03 abril, 2026

Um infeliz vazio, profundo e tenso

A estas horas, há quase dois milênios, o corpo de Jesus acabara de ser depositado no sepulcro de José de Arimatéia, enquanto o sol se punha e o descanso do Shabat começava. No palácio, a articulação de Caifás não parava: ele convencia Pilatos de que o túmulo não podia ficar desprotegido, exigindo do prefeito da ocupação romana que fosse selada a entrada com o lacre oficial do império. O nazareno, morto pela escolha do povo em favor de Barrabás, deveria permanecer sob o peso da pedra, silenciando o que a cúpula do Sinédrio chamava de impostura. 

        Ilustrações: Nana Banana (via Gemini/Google).

Por uma ironia que atravessa os séculos, o cenário de hoje em Jerusalém ecoa aquele isolamento. Sob ordens de líderes atuais e em meio a tensões geopolíticas, as portas do Santo Sepulcro viram-se novamente cerradas, confinando líderes e afastando a multidão de seguidores de Jesus. O que ocorreu no Domingo de Ramos repete-se agora: o acesso ao sagrado é mediado pelo controle do Estado, recriando a atmosfera de vulnerabilidade e portas trancadas que marcou os primeiros seguidores de Jesus. Entre o selo de Pilatos e as restrições modernas da polícia de Netanyahu, o Sepulcro permanece como o epicentro onde a fé e o poder político continuam a se tensionar diretamente."

O sol se punha e o descanso do Shabat começava sob uma tensão invisível. No palácio, a articulação de Caifás vencera e convencera Pilatos de que selar e vigiar o túmulo era essencial  para o projeto do Sinédrio e do Império Romano: silenciar de vez o nazareno, ainda que já morto o homem. Naquela noite, deveria restar apenas o silêncio da tumba vigiada.

Por uma ironia que atravessa os séculos, o cenário da Páscoa em 2026 em Jerusalém ecoa aquele enclausuramento. Sob ordens de líderes locais atuais e em meio a tensões geopolíticas, as portas do Santo Sepulcro viram-se novamente cerradas para a multidão já no Domingo de Ramos, cena que se repetiu nesta sexta-feira, quando o acesso ao sagrado foi mediado pelo controle estatal e pela segurança armada, confinando a liturgia e afastando o povo. 

Entre o lacre de cera e cordas de Pilatos e as grades modernas, o Sepulcro permanece como o epicentro onde a fé e o poder político continuam a se tensionar, circunstanciados por portas que não se abrem.

No jardim de José de Arimatéia, pesada pedra circular já rolada, encerrava o corpo de Jesus na frieza da rocha, o romano impondo a autoridade de Pilatos, advertindo que qualquer violação seria um crime contra o Império, tranqulizada a cúpula do Sinédrio, descansava crente de ter sufocado a 'impostura', a pedra selada tornava-se o símbolo máximo do aparente triunfo da morte.

Hoje em Jerusalém, o Santo Sepulcro, herdeiro daquele local, encontra-se novamente sob o peso de decisões políticas e tensões de segurança. As portas cerradas para a multidão e a ausência do povo que ali esteve por quase dois milênios na Sexta-Feira da Paixão recuperam dramaticamente as tensões daquele isolamento original. Entre a pedra de outrora e as grades de agora, o silêncio continua sendo a resposta do poder temporal diante da inquietude da fé. (Ah, sim, há uma guerra  em andamento, reiniciada por  Netanyahu e Trump). 

Texto: ABC em colaboração com Gemini (IA da Google).

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