A situação orçamentária dos EUA em abril de 2026 é de extrema fragilidade fiscal devido à guerra com o Irã. O Pentágono informou ao Congresso que o conflito já custa cerca de US$ 2 bilhões por dia. Como o orçamento de 2026 não previa uma guerra de larga escala, os recursos estão sendo drenados rapidamente por necessidades críticas e pedidos de recursos suplementares. Num único pedido de emergência, o Pentágono solicitou um pacote suplementar de US$ 200 bilhões para cobrir os custos imediatos da guerra e repor estoques de mísseis interceptores dos sistemas Patriot e THAAD e munições de precisão, cujo consumo atingiu níveis críticos nos fronts do Estreito de Ormuz. Para sustentar o esforço de guerra enquanto o novo orçamento de 2027 não chega, o governo Trump propôs o uso de manobras de "reconciliação orçamentária" (que exigem apenas maioria simples no Senado) para liberar cerca de US$ 350 bilhões extras.
O Orçamento militar de Trump para 2027 é inédito, US$ 1,5 trilhão proposto pelo governo Trump para o ano fiscal de 2027 é o maior da história moderna e foi desenhado especificamente para responder ao atual cenário de guerra com o Irã e à necessidade de modernização tecnológica radical. Prevê fundos massivos para "backfill" (reposição) de munições de precisão e interceptores, que atingiram níveis críticos devido às intensas operações aéreas e de defesa contra drones iranianos. Há uma fatia de US$ 350 bilhões (via processo de reconciliação orçamentária) destinada especificamente para expandir a base industrial de defesa e garantir que a produção de mísseis acompanhe o ritmo do conflito. O foco está na compra acelerada de bombas guiadas e mísseis ar-ar para os caças F-35 e F-15EX.
Até aqui, os ataques iranianos recentes a bases na Arábia Saudita, Catar e Jordânia (como a Prince Sultan Air Base) causaram danos significativos a radares e infraestrutura. O Orçamento 2027 prevê "Supplemental" de US$ 200 bilhões para reparos de emergência nessas bases e substituição de sistemas de radar e drones MQ-9 Reaper perdidos.
Embora o USS Gerald R. Ford tenha recém passado por reparos na Grécia e Croácia, o orçamento de 2027 foca na sustentação de longo prazo e na criação da chamada "Golden Fleet", reserva US$ 65,8 bilhões para construção naval, visando dobrar o número de solicitações de navios. Estão previstos recursos para novos encouraçados de mísseis guiados e para aumentar a capacidade dos estaleiros públicos, garantindo que navios como o Ford possam ser reparados e mantidos sem depender exclusivamente de portos estrangeiros em tempos de guerra.
O pilar central deste orçamento inédito é o Golden Dome (Cúpula de Ouro), um sistema de defesa antimísseis multicamadas (incluindo tecnologia espacial) projetado para interceptar ataques contra o território dos EUA e, eventualmente, conforme o humor de Trump, de seus aliados, respondendo diretamente à ameaça de mísseis balísticos de longo alcance.
Este orçamento reflete uma economia de guerra, com cortes
de até 10% em agências civis (como a EPA e NIH) para priorizar o que Trump
chama de "Dream Military" (Exército dos
Sonhos).
No contexto do orçamento dos EUA para 2027, são duas as maiores e mais importantes agências federais que enfrentarão propostas de cortes para priorizar os gastos militares
1. EPA (Environmental Protection Agency) Agência de Proteção Ambiental, o órgão responsável por criar e fazer cumprir as leis ambientais nos Estados Unidos, monitorar a qualidade do ar e da água, regular a emissão de poluentes por indústrias e veículos, gerenciar resíduos perigosos e liderar esforços contra a mudança climática. Em governos de perfil focado em expansão militar (como o de Trump), a EPA sofrerá cortes sob o argumento de reduzir a "burocracia" que, segundo essa visão, travaria o crescimento industrial e o setor de energia.
2. NIH (National Institutes of Health) Institutos Nacionais de Saúde. É a principal agência do governo americano responsável por pesquisas biomédicas e de saúde pública. É o maior financiador de pesquisas médicas do mundo. Financia estudos sobre o câncer, Alzheimer, vacinas, doenças raras e o desenvolvimento de novos medicamentos. O NIH opera laboratórios próprios e distribui bilhões de dólares em bolsas para universidades e cientistas. É alvo de cortes exatamente devido ao seu orçamento bilionário. O NIH é frequentemente percebido pelas correntes militaristas como uma fonte de recursos que pode ser "redirecionada" em tempos de economia de guerra ou crise fiscal para sustentar aumentos drásticos no Pentágono. Em tese, o Pentágono cuidaria da defesa contra ameaça externa, a EPA cuidaria da saúde do meio ambiente e o NIH cuidaria da saúde da população através da ciência. No orçamento de 2027, o governo propõe tirar dinheiro dessas áreas "internas" para financiar o Pentágono e o Departamernto de Guerra, apelido dado por Trump ao Departamento de Defesa, para a reconstrução acelerada do poderio militar no Golfo.
