marcha celerada do programa “Do Nilo ao Eufrates”,
que renega o Rio Litani, no Sul do Líbano como fronteira, e o vê como fonte de água
a controlar empurrando para o norte a linha azul a ultrapassada pelo programa
do destino messiânico. Para Davi, o projeto do "Grande Israel" não
aceita feriados diplomáticos.
Enquanto o Dono da Bola vende o ingresso
para o próximo ultimato, Davi marcha na escuridão dos bastidores. Ele já cruzou
as águas, já derrubou as pontes e mantém o dedo no gatilho, indiferente ao veto
de Moscou e Pequim ou ao recuo de Washington.
O início do fim do mundo foi adiado, o mestre
de cerimônias optou por mais lucro, chamou o intervalo para os comerciais. Embora
mortalhas não tenham bolsos, nem caixões tenham gavetas, o verdadeiro e
incontrolável incêndio pode voltar a queimar o cenário a qualquer momento, em
edição extraordinária, porque o show tem de continuar, o dinheiro nunca dorme e
o mapa real no território vale mais do que qualquer cessar fogo assinado por
mercadores.
O Dono da Bola já vende ingressos para o
próximo ultimato. Além do forte cheiro de enxofre, paira dentro e fora do no ar
uma lição amarga: o mundo ainda não acabou porque o mestre de cerimônias e atores
principais esperam mais lucros.
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Escrito na pressa do ultimato. Pintado no caos da trégua,[ABC & Gemini AI]
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