Não o fará sem protestos do Congresso e do povo. A reação tem sido de forte polarização e crescente ceticismo. No Congresso, o líder dos Democratas do Senado, Chuck Schumer, classificou a proposta de orçamento como "podre até o âmago" e prometeu rejeitá-la, criticando os cortes em programas sociais para financiar a guerra. Embora muitos apoiem o fortalecimento militar, há uma ala de Republicanos, os chamados "falcões fiscais" e membros como a deputada Lauren Boebert que expressaram resistência a novos gastos suplementares bilionários de Trump.
Nas pesquisas de Opinião Pública, a aprovação acelerou a descida. Uma pesquisa recente da CNN/SSRS mostra que apenas 34% dos americanos aprovam a ação militar, uma queda de 7 pontos desde o início do conflito. Cerca de 77% da população se opõe ao pedido de US$ 200 bilhões adicionais para a guerra.
O descontentamento é também impulsionado pela alta dos combustíveis; o preço médio da gasolina subiu mais de US$ 1,00 por galão.
Essa resistência coloca o governo em uma posição difícil
antes das eleições de meio de mandato (midterms) de novembro de 2026, com o
povo questionando aos milhões nas ruas das principais cidades se o custo da guerra vale o sacrifício de agências como a EPA
e o NIH.
A todas essas enquanto aguardam a chegada do “maior
e melhor porta-aviões do mundo”, a situação permanece crítica no Estreito de Ormuz
devido ao custo e ao risco operacional. O Pentágono continua enfrentando
dificuldades para movimentar equipamentos pesados, pois aviões de carga C-17
Globemaster estão sendo desviados de rotas diretas para evitar sistemas de
defesa aérea iranianos de longo alcance. A Guarda Revolucionária do Irã emitiu
um ultimato ameaçando atacar instalações de 18 empresas americanas na
região, incluindo Boeing e Microsoft, o que pode impactar a logística
civil-militar.
Uma pesquisa recente da CNN/SSRS mostra que apenas 34% dos americanos aprovam a ação militar, uma queda de 7 pontos desde o início do conflito.
Investidores temem que o orçamento recorde de
US$ 1,5 trilhão seja drenado para "necessidades operacionais
imediatas" em vez de lucros e dividendos.
O
Pentágono e o governo iraniano também travam uma guerra de narrativas. Atualmente,
as perdas militares dos EUA no conflito com o Irã ultrapassem US$ 1,9
bilhão. Esse valor reflete não apenas os abates recentes, mas também incidentes
críticos de fogo amigo e destruição de infraestrutura estratégica de alto
custo. Dados confirmados revelam a perda de duas aeronaves de alto valor
em menos de 48 horas, um F-15E Strike Eagle, avaliado em US$ 95 milhões, abatido
por defesas aéreas iranianas (possivelmente um sistema Bavar-373 ou Khordad-15)
em uma zona montanhosa. O outro avião era um A-10 Warthog, abatido próximo ao
Estreito de Ormuz enquanto realizava missões de patrulha marítima contra
lanchas rápidas, avaliado em cerca de US$ 18 milhões.
A semana que passou registrou problemas com helicópteros
e logística. As primeiras tentativas de resgate do segundo piloto do F-15E expuseram
vulnerabilidades dos EUA. Dois helicópteros de resgate Black Hawks foram
atingidos por fogo de solo (armas leves e RPGs). Não caíram, mas abortaram a
missão inicial e retornaram à base para reparos emergenciais. Também o transporte
de tropas da 82ª Divisão Aerotransportada enfrenta gargalos
logísticos. O envio de equipamentos pesados para as bases na Arábia Saudita e
Jordânia está lento devido à ameaça de mísseis balísticos iranianos contra
aviões de carga C-17, forçando rotas mais longas e caras.
Já o porta-aviões USS Gerald R. Ford (CVN-78), deixou
o porto de Split, na Croácia, em 2 de abril de 2026. O navio fora retirado
do teatro de operações do Estreito de Ormuz para reparar danos decorrentes de incêndio
na lavanderia ocorrido em março, que afetou áreas de alojamento e sistemas
elétricos internos e eletrônicos no equipamento de lançamento e pouso de
aeronaves.
A Marinha aproveitou a escala de reparos do “maior e mais moderno porta-aviões do mundo” em Creta e na Croácia, no Mediterrâneo, para o que chamam de "rearmazenamento total", de munições de precisão para caças F-35C, mantimentos para os 4.500 tripulantes e combustível.
A operação
estratégica levantou a hipótese de que o USS Gerald Ford foi por três semanas uma
baleia desarmada e fora de condições de operações. No momento, o USS Gerald R.
Ford navega pelo Mediterrâneo Oriental, em direção ao Canal de Suez. A suposição
é que volte ao Grupo de Combate no Mar Arábico e Estreito de Ormuz.
O incidente mais caro de fogo amigo ocorreu em
2 de março de 2026, quando as defesas aéreas do Kuwait abateram por
engano 3 caças F-15E Strike Eagle, acumulando ao balanço um custo de reposição
de aproximadamente US$ 351 milhões.
A destruição de Infraestrutura no Catar
determinou a perda financeira individual mais significativa na região até aqui.
Os custos das perdas no sistema de alerta precoce Radar AN/FPS-132 da Base de
Al Udeid foram avaliados em US$ 1,1 bilhão. Danos em terminais de
comunicação por satélite no Bahrein chegaram a US$ 500 milhões.
Total de Ativos Perdidos
|
Item |
Local/Causa |
Custo Estimado |
|
Radar AN/FPS-132 |
Catar (Ataque Irã) |
US$ 1,1 Bilhão |
|
3 Caças F-15E |
Kuwait (Fogo Amigo) |
US$ 282 - 351 Milhões |
|
Radar AN/TPY-2 (THAAD) |
Emirados Árabes (Ataque Irã) |
US$ 500 Milhões |
|
Aeronaves Individuais |
Irã/Golfo (Combate) |
~US$ 113 Milhões |
|
Total Estimado |
Região do Golfo |
~US$ 1,98 Bilhão |
Os valores são baseados em estimativas de
mercado e dados compilados por agências como a Anadolu.
Na outra ponta da gangorra, a "verdade do momento" é revelada pelos mercados financeiros, ainda de extrema volatilidade nesta primeira semana de abril, com investidores oscilando entre o medo de uma guerra prolongada e a esperança de uma resolução rápida anunciada pelo governo Trump.
As gigantes das armas convivem com a pressão contraditória
do recorde de pedidos e das dificuldades de entrega rápida. Após
dispararem no início do ano (a Lockheed Martin subiu 30% em 2026), as
ações do setor de defesa recuaram cerca de 8% em março.
Aceleração Industrial:Lockheed Martin: Acordo
histórico para quadruplicar a produção de mísseis de precisão (PrSM) para repor
os estoques no Golfo.
RTX (Raytheon): Reportou recorde de US$
268 bilhões em pedidos acumulados, impulsionado pela demanda por sistemas de
defesa de mísseis no Oriente Médio.
Drones: Fabricantes de tecnologia não
tripulada viram suas ações dispararem devido ao uso massivo de drones no
conflito.
2. Setor Petrolífero e Commodities
O petróleo tem sido o termômetro direto da
guerra, com preços reagindo a cada postagem nas redes sociais e movimento no
Estreito de Ormuz.
Preços do Barril: O petróleo Brent saltou
de US$ 119, recuando recentemente para a casa dos US$ 107 após
sinais de desescalada.
Desempenho das Petroleiras:
Lucros em Alta: Empresas
como ExxonMobil e Shell estão entre as maiores ganhadoras,
beneficiadas pela alta de 8% a 13% no preço bruto da commodity.
Brasil (Petrobras): As ações
da Petrobras atingiram recordes históricos, aproximando-se de R$
50,00, impulsionadas pelo papel do Brasil como exportador líquido em meio à
crise global de suprimentos.
Gás Natural: Os preços dispararam após o
Catar suspender a produção de GNL, elevando ações de empresas como a CNX
Resources.
O presidente Donald Trump confirmou oficialmente no domingo 05/04 que o segundo tripulante do F-15E Strike Eagle foi resgatado. O militar, identificado como um coronel e oficial de sistemas de armas, estaria "são e salvo", embora tenha sofrido ferimentos graves durante a ejeção ou no tempo em solo, disse. Descrita no estilo adverbial superlativo por Trump como "uma das mais ousadas da história americana", a missão de Busca e Resgate em Combate (CSAR) envolveu dezenas de aeronaves e ocorreu em território hostil nas montanhas do Irã.
O governo do
Iraniano contestou o anúncio, alegando ter abatido até
três aeronaves adicionais (incluindo helicópteros) durante a tentativa de
resgate.
3. USS Gerald R. Ford e o "Ultimato"
Após o reabastecimento na Croácia, o
porta-aviões retorna ao teatro de operações para reassumir suas funções estratégicas.
Consertado e rearmado "o melhor e maior navio domundo", posto fora de combate por "um incêndio de 32 horas na lavanderia" , Trump voltou a subir o tom, alertando que, caso o Irã não reabra o Estreito de Ormuz até terça-feira, os EUA poderão atingir infraestruturas críticas como pontes e usinas de energia.
